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Estadão Urgente

Jamil Chade – O Estado de São Paulo
Atualizado às 10h25

CIDADE DO VATICANO – O papa Francisco visitaria  Aparecida, além do Rio de Janeiro, em sua primeira viagem internacional, marcada para julho. A informação foi revelada pela presidente Dilma Rousseff, que hoje esteve em uma reunião privada com o pontífice, no Vaticano. Mas o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, insistiu ao Estado que o Vaticano não tinha ainda nenhum anúncio oficial a fazer sobre a viagem.

Ao ser questionada por um jornalista argentino sobre o que achava de um papa argentino, Dilma respondeu: “vocês tem muita sorte. Mas, como dizemos no Brasil, o papa é argentino, mas Deus é brasileiro“.

Dilma contou que o papa conversou “em portunhol” e que confirmou sua presença na Jornada Mundial da Juventude, evento que deve atrair milhões de pessoas ao Rio de Janeiro em julho deste ano. Mas a viagem não se limitará à capital carioca. “O papa me informou que também irá para Aparecida”, disse Dilma, ao deixar o encontro.

Já Lombardi tinha uma versão diferente. “Não tenho nenhum detalhe a confirmar”, disse. “A presidente está livre para dizer o que quiser. Mas de nossa parte não há nada ainda a ser anunciado”, afirmou.

Lombardi reconheceu que a viagem ao Brasil deve de fato ocorrer. “Mas os planos ainda não estão feitos”, disse. Quando ainda era cardeal, Jorge Bergoglio esteve em Aparecida em 2007 para a Conferência Episcopal Latino-americana.

Na conversa de cerca de 30 minutos, o papa ainda teria demonstrado comoção diante da tragédia de Santa Maria – o incêndio que matou mais de 200 pessoas numa boate. Segundo ela, o papa ainda tratou do tema das drogas e principalmente em relação ao crack em sua conversa com a presidente.

“Ele é um papa muito normal”, completou a presidente, que hoje retorna ao Brasil

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Jamil Chade

ROMA – A agenda de Dilma Rousseff já havia sido concluída nesta terça-feira, 19,  e ela já estava tomando sopa no quarto em Roma. Mas, de surpresa, a comitiva da presidente argentina Cristina Kirchner avisou que passaria no hotel da brasileira, pegando até mesmo o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da presidência, de surpresa. “Cristina aqui… tem certeza?”, disse o ministro.

O encontro não durou mais de 15 minutos e as duas – embora não tenham anunciado o encontro na agenda de suas viagens – fizeram questão de descer até o saguão do hotel para dar um beijo diante dos fotógrafos e jornalistas, que acabaram descobrindo a presença de Kirchner no local.

O conteúdo do encontro não foi revelado. Dilma apenas explicou que as duas não haviam falado durante a passagem por Roma. “Ela veio só se despedir”, disse Dilma. Cristina evitou responder aos jornalistas e, quando foi questionada sobre o Mercosul, apenas disse: “Arriba, Arriba (Pra cima, pra cima)”. Cristina Kirchner está em Roma para acompanhar a posse do novo papa, o argentino Jorge Bergoglio, seu adversário político.

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Marina Guimarães, correspondente

Buenos Aires, 19- A política argentina não esteve ausente da vigília de Buenos Aires, que começou ontem (18) à noite e durou até esta manhã pela entronização do Papa Francisco. As palavras do ex-arcebispo Jorge Mario Bergoglio dirigidas à população durante a madrugada, através de uma ligação telefônica, foi uma “chamada à unidade argentina”, segundo interpretou Patrícia Fernández, de 53 anos, moradora do bairro portenho de Belgrano, uma das milhares de fiéis que lotaram a Praça de Maio.

“A Igreja estava hostilizada pelo governo Kirchner e hoje nós, católicos, podemos voltar à Praça de Maio, de onde estávamos praticamente proibidos de ocupar”, desabafou Fernández em conversa com o Broadcast. Segundo ela, “havia muita tristeza e muitas agressões” provocadas pelo ex-presidente Néstor Kirchner , morto em outubro de 2010, e sua sucessora e esposa, Cristina Kirchner. “Tomara que o pedido o pedido do Papa para que não haja ódios e que nos cuidemos uns dos outros seja ouvido e que o governo promova união e integração da sociedade argentina”, disse ela.

A amiga de Fernández, Malena Nougues, de 50 anos, concorda que, pela primeira vez, há muitos anos, a Igreja argentina “não sentia tanta alegria e não havia uma festa popular tão grande”. Ela disse que sente uma grande esperança de harmonia em seu país.
Em sua mensagem particular aos fiéis reunidos em frente à Catedral Metropolitana de Buenos Aires, nesta madrugada, o Papa Francisco pediu “que não haja ódio, que não haja briga, deixem de lado a inveja, não critiquem ninguém. Dialoguem”.

Antes de se tornar Papa, o ex-arcebispo de Buenos Aires, clamava pelo diálogo e o fim do discurso bélico do governo. Para o cientista político argentino, Rosendo Fraga, do Centro União para Nova Maioria, “a Igreja argentina se fortalecerá e revitalizará com o Papa argentino”. Quando à relação do governo com a Igreja, ele considerou que “não vai ser fácil”.

Em entrevista ao Broadcast, Fraga disse explicou que o governo enxerga Bergoglio como um adversário como é evidente. E verá segundas intenções detrás de suas palavras. As quais, agora, em realidade, se dirigem a 1,2 bilhão de católicos, dos quais somente 3,5% vivem na Argentina.

Cristina e Francisco

Depois de uma longa demora em transmitir uma mensagem pela eleição do argentino Bergoglio para o cargo máximo da Igreja, de uma carta de parabéns bastante fria e distante e um discurso com estocadas, ontem, no encontro que manteve com o Papa, em Roma, Cristina parecia ser outra pessoa. Foi simpática, com olhares e gestos suavizados em direção ao Papa e até pareceu estar emocionada. A presidente demonstrou uma enorme vontade de agradar, dando a impressão, em uma primeira leitura, de que estaria disposta a apagar os 10 anos de áspera relação que manteve com a arquidiocese portenha.

Para os analistas locais, ontem, o Papa deixou todas as portas abertas para o início de um diálogo com a Casa Rosada. Porém, ontem mesmo, setores mais duros do kirchnerismo dispararam fogo contra a aparente aproximação de Cristina à Igreja. Um dos intelectuais que lideram essa corrente, Horácio González, do movimento Carta Aberta e diretor da Biblioteca Nacional. Disse que “seria um retrocesso” para o kirchnerismo qualquer proximidade com a Igreja. A expectativa agora é sobre o retorno de Cristina à Buenos Aires e qual será a ordem que ela dará aos kirchneristas “duros”.

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JAMIL CHADE / ENVIADO ESPECIAL AO VATICANO – Os 24 segundos de encontro entre a presidente Dilma Rousseff e o papa Francisco hoje após a missa de entronização do papa foram usados apenas para uma saudação. Questionada sobre o que teria dito ao papa ao cumprimentá-lo na fila de autoridades após a missa de inauguração, a presidente explicou que nenhum tema específico foi tratado.

“Eu disse que tinha muito prazer em vê-lo e nós vamos nos encontrar amanhã”, disse Dilma há pouco. “Foi o que ele me disse e o que eu disse para ele”, declarou.

Amanhã, Dilma será a primeira chefe de estado a ser recebida pelo papa Francisco, numa audiência que deve durar 20 minutos.

Sobre a missa de hoje, a presidente fez questão de elogiar. “Foi muito bonito. Seu coro é muito bonito também”, disse. “Eu sou da época da missa em latim e então eu lembro da minha missa quase toda”, declarou.

Leia aqui a íntegra da homilia.

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O papa Francisco quebrou mais uma vez o protocolo e desfilou nesta terça-feira pela manhã a bordo do papamóvel aberto, sem a tradicional cobertura de vidro blindado. Sorridente, acenou para os milhares de fiéis que se aglomeravam em frente à Praça São Pedro para assistir à missa inaugural de seu pontificado.

Para garantir a segurança do pontífice, cerca de dez homens acompanharam o papa durante o percurso que durou cerca de 20 minutos. A missa de entronização durou cerca de 1h30, mas todo o ritual demorou 2 horas. Após o término da cerimônia, o papa recebeu e cumprimentou todos os chefes de Estado e representantes dos países.

