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Estadão Urgente

Em debate sobre a redução da maioridade penal promovido pelo programa Estado de Direitos, da TV Estadão, nesta terça-feira, 7, o desembargador Antonio Carlos Malheiros, contra a medida,  e o promotor Marcelo Luiz Barone, a favor, defenderam meios diferentes de combater a criminalidade praticada por jovens. Para o promotor, acostumado a lidar com denúncias de crimes violentos, menores são muitas vezes mais cruéis e impetuosos que adultos, e a redução da maioridade, para 16 anos a princípio, seria um meio de impor limites aos delinquentes. “ A verdade é que dos 16 aos 18 anos eles já são homens formados, já sabem o que estão fazendo”, argumenta.

O desembargador, por outro lado, acredita que a prisão de menores não surtiria efeito sobre a violência. Ele defende medidas alternativas, como o prolongamento do tempo de internação na Fundação Casa, proposta do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Também crê que o investimento em edução e a chegada de políticas públicas a regiões carentes seriam mais eficientes do que  o encarceramento. “Muitas vezes o menor vê a cadeia como um aprendizado. Uma chance de ser como o criminoso que ele tanto admira.”

O debate, transmitido ao vivo, às 12h, foi mediado pelo advogado Cristiano Avila Maronna. O programa apresentado por Maronna é quinzenal e aborda temas jurídicos que estão na ordem do dia. Na primeira edição, José Roberto Batochio, ex-presidente da OAB-SP, e Roberto Livianu, promotor de Justiça, debateram a PEC 37, que retira do Ministério Público o poder de investigar crimes. O programa está disponível na TV Estadão (tv.estadao.com.br).

Veja os melhores momentos:

12h09 – Começa o debate

Mediador: Qual é a opinião de vocês a respeito do tema maioridade penal?

Desembargador: “Sou radicalmente contra”, diz, argumentando que o sistema prisional brasileiro “não dá conta nem dos adultos”. Ele defende que magistrados conheçam a realidade das favelas e comunidades pobres. Relata um episódio em que conheceu Tiago, um menor que trabalhava como fogueteiro do tráfico de drogas (responsável por soltar rojões e anunciar a chegada da polícia). “O Tiago não tinha medo de morrer. Será que teria medo  de ser preso? Para ele entrar na cadeia seria uma maneira de aprender. Se suportar 8 anos, por exemplo, poderia ser como os criminosos que tanto admira”.

Promotor: ”Tenho outra visão. Não existe nem vaga na Fundação Casa para os menores. O seu estatuto faliu, também virou um presídio. Porém, o tempo de reclusão é mais rápido. Quantos casos pegamos na Barra Funda (Fórum) em que o menor é ainda mais violento que o menor. Eles atiram, a vítima caiu e depois vão pegar os pertences. Eles não querem saber se é um pai de família ou trabalhador. Não tem limites, querem se divertir. E se não tiverem limites, vão se tornar cada vez mais violentos.  A verdade é que dos 16 aos 18 anos eles já são homens formados, já sabem o que estão fazendo. Ele defende a redução para 16 anos. “Teríamos um fôlego para segurar a criminalidade até que a idade fosse rediscutida”, afirmou.

Mediador: A redução da maioridade penal não pioraria a superlotação dos presídios?

Promotor – “A população dos presídios cresceu, assim como a população em geral cresceu. Hoje existem políticas do governo para esvaziar a cadeia, porque é mais fácil do que construir presídios.” Ele defende que sejam dadas condições “decentes” para os presos, em vez de se apostar em políticas de não encarceramento.

Pergunta do internauta: Será que reduzindo a maioridade penal para 16 anos bastaria? E os delinquentes mais novos?

Desembargador: “De redução em redução, vamos cair na maternidade dos pobres. Não adianta”, disse.  ”O projeto do governador (Geraldo Alckmin) para o aumento do tempo de internação parece mais razoável”, diz. “Agora, não cabe mais gente na Fundação Casa. Que esse projeto venha com uma dotação orçamentária para a Fundação Casa.”

Pergunta do leitor Ademar Souza: No Brasil, a maioria é a favor da redução da maioridade. Por que somos tutelados e não se faz um plebiscito, já que vivemos em uma democracia? Outra leitora, Ana Maria, questiona: Por que, se pagamos impostos, não se pode optar por prisão perpétua ou medidas mais duras?

Promotor: “Pelo Brasil ser uma democracia, as pessoas deveriam reivindicar mais. O povo está acomodado. Nós precisamos sair à rua e pleitear nossos direitos. Não é possível que se viva à merce da vontade de uma única pessoa. É preciso cumprir a vontade do povo. Sou favorável que se faça um plebiscito. Pena de morte, já acho mais difícil discutir e não sou favorável”. Ele diz ser a favor de trabalhos forçados na cadeia, no entanto.

