(Fotos: Werther Santana/AE)
(Por Aryane Cararo)
“A gente tem dois olhos e duas orelhas e só um nariz. Por quê?”
“Pelé, quem é o verdadeiro rei: você ou o Roberto Carlos?”
“Quando os maridos não dão cartão de crédito, fica com TPM.”
“TPM é quando você não deve falar com uma mulher.”
“A gente tem dente pra poder arrumar.”
Essas frases fazem sentido para você? É muito provável que façam! Afinal, foram ditas por crianças e poderiam ter sido faladas por seus amigos, inclusive. A diferença é que elas foram ditas em um programa de televisão que vai estrear amanhã (dia 15), às 20 horas, na Band, e que será comandado pelo apresentador Marcelo Tas, o carequinha do CQC. Conversa de Gente Grande, o novo programa, não é exatamente para criança, mas serve para a família inteira ver e dar risada. Pelo pouco que pudemos ver, vai ser engraçado.
Se você já leu o Estadinho de papel de hoje (14), sabe exatamente do que estamos falando. Senão, leia aqui.
Durante a semana, Tas e mais 6 crianças (de um elenco que muda sempre e tem ao menos 10 por domingo) deram uma entrevista coletiva para anunciar a atração.
Veja os melhores momentos com o Tas:
Conteúdo para criança na TV
“Há uma oportunidade muito preciosa hoje na produção de conteúdo não só para criança, mas com crianças. Creio que a TV aberta hoje está perdendo uma chance de manter a conexão com esse público. Mesmo que eles tenham hoje muitas opções na assinatura e na internet, creio que, às vezes, a TV aberta está cega quando começa a achar que não precisa mais atendê-los.” (Tas)
Improviso
“A gente sai do roteiro o tempo todo, porque vou atrás do que as crianças me trazem. Tem muitas histórias que estão surgindo nas entrevistas e que preetendemos continuá-las na internet. Um exemplo é o Davi, um garoto filho de músicos, que aparentemente são muito próximos dele. Perguntei ao Davi qual foi o dia mais difícil da sua vida. Você lembra? ‘Lembro?’ Onde você estava? ‘Na rua do Boqueirão.’ Com quem? ‘Com meu pai.‘ E por que foi difícil? ‘Porque eu conheci a mulher da minha vida. E ela me ignorou. Eu fiquei cutucando meu pai, porque eu estava muito triste e ele não percebeu.‘ O Davi viveu o grande momento da vida dele e o pai não percebeu. E ela foi embora. A gente vai botar esse vídeo na web também e vamos atrás da história do Davi.” (Tas)
Surpresa para os pais
“Antes de tudo, nossa equipe entrevista as crianças e, separadamente, os pais delas. A surpresa dessa experiência é que a visão que os pais têm dos seus filhos, na maioria das vezes, é absolutamente oposta do que as crianças são de verdade. É incrível essa constatação e eu estou muito chocado, inclusive como pai.” (Tas)
As crianças de ontem e de hoje
“Para mim, a diferença é quase nenhuma. Se fala muito nessa história da geração digital, mas o fundamental continua lá: as crianças falam o que vem à cabeça. Isso sempre foi assim, essa é a grande arma deles e esse é o eixo desse programa. Estamos lidando com um grau de sinceridade raríssimo na televisão brasileira. A entrevista é feita com gente que fala o que pensa. Agora, tem coisas que são muito nítidas por conta da revolução digital. Eles são muito hábeis com esse volume gigantesco de informação.” (Tas)
Crianças x adultos
“A única diferença das crianças para os adultos é que elas não têm medo de errar. Adulto morre de medo de pagar mico. Os meninos aprendem errando. Essa é a lição mais importante que tenho aprendido. É importante errar, porque, hoje, com a velocidade com que as coisas se transformam, a gente só tem como aprender com o erro e não com o acerto, que é como a gente aprendeu lá na escola.” (Tas)
Sinceridade infantil
“É assustador. Eles falam coisas que os pais vão se surpreender. Eles falam de drogas, adultério, violência dentro e fora de casa, falam de tudo. Eles são antenas muito poderosas.” (Tas)
Faixa etária das crianças
“A gente começou com uma faixa etária de 9 a 11 anos, outro erro nosso. Achamos que só gente de 9 a 11 podia falar bem. Aí começaram a aparecer pessoas de 8, de 7, de 6… Um belo dia apareceu um micróbio de 3 anos. Parecia que eu estava conversando com um feto. Hoje estamos na faixa de 3 a 11 anos.” (Tas)
Assunto proibido
“Não tem. O que muda no programa é a lente com que a gente olha esses assuntos. Então, não tem tabu. A gente vai falar dos assuntos com muita naturalidade. O que muda é o jeito de falar, mas não tem limite de assunto.” (Tas)
Interferência dos pais
“Não tem interferência dos pais no conteúdo do programa. E creio que vai ser uma surpresa para os pais, tem muita criança que revela coisas, eu diria, chocantes. Mas a nossa produção orienta, explica quem são os entrevistados. As crianças não são convidadas, elas trabalham para o programa e é assim que eu as apresento. É a minha equipe.” (Tas)
Show de talentos
“Esse programa não é um show de talentos. Ninguém vai ficar cantando, sapateando. Está tudo dentro do contexto de uma entrevista, de um assunto. Tem mais a ver com jornalismo, de olhar para a realidade.” (Tas)
CQC
“Eu trabalho com crianças nos dois projetos. Creio que estou fazendo melhor o CQC depois que comecei a gravar o Conversa de Gente Grande. Talvez porque estou aprendendo a lidar com criança. Com o Marco Luque, por exemplo, ficou mais fácil de lidar, com o Oscar também.” (Tas)
Agora, os melhores momentos com as crianças:
Na foto: (acima) Flávio, Fernando, Rodolfo; (embaixo) Marcelo Tas, Thiago, Giovanna e Luan
Luan Gonçalves Teles de Menezes, 9 anos: “Eu perguntei para o Falcão o que deu de errado para ele virar cantor. Nesse momento, eu falei e ri. Mas, por dentro, senti: Poxa, ele está chateado. Mas não! Quando vi, ele estava rindo também e respondeu a pergunta. Nossa, que estranho, a pessoa dá gargalhada dela mesma.”
Giovanna Bosco, 10 anos: “Uma coisa que eu não perguntei e fiquei com vontade de perguntar é se a mãe do Falcão já vestia ele daquele jeito quando era pequeno.”
Thiago Martins Rosseti, 9 anos:
Adulto mente muito na entrevista?
“Mais ou menos”
Criança é mais verdadeira?
“Tudo o que vem à cabeça, fala.”
Rodolfo Augusto Bentu, 12 anos:
Na sua casa, vc pode perguntar o que quiser?
“Não, tem sérios riscos, né? O risco é ficar de castigo. Tento conversar com minha mãe, por exemplo, sobre sexo. Ela fala: Não, filho, na sua idade não dá para conversar sobre isso. E vai para o computador.”
O que é uma conversa de gente pequena?
“Ah, acho que é sobre brinquedos, né? Elas só pensam em brincar, brincar, brincar. Não querem interagir com uma pessoa.”
Você conversa sobre brinquedos?
“Não, gosto de conversar com adolescentes, né?”
Sobre o quê?
“Redes sociais, o que está acontecendo pelo mundo. Tudo.”
Fernando Gobbo Lopes, 12 anos:
Você é curioso?
“Eu diria que sim, né? Hoje em dia, a gente tem muitas mídias: internet, TV, jornal… A gente só não sabe das coisas se não quiser. Não tem como não saber.”
Sobre o que você gosta de conversar com seus amigos?
“Éééé… vai ficar um pouco estranho. A gente gosta de conversar sobre meninas. A gente conversa como uma criança normal mesmo. Mas, na hora do programa, muda. Nossa! A gente fica grande mesmo! Parece que engrandece. O convidado senta ali e a gente já sabe o que vai perguntar.”
No que esse programa vai ser bom para as crianças?
“Estamos aqui para romper tabus, ter todo tipo de conversa. A gente conversa sobre tudo. Acho que alguns pais têm medo de conversar com os filhos sobre certos assuntos. Como esse programa é para a família, então, acho que vai romper todos os tabus. Vai abrir o diálogo entre o pai e o filho.”
A idéia é genial!!!! Tomara que pegue muito, mas muito mesmo, e depois não descambe como o CQC. Pronto, falei!
A TV aberta está precisando de programa como esses…. Agora os adultos precisam se preparar para ouvir os pequenos…. Eles tem muito a dizer..
Parabéns a Band pela iniciativa..
Programa horrível. Crianças fazendo perguntas decoradas, instruídas por adultos. De péssimo gosto, hein, Professor Tibúrcio. Meus pesares à Band, esse programa já nasceu morto.
Onde já se viu crianças fazendo perguntas de adulto, daqui a pouco essas crianças irão perguntar sobre masturbação, sexo, erotismo. Acho que esse programa não esta com nada e que o Marcelo Tas deveria nunca ter saido da cultura pra apresentar programas inuteis como CQC e Conversa de Gente Grande.
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