ir para o conteúdo
 • 

Estante de Letrinhas

“Os cavaleiros andantes
Contra o mal moviam guerra,
Por isso são conhecidos
Nos quatro cantos da Terra,
Como aquele a quem chamavam
De Palmeirim de Inglaterra.”
Palmeirim de Inglaterra

De origem portuguesa, a literatura de cordel, ou folhetos de cordel, ganhou força e se consagrou no Brasil na Região Nordeste. Tipo de poesia narrativa e popular, escrita em versos rimados e metrificados, esse tipo de texto era geralmente impresso em papel jornal.

Considerado uma espécie de elo vivo entre a história dos trovadores europeus e a contemporânea, o cordel normalmente resgata narrativas de reinos encantados, cavaleiros e dragões. Mas a temática dos textos mais recentes é mais ampla – há histórias sobre Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau e sobre o Coelho e o Jabuti (veja abaixo alguns títulos lançados recentemente).

Especialistas consideram O Menino Que Viajou Num Cometa, do poeta Raimundo Santa Helena, nascido em 1926 na Paraíba, o primeiro cordel escrito para crianças. Publicado em folhetos, virou livro apenas em 2003.

O cordelista Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, descobriu o apelo que esse tipo de texto tinha com as crianças em 1989, quando escreveu a Lenda do Saci Pererê. “Percebi com surpresa, quando colocava meus folhetos na banca em São Cristovão, que o Saci Pererê vendia tanto quanto textos de humor.”

Para o escritor Arievaldo Viana, autor de mais de cem títulos de cordel tradicional, é principalmente a linguagem simples, acessível, que tanto atrai. “A leitura é agradável e tem um ritmo único.”

No Brasil, a produção de cordel para crianças despontou para o grande público quando o Plano Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), do Ministério da Educação (MEC), incluiu, entre os gêneros de interesse, o cordel. A decisão foi um incentivo para as editoras apostarem no formato, beneficiando escritores, ilustradores e, claro, os leitores. “A iniciativa do governo teve forte influência”, conta Laura Van Boekel, editora da Escrita Fina, que publicou seis livros em cordel para crianças entre 2011 e 2012. “O cordel é uma manifestação popular nossa. Estamos trazendo algo que fala do povo brasileiro, nas nossas raízes”, diz Laura.

Comente!

08.maio.2013 14:45:23

O saci e a bola

Era uma vez um Saci que ganhou de aniversário uma bola de futebol de seus amigos da floresta. Mas como chutá-la com um pé só?

Para tentar responder a questão, o Saci sai à procura dos amigos. O Curipira diz que não pode ensiná-lo porque chuta para um lado e para a bola vai para o outro. A Mula Sem Cabeça conta que pode queimar a bola com sua cabeça de fogo se tentar brincar com ela. Já a Cuca considera a ideia maluca, pois tem pressa para colocar as crianças na cama e não pode perder tempo.  Nem o Lobisomem nem o Boto nem Iara, ninguém consegue ajudar o Saci.

O Saci fica jururu, mas descobre que sua bola na verdade era um Tatu! Para que ele não fique mais triste, seus amigos resolvem dar um novo presente. O que será?

O Presente do Saci, lançamento da Globinho, tem texto do poeta Lalau e ilustradores da artista plástica Laurabeatriz. E é ótimo especialmente para as crianças que estão começando a ler em letra bastão (aquela de forma, maiúscula).

Serviço
O Presente do Saci
Escritor: Lalau
Ilustradora: Laurabeatriz
Editora: Globinho
Preço: R$ 36

Comente!

O Estado publicou hoje uma matéria muito interessante sobre o mercado português de literatura infantil e, mais especificamente, sobre a Planeta Tangerina – editora de um livro que postei recentemente, O Mundo Num Segundo, que chegou ao Brasil pela Peirópolis. A reportagem é da Thais Caramico, editora do sensacional Garatujas Fantásticas, uma revista digital para crianças (e, claro, para seus pais também!).

Clique aqui para ler a reportagem.

Comente!

