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Estadinho

10.julho.2013 07:04:14

Revolução alimentar

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(Por Aryane Cararo)

Houve um tempo em que as minhocas comiam amendoins. Verdade. A ilustradora e escritora francesa Élisa Géhin lembra bem. O resto era mais ou menos como você conhece hoje: os passarinhos comiam as minhocas e os gatos comiam os passarinhos. E ninguém comia os gatos. Naquele tempo, eu preferia ter nascido gato, porque nascer minhoca significava ser comida pelo passarinho e, depois, ir morar no estômago do gato. Isso irritava as minhocas. Eu ficaria irritada também.

Aquela era a ordem. Mas a minhoca decidiu quebrar: foi lá e comeu o gato. Ela acabou comida pelo passarinho que, a essa altura, também tinha um gato na barriga. Mas outro gato foi lá e comeu o passarinho. Assim, o gato também tinha comido um gato. Isso não podia. Sempre dá confusão. E todo mundo sabe o que acontece em casos como esse: explosão.

E, naquela confusão, não tinha mais ordem na cadeia alimentar. Todo mundo virou almoço do outro. Foi tanta bagunça que, no fim, ninguém mais queria comer ninguém. Isso foi quando entrou o amendoim de novo na história. Gato e passarinho começaram a se alimentar de amendoim e não sobrou nadinha para as minhocas. Foi a partir daí que elas tiveram de mudar seus hábitos alimentares. Pensa que elas gostaram da mudança? Nem um pouquinho. Um dia, quando você vir um passarinho comendo um gato ou um felino explodindo por aí, já sabe o que aconteceu, não é?

Essa não é uma história engraçada e incrível? As ilustrações deixam tudo ainda mais divertido. Mas, se a gente deixar o riso de lado, vai ver como se faz um levante bicho-popular. Aqueles que sempre se dão mal, acabam subvertendo a ordem. O problema é que a minhoca não se deu bem no final. Só que essa é só a história que a Élisa escreveu. E quem disse que as histórias da vida real precisam acabar sempre assim? Cada um pode construir a sua.

Minhocas Comem Amendoins. Autora: Élisa Géhin. Ed. Pequena Zahar, R$ 39,90

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(Por Aryane Cararo)

Ultimamente, o Lobo Mau anda se dando muito mal. Tem livro que faz ele passar vergonha vestido de vovozinha, como O Mais Malandro, do qual já falamos. Em Quando o Lobo Tem Fome, o lobo também não se dá muito bem. Mas acaba surpreendido no final. É que ele não consegue fazer nada daquilo que queria: jantar um coelho urbano.

A cada tentativa de ataque ao coelho, o lobo acabava sem sua arma. Numa hora, perdeu a faca. Na outra, emprestou a corda para o gambá. Em outra ocasião, teve de dar a motosserra para o urso. No fim, ficou sem nada. E, quando decidiu atacar usando só as próprias mãos, foi surpreendido pelos bichos, todos vizinhos do coelho, fazendo um churrasco com todas as suas coisas. No fim, de lobo solitário no meio do bosque, ele vira um lobo vegetariano (e acompanhado) no prédio da cidade.

Quando o Lobo Tem Fome. Texto: Christine Naumann-Villemin. Ilustrações: Kris Di Giacomo. Berlendis & Vertecchia Editores, R$ 37.

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(Por Aryane Cararo)

Qual é sua receita para dormir? Muita gente conta carneirinho quando está sem sono. Você já experimentou? A ideia é ficar imaginando os carneirinhos em fila pulando uma cerquinha (ou do jeito que você preferir). Não sei se dá sono ou se irrita quando os carneirinhos já são mais de cem. Mas o fato é que no livro Um, Dois, Três… Carneirinhos!, de Mij Kelly, há um homem que morre de sono quando vai contar suas dez ovelhas. Ele não chega até o cinco!

Um dia, um lobo vestido de carneiro bate à porta e, como ele não conseguia contar até o fim sem dormir, quase deixou o lobo entrar. Foi preciso esperteza das ovelhas para driblar a situação. Um livro bom para quem está aprendendo a contar. Será que você também vai dormir?

Um, Dois, Três… Carneirinhos! Texto: Mij Kelly. Ilustrações: Russell Ayto. Globinho, R$ 36

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13.maio.2013 07:00:33

A maior pergunta

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(Por Aryane Cararo)

Quem é você? Veja bem, eu não quero saber de nomes e sobrenomes. Quem você é, e não como você se chama. Loiro, ruivo, moreno, alto, baixo, gordo, magro. Isso ajuda, mas não define quem é você. Está ficando difícil, não é? Como, então, dizer quem é você?

Pois foi o tormento de Nina no dia em que essa perguntinha grudou em seus ouvidos. Ela não conseguiu dormir. Foi perguntar para o lobo, a chuva, o faroleiro, o vento, Marcelo… E voltou para casa sem resposta. Mas, num relance, ela se olhou no espelho, se encarou e descobriu ali quem era ela. “O que você vive e o que você ama… Tudo isso junto.”