Desembargador: A respeito da internação dos menores por tráfico,  não permitida por lei: “muitos juízes decidem  pela internação no primeiro contato do menino com a droga, aí fica difícil”.

Sobre eventuais mudanças na lei: “Toda medida tem que ser tomada com a Constituição aberta na nossa frente. A melhor Justiça é feita com base nos direitos fundamentais”, diz.

Pergunta do internauta: Em 2011, segundo o CNJ, 7 em cada 10 presos soltos tornaram a delinquir. A função de reinserção social está falida. Se a cadeia não comporta nem os presos que lá estão, a prisão de menores reduzirá a criminalidade ou servirá de escola para o crime?

Promotor: A restrição de liberdade não está falida. O sistema carcerário precisa ser revisto, mas a medida continua sendo efetiva.

Desembargador: Tirando aspecto de psicopatia eu acredito na recuperação das pessoas, por isso estou no mundo do Direito.

Pergunta do internauta Vânia Silva: Dar chances de inclusão aos jovens antes de cometerem delitos não seria melhor do que reduzir a maioridade? Outro internauta pergunta: por que não investir em escolas em vez de presídios?

Promotor: Ninguém é ingênuo em achar que apenas reduzindo a maioridade as coisas serão resolvidas, afirma. Mas o crime também está dentro da escola. Primeiro, precisamos ‘fechar a torneira’ da criminalidade. Tirar os criminosos da rua. Se começarmos a investir em edução, os resultados só virão em 70, 80 anos. Ninguém está falando que a educação não é importante, as duas coisas são compatíveis.

Desembargador: Eu espero ver uma escola pública de qualidade antes de fechar os olhos.  Se não tivermos a escola pública sonhada, a saúde pública perto das pessoas … O Hospital do Câncer, por exemplo, na Avenida Doutor Arnaldo, é espetacular, mas está longe das pessoas mais pobres. A melhor maneira de se combater a criminalidade é fazer essas políticas públicas chegarem até  essas pessoas.

12h42 – Fim do debate.

 

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19h59 - Prossegue há nove horas a leitura de peças no julgamento de Bola. Terminou agora há pouco a leitura de depoimento do ex-caseiro do sítio de Bruno, Elenilson Vitor, que responde por sequestro e cárcere privado. Ele afirmou que, durante o período em que Eliza ficou no sítio de Bruno, em Esmeraldas, ela foi muito bem tratada. Neste momento, está sendo lido o depoimento da mulher de Elenilson. Entre outras coisas, ela afirmou que o filho de Bruno foi muito bem tratado no sítio, e que era um bebê muito querido. Afirmou também que não viu a modelo ser ameaçada e nem queima de objetos dela.

19h07 - Mais uma vez, o advogado Ércio Quaresma, que defende Bola, recorre a manobras para prolongar o julgamento e fazer provocações, ignorando o fato de já ter sido repreendido na quinta-feira com a cassação de seu direito de fazer perguntas a uma testemunha.

Durante a leitura do depoimento do delegado Wagner Pinto, um dos coordenadores das investigações sobre a morte de Eliza, Quaresma entrou abruptamente no plenário dizendo que conseguiu um habeas corpus no Tribunal de Justiça de Minas Gerais para exibir um vídeo de duas horas de duração com depoimento de Sérgio Rosa Sales. Na véspera, a juíza Marixa Rodrigues havia limitado o tempo para exibição de vídeos em uma hora. Ao acatar o recurso de Quaresma, porém, o desembargador determinou que a leitura das peças seja suspensa.

Quando ele entrou, a juíza não estava na sala. Mesmo assim, Quaresma se dirigiu ao funcionário que fazia leitura do depoimento de Wagner Pinto mandando que ele parasse de ler sob pena de ser penalizado. Ao voltar, a juíza o repreendeu. “O senhor entrou aos brados. O senhor não tinha ordem para mandá-lo parar a leitura”, disse a juíza a Quaresma. “Esse moço mente”, falou o advogado. E a juíza respondeu “Aguardasse meu retorno. Eu que presido. Doutor, o senhor está advertido”, afirmou Marixa.

15h - Entre os depoimentos lidos na tarde desta sexta-feira no julgamento de Bola está o do primo de Bruno Sérgio Rosa Sales, que na época do desaparecimento de Eliza era menor de idade. Sérgio foi assassinado em 2012, segundo a polícia, em um crime passional. Ele foi uma das testemunhas-chave durante as investigações, e revelou detalhes importantes do que teria ocorrido nos dias que antecederam a morte da amante de Bruno.

Sérgio deu versões conflitantes em depoimentos diferentes para a polícia e para a imprensa. No depoimento que foi lido no Fórum de Contagem ele conta ter perguntado a Jorge, o outro primo de Bruno na época que estava sempre ao lado de Macarrão, sobre a viagem de volta de Eliza ao Rio de Janeiro. Segundo o depoimento, a resposta de Jorge a ele foi: “Nós levamos ela para morrer”.

No dia em que a modelo teria sido assassinada, Sérgio contou que Macarrão e Jorge voltaram ao sítio sem Eliza, apenas com Bruninho. Na carta, ele disse também ter apanhado durante um depoimento na delegacia, levando um soco no peito. Sérgio também fala neste depoimento sobre sua relação com Dayanne. Segundo ele, a ex-mulher de Bruno foi sua “segunda mãe”. E conta que foi ameaçado por policiais depois de ter revelado que Bruno teria matado Eliza. Ele estaria sendo chamado de X9.

Para o assistente de acusação José Arteiro, a defesa de Bola está desesperada e não percebe que está cansando os jurados. O advogado do réu Fernando Magalhães afirmou que a defesa vai precisar de mais tempo para leitura de peças, que prossegue neste momento. Portanto, não há expectativa para o término desta etapa do julgamento.

 

11h - O quinto dia do julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, começou com a leitura de depoimentos por carta precatória de testemunhas consideradas importantes para o Ministério Público. Depois passaram a ser lidas as peças de defesa. Segundo os advogados do réu, eles pediram a leitura de 3 mil páginas. Só depois é que Bola deverá ser ouvido, o que pode não acontecer hoje.

O destaque até o momento fica por conta da leitura da carta da dentista Ingrid Calheiros, atual mulher do goleiro Bruno e namorada dele na época do desaparecimento de Eliza Samudio. A dentista diz que Bruno dizia não saber do paradeiro de Eliza e que esperava que ela fosse encontrada. Ela também afirmou ter ouvido do namorado que “Bola seria um matador”.

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19h30 - O promotor terminou seu interrogatório questionando como foi a votação recebida pelo delegado Edson Moreira para vereador de Belo Horizonte. O depoente afirmou que foi o terceiro mais votado da capital. Henry perguntou se houve algum outro profissional do direito candidato, e o delegado disse que o “doutor Ércio Quaresma”, que teve apenas 345 votos e não foi eleito.

Neste momento, a juíza acaba de indeferir pedido da defesa de realizar diligências na casa de Bola. Ela deferiu, porém, pedido para que o detento Jailson Alves seja novamente interrogado em plenário. Com isso, permanece sem previsão de término o julgamento de Bola, que entra nesta sexta-feira em seu quinto dia. Às 19h30, alegando cansaço, os jurados pediram que a sessão fosse interrompida, o que a juíza acatou.

 

 

18h07 - Questionado sobre quanto tempo se passou desde a morte da Eliza até o início dos trabalhos periciais na casa de Bola, ele afirmou que o crime ocorreu no dia 10 de junho e a perícia foi feita no dia “6 ou 7 de julho”.

Sobre a data em que o bebê de Eliza foi resgatado pela polícia, ele disse se lembrar que era uma sexta-feira ou sábado “porque tinha um jogo do Brasil”, e que isso ocorreu entre os dias 18 e 26 de junho. Ele admitiu que dessa data até a perícia na casa de Bola “demorou bastante”.

 

17h40 - O promotor pergunta se, ao prestar declarações para a delegada Ana Maria Santos, o menor disse que descreveu o assassino de Eliza como negro para confundir o trabalho da polícia. O delegado diz que sim. Ele pergunta se o menor se referiu ao assassino de Eliza por 14 vezes, mas Moreira diz que não sabe.

O promotor pergunta se ele reconhece uma falha dentária apontada pelo menor para descrever o suposto executor de Eliza, e mostra fotos para Moreira. O depoente reconhece e diz que, salvo engano, Marcos Aparecido usaria prótese móvel. E responde que, na época da prisão, foi pedido exame odontológico para esclarecer uma suposta agressão que o ex-policial teria sofrido, que teria ocasionado a perda de um dente.

 

16h55 - Depois de mais de 11 horas de interrogatório, a defesa encerrou as perguntas ao delegado Edson Moreira. Um dos defensores de Bola, Fernando Magalhães, fez pouco mais de 40 minutos de questionamentos após o colega Ércio Quaresma ter tido seu direito de palavra cassado por abuso. Neste momento, o promotor Henry Vasconcelos faz perguntas à testemunha.