Carlota é uma menina cheia de imaginação. Tem dias que acorda achando que já está na escola e pergunta para a mãe: “Como é que se sabe direito quando a gente está sonhando e quando a gente está acordada?”. Tem outros que acorda sonhando que é uma princesa. Nesses dias, briga com a mãe porque não quer vestir a roupa que ela escolheu e bate o pé para usar seu vestido de princesa – apesar do frio, que, claro, só a chata da mãe sente. Na disputa sobre o que vestir – e rápido para que nenhuma das duas se atrase para a escola ou o trabalho -, a mãe entra na imaginação da filha.

Mas a imaginação fértil – e os medos – aparecem também à noite, quando a mãe, já cansada, insiste para que a menina durma. Mas ela vê monstros em seu quarto. Não um, mas sete, coloridos. Paciente, a mãe vai diversas vezes ao quarto de Carlota mostrar que os tais monstros não existem – nem com a luz acesa nem com a luz apagada. O problema só acaba quando, de novo, a mãe mergulha na imaginação da filha.

Carlota Quer Ser Princesa e Carlota e Os Monstros, da escritora Doris Dörrie – apontada como uma das melhores narradoras da literatura alemã contemporânea -, falam dessa fase em que as crianças confundem realidade e imaginação. E que, infelizmente (ou não), passa tão rápido.

Serviço
Carlota Quer Ser Princesa
Carlota e Os Monstros
Escritora: Doris Dörrie
Ilustradora: Julia Kaergel
Tradução: Angel Bojadsen
Editora: Estação Liberdade
Preços: R$ 33 (princesa) e R$ 34 (monstros)

Comente!

Você gosta de histórias com finais surpreendentes? Então você precisa conhecer O Lobinho Bom, da escritora e ilustradora Nadia Shireen, lançamento da editora Brinque-Book.

Neste livro, Nadia apresenta dona Julieta, uma senhora de cabelos azuis, e Rolf, um lobinho diferente, que gosta de fazer bolos, comer legumes e ser leal com os amigos. Dona Julieta explica que nem todos os lobos são bons, e Rolf torce para que nunca se depare com um grande lobo mau.

Mas ele encontra. E o grande lobo mau não acredita que Rolf é, de fato, um lobo. Rolf explica: “É porque eu sou um lobo. Sou um lobo bom”. Em vão. O grande lobo mau retruca e diz que os verdadeiros lobos uivam ao luar, derrubam casas e comem gente. Rolf tenta, mas descobre que não consegue fazer nada disso.

Para provar que pode, sim, ser um lobo de verdade, Rolf se transfigura, parte para cima do colega e o imobiliza.

Mas um lobo de verdade não deixaria essa brincadeira barata, deixaria?

A ilustrações de Nadia são apaixonantes. Impossível não gostar do lobinho bom, que segura como gente lã colorida para dona Julieta tricotar e cantarola ao bater bolo com colher de pau.

O Lobinho Bom recebeu menção honrosa no Prêmio Bologna Ragazzi, na categoria Opera Prima, e foi indicado aos prestigiosos Kate Greenway Medal e Waterstones Children’s Prize.

Serviço
O Lobinho Bom
Escritora e ilustradora:  Nadia Shireen
Tradutora: Gilda de Aquino
Editora: Brinque-Book
Preço:  R$ 26,90

Comente!

A jornalista americana Victoria Griffth logo percebeu a irritação do marido, brasileiro, quando uma das três filhas do casal entrou em casa dizendo que os irmãos Wright eram os pais da aviação. E assim, em meio à discussão familiar, surgiu a ideia de pesquisar e escrever um livro sobre Santos Dumont para crianças.

Lançado em setembro de 2011 nos Estados Unidos, As Fabulosas Máquinas Voadoras de Alberto Santos Dumont chegou recentemente às livrarias brasileiras. “Esta história tem tudo a ver com o Brasil. É como se o livro encontrasse a sua casa”, conta Victoria, com um português perfeito.

No livro, Victoria conta que Santos Dumont adorava sobrevoar Paris com o dirigível que havia inventado e que o tornara um dos homens mais famosos na cidade. “Ele saía de casa com o balão para fazer as tarefas diárias. Eu adoraria isso!”, diz a jornalista, que estreia na literatura infantil. Também fala sobre a amizade de Santos Dumont com Louis Cartier, um inventor de relógios de bolso e joias, e o presente que este deu ao aviador.

