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Estadinho

27.junho.2013 16:00:51

Vovô mãos de tesoura

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(Por Aryane Cararo)

O escritor americano Lane Smith tem um livro de que gosto muito, chama-se É um livro. De tão bom, foi eleito para integrar a Seleção Estadinho – Melhores Livros 2010. É por isso que, quando Vovô Verde chegou até minhas mãos, fiquei curiosa para saber o que as páginas revelariam, se Lane conseguiria me surpreender de novo. E ele não me decepcionou! Seu novo livro é lindo. A começar pela ilustração da capa, com um vovô jardineiro criando com a tesoura um elefante de arbustos. É delicada e dá o tom do que se segue.

A história é contada pelo bisneto, que narra a vida do bisavô desde o nascimento, passando pela infância entre animais da fazenda, a catapora, a vontade de estudar horticultura, a ida para a guerra, o casamento. O legal é que, acompanhando a narrativa simples e sensível, há sempre ilustrações de criaturas que surgem da poda dos arbustos e brincam com o texto. Tem galo, coelho, os personagens de O Mágico de Oz, trenzinho, coração… E tem horas que você não sabe se o bisavô virou o próprio arbusto, de tanto que viveu a cortá-los, dando vida para a imaginação. Afinal, as histórias de sua vida estão todas contadas nas plantas. É só saber ler imagens. Demais!

 Vovô Verde. Autor: Lane Smith. Companhia das Letrinhas, R$ 29.

 

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(Por Aryane Cararo)

A escritora mineira Angela Lago está sempre metendo seu dedinho onde existe tecnologia associada à leitura. Sozinha, ela testa linguagens de programação, cria brincadeiras, faz historinhas interativas e, agora, inventou o que batizou de animações interativas. O que é isso? Nada mais do que estamos chamando de livro digital, ou seja, aquele feito para os tablets. Mas não é nem o fato de ter feito sozinha um aplicativo que tem tirado tantos sorrisos da autora. Angela anda feliz porque acredita que sua invenção vai revolucionar a forma de aprender as línguas. A criança de 2, 3 anos, diz ela, vai poder se alfabetizar sozinha. E a de 4, 5 já conseguirá ler textos. Tudo isso graças às possibilidades interativas que o tablet oferece.

Em duas semanas, ela espera já colocar uma versão da primeira frase animada e interativa no seu site. A versão para download gratuito virá em seguida, tão logo ela consiga transferir todo seu site para a plataforma dos tablets. A frase é bem simples: “Era uma vez uma dona”. Separadamente ou combinando as letras, a criança ouve os sons produzidos. Se casar as letras corretas, verá beijinhos ou carinhos entre as letras. Basta correr o dedinho pela tela, como tantas vezes ela faz até no caderno de papel. Sim, tudo é muito simples. Mas, deslizando o dedo pelo tablet, juntando letras e formando palavras, a criança se torna dona do próprio processo de aprendizado. É aí que está a revolução que Angela quer fazer, começando por essa frase e evoluindo para outras até chegar a histórias mais complexas (feitas por ela ou por quem quiser seguir o modelo).

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Leia mais sobre o bate-papo com a escritora durante o 4o Congresso Internacional CBL do Livro Digital, que foi realizado na quinta e sexta-feira em São Paulo e discutiu o futuro do livro. Ela fala sobre seu aplicativo e o livro além do papel.

 

Que experimentos você está fazendo com o livro digital?
Ando muito atenta à criança que está começando a aprender a ler. Acho que, na nossa cultura, talvez seja o ritual de passagem que marca mais e venho desenvolvendo o que chamo de animação interativa. Eu sequer chamo de livro, não sei o que vai ser o livro. Algumas são histórias e algumas não, têm um caráter de jogo mesmo, sobretudo de jogo didático para ensinar a ler. E acabei de descobrir uma pequena coisinha que acho que pode revolucionar a leitura. Embora seja muito simples, pode revolucionar a possibilidade de ler e de ler não só no seu idioma, como em outros também.