 

15h45 - A juíza Marixa Rodriguez cassou o direito de palavra do advogado Ércio  Quaresma por abuso e intimidação da testemunha, além de falta de respeito. O pedido foi feito pelo promotor Henry Vasconcelos. Os demais advogados do réu Marcos Aparecido dos Santos poderão continuar questionando o delegado Edson Moreira. Moreira começou a depor na quarta-feira e continua nesta quinta. Já são mais de 10 horas de interrogatório.

 

15h15 - A juíza parou o julgamento para almoço, a pedido de Quaresma, que disse ainda ter 12 horas de perguntas. Sempre irônico, ele diz que não está sendo bem cuidado. A juíza o aconselha a pedir um lanche a alguém de sua equipe.
Antes do intervalo, o promotor pediu a palavra para dizer que o interrogatório de Moreira por Quaresma é “vingativo”, além de instruir sua equipe a tratar mal e intimidar as testemunhas. E pede que a juíza retire o direito de palavra do advogado.

Bem a seu estilo, o advogado afirma: “a porta da rua é a serventia da casa”. E chamou o promotor de covarde. “Deveria montar na vassoura e sumir daqui porque não tem a conduta de homem. É um covarde em todos os seus aspectos”, prosseguiu o controverso advogado. A juíza vai decidir após o almoço sobre o pedido do promotor.

15h01
- Quaresma pergunta a Edson Moreira se Bruno esteve ou não no local da execução. O delegado aposentado diz que algumas testemunhas disseram que sim, outras que não, e por isso ele não quis afirmar isso no inquérito.

O advogado de Bola pergunta por que seu cliente não matou Bruninho, e ele responde que “essa morte não estava no pacote”. Questionado se Eliza tentou fugir durante seu sequestro, Moreira diz achar que não.

14h22 – Diante das provocações de Quaresma, o promotor Henry Vasconcellos se exaltou. “O senhor é um canalha mentiroso”, disse o promotor. Quaresma respondeu: “Canalha é o senhor. Vou provar que o senhor é um canalha”. A juíza precisou intervir para pedir calma.

Quaresma não se intimida e chama Luiz Henrique Romão, o Macarrão, de “miojo”, ao questionar se Moreira tem conhecimento de sua condenação. Ele diz que sim. A mesma pergunta é feita sobre Bruno. Novamente ele diz que sim.

12h24 - Sobre denúncia de que teria extorquido um reitor, desviado diárias e dado fuga a um preso, quando ele era chefe do Deoesp (Departamento de Operações Especiais), o depoente disse que impetrou com três habeas corpus e houve trancamento dos três inquéritos. O assistente de acusação José Arteiro protesta contra “inquirição e inquisição” do delegado sobre fatos que nada tem a ver com o processo de seu cliente. Quaresma diz que tenta mostrar idoneidade da testemunha. A juíza pede que o advogado se restrinja ao processo.

11h50 - O delegado voltar a perder a paciência com Quaresma e interrompe uma pergunta. “Por que o senhor não olha nos autos para saber”, questionou. “Posso perguntar?”, ironizou o defensor de Bola. A juíza o repreende mais uma vez: “Sem ironias, doutor”.  Bastante irritado, Moreira confirma que foi acusado por Bruno de cobrar R$ 2 milhões para aliviar a situação dele, e diz que não se sabe no que deu a investigação da corregedoria sobre o caso.

11h47 – Quaresma pergunta se Moreira mandou que as delegadas Alessandra Wilke e Ana Maria Santos gravassem a viagem em que trouxeram Bruno do Rio de Janeiro de avião – o vídeo acabou vazando para uma rede de televisão. O delegado respondeu que não mandou, mas as delegadas têm total liberdade para fazê-lo “até por questões de segurança”. O advogado de Bola também questiona como ele ficou sabendo da gravação e se ela foi anexada aos autos. Moreira diz que sim, assim que ficou sabendo determinou “degravação” na perícia e depois anexado aos autos. E que tomou conhecimento da tal gravação após reportagem.

11h45 - Moreira responde a Quaresma que falou, sim, que “Bola mata sorrindo e vai ao velório chorar”. Quaresma pergunta também se Moreira disse, em um programa de tv que participou com ele, que as provas contra Bola eram frágeis. O delegado respondeu que ele disse, na verdade, que as provas contra Bola no caso do carcereiro eram mais frágeis do que no caso Bruno. “Depois eu saí da entrevista porque ele (Quaresma) estava antecipando a discussão que teria em plenário”, afirmou o depoente. Bola foi julgado em novembro acusado de ter matado um carcereiro, mas foi inocentado por falta de provas.

11h12 – O delegado disse que Ércio Quaresma “cooptava e coordenava” todos os advogados dos demais acusados. O advogado afirmou que Edson Moreira tem “memória seletiva”. A juíza pediu que ele não fizesse acusações no plenário.

O defensor de Bola tenta apontar erros de conduta nas investigações. O foco dele são interrogatórios feitos a Dayanne do Carmo, ex-mulher de Bruno. Pergunta, por exemplo, se o delegado sabe de uma carta enviada por ela à OAB na qual reclama de não ter seu advogado em um desses interrogatórios e de não poder encontrar a família. O delegado respondeu que, por causa da carta, a ex de Bruno foi denunciada por calúnia.

11h11 – O clima esquentou na sala do júri do Fórum de Contagem. Repreendido várias vezes pela juíza Marixa tanto pelas ironias usadas no interrogatório como pela indução de respostas por meio de argumentação, o advogado Ércio Quaresma segue com sua estratégia de tentar cansar o depoente, o delegado Edson Moreira, que depôs nessa quarta-feira por mais de cinco horas. Nesta quinta ele já responde às perguntas por mais de uma hora. O delegado pediu respeito. “Você está deturpando minhas palavras”, protestou Moreira.

10h40 – Prossegue na manhã desta quinta-feira, 25, o interrogatório do delegado Edson Moreira pela defesa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que está sendo julgado desde segunda-feira no Fórum de Contagem pelo assassinato de Eliza Samudio.

O advogado Ércio Quaresma questionou o delegado sobre como ele saberia de uma ligação de “Bruno ou Macarrão” para Bola em fevereiro de 2010, se as investigações começaram em junho. “Quebra de outros sigilos, né doutor”, afirmou Moreira. Bastante provocativo, Quaresma acaba de ser repreendido pela juíza Marixa Rodrigues. “Não vou permitir que o senhor intimide a testemunha”, afirmou a juíza.

 

Aline Reskalla, Especial para o Estado

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19h15- Depois de cinco horas e meia de interrogatório, Quaresma alega cansaço e convence o juiz a encerrar o terceiro dia de julgamento de Bola.  A nova versão para o que ocorreu na casa do ex-policial no dia em que Eliza Samudio teria sido assassinada deu fôlego à defesa. O delegado que comandou as investigações na época do desaparecimento da amante de Bruno, Edson Moreira, que hoje é vereador, disse em seu interrogatório que a modelo não foi esquartejada por Bola em sua residência, em Vespasiano, e que seu braço não foi jogado para cães.

A versão difere daquela apresentada pela principal testemunha do caso, o primo de Bruno, Jorge Luiz Sales. Na época menor de idade, Jorge disse ter visto o ex-policial jogar seu braço para cães após matá-la por asfixia. O julgamento será retomado às 9h desta quinta-feira. Conflito de versões favorece defesa no julgamento de Bola

 

18h45 - Advogado diz que Bruno poderá voltar aos gramados em julho

 

17h32 - Quaresma aponta contradição nos autos ao questionar o delegado se alguma mão de Eliza foi jogada aos cães na casa de Bola. Edson Moreira disse que não. “Fez-se imaginar ao menor que isso teria ocorrido”. Pouco antes, Moreira respondeu a Quaresma que não foi encontrado sangue na casa de Bola. “Ninguém foi partido lá, dissecado”. Quaresma tenta pressionar o delegado, e Moreira pede para explicar.

“Nós estamos diante de um especialista da arte de matar e de dissimular. Então, asfixiaram a vítima, quase não sai sangue. E ele pediu para que os dois saíssem do recinto que ele iria dar um jeito na vítima, picar a vítima. Passou-se um tempo, o pessoal já estava no ponto de pular pela parede. Sai o autor, segurando um saco nas costas, vai em direção aos cães e fala assim: olha a mão dela aí”, disse Edson Moreira.

 

15h55 - Quaresma volta a abordar o depoimento de J., que descreveu o assassino como “negro, alto e com alcunha Neném”. Moreira diz que já respondeu a essa pergunta. “Eu já expliquei pro senhor”, disse a testemunha, reiterando que J. estava com medo.

Quaresma questiona se Moreira teve acesso ao depoimento de Eliza na época em que foi sequestrada, no Rio (caso em que Bruno e Macarrão foram condenados, quando ela ainda estava grávida). Ele diz que se lembra mais da entrevista a um TV dada por Eliza. “Vossa excelência sabia quem sequestrou ela no Rio de Janeiro? Vocês procuraram alguém como o menor descreveu? Um rapaz negro, com apelido de Russo?” Moreira respondeu que a polícia procurou “tudo”. “Acharam um russo, sim, e esse negão que a Eliza fala era um segurança do Bruno”, afirmou.