Outra história curiosa contada por Victoria é a concorrência feita por Louis Blériot, que afirmava que seria ele o primeiro a voar, não Santos Dumont.

“A história de Dumont é muito inspiradora. Os irmãos Wrigtht queriam voar pelo dinheiro; Dumont, para realizar um sonho. Além disso, a relação com Cartier também é uma inspiração”, diz Victoria.

As ilustrações, feitas pela italiana Eva Montanari, são suaves: os traços são delicados, assim como as cores.

No fim, há um texto escrito pela autora, que explica suas razões para o livro, e fotos de Santos Dumont – em uma delas, de 19 de outubro de 1901, ele aparece dando uma volta com seu dirigível na Torre Eiffel.

Serviço
As Fabulosas Máquinas Voadoras de Alberto Santos Dumont
Escritora: Victoria Griffth
Ilustradora: Eva Montanari
Editora: Fundamento
Preço: R$ 14,90

Comente!

Em um 2 de abril, há exatos 208 anos, nascia um dos mais importantes escritores, o dinamarquês Hans Christian Andersen.

Andersen é autor de histórias que fizeram e continuam fazendo parte da vida de crianças e de adultos de todo o mundo,  como O Patinho Feio, O Soldadinho de Chumbo, A Roupa Nova do Rei, A Pequena Vendedora de Fósforos e A Polegarzinha.

Não por acaso, em 2 de abril também se comemora o Dia Internacional do Livro Infantil.

Em um mergulho no Acervo do Estado, descobri que o Dia Internacional do Livro Infantil foi pouco citado desde a sua criação. E encontrei um texto de 16 de janeiro de 1959, de Frederico Borghini, chamado Relendo os Contos de Andersen, que coloco abaixo. É curioso, vale a pena.

Nele, o autor narra a vida pobre de Andersen e conta como ele deixou de “escrever livros que não interessavam a ninguém, para escrever deliciosos contos que interessavam a todos”. Revela também um pouco do que pensa sobre a literatura infantil: “Andersen é um grande escritor, mas não é um simples autor de contos infantis, pois esses são tristes, profundamente belos, muitas vezes amorais. Nesses contos, vistos em seu conjunto, há uma profunda e desconsolada descrição do ser humano, cheio de defeitos e vaidades”.

E quem disse que a literatura infantil também não pode ser profunda e reveladora?

Comente!

27.março.2013 22:54:38

Da vergonha ao orgulho

Em Vovô Frank É Um Show, o escritor e ilustrador David Mackintosh conta a história de um menino que tem de levar para a escola um membro de sua família para uma atividade chamada Apresente e Explique. A ideia é simples: os alunos escolhem uma pessoa e falam sobre ela para os colegas, mostrando as coisas de que ela gosta ou não.

Mas o que é aparentemente fácil se transforma em um problema para o menino. A mãe está ocupada, o pai sugere que ele leve a irmãzinha e, no fim, sobra apenas o avô. “Mas ele é só um avô”, pensa o neto. E, além de ser apenas um avô, é um homem que pensa – e faz questão de dizer a todo instante – que a vida antigamente era muito melhor. “Hoje em dia há muitas invenções e bugigangas. Eu prefiro tudo à moda antiga.”

Para piorar, os amigos parecem ter pessoas muito mais interessantes para apresentar. Até que chega o dia da atividade e o menino, sem alternativa, leva o avô a contragosto. E descobre coisas que jamais havia imaginado.

Serviço
Vovô Frank É Um Show
Escritor e ilustrador: David Mackintosh
Tradutora: Mila Dezan
Editora: Caramelo
Preço: R$ 39

Comente!

Por sua “capacidade de mostrar os absurdos do mundo adulto para as crianças”, a escritora e ilustradora argentina Marisol Misenta, a Isol, foi agraciada hoje com o Prêmio Astrid Lindgren (Alma) 2013, uma das mais importantes premiações da literatura infantil no mundo.