E agora que você já sabe o segredo, eu pergunto de novo: Quem é você?

Nina. Autor: David Ausloos. Edições SM, R$ 32,30

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08.maio.2013 07:00:22

João Formiga folgado

(Por Aryane Cararo)

As histórias, muitas vezes, têm o poder de serem mais interessantes do que a realidade, não acha? Pois as formigas que eram colegas de formigueiro de João Formiga achavam. Se não fosse assim, o folgado do João não passaria o dia tirando sonecas, sem trabalhar, enquanto as outras carregavam nas costas a comida para todo o formigueiro. João era um ótimo contador de histórias, mas contador das aventuras que seu avô, uma destemida formiga, viveu. Era tão bom que as outras formigas até se esqueciam de ficar bravas com ele, quando não fazia suas tarefas. E elas estavam tão acostumadas a ouvir os relatos fantásticos do avô do João que, quando ele saiu pra viver suas próprias aventuras, todos logo imaginaram que João estava atravessando (e vencendo) perigos incríveis durante uma tempestade. Quando elas descobriram que ele só estava tirando um cochilo enquanto a chuva caia, ficaram até decepcionadas.

É até engraçado ver uma formiga preguiçosa. A gente está tão acostumado a ver sempre a figura da formiga trabalhadora e da cigarra fanfarrona, que não pensa que em um formigueiro com milhares de formigas pode, sim, ter uma que gosta é de tirar um cochilo. É isso o que esse livro, de ilustrações de traços simples e bacanas, traz.

João Formiga. Autor: Gustavo Roldán. WMF Martins Fontes, R$ 42.

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06.maio.2013 07:08:53

Fumaça

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(Por Aryane Cararo)

Fumaça é um livro triste, bastante triste. A história que ele conta, as lindas ilustrações que o acompanham, tudo é triste. Mas Fumaça é um livro daqueles que deve ser lido, para que a gente nunca esqueça de que as atrocidades, as maldades humanas não podem ser cometidas como já foram um dia. Não sei se você já ouviu falar em Holocausto. Essa palavra grandona é muito antiga, mas ficou muito marcada durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, quando falamos Holocausto, lembramos do Holocausto judeu. A palavra carrega nas sílabas o que de mais horrível o homem pode fazer contra ele mesmo: matar uns aos outros.

Foi o que aconteceu com milhões de pessoas, a maioria de judeus, durante a guerra. Eles eram mandados para campos de concentração, perdiam tudo o que tinham e precisavam fazer trabalhos forçados, ganhando pouquíssima comida em troca. Isso quem se salvava, porque muitos acabavam indo para câmaras de gás e eram mortos. Muitas crianças acabaram indo parar nesses lugares horrorosos e é uma história dessas que Fumaça conta. Desde quando o garoto foi separado do pai e ficou com a mãe no campo de concentração, perdendo todo o conforto de sua casa. Foi quando começou a sonhar com dragões de língua preta que queriam comê-lo. E é mais ou menos de dragões, com chaminés que cuspiam fumaça preta, que o menino tinha de fugir.

Eu disse que o livro era triste. E as ilustrações são de arrepiar. Dá um nó na garganta pensar que, apesar de essa história ser ficção, ela existiu de verdade, e na vida de um montão de meninos e meninas.

Fumaça. Texto: Antón Fortes. Ilustração Joanna Concejo. Editora Positivo, R$ 41,90.

 

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06.maio.2013 07:00:08

Objetos perdidos

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(Por Aryane Cararo)

Vivemos perdendo e encontrando coisas na rua, na escola, nos espaços públicos. Você já encontrou algum objeto que quis levar para casa? O que foi? Você chegou a se perguntar de quem poderia ser e a história que aquele objeto tinha vivido? Pois Hugo encontrou um chapéu esquecido num banco de praça no livro Chapéu. Imediatamente, ele começou a pensar em tudo o que poderia fazer com aquele chapéu: se proteger da chuva, do sol, fazer mágicas, deslizar em cima dele na neve. Ele queria levar para casa. Mas sua mãe fez uma simples pergunta: “E se alguém precisar deste chapéu?”

Hugo pensou na moça que molharia o cabelo na chuva, no salva-vidas torrando ao sol, no mágico sem truques e no menino que não brincaria na neve. E sabe o que Hugo fez? Pois tente imaginar!

Chapéu. Autor: Paul Hoppe. Brinque-book, R$ 31,80.

 

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01.maio.2013 07:00:49

Quantas Chapeuzinhos!

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(Por Aryane Cararo)

Sabia que nem sempre Chapeuzinho Vermelho acaba engolida pelo lobo? Depois que a história foi contada a primeira vez, muitas outras versões foram inventadas. A maioria só muda um ou outro detalhe. Mas algumas modificam terrivelmente o conto. E tornam essa obra clássica ainda mais viva e engraçada.