15h50 - Moreira pediu para contar quando a delegada Ana Maria Santos revelou que o menor tinha dito a ela na oitiva. “É esse cara, estou morrendo de medo dele. E só contei que era ele porque eu tinha medo dele fazer aquilo com minha mãe”, relatou o delegado. “Foi a Ana Maria que me contou”. “Aí chegou um advogado e acabou aquela espontaneidade do menor”.

15h45 - O defensor de Bola quer saber como Moreira chegou ao nome de seu cliente, se o depoimento do menor J., na época, não faz menção a ele. Segundo Quaresma, J. o descreveu como “negro, magro e alto”. A juíza pergunta como o delegado chegou ao ex-policial.

Ele respondeu que, depois que o menor foi autorizado pela Justiça a vir para Minas, pelas descrições dele, chegaram até a casa de Bola, em Vespasiano. “O menor, na época, estava apavorado. Não queria entrar na casa de jeito nenhum. Inclusive, ele se urinou todo, tamanho pavor.”
A juíza interpela para reiterar a pergunta de como soube do nome de Bola. Ele respondeu que, durante as buscas da polícia, o proprietário da casa fugiu antes porque lá teria circuito de TV. Depois descobriu-se que a casa era do ex-policial.

“No final do dia, no balanço geral dos trabalhos, os policiais disseram: ‘Esse cara dá uns cursos para nós. Quando eu olhei uma foto preto e branca, não reconheci”, afirmou Moreira. Ele disse que então recomendou ao dr. Júlio Wilke que requeresse a prisão temporária do Bola. Isso porque as delegadas Ana Maria e Alessandra estavam no Rio “tentando prender o Bruno e o Macarrão”.

15h15 - Para explicar o motivo pelo qual foi pedida a prisão temporária dos réus, Moreira respondeu que o objetivo era salvaguardar provas. Quaresma pediu que ele indicasse no processo documentos comprovando que os acusados buscavam atrapalhar as investigações. Moreira disse que Quaresma estava confundindo as coisas.

“Essa investigação foi feita a quatro mãos, em ritmo acelerado porque não se podia perder nada. Trabalhamos eu, dr. Wagner (Pinto), dra. Alessandra (Wilke) e Ana Maria (Santos). Então nós aceleramos o processo”, afirmou Edson Moreira.”Queríamos o máximo de vestígios possíveis enquanto estava no calor ainda (dos fatos)”.

15h12 - Depois de Quaresma perguntar se Moreira sabia que o pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio, tinha um mandado de prisão contra ele por crime sexual – o depoente respondeu que não -, o assistente de acusação José Arteiro e o promotor Henry Wagner protestaram à juíza contra Quaresma, alegando que as perguntas estavam muito argumentativas e induzindo informações aos jurados. A juíza acata e pede que Quaresma faça perguntas objetivas, “sobre os fatos”.

Quaresma também havia questionado se Moreira sabia que a mãe de Eliza, Sônia Moura, só veio a Belo Horizonte quando a guarda de Bruninho estava com o avô. Moreira respondeu que sim.

15h – O delegado Edson Moreira explicou que Contagem investigava o caso porque havia um mandado de prisão expedido no município. E que depois o caso foi transferido para Belo Horizonte por causa da grande repercussão e porque lá, segundo ele, os policiais teriam mais apoio.

14h55 - Depois de perguntar sobre investigações que Moreira já presidiu, Ércio Quaresma questiona sobre outros quatro delegados que atuaram no caso Bruno, pedindo que a testemunha informe a função de cada um deles. Moreira respondeu e depois explicou que, na época em que Eliza desapareceu, circulou boato de que Bruno havia matado a ex-mulher Dayanne do Carmo.

O defensor de Bola também perguntou por que policiais de Contagem investigam um caso ocorrido em Esmeraldas, e se o delegado vereador sabia onde ficava o sítio de Bruno. Ele afirma que não.

14h20 – Começou há pouco o interrogatório da última testemunha no julgamento de Bola, o do delegado Edson Moreira. A defesa solicitou que ele seja ouvido na condição de testemunha e não de autoridade policial. Dessa forma, ele tem compromisso com a verdade. A juíza Marixa deferiu o pedido. O advogado de Bruno, Lúcio Adolfo, está no Fórum de Contagem para acompanhar o depoimento.

12h35 - José Cleves contou que investigava a máfia dos caça-níqueis e fazia uma reportagem sobre venda ilegal de armas. Ele responde ao promotor sobre o contato dele com um cabo da PM. Segundo o jornalista, a arma que a polícia disse ter sido usada por Cleves estava em nome do policial. O promotor depois leu uma carta de Cleves relatando ter entrevistado o cabo, e ele confirma a autoria.

A testemunha afirmou que uma fita com uma reportagem dele, que havia sido anexada ao processo, desapareceu. Ele respondeu que não sabe quem colocou a arma no local do crime, mas disse ter certeza de que ela foi colocada. “Foi polícia, disso tenho certeza”, afirmou Cleves. No entanto, disse não acreditar que tenha sido o delegado Edson Moreira.

12h10 – O promotor agora faz perguntas para a testemunha José Cleves, depois de um breve intervalo. Primeiro ele questionou a ausência dele no primeiro dia do julgamento – Cleves precisou ser localizado. O jornalista afirma que sua intimação era para o dia 24, porém, o promotor exibe a intimação com data do dia 22. Então a testemunha diz que houve um equívoco.

Respondendo antes ao advogado de Bola, o jornalista disse que não houve investigação dos assassinos da mulher dele. E que a família fez uma investigação paralela. Os supostos assassinos, segundo ele, acabaram morrendo pouco tempo depois do crime.

11h – A defesa conduz o interrogatório para evidenciar o que considera erros do delegado Edson Moreira no caso da morte da mulher do jornalista. José Cleves conta que o delegado, na época, afirmou que havia pólvora no braço dele e que o exame de balística mostrou o uso de arma. Mas, segundo o jornalista, os laudos negaram isso.

Cleves também falou do impacto do seu indiciamento em sua vida, dizendo que sofre até hoje. O jornalista respondeu que sim à pergunta de Quaresma sobre se há descaso com os inquéritos. Segundo ele, esse descaso dificulta a justiça.

10h25 - Neste momento, o jornalista José Cleves responde às perguntas do advogado de Bola, Ércio Quaresma. Primeiro, ele foi questionado se fazia reportagens de desvio de conduta de policiais, e a testemunha respondeu que fazia matérias “de interesse público”.

Depois o advogado perguntou sobre o livro que ele escreveu, contando sua versão do caso em que foi apontado como culpado pela morte da própria mulher. Cleves foi condenado e depois inocentado. Ele confirma que o delegado Edson Moreira conduziu as investigações. Quaresma cogitou ler o livro no plenário, mas a juíza Marixa Rodrigues vetou.

10h - O julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, entra no terceiro dia nesta quarta-feira. O primeiro a depor no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, deverá ser o jornalista José Cleves.

Os advogados de Bola pretendem mostrar, com o depoimento, que o jornalista também teria sido vítima de erros de investigação por parte da polícia, conforme a tese da defesa para o indiciamento de Bola. Cleves foi acusado de matar sua mulher, mas foi inocentado.

As investigações foram conduzidas pelo delegado Edson Moreira, que também comandou o inquérito do caso Bruno. Para os defensores do ex-policial, Moreira é desafeto de seu cliente e por isso o incriminou. O delegado que hoje é vereador deve depor em seguida. A expectativa é de que o depoimento de Bola ocorra na quinta-feira.

Aline Reskalla, Especial para o Estado

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23h04 - O promotor Henry Wagner Vasconcellos afirmou, na noite desta terça-feira, que as testemunhas ouvidas no segundo dia de julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, prestaram informações “extremamente relevantes, vantajosas para as teses da promotoria de Justiça”. O réu está sendo julgado desde segunda-feira no Fórum de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde o goleiro Bruno foi condenado a 22,3 anos de prisão em março e seu braço direito, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, a 15 anos em novembro de 2012.

A tese mais importante delas, segundo Vasconcellos, é a de que “Bola, ou Nenêm, ou Paulista, assassinou Eliza Silva Samudio e veio a destruir-lhe ou no mínimo ocultar-lhe o cadáver”. E também a tese de que o ex-policial é um “experimentado, reiterado, experiente matador, homicida”.

O julgamento de Bola será retomado às 9h desta quarta-feira.

 

18h27 - Antes de passar a palavra ao promotor Henry Vasconcellos, a juíza Marixa Rodrigues paralisa o interrogatório para que os jurados possam ir ao banheiro. O depoimento de Durval Ângelo já dura três horas. Há alguns minutos Bola escreveu algo em um papel branco e o entregou a um de seus advogados. Ele demonstra cansaço, algumas vezes levando as mãos ao rosto. O réu também fez um lanche na sala do júri, a exemplo de ontem.

 

17h35 – Durval afirma que um tenente também disse a parentes das vítimas que havia sido proibido de entrar nas dependências do GRE por ordem deste policial de apelido Paulista. “Ele falou para três familiares isso. Para nós ele negou que tivesse sido impedido. Negou também na Polícia Civil”.