O juri justificou a escolha dizendo que Isol cria livros com imagens “sob a perspectiva das crianças”, que “vibram com energia e emoções explosivas”. “Tomando o claro ponto de vista das crianças como partida, ela aborda suas perguntas com uma expressão artística poderosa e oferece respostas abertas. Com humor liberador e rapidez, trata também dos aspectos mais sombrios da existência”, afirma o comunicado distribuído pela Fundação Astrid Lindgren, na Suécia. Isol receberá 549 mil euros, o equivalente a R$ 1,54 milhão.

Nascida em 1972, Isol estreou no mundo da literatura aos 25 anos, com Vida de Perros e desde então escreveu e ilustrou uma dezena de livros, publicados em mais de 20 países, além de ter colaborado com outros autores, principalmente com o poeta argentino Jorge Luján. Seu último livro, La Bella Griselda, é a história de uma princesa cujos pretendentes literalmente perdem a cabeça por ela.

A escritora contou à agência de notícias Reuters que foi acordada às 6h30 pelos organizadores do prêmio com a notícia. “É inacreditável. Estou tendo de resgatar o meu inglês, que está bastante enferrujado”, brincou.

A premiação. O Prêmio Astrid Lindgren reconhece escritores, ilustradores e iniciativas que incentivam a leitura. O objetivo do prêmio é potencializar e aumentar o interesse pela literatura infantil e juvenil no mundo e fomentar o direito das crianças à cultura. A premiação foi criada em 2003 pelo governo sueco, um ano após a morte da escritora Astrid Lindgren, criadora da popular Pippi Meialonga.

Isol passa a integrar a lista de premiados, que inclui o holandês Guus Kuijer (2012), a australiana Sonya Hartnett (2008) e o Banco do Livro da Venezuela (2007).

Depois do papa Francisco, os argentinos definitivamente conquistaram a Itália.

Comente!

Os encontros e desencontros de uma amizade e os caminhos que às vezes afastam e às vezes aproximam são o centro de Era Uma Vez Duas Linhas, do escritor Alonso Alvarez e do ilustrador Marcelo Cipis. Alvarez lança mão de algo tão simples como uma linha para tratar de algo profundo como a amizade.

As duas linhas, um dia, saem pelo mundo por uma porta aberta. Juntas, entram em lugares profundos, tortuosos, altos e baixos. Se divertem no mar, nas nuvens, num arco-íris.

Até que as linhas chegam a uma grande cidade e, em vez de brincarem juntas, passam a fazer trajetos diferentes. A mais corajosa se aventura por prédios e edifícios, enquanto a outra percorre praças e dobra esquinas. Então, numa bifurcação, as duas se separam.

As ilustrações trazem o traço marcante de Cipis, forte e simples.

Serviço
Era Uma Vez Duas Linhas
Escritor: Alonso Alvarez
Ilustrador: Marcelo Cipis
Editora: Iluminuras
Preço: R$ 35

Comente!

  • Quem Faz

    Quem Faz

    Bia Reis

    É jornalista, editora-assistente de Vida, mãe de dois moleques devoradores de livros. Ainda guarda as edições de Chapeuzinho Amarelo e Lúcia Já-Vou-Indo que ganhou de seus pais quando criança.
    Contato: bia.reis@estadao.com

Comentários recentes

  • Bia Reis: Obrigada, Vini! Concordo inteiramente! Beijão
  • Vinicius Precioso: Parabéns, Bia Reis, pela escolha do tema. É de pequeno que se desperta o gosto pela leitura....

Arquivos

Blogs do Estadão
Fechar

Para continuar lendo o Estadão, faça já o seu cadastro. É rápido e fácil.

Seus dados serão guardados de forma segura e não serão compartilhados.

Quero me cadastrar Sou assinante Já sou cadastrado
SOU ASSINANTE - ACESSO
Esqueci minha senha
JÁ SOU CADASTRADO

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão.

Esqueci minha senha
QUERO CRIAR MEU LOGIN

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha.

ESQUECI MINHA SENHA

QUERO ME CADASTRAR

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo.

CADASTRO REALIZADO

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail .
Clique no link fornecido e crie sua senha.


Importante!
Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail está ativado.

QUERO ME CADASTRAR

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo.