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Estadinho

29.abril.2013 07:00:52

Em preto, branco e cinza

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(Por Aryane Cararo)

Um dia, a menina acordou e viu tudo cinza, preto e branco. Pensou que estava sonhando, mas os sonhos têm cores. Bom, deduziu que deveria ser um pesadelo, pois os pesadelos são assim, como um dia de tempestade carregado de cinza, branco e preto. Mas até os pesadelos tinham cor. Ela se olhou no espelho e não viu mais cor nenhuma. Nada mais tinha a cor de antes e tudo parecia ter perdido a graça. A mãe correu para levá-la ao médico. Mas o doutor disse apenas para dormir e descansar. Não adiantou nada: a menina não voltou a enxergar o mundo colorido.

Só que outra transformação havia acontecido naquela noite: ela não tinha mais medo. Pois havia descoberto que teria (e poderia), dali para a frente, colorir o mundo do seu próprio jeito.

Nessa história singela do livro A Menina Que Perdeu as Cores, com belas ilustrações de Anabella López, há muito o que se pensar. Não tem dias em que a gente acorda e parece que o mundo não tem graça? Ele fica meio assim preto e branco e cinza. Parece tudo triste, da cor das lágrimas, da cor do luto, da cor do vazio (o vazio tem cor?!). Então, você descobre que, às vezes, o mundo é assim mesmo, meio acinzentado. E que os únicos que podem fazer ele ficar mais alegre e colorido somos nós mesmos. Basta pegar o pincel da coragem e pintar o dia cinza.

A Menina Que Perdeu as Cores. Texto: Marcelo Moutinho. Ilustrações: Anabella López. Pallas Editora, R$ 35.

 

 

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26.abril.2013 07:00:21

Fazedor de borboletas

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(Por Aryane Cararo)

Havia um homem que fazia borboletas. Borboletas de verdade, não dobraduras de papel ou desenhos com tinta. Eram borboletas dessas coloridas que a gente vê no jardim. E, veja bem, ele não criava, como muitos colecionam borboletas em um espaço fechado. Ele fazia mesmo. Era uma mágica que dava vida a lindas e coloridas borboletas. Vozo era o avô da narradora do livro O Fazedor de Borboletas, escrito por Laura Bergallo e ilustrado por Janaina Tokitaka.

Como ele fazia borboletas? Era simples: pegava uma lagarta bem gorda (mas sem tocar, pois muitas delas queimam), colocava numa caixinha de fósforos toda furada, junto com umas quatro folhas para a lagarta comer. Então, fechava e esperava o tempo certo, sem mexer na caixa. Enquanto isso, cada um ficava imaginando como seria a próxima “criação”: que cor teria, o tamanho, o desenho das asas. Um dia, a caixinha era aberta, e uma borboleta recém-nascida saía de lá para colorir o mundo.

Não é lindo isso? Um homem e uma neta que faziam borboletas? Um livro sensível, poeticamente escrito por Laura, que ganhou o Prêmio Jabuti em 2007, e com borboletas nascidas da aquarela de Janaina. Para que a gente também aprenda a criar borboletas e colorir o mundo. Nem que seja com papel e lápis de cor.

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O Fazedor de Borboletas. Texto: Laura Bergallo. Ilustrações: Janaina Tokitaka. Escrita Fina, R$ 37.

 

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25.abril.2013 07:00:09

Corrida de sucata

Você tem uma caixa de papelão vazia em casa? Ela pode virar brinquedo com as ideias de Camila e Marina di Giacomo, do ateliê Sucatinha de luxo. Convide os amigos e faça uma corrida maluca!

 

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23.abril.2013 07:00:37

Onde está o menino?

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(Por Aryane Cararo)

Este livro não tem história. E, por isso mesmo, talvez tenha muitas. Zoo, do espanhol Jesús Gabán, aglomera animais a cada dupla de páginas. Há bichos com pelos, que parecem pelúcia. Estão lá os quatis e o urso panda, por exemplo. Há os que têm carapaça dura. Como tatu, o caranguejo e o chifre do rinoceronte. Tem também os de pernas longas, como o flamingo, a garça e o colhereiro. Cada grupo está em uma página.

Mas uma coisa não muda. Em todas as páginas, um menino observa tudo de longe. Às vezes, quase se esconde. E é bem divertido procurar onde ele está. Nessa brincadeira, as ilustrações em nanquim e aquarela de Jesús revelam muitas outras coisas. Sutilezas como os olhos chorões nas asas das borboletas. Os filhotes de pássaro no topo do cactos. E a lesma no nariz da tartaruga, que quase parece um dinossauro. O livro que deixa para você contar a história que enxergar ali, surpreende pela beleza das ilustrações. Delicadas, com uma dose de surrealismo mágico e deliciosamente compostas.  Vale ficar um tempão observando cada página.