Depois que o crime passou ser noticiado pela imprensa mineira, falando da atuação de um grupo de extermínio no GRE, e com o decorrer das investigações, segundo Durval, chegaram ao nome de Marcos Aparecido. “Chegamos a acompanhar alguns depoimentos porque as testemunhas estavam intimidadas. Chegamos a ter testemunhas no serviço nacional de proteção a testemunhas”.

 

17h25 - “Três dias depois do desaparecimento desses jovens, fomos procurar pela esposa de um desaparecido e irmã de outro. Eu mesmo liguei pessoalmente para a delegada de desaparecidos, Dra Cristina Celi, que recebeu a família fora do horário. Não contente com isso, a família passou a investigar por conta própria. A família gravou telefones, entrou em contato com o Corpo de Bombeiros, pedindo para procurar dentro do GRE”, disse Durval.

Segundo o deputado, testemunhas afirmaram que os jovens foram perseguidos por uma viatura do GRE, e cita três policiais envolvidos nesse caso, Anderson, Vanderlei e Gilson, e uma moto amarela da marca Twister conduzida por um policial, depois identificado como Paulista – um dos apelidos de Marcos Aparecido.

 

17h20 - O deputado contou que Júlio César deu detalhes do crime.  Disse que eles foram “barbaramente torturados e atiçaram cães ferozes neles. Tiveram mordidas no corpo todo dilacerado. Depois disso fizeram microondas com eles. Foram colocados dentro de pneus e atearam fogo. Então eles ficaram queimando até virarem cinzas, exceto as nádegas de um deles”, disse Durval. Ele contou que, ainda conforme relato do Júlio César, as nádegas teriam sido jogadas em um lixão. Durval diz, respondendo a Quaresma, que Júlio César não citou o nome de Bola.

 

17h01 - Depois, segundo o deputado, vieram denúncias de pagamento de diárias fraudadas envolvendo o inspetor Júlio César Monteiro de Castro, seguidas por denúncias que cursos dados por membros do GRE eram cobrados de policiais e agentes. “E finalmente, em maio de 2009, foi o desaparecimento de duas pessoas nas imediações do GRE, tendo como vítimas Paulo César e Marivaldo”.

Segundo ele, todas as denúncias foram levadas aos órgãos competentes e se transformaram em processo. Quaresma pergunta o que Durval sabia sobre Júlio César. “Parecia que ele era o chefe do GRE, e ele também era irmão do chefe de polícia. Encaminhamos fitas gravadas dele cobrando diárias”. O outro episódio, segundo ele, o Júlio César foi até a Comissão pedindo sigilo levando informações a respeito desse assassinato das duas pessoas. “Depois ele mesmo foi a uma tv e deu uma declaração pública, aí eu encaminhei as informacões que tinha à Corregedoria”, disse Durval.

 

16h45 – Quaresma pergunta se a Comissão de Direitos Humanos já teve ações em relação ao Grupo de Resposta Especial (GRE) da Polícia Civil mineira, uma tropa de elite criada em 2005 que foi extinta por causa de uma série de denúncias de irregularidades. “Fiz umas três ou quatro audiências públicas”, disse Durval.

O deputado respondeu que, no fim de 2008, começaram a surgir denúncias ligadas a abuso de autoridade e arbítrio. Depois, sobre o envolvimento de membros do GRE em golpes financeiros com veículos. “Policiais estariam comprando carros com documentos falsos, pagavam uma ou duas prestações e depois vendiam”.

 

16h30 - Durval responde a perguntas sobre a entrevista que fez com Macarrão na penitenciária Nelson Hungria. “Inicialmente, eu perguntei se poderia gravar e filmar, porque é assim que estabelece a legislação, a lei de execução penal. Ele autorizou que tudo dele fosse gravado.”

“Perguntei se ele teria algo para dizer fora das câmeras, e ele disse que sim, e não me pediu segredo. Disse que estava sendo motivo de chacota na penitenciária, que ele estava em uma cela com presos de orientação homossexual, e pedia a mudança de pavilhão. Eu assumi o compromisso de falar com o secretário de Defesa Social e a direção do presídio. Ele pediu para voltar para onde estava Bruno, “o amigo dele, o irmão dele”.

 

16h20 – Durval disse que o advogado de Macarrão Wasley César o procurou para pedir proteção a seu cliente, que temia ser morto na penitenciária. O advogado dizia que o seu cliente estava sendo violado em seus direitos, e que havia um plano para que Macarrão assumisse toda a culpa sozinho pelo crime. “Eu, então, fui à penitenciária e gravei uma entrevista com ele”. Quaresma perguntou se seu nome havia sido citado pelo advogado, e o deputado disse que não.

 

16h18 – Segundo o deputado Durval Ângelo, Bruