No fim de semana, o friozinho anunciou que o inverno está próximo. E sabe o que a meninada fez para se esquentar? Aproveitou para curtir as histórias de Fernanda Ribeiro, sábado (dia 14), na Livraria Cultura
do Shopping Market Place. A professora, que chegou acompanhada pelo músico Henrique, contou três
histórias e esquentou a tarde em mais um Circuito Estadinho. Dá só uma olhada como foi:

Maria Carolina Saad de Souza Borgomoni, de 4 anos, foi uma das primeiras a sentar
no tapete lilás. Veio com o pai, Guilherme.

E olha que quase faltou espaço para tanta gente no tapete!
Todos queriam ouvir as animadas histórias de Fernanda, que começou com uma música, ao som de pandeiro.

O primeiro conto foi sobre uma piaba, um peixinho mágico que deu casa,
carro e até palácio para a mulher do pescador. Mas a moça nunca estava satisfeita.
Ana Sofia, de 5 anos, gostou.

De chupeta e fraldinha na mão, Lucas Bianchi Loiola, de 1 ano, ouvia tudo de pé.
Ou no colo de outras crianças (verdade!).
Elisa Viola Bertoncini, de 7 anos, ao lado do irmão Francisco e da mãe, também cedeu
seu colo para o Lucas. “Ele veio e sentou com tudo. Assustei, mas foi engraçado”, contou Elisa.

Friozinho mesmo só na barriga, com a história de um rapaz que foi buscar trabalho em uma
casa assombrada. Imaginem que lá havia uma rã imensa que estava enfeitiçada

Gabriela Fujita, de 1 ano, também prestou atenção.
Deu uma voltinha, como o Lucas, mas voltou logo para o lugar.

No final, depois do caso da menina que gastava sete sapatos por noite, todos puderam ver
os instrumentos musicais de perto. Antônio Pereira de Queiroz e Souza adorou o som dos ‘ferrinhos’.

Geovanna Cardoso, de 4 anos, preferiu o som do instrumento de madeira e fez questão de tirar a foto com ele perto do rosto. “É para combinar com minha janelinha”, explicou na tarde de sábado, que terminou bem quentinha
Se você gostou, prepare-se, pois semana que vem tem mais. O próximo Circuito Estadinho vai ser no próximo sábado (dia 21), na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos. Fábio Freire vai ensinar a fazer sons com o próprio corpo na oficina Percussão Corporal. Vamos lá?
Foto: Juca Vieira/Divulgação
Você vai ficar monstruoso com este pé de gigante da floresta. Aprenda com o Professor Sassá clicando aqui. Mas antes, imprima os moldes neste link. E corra para brincar!

Ilustrações: Jairo Rodrigues/AE
O Estadinho de papel de hoje (dia 14) fala sobre o espaço. Entrevistamos o astronauta Marcos Pontes para saber curiosidades da viagem que fez, há 5 anos. Aproveitamos também para relembrar o embarque do piloto Yuri Gagarin, da Força Aérea soviética, o primeiro homem a colocar os pés no espaço, no dia 12 de abril de 1961.
Clique no link das páginas a seguir para ler a matéria completa.
Como a conversa com o astroanauta foi longa, nem todas as informações foram para as páginas impressas. Leia mais sobre essa experiência na entrevista abaixo.