 

Por que vai revolucionar?
Atualmente, a criança não gerencia a sua leitura na internet. Por quê? Acende uma luz sobre a palavra que está sendo falada, mas não é ela que acende a luz para escutar essa palavra. O ritmo de leitura é dado de antemão pela pessoa que construiu o app. O que estou sugerindo é a mudança desse gerenciamento. É a própria criança gerenciar essa leitura. Uma criança que tem dificuldade de centrar sua visão nessa palavrinha acesa, na medida em que ela está gerenciando, não há mais essa dificuldade. Em vez de fazer com que a criança leia a palavra ou a frase, vou sugerir que ela comece a ler letra por letra e aprenda a formar a palavra. Na medida que ela segue, forma, mesmo que errado, a palavra. Se a criança aprender a seguir com o dedinho a leitura, vai ler sozinha. Mesmo que ela ainda não tenha começado a aprender a ler.

 

Para crianças de que idade?
Imagino que a partir de dois, três anos elas já vão brincar com isso e estar se alfabetizando com quatro ou cinco. Já vamos dar histórias para a criança ler a partir de 4 anos.

 

Isso anteciparia a alfabetização da criança, não?

Clique para continuar a leitura

 

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(Por Aryane Cararo)

Imagine que você vai chegar à escola e o seu professor não vai ensinar nada na lousa. Ele estará lá, mas só para o caso de dúvidas. Você terá de estudar em seu tablet o conteúdo da matéria e, junto com outros alunos, tentar achar a solução para os problemas apresentados. Na verdade, poderá produzir junto com o professor o conteúdo das aulas. Nem ele, nem você receberão mais o material pronto apenas. Vocês vão criar. Parece tudo muito estranho?

Pois é o que especialistas reunidos ontem (dia 13) no 4o Congresso Internacional CBL do Livro Digital, em São Paulo, acham que vai acontecer. E tem mais. Sabe aquelas anotações que você faz nos livros ou as respostas dos exercícios? Elas poderão ser compartilhadas na rede com outros alunos (aliás, isso até já acontece). E tem gente que acredita que o livro de papel vai quase desaparecer e virar artigo de luxo. Parece impossível? Pois alguns deles dizem que isso acontecerá muito antes do que possamos imaginar. Quer saber mais o que o futuro nos espera? Veja o que alguns palestrantes do congresso disseram:

Livro ou game?

Para a professora Marisa Lajolo, doutora pela Universidade de São Paulo com pós-doutorado na Brown University, o livro digital é as duas coisas. E é bom que seja assim! Durante sua apresentação, ela deu exemplos de como o conhecimento e a brincadeira podem morar juntos no mesmo livro.

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Quem Soltou o Pum?, de Blandina Franco e José Carlos Lollo, segundo ela, é o primeiro exemplo efetivo de livro digital que faz uso de diferentes linguagens. Tem som, pode ser ouvido pela voz do narrador e, dependendo do comando que o leitor der, o cachorro pode pular, sujar e bagunçar a casa, se esconder embaixo da cama… “Tem interação literal do leitor com o livro, que é a grande diferença de um e outro livro (o de papel e o no tablet). No impresso, tudo acontece na cabeça do leitor. O digital materializa isso.”

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Marisa também citou A Menina do Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato, que “foi o primeiro livro moderno de literatura infantil brasileira e também o primeiro e-book a trabalhar todas as possibilidades da linguagem digital”, comentou ela.

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Por fim, falou muito bem de In My Dream, que ganhou o prêmio de melhor aplicativo na Feira do Livro Infantil de Bolonha de 2012.

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Comentários recentes

  • olivio jekupe: hoje em dia os autores indígenas estão cada vez mais publicando seus trabalhos, aqui na nossa aldeia...
  • kellynha: adorei só algumas que é meio sem sentido !!!
  • loana de campos: Adorei a sua ideia, vou tentar fazer
  • Liane: Olha, isso da própria criança gerenciar sua leitura é bem interessante, assim como vários outros aspectos...
  • giovanna: nãão , gosteei muito ;[[

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