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Zoo. Autor: Jesús Gabán. Projeto Editora, R$ 36

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21.abril.2013 07:00:05

O que querem os monstros

(Por Aryane Cararo)

Carlota está deitada na cama e não consegue dormir. Há em seu quarto sete monstros! O vermelho está se coçando. O verde brinca na casa de bonecas. O azul penteia os cabelos com sua escova. O amarelo está sentado na janela. O preto, escondido no armário. O branco ficou debaixo da cama. E um que tem várias pintas arranha a janela, tentando entrar. É, não dá para dormir assim. Carlota corre para o quarto da mãe. Quer dormir lá. Sua mãe levanta e vai inspecionar o quarto. Mas eles se esconderam! Foi só a mãe sair para eles voltarem. E querendo levar Érico, o carneiro de pelúcia. Sua mãe, de novo, não acredita nela. Então, Carlota descobre que eles estavam comendo picles e decide fazer um caminho de pepinos em conserva para os levar para fora de casa. Mas eles não aguentam mais picles! O que eles querem, afinal?

A) Levar Carlota para o mundo dos monstros

B) Que Carlota brinque com eles

C) Assistir à televisão

O que você acha? Quem respondeu a letra C acertou! Os monstros só queriam ver tevê. Se ela soubesse que era assim tão fácil… E você, já tentou perguntar aos monstros do seu quarto o que eles querem? Talvez não seja tão ruim quanto você pensa…

Carlota e os Monstros. Autoras: Doris Dörrie e Julia Kaergel. Estação Liberdade, R$ 34.

 

 

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20.abril.2013 07:00:37

Manual de busca

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Como você vê o mundo? Qual é o seu jeito de observar e perceber as coisas? O Estadinho desta semana é um convite. Queremos que você separe um tempo para perceber o mundo de um jeito diferente. Olhar as paisagens, ouvir as pessoas, ver as cores, achar objetos perdidos que contem histórias. É explorar o mundo por sua conta e guardar tudo o que achar de especial. Um bilhete, um amigo, um momento. Nós, por aqui, vamos fazer o mesmo. Boa sorte!

Aryane Cararo e Natália Mazzoni

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19.abril.2013 07:00:05

Cabelo cresce

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(Por Aryane Cararo)

Cabelo cresce. É o que sempre penso toda vez que decido mudar o visual no salão de cabeleireiro. E costumo mudar muitas vezes! Às vezes, surge o arrependimento. Mas ele vai embora rapidinho, junto com a frase: “Cabelo cresce”. Em muitas ocasiões, preciso dizer isso até para o cabeleireiro: “Corte sem medo. Cabelo cresce”. Mas nem sempre foi assim.

Quando era pequena, eu tinha um cabelão que chegava até a cintura. Tinha sido quase sempre desse jeito, desde que os fios começaram a crescer. Então, aos 9 anos, fui ao salão decidida a cortar. Queria cabelo curto e franja repicada e arrepiada. Era moda na época. Não preciso dizer que ficou ruim, não é? Sim, eu tive vontade de chorar. Foi por isso que me identifiquei imediatamente com Vera, a menina do livro Enquanto o Meu Cabelo Crescia, uma história muito legal escrita pela portuguesa Isabel Minhós Martins e ilustrada por Madalena Matoso.

Acho que toda menina já passou por isso um dia, não? Dá um medo danado de cortar o cabelo, como se a gente deixasse de ser a gente mesmo sem aquele comprimento todo. Vera, a personagem da história, ficou muito triste. Ela não queria ter cortado. Foi a cabeleireira Mila que ouviu errado sua avó comentar. Ela entendeu “corta curtinho” em vez de “corta certinho”. Vera ficou triste por dois meses. Ia para o salão todo sábado com a avó e ficava encolhida num canto. E dali foi vendo como um corte pode mudar uma pessoa. E que mudanças, muitas vezes, são boas. E, enquanto esperava seu cabelo crescer, ela pode perceber o quanto ela própria crescia, aprendendo a conviver com as pequenas tragédias, a se aceitar e a achar graça nisso. Portanto, não teve dúvidas: pediu outro corte curtinho!