Estadinho: Marcos, você sempre quis ser astronauta?
Marcos Pontes: Na verdade, eu queria ser piloto. Esse era o meu primeiro sonho. Como eu não tinha dinheiro para fazer o curso, que exigia pagar muitas horas de voo, passei em um concurso da Aeronáutica e me formei piloto militar. Depois, virei instrutor de aviação de caça.
Quando você resolveu ser astronauta?
Foi bem depois. Fui estudar engenharia aeronáutica no ITA, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, e foi muito bom. Além de aprender muita coisa, virei uma espécie de 2 em 1: piloto e engenheiro. Então, toda vez que tinha um trabalho no exterior, a Força Aérea me mandava. Voei com a Força Aérea americana, com a Marinha americana e até com a Força Aérea russa, mas no Brasil. Comecei depois um mestrado em trajetórias orbitais, até que os Estados Unidos me convidaram para fazer um doutorado lá. Começou assim.
Como você foi parar no espaço?
Em 1998, a Nasa precisava selecionar um candidato para ser astronauta. Meu irmão viu um anúncio no jornal e me mostrou. Lá dizia que qualquer pessoa entre 25 e 45 anos poderia participar. Como eu já era da área, me interessei na hora. Na verdade, toda vez que voava à noite, uma das coisas que eu mais gostava era observar o céu e as estrelas. Comecei, então, a pensar nessa possibilidade. Prestei o concurso público e fui selecionado. Por dois anos, tive muitas aulas práticas e teóricas.
O que é preciso para ser astronauta?
Estudar muito, muito e muito. A carreira é civil, e não militar, como muitas pessoas pensam. Se você for militar, tudo bem, mas não é uma exigência. Além de todos os estudos, você tem de ter todas as partes do corpo perfeitas. E também não pode fumar, pois vai precisar muito do seu pulmão quando estiver no espaço.
O corpo sofre no espaço? Você usa mais os órgãos?
Sim, o corpo sofre muito. Além de não ter gravidade, o que prejudica os ossos, a exposição à radiação é bem maior. Quando você volta para o solo terrestre, é preciso ficar 10 dias no hospital fazendo exames para ver se está tudo bem.
O que acontece com uma pessoa que passa um ano inteiro no espaço?
Ela volta e é chamada de homem-geleia. Os ossos amolecem e é preciso ficar um tempo em observação. Mas ela nunca mais vai poder voltar para o espaço.
Como é o trabalho por lá?
Você tem de trabalhar muito. Há várias experiências e observações acontecendo ao mesmo tempo. No meu caso, que sou um piloto de missão, eu passo o dia consertando peças, programando aparelhos, arrumando tudo para que a Estação Espacial Internacional esteja sempre em ordem.
Como é ficar flutuando?
Muito legal! Você não sente peso sobre o corpo e pode brincar com as comidas e com as bebidas. Imagine que se você jogar um suco pra cima, ele se transforma em uma bolha de ar, que não estoura. Para beber o líquido, tem de puxar com um canudo.
E para tomar banho?
Só com lencinhos umedecidos. O bom é que não precisa tirar o xampu, não faz diferença.
Mas o cabelo cai muito?
Cai bastante. Mas não é culpa do xampu. É o efeito da vida no espaço mesmo.
O que é feito com o lixo, inclusive do banheiro?
Tudo fica vedado na nave, para não sair flutuando atrás da gente. A cada dois dias, uma outra nave, automática, encaixa na nossa para distribuir alimentos e kit de higiene. Aproveitamos o tempo que ela fica acoplada para colocar todo o lixo dentro dela. Ela passa cerca de dois meses no espaço fazendo essas funções de serviço, até que volta para a atmosfera. Porém, no caminho, por conta da temperatura, ela vai se autodestruindo até não sobrar nada.
Nossa! E todas essas coisas não dão medo?
Um pouco, mas a gente tem anos de treinamento e sabe lidar com tudo ali, inclusive emocionalmente. A tendência é ficar muito focado no trabalho. Até a hora do almoço e da janta são obrigatórias, pois é quando paramos o que estamos fazendo para conversar, socializar. Caso contrário, dá até para esquecer da vida e só trabalhar. É emocionante.
O Estadinho convida você agora para uma viagem pelo espaço. Nós vamos decolar de um lugar chamado Catavento Cultural e Educacional, que ocupa um prédio histórico muito bonito no centro de São Paulo, chamado Palácio das Indústrias. Depois, voltamos para o ponto de partida, para falar de todas as coisas interessantes que existem no Catavento. São 250 instalações, que falam de astronomia, química, física e uma série de assuntos que despertam o cientista curioso em cada um. São 12 roteiros para percorrer quatro seções: engenho, vida, universo e sociedade. O bacana é que a maioria das atrações é interativa: você pode tocar, escutar, participar e até jogar. Está pronto?