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Um desses livros é Uma Chapeuzinho Vermelho, de Marjolaine Leray. A começar pelo formato simpático, menorzinho, que cabe sem pesar na mochila. As ilustrações também são muito diferentes, feitas em lápis, usando o mínimo de cor (só vermelho, preto, cinza e branco), e tão simples que ficaram muito legais! Nesse livro, a Chapeuzinho não é nada boba. Muito pelo contrário, ela engana o lobo direitinho. O lobo se acha esperto sequestrando a menina e levando para a mesa que, quando ela começa a fazer perguntas, ele nem desconfia de seu plano. Ela diz que ele tem bafo e não quer ser engolida por ele e oferece, então, uma bala para melhorar o hálito. Mas essa não era uma bala normal. Digamos que ela é feita da mesma maçã da Branca de Neve…

(Uma Chapeuzinho Vermelho. Autora: Marjolaine Leray. Companhia das Letrinhas, R$ 32)

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Já em Chapeuzinho Redondo, uma história de Geoffroy de Pennart, a menina encontra o lobo a caminho da casa da avó e não resiste: acorda o bichão com uma corneta. O lobo toma um baita susto e, com a cara atordoada, é confundido pela Chapeuzinho com um cachorro. O coitado acaba atropelado na história e fica de cama na casa da vovó. O problema é que a menina acha que ele engoliu sua avó e bate com o candelabro nele. E esta é a história do lobo que não conseguiu ser mau e só se deu mal.

(Chapeuzinho Redondo. Autor: Geoffroy de Pennart. Brinque-Book, R$ 29)

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29.abril.2013 07:00:52

Em preto, branco e cinza

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(Por Aryane Cararo)

Um dia, a menina acordou e viu tudo cinza, preto e branco. Pensou que estava sonhando, mas os sonhos têm cores. Bom, deduziu que deveria ser um pesadelo, pois os pesadelos são assim, como um dia de tempestade carregado de cinza, branco e preto. Mas até os pesadelos tinham cor. Ela se olhou no espelho e não viu mais cor nenhuma. Nada mais tinha a cor de antes e tudo parecia ter perdido a graça. A mãe correu para levá-la ao médico. Mas o doutor disse apenas para dormir e descansar. Não adiantou nada: a menina não voltou a enxergar o mundo colorido.

Só que outra transformação havia acontecido naquela noite: ela não tinha mais medo. Pois havia descoberto que teria (e poderia), dali para a frente, colorir o mundo do seu próprio jeito.

Nessa história singela do livro A Menina Que Perdeu as Cores, com belas ilustrações de Anabella López, há muito o que se pensar. Não tem dias em que a gente acorda e parece que o mundo não tem graça? Ele fica meio assim preto e branco e cinza. Parece tudo triste, da cor das lágrimas, da cor do luto, da cor do vazio (o vazio tem cor?!). Então, você descobre que, às vezes, o mundo é assim mesmo, meio acinzentado. E que os únicos que podem fazer ele ficar mais alegre e colorido somos nós mesmos. Basta pegar o pincel da coragem e pintar o dia cinza.

A Menina Que Perdeu as Cores. Texto: Marcelo Moutinho. Ilustrações: Anabella López. Pallas Editora, R$ 35.

 

 

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23.abril.2013 07:00:37

Onde está o menino?

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(Por Aryane Cararo)

Este livro não tem história. E, por isso mesmo, talvez tenha muitas. Zoo, do espanhol Jesús Gabán, aglomera animais a cada dupla de páginas. Há bichos com pelos, que parecem pelúcia. Estão lá os quatis e o urso panda, por exemplo. Há os que têm carapaça dura. Como tatu, o caranguejo e o chifre do rinoceronte. Tem também os de pernas longas, como o flamingo, a garça e o colhereiro. Cada grupo está em uma página.

Mas uma coisa não muda. Em todas as páginas, um menino observa tudo de longe. Às vezes, quase se esconde. E é bem divertido procurar onde ele está. Nessa brincadeira, as ilustrações em nanquim e aquarela de Jesús revelam muitas outras coisas. Sutilezas como os olhos chorões nas asas das borboletas. Os filhotes de pássaro no topo do cactos. E a lesma no nariz da tartaruga, que quase parece um dinossauro. O livro que deixa para você contar a história que enxergar ali, surpreende pela beleza das ilustrações. Delicadas, com uma dose de surrealismo mágico e deliciosamente compostas.  Vale ficar um tempão observando cada página.

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Zoo. Autor: Jesús Gabán. Projeto Editora, R$ 36

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Comentários recentes

  • olivio jekupe: hoje em dia os autores indígenas estão cada vez mais publicando seus trabalhos, aqui na nossa aldeia...
  • kellynha: adorei só algumas que é meio sem sentido !!!
  • loana de campos: Adorei a sua ideia, vou tentar fazer
  • Liane: Olha, isso da própria criança gerenciar sua leitura é bem interessante, assim como vários outros aspectos...
  • giovanna: nãão , gosteei muito ;[[

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