Veja aqui como foi a missa de entronização do papa Francisco

Leia aqui a íntegra da homilia

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Marina Guimarães, correspondente

BUENOS AIRES – Emoção e Alegria foram os condimentos predominantes entre milhares de pessoas que fizeram uma vigília nesta madrugada, em frente à Catedral de Buenos Aires, para assistir ao vivo a entronização do Papa Francisco. Reunidos desde o início da noite de ontem (18), os fiéis foram surpreendidos por uma ligação telefônica do próprio Papa, em plena madrugada. “Obrigada pelas orações”, disse o Papa Francisco durante a chamada que foi transmitida pelos altos falantes dos telões instalados nos dois lados da Catedral. O Papa pediu que “todos se cuidem uns aos outros, da natureza, das crianças e dos idosos”.

Leia aqui a homilia na íntegra

A ligação foi feita ao telefone celular de um de seus colaboradores mais próximos, o padre Alejandro Russo, reitor da Catedral Metropolitana. Do Centro de Televisão da Arquidiocese (CTA), Santa Maria de Buenos Aires,a mensagem do Papa chegou a todos e foi a grande surpresa da madrugada argentina, às 3:30 horas. O Papa pediu aos fiéis para deixar de lado os ódios e não temer a Deus, que sempre perdoa. “Que não haja ódios, brigas, deixem de lado a inveja”, disse o Papa aos seus fiéis reunidos em frente à Praça de Maio, o histórico palco popular argentino.

“Não tirem o couro o de ninguém, dialoguem”, disse Francisco, completando: “que entre vocês, este desejo de cuidar uns dos outros siga crescendo no coração e aproximem-se de Deus. Deus é bom, Deus sempre perdoa, Deus compreende, não tenham medo dele”. Antes de finalizar a ligação, o Papa pediu a Virgem que abençoe a todos e repetiu o tradicional pedido: “Por favor, não se esqueçam deste bispo, que está longe, mas que os ama muito. Rezem por mim”. O Papa Francisco finalizou a chamada telefônica com uma bênção ao povo na Praça de Maio que, mais parecia uma extensão da Santa Sé.

Explosão de lágrimas

Houve uma explosão de choros, aplausos, cantos e orações ao Papa argentino. “Até agora eu não posso parar de chorar de tanta emoção, meu Deus do Céu”, disse ao Broadcast, Eugenia Odilía, ao lado da irmã gêmea Eugenia Ofélia, que passaram a noite em vigília. De 57 anos, as duas são assistentes sociais e trabalharam muitos anos nas obras realizadas pelo ex-arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, na favela 20 e em um colégio católico, de Lugano, na periferia. Ofélia contou que quatro de seus oito filhos foram confirmados pelo padre Bergoglio. Uma completou a frase da outra e arremataram: “Estamos cheias de gozo e felicidade”.

A partir das 5:30, quando chegaram as imagens do Vaticano, os fiéis reunidos na Praça de Maio voltaram a “explodir” em aplausos, alegria e emoção. Gente de todas as idades, com predominância de jovens, agitaram as bandeiras da Argentina e do Vaticano, vendidas por dezenas de ambulantes por 30 pesos (R$12,00). Outros, levantavam as fotos de Bergoglio de todos os tamanhos e valores que variavam de 10 a 40 pesos (entre R$ 4,00 a R$ 16,00).

Não houve bandeiras de partidos políticos, como pediu a curia metropolitana, mas do time de futebol do Papa, o San Lorenzo, havia muitas. Um grupo de jovens do Parque Patrícios, de entre 14 a 17 anos explicou que foi “muito comovedor e histórico” participar da vigília pelo Papa argentino. Na outra ponta, Neli Colombo, de 75 anos, do bairro de Belgrano, afirmou que sente “uma enorme vontade de que todos estejam juntos a serviço de todos e que o espírito de solidariedade do Santo Padre inspire a todos”.

“Estamos aqui na praça para dar testemunho de nossa fé”, afirmou. Para o padre Daniel Molina, que liderava um grupo enorme a paróquia Santa Rita, de San Justo, na província de Buenos Aires, a chegada de Francisco “abriu uma esperança muito grande de um caminho ainda mais belo e comprometido da Igreja. A portenha Juana Benedict, de 37 anos, confessou: “eu tinha me afastado da Igreja nos últimos 10 anos porque não me identificava com nenhum pastor para me guiar, mas agora, sinto de novo a fé reavivada”.

O brasileiro Danilo Alves, de 25 anos, estava coberto pela bandeira do Brasil, visivelmente emocionado. “Para mim, será o melhor Papa da história. Todos nós estamos muito emocionados com a tranquilidade, a humildade sem mordomia que ele tem”, disse Danilo que se sentia “como se estivesse no Vaticano”.

 

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    Redação do jornal O Estado de S. Paulo

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