Acabamos de pousar na lua. Está vendo aquela bola azul e branca? É o planeta Terra. Olhando para cima, você enxerga milhares de estrelas. E para baixo vê uma pegada que pode ser de Neil Armstrong ou Edwin “Buzz” Aldrin, os primeiros homens a pisar na lua, em 1969. Ali, um educador vai explicar que as roupas protegem os astronautas contra a falta de gravidade (sem ela, os corpos explodiriam). Quer dizer que, se tirar o capacete fora da nave, a cabeça explode? Explode, sim. E se faltar oxigênio durante um passeio? Ah, eles planejam tudo direitinho para nunca faltar ar.
“É legal identificar o lugar que a gente vive. Moramos na casquinha do planeta e não no interior, como pensam algumas crianças”, conta a educadora Livia Aceto, responsável pela área de astronomia do Catavento. Da lua, comece a explorar outras estrelas, meteoros e astros. Olhando para cima, há várias constelações. Será que você reconhece alguma? Consegue imaginar outro desenho e inventar sua própria constelação? Ah, pelo menos a Cruzeiro do Sul você identifica (tem um espaço só para ela na exposição). Mais alguns passos e você dá de cara com um meteorito de verdade!

“Os meteoritos se formaram junto com os planetas, no início do sistema solar. Eles têm 4 bilhões de anos, no mínimo”, conta Livia. Este ficou vagando pelo espaço até cair, há 6 mil anos, num lugar chamado Campos del Cielo, que fica na província de Chaco, Argentina. Foi descoberto em 1576 e pesa 8,37 quilos. Quer tocar? Pode passar a mão, é permitido! Ao lado, há também uma réplica de meteoro. E, um pouco mais para frente, um painel bem legal com vários buraquinhos. Neles, há fotos de Marte, de supernovas, de estrelas, tudo como se você estivesse observando pelo telescópio Hubble. Agora, siga para a luz laranja.

Já identificou o que é? É o sol. Ali, você vê direitinho como é formada essa bola de fogo, as labaredas que saem da superfície e seu interior incandescente. E descobre que ele não é um círculo liso, como parece daqui da Terra. Então, vá à parede em que você consegue escutar os mais diferentes barulhos do espaço: tempestade solar, supernova de vela, vento solar, pulsares…
Terminado isso, garanta seu lugar no passeio interplanetário, em que um vídeo simula uma voltinha pelo universo. Até parece que você está vendo tudo da janela da espaçonave. E finalize a viagem vendo mais curiosidades sobre supernovas, buraco negro, Via-Láctea e estrelas nos painéis espalhados pela sala. A aventura espacial acaba aqui, mas no Catavento tem coisa de montão para ver. Vamos continuar o passeio por lá? Siga-nos:

É de ficar com os cabelos em pé, de tanta experiência interessante. A que as meninas estão experimentando na foto chama-se Gerador de Van de Graaff. ”Os elétrons (partículas minúsculas) saem pelas extremidades do corpo, cabelo ou pelo”, explica a monitora aos alunos. Mas dá choque? “Fiquei com medo de morrer, mas não senti choque”, conta Thamires Sandrielli, de 12 anos. “Fez só coceguinha”, emendou a amiga Rayane Honorato, 12.

As irmãs Melissa e Beatriz Carboniell Domingues da Silva, de 9 e 5 anos, de Jandira, fizeram várias experiências por ali. Numa delas, sentaram em uma cadeira, que era girada por um educador. Ele pedia para elas abrirem braços e pernas, depois ficarem bem encolhidas. O que elas descobriram? “Se abrir a perna e o braço, gira fraco. Se fechar, gira forte”, conta Beatriz. Essa é uma experiência que você pode fazer em casa. Mas é só no Catavento que você conhece uma casa maluca, o lugar que as irmãs mais gostaram do passeio.
A casa maluca é realmente maluca, a intenção é confundir todo mundo: você joga água numa canaleta e parece que ela sobe em vez de ir para baixo, a bolinha vai para cima da mesa em vez de descer, o relógio parece bem torto, mas ele está alinhado, levantar da cadeira é uma dificuldade…

Saindo dali, você encontra mistérios como o ilusão de espiral. É assim: a educadora gira o painel, você se concentra no ponto preto e, quando tira o olho dali, continua enxergando tudo girando. Maluco, não? E será que você consegue resolver os enigmas abaixo?


Pertinho dali, você encontra um estúdio de TV e pode participar de um programa (é preciso ter 10 pessoas, no mínimo), e também entende como o cinema faz para os personagens se moverem. Depois, entra em outra sala e mergulha no mundo da biologia. Ali, há esqueletos, reprodução de algumas partes do corpo e crânios para mostrar como foi a evolução do homem. Aí embaixo você vê o primeiro crânio e o último.


Então, chega a ala dos bichos. Você pode parar para escutar cantos dos mais diferentes pássaros e tentar identificar se algum deles canta pelo seu bairro. Ou segue para ver os artrópodes, como a aranha aí embaixo.

Se der alguns passos para o lado, vê como é a estrutura por dentro de vertebrados como o peixe-galo e a rã.


E mais à frente, depara-se com o viveiro do bicho-pau, com uma réplica de formiga gigante e mais centenas de borboletas em um painel. Partindo para outra sala, a interatividade é ainda maior: começam os jogos (e tem até painel para escalada).
Num deles, você participa de grandes decisões da História. Numa hora é um soldado romano ajudando Júlio César a decidir se devem invadir Roma ou não, na outra, pode fazer parte do senado. Já na sala de nanotecnologia, os jogos simulam um laboratório virtual e você joga, por exemplo, para curar as células. E como o assunto é saúde, passe depois na ala de gastronomia. Lá, você faz uma consulta nutricional para saber se o que anda comendo está correto (tudo pelo computador).

Do lado de fora do Catavento, a diversão continua. É que peças do Museu de Tecnologia de São Paulo estão expostas lá. Mas não são quaisquer pecinhas: tem um avião DC-3 do ano de 1936, três locomotivas do século 19 e 20, antigas máquinas de limpeza da cidade, carroças, charretes… É tanta diversão que, no fim do dia, você ainda vai querer (e precisar) voltar.
Catavento Cultural e Educacional
Palácio das Indústrias: Parque Dom Pedro II, Centro, São Paulo. Aberto de terça a domingo, das 9 h às 17 h (bilheteria fecha às 16 h). Ingressos: R$ 6 (meia-entrada para estudantes e idosos). Recomendação: a partir de 6 anos. www.cataventocultural.org.br

Quanto tempo demora para estragar os seus sapatos? Geralmente, é preciso gastar muita sola para que eles não tenham mais utilidade. Mas os da princesa só duravam uma noite. E não era um, mas sete pares de sapatos que ela gastava de uma só vez. O rei, inconformado, prometeu a filha em casamento a quem descobrisse o por quê de a garota ser tão gastadeira.
Você pode descobrir este mistério sem precisar casar com ninguém! Hoje (dia 14), no Circuito Estadinho, a contadora Fernanda Ribeiro vai falar sobre esta e mais duas histórias. Em A Princesa Jia, três irmãos saem pelo mundo para trabalhar. O mais novo, João, acaba parando em um palácio onde há uma sapa gorda que não é sapa coisa nenhuma.
E A Piabinha fala de um pescador que pega um peixe mágico e o devolve ao rio. O peixe promete lhe dar tudo o que quiser. O que acontecerá? Descubra no Circuito.
Circuito Estadinho. Contação de histórias na Livraria Cultura do Shopping Market Place (Av. Dr. Chucri Zaidan, 902, Morumbi). Sábado (dia 14), às 15 horas. Grátis.

Saiu no Estadinho de papel do último sábado uma entrevista com autora e ilustradora Janaina Tokitaka sobre seu novo livro Coelhos Lunares. Para ler do jeitinho que foi publicada, é só clicar aqui. Mas como a conversa foi boa e longa, resolvemos colocar tudinho aí embaixo. Divirta-se!
Janaina, quer dizer, então, que o que se vê no Japão são dois coelhinhos fazendo bolinho de arroz? As crianças lá acreditam nisso?
Sim, é bem parecido com o que fazemos aqui no Brasil quando procuramos a figura de São Jorge nas manchas da lua. Desde que escrevi o “Coelhos Lunares”, no entanto, nunca mais consegui ver o santo, só os coelhinhos…
E por que o bolinho de arroz? É uma comida que os japoneses gostam muito?
É uma comida muito antiga e tradicional e bastante diferente do nosso bolinho de arroz. O Moti japonês é feito de uma pasta de arroz socada em um pilão e fazê-lo é uma tarefa para duas pessoas (uma bate e a outra espirra água na massa entre as batidas). O moti pode ser doce, salgado, grelhado, recheado… Eu pelo menos gosto muito, especialmente da versão doce rechada de feijão azuki!
É uma lenda do outono, certo? Há outras lendas japonesas de estação?
Sim, várias! Os japoneses tem estações do ano muito demarcadas e gostam de falar sobre elas em forma de poesia ou prosa. Em meu livro “Sétima Noite de Verão” reconto uma história que, como o próprio nome já diz, que acontece no verão. Estou percebendo agora que ficou faltando contar uma lenda japonesa de primavera e outra de inverno para fechar o ciclo…
Como você conheceu a lenda dos coelhos lunares? Quantos anos tinha e quem contava para você
Como acontece muitas vezes com esse tipo de história, não me lembro exatamente de quando ou como a ouvi pela primeira vez. É como perguntar como é que ficamos conhecendo, por exemplo, a história da Chapeuzinho Vermelho – é difícil responder com certeza, certo? Lembro que tive a idéia de escrever sobre sobre esta lenda quando vi, em um passeio no bairro da Liberdade, um tecido com a estampa de coelhos na lua. A imagem inesperada me fez ter vontade de escrever minha própria versão daquela história.
O que a inspirou a escrever essa história? O que ela tem de especial?
Eu sempre gostei de personagens teimosos, que não desistem fácil de seus objetivos. Gosto da persistência da menina em ir atrás de seu coelhinho, mesmo que tenham dito a ela que é uma tarefa impossível. A ideia de que há coelhos na lua fazendo bolinhos de arroz também é muito divertida, bem humorada. Típico humor japonês, aliás, meio sem sentido.
Por ser neta de japoneses, podemos dizer que a cultura do Japão é algo que sempre lhe interessou?
Desde pequena gosto da cultura japonesa e desde então este interesse só aumentou. Gosto especialmente das artes visuais, mas também adoro cinema, culinária e música japonesas. A produção cultural japonesa para crianças também é primorosa, recomendo todos as animações do Studio Ghibli, por exemplo.
O que mais você gosta do Japão e como isso aparece no seu trabalho, nas suas rimas e ilustrações?
Essa é uma pergunta muito difícil de responder, mas acho que uma das coisas que mais gosto no Japão é a relação estética que eles têm com a natureza, de contemplação e reconhecimento da beleza de cada estação, por exemplo, ou de como um gafanhoto pode ser um assunto tão importante quanto uma montanha. Como disse antes, também gosto do humor japonês. A primeira vista pode parecer um povo muito sério, mas eles também podem ser extremamente engraçados: o humor japonês é meio inocente e um pouco doido, o que funciona muito bem no livro para crianças.
Você tem algum outro livro com essa temática? A propósito, fale um pouco sobre seus outros livros infantis.
Além do “Sétima Noite de Verão” recentemente escrevi e ilustrei um livro que mistura a cultura pop japonesa com uma lenda folclórica. Deve ser lançado no segundo semestre, pela editora Projeto e conta a história de um bebê monstro sem controle adotado por um casal de velhinhos. Aliás, como boa descendente de Japoneses, adoro histórias de monstro! Tenho dois outros livros sobre o assunto, “Tem um monstro no meu jardim” e “Escola de Monstros madame Mo”.
Como é o seu processo de criação? Quem vem primeiro, a história ou a imagem?
Depende muito do livro. Normalmente nos mais visuais, com muitas ilustrações, desenvolvo a história a partir de uma imagem mental ( um monstro sentado no meio de um canteiro de flores ou dois coelhos na lua, por exemplo), depois escrevo o texto e então desenho as ilustrações mais ou menos de acordo com aquela primeira imagem.
E sobre as técnicas?
Costumo usar aquarela, guache, nanquin e papel adequado para estas técnicas. Também gosto de trabalhar com colagem. Como são técnicas tradicionais trabalho em uma mesa de desenho verde, que já está cheia de manchas de tinta e cortes de estilete.De vez em quando tenho vontade de desenhar no chão, principalmente quando o papel é muito grande, mas evito: como trabalho muitas horas no mesmo desenho acabo ficando com dor das costas.
Para você, as histórias infantis são…
As mais importantes! Os livros que gostamos quando crianças são transformadores. Quando era pequena, tinha uma sensação muito intensa de ser transportada para dentro das histórias lendo, por exemplo, crônicas de Nárnia ou os livros do Roald Dahl. Hoje em dia, claro, a leitura ainda é uma atividade imersiva para mim, mas nunca de forma tão completa quanto a de quando era criança.