Ah, e eu? Demorei um pouco mais para criar essa coragem. Deixei meu cabelo crescer e passei a adolescência toda sem tocar nos longos fios. Mas enjoei deles. Eram sempre iguais, contavam sempre a mesma história… Então, estou novamente de cabelos mais curtos e já pensando na próxima mudança. Se isso servir como incentivo para você também: cabelo cresce!

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Enquanto o Meu Cabelo Crescia – Pequena Novela Sobre Cortes, Penteados, Tinturas e Outros Milagres. Texto: Isabel Minhós Martins. Ilustrações: Madalena Matoso. Peirópolis, R$ 32.

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18.abril.2013 07:00:34

Cratera lunar

Você sabe como formar uma cratera lunar? Essa experiência pode ser feita em casa, usando poucos materiais. É muito divertido entender como acontecem esses buracos! Quem explica é Edy Elétron, cientista maluco da Mad Science.

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16.abril.2013 07:00:48

Jardim de cacos e cacarecos

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Pétala queria um jardim em sua casa. Mas a menina morava numa favela e, lá, só havia espaço para concreto, tijolo, cimento. Não tinha lugar para deixar crescer um jardim florido, como ela queria. Mas seu pai também não queria decepcioná-la. Então, andando pela rua, ele viu algo brilhante e teve uma ideia: um arame. Era a primeira semente de seu jardim, uma história que está no livro Um Jardim Para Pétala.

Pai e filha plantaram a mudinha no chão batido de sua casa e, daquele dia em diante, os dois trouxeram para a casa muitos pedaços e pequenas coisas que estavam perdidas nas ruas: pedrinhas brilhantes, parafusos, plástico transparente… e a casa foi ficando enfeitada e chamando a atenção da vizinhança. Virou ponto turístico na região. Afinal, não importa a beleza das flores, mas sim a capacidade de cada um de transformar uma realidade dura em algo bonito. Se não dá para ter o que se quer, use a imaginação e crie algo bonito e totalmente seu.

Um Jardim Para Pétala. Texto: Christina Dias. Ilustrações: Ellen Pestili. Planeta Infantil, 29,90.

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16.abril.2013 07:00:33

É papel, mas parece tablet

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(Por Aryane Cararo)

Hervé Tullet é um francês que fez um livro em papel que até parece um tablet. Ou imita um. Ou brinca com um. Falamos sobre ele em abril do ano passado (leia aqui). Por que estamos falando dele de novo? Porque não tem como não lembrar de seu trabalho ao abrir o livro Bichano, de Tino Freitas. E mesmo porque Tino dedica o livro exatamente ao francês.  Publicado no ano passado, esse livro ficou na nossa pilha de sugestões para entrar no blog do Estadinho e, lendo agora com mais calma, vemos que ele realmente merecia estar aqui, porque é muito legal.

Mais do que uma leitura, é uma brincadeira. E uma forma diferente de olhar para o papel, de pensar a leitura e de ver os próprios tablets. E de pensar na ilustração, que é toda feita com elementos geométricos.

Tudo começa com uma linha preta grossa atravessando a página na horizontal. E uma instrução: “Para acordar esta história, deite o livro para a esquerda e vire a página”. Com um carinho na página, surge um círculo azul. Outro carinho e agora são duas bolas azuis. As instruções não param: “Perfeito! Toque bem no meio de cada círculo!” E ao virar a página, não é que há um círculo menor dentro de cada círculo maior? É mais ou menos como funcionam os tablets, concorda? Então, Tino pede para você inclinar o livro para um lado. E lá vão as bolinhas para o lado que você inclinou. Depois, para o outro. E assim, de toque em toque, balançando o livro para lá e para cá, a ilustração vai ganhando forma e se transformando em um bichano. Até parece que é você que está fazendo tudo isso e criando o gato. E é mesmo, não é?

Se você não tivesse aberto o livro e virado página por página, ele ficaria para sempre aprisionado dentro da obra, sem vida. Um livro para ler com os dedos e com a imaginação!

Bichano. Autor: Tino Freitas. Editora Callis, R$ 39,90

 

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Comentários recentes

  • olivio jekupe: hoje em dia os autores indígenas estão cada vez mais publicando seus trabalhos, aqui na nossa aldeia...
  • kellynha: adorei só algumas que é meio sem sentido !!!
  • loana de campos: Adorei a sua ideia, vou tentar fazer
  • Liane: Olha, isso da própria criança gerenciar sua leitura é bem interessante, assim como vários outros aspectos...
  • giovanna: nãão , gosteei muito ;[[

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