Sabe aquelas pequenas tranqueiras que ficam espalhadas no seu quarto? Você pode organizá-las de um modo bem divertido: fazendo um monstreco. Você só vai precisar de uma lata vazia, um pedaço de arame e alguns outros materiais para fazer seu monstro guardador de bugigangas. Quer saber como? Clique aqui e acompanhe o Professor Sassá.
É tão legal mostrar nossos desenhos para todo mundo, não é? Imagine, então, se eles ficassem expostos na geladeira de casa, grudadinhos feito ímãs. Não seria o máximo? Pois quem foi ao Circuito Estadinho de ontem (dia 7), na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos, pode fazer exatamente isso. É que a oficina da ilustradora Laura Teixeira era sobre jogos magnéticos. Cada um pensava em um desenho e escolhia os materiais: tinha tecido, adesivo, papel crepom, papel colorido, isopor, celofane e uma porção de coisas para usar. Então, era só grudar o material na manta magnética (que é usada para fazer ímã) e recortar cada pedaço do desenho.
No começo, o pessoal estava um pouco tímido e com vergonha de chegar. Mas quando todo mundo entendeu a brincadeira, olha só como ficou!
Às vezes, era um pouco difícil recortar os materiais. Mas os pais entraram na brincadeira e ajudaram com as tesouras, com a montagem e com sugestões.
Aos pouquinhos, foram saindo lindos desenhos. Alguns não quiseram fazer o desenho por partes e já levaram montados. Outros, recortaram as pecinhas para montar e desmontar no refrigerador. Veja só:
Bruna Monte, de 6 anos, usou a manta magnética como se fosse um quadro e desenhou ali uma borboleta branca com uma linda plumagem, uma flor rosa e corações. Ela adora flores.
A Isabella Teixeira Calamonaci, de 5 anos, também fez uma flor, mas recortadinha. Quer saber por que ela fez esse desenho? “Porque as flores são da natureza”, contou. Ela adora flores rosa, roxas e amarelas e disse que vai mostrar sua criação para todos os amigos e quem mais for até sua casa. Ficou linda, Isabella!
A Letícia Hayashi Cardoso, de 8 anos, que quase sempre está no Circuito Estadinho (quando tem oficina artística!) fez um desenho superelaborado. Além da borboleta prateada, ela montou um teatrinho com cortina vermelha e tudo. No meio, colocou três bailarinas, algumas plantas e duas árvores. Não ficou o máximo? E como ela fez tudo separadinho, vai poder inventar mil posições para as bailarinas!
Primeiro, o Caio Vinicius Ferreira de Souza, de 5 anos, fez uma espada prateada. Mas ele não gostou muito do resultado e não perdeu tempo: fez um carro de Hot Wheels recoberto com celofane amarelo. “Porque ele é de fogo”, explicou. E aproveitou para desenhar uma onça pintada com os adesivos verdes de bolinha. Muito criativo! Com pecinhas separadas, ele vai poder misturar tudo e inventar novos desenhos.
A Cecília Albuquerque Chinelatto, de 7 anos, sabia desde o início o que ia fazer: um anjo. Sabe por quê? Porque ela acha muito bonitinho. Ela o desenhou com umas asas bem fofas, porque asa de anjo é assim mesmo, fofinha como nuvem. Parabéns, Cecília, seu anjinho ficou muito fofo!
Felipe Campagna Mucciolo, de 6 anos, também não demorou nadinha para saber o que ia desenhar: um castelo! Mas não um qualquer: era um castelo de três torres, para o rei ficar em uma, a rainha em outra e a princesa e o príncipe na do meio. Na foto, ele estava terminando de acertar os últimos detalhes, colando as janelas laranjas para entrar luz. Legal, Felipe!
Quando Gabriela Stecanella Mantovani, de 6 anos, ficou sabendo que era para separar as partes do desenho, ela decidiu fazer outro, um coração. Não queria recortar sua linda borboleta. “Criei amor por ela. Essa eu vou dar para minha mamãe e a gente cola na nossa geladeira”, contou ela. Que boa ideia, Gabi! Um presente personalizado de Dia das Mães.
Maria Isabela Castanho Michelão, de 4 anos, foi uma das mais ativas na brincadeira. Olha só quanta coisa fofa ela fez! Primeiro, começou com as duas borboletas. “Um dia, eu vi uma grande na minha casa”, confidenciou. E quis fazer igual, mas tinha que ter “pelinhos” (penugem) pretos. O pai ajudou, mas a criação foi toda dela!
E a Melissa Gutierres, de 3 anos, quis fazer um quebra-cabeças diferente. Mas o que é esse prateado maior, Mel? “Um passarinho”, contou. E tem também uma lua escondida no desenho colorido da Mel. Ficou linda a combinação de cores e materiais!

Fotos: Ivan Dias/AE
Já faz alguns meses que a exposição Planeta Inseto invadiu o Museu do Instituto Biológico, em São Paulo. E o sucesso tem sido tão grande que ninguém quer sair de lá. A Barata de Madagasgar, por exemplo, é uma queridinha. Assim como o Bicho-Pau, disfarçado de galho de goiabeira.
Para ver isso de perto e escrever a reportagem de capa desta semana, o Estadinho visitou o espaço e agora conta algumas curiosidades malucas sobre os seres mais populosos e pouco conhecidos do planeta. “A gente costuma associar inseto à sujeira, mas não é assim. Os insetos são superimportantes para várias áreas, inclusive na polinização de plantas e na reciclagem de nutrientes do solo. A ideia de montar a exposição foi para desmistificar essa história e ainda aproveitar toda a experiência que temos aqui”, diz Antonio Batista Filho, diretor geral do Instituto Biológico.
Clique nas páginas abaixo para ler a matéria completa:
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A visita foi surpreendente, pois o próprio local é encantador. O museu tem um jardim bem espaçoso e cheio de árvores. Dentro dele, os insetos convivem em pequenos viveiros, onde é possível observar e aprender sobre cada um. Tem barata, besouro, borboleta, mariposa, vespa, bicho-pau, bicho-da-seda e muito mais. E você não vai acreditar: as baratas apostam corrida! Isso mesmo, no baratódromo, cinco seres limpinhos correm enquanto você fica torcendo do lado de fora. É muito legal!

Durante a visita, encontramos as duas turmas acima da Escola Alecrim, que estavam se divertindo e aprendendo muito. As crianças andavam de um lado para o outro e, mesmo quem tinha medo, no final teve coragem de fazer carinho nos insetos e acabou vendo que eles são apenas parte da natureza, não fazem mal. Que fique claro: é verdade que alguns bichos são sujos, como baratas que vivem em esgotos. Mas, ali, todos são de cativeiro, limpinhos.

Quando a visita monitorada terminou, sentamos em roda para conversar com as crianças. E quase todo mundo gostou mais das baratas e do bicho-da-seda. A Lila, por exemplo, disse: “Ele é fofo”. Está vendo esta garotinha de braços levantados? Ela é a Ana, uma das mais corajosas que já conheci. Não tem medo de nada e adora o barulhinho que a barata faz: “Parece que ela tem couro”, disse. E ela ainda disse que costuma comer minhoca frita e pirulito de larva em São Roque. “Lá, a gente adora comer bicho, principalmente barata d’água. E, na sobremesa, é uma delícia frita com banana e caramelo.”

Corajosos também são esses dois aí de cima: o Caio e a Anita. Olha só como eles brincam com a fêmea Bicho-Pau. Ela é bem maior que o macho porque carrega o aparelho reprodutor. Mas é bem boazinha e tem passos lentos e cheios de ginga. As crianças até cantaram para ela enquanto a seguravam. E não é que ela parecia estar dançando? Mas o que a Anita mais gostou (e olha que ela pegou todos os bichos, hein?) foi o bicho-da-seda. “Ele é bem macio, parece minha calça”, ela disse.
Caio, que viaja todas as férias para o Japão, ainda confessou que adora uma baratinha do mar bem frita, mergulhada no shoyu.
Eca? Eca, nada! Comer insetos é muito mais comum do que se imagina. Há cerca de 1.800 espécies utilizadas na alimentação, em 120 países. Na página 3 da reportagem, a gente explica isso direitinho. Mas, como o assunto é amplo, aqui embaixo você tem informações extras. Olha só!
Foto: João Rural/Arquivo pessoal
Em toda a região do Vale do Paraíba, a farofa de formiga içá é uma iguaria. O culinarista caipira João Rural conta que a içá foi citada por vários viajantes já no século 17 como o prato predileto dos índios e, depois, dos bandeirantes e tropeiros. “Resistiu ao tempo, mas com um pouco de preconceito nas décadas de 70 e 80 do século passado. Agora, é pesquisa obrigatória da alta gastronomia, dos grandes chefs de cozinha e pesquisadores”, diz.
A içá faz sua revoada entre outubro e novembro, dependendo do clima. Elas acasalam com o sabitu (o macho) em pleno voo. Depois, ele morre e elas caem para fazer um novo formigueiro. Nesse momento de queda é que são capturadas.
E você sabe como é que se come içá? João Rural ensina. Mostre a receita para um adulto e, se houver interesse, vá até a região do Vale, pois muita gente congela a formiga para ter farofa o ano inteiro. Então, aventure-se a provar algo diferente.
Receita
O mais difícil é caçá-las. Feito isso, saem as asinhas e a cabeça, pois somente as “bundinhas” (onde estão as ovas) serão preservadas. Lave bem e deixe secar. O próximo passo é colocar um pouco de banha em uma panela de ferro, uma pitadinha de sal com alho e, então, fritá-las. Cuidado, elas cozinham rápido e não podem queimar. No final, adicione farinha de mandioca para fazer a farofa. “E, se quiser incrementar, coloque tomatinhos caipira e bacon”, diz o culinarista caipira.
Para visitar a exposição:
Museu do Instituto Biológico. R. Amâncio de Carvalho, 546, V. Mariana, (11) 2613-9500. Das 9 horas às 17 horas (fecha 2ª). Grátis.

O Circuito Estadinho de amanhã (sábado, dia 7) tem uma proposta muito diferente. É para desenhar. Mas não sobre papel, como é mais comum. E sim sobre um material chamado manta magnética, que é usado para fazer os ímãs de geladeira.
O desenho é com tesoura. Isso mesmo: você vai pensar em algo que queira desenhar e vai recortar os pedaços que compõem este desenho. Depois, juntando tudo, você forma aquilo que tinha pensado. E não acaba aí. O legal é que lá na oficina da Laura Teixeira, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos, as crianças vão juntar as peças e tentar desenhar outras coisas com elas. É o que a ilustradora chama de jogos magnéticos!
Assim, as pernas e braços de um boneco podem virar uma trave e a cabeça redonda, uma bola. Depois de tudo, você pode levar as peças para casa, fixar na geladeira e fazer uma nova composição a cada dia. A brincadeira nunca acaba! O que você está esperando? Corra para o Circuito!
Circuito Estadinho. Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos (Av. das Nações Unidas, 4.777, Alto de Pinheiros). Sábado (dia 7), às 15 horas. Grátis.
2012
2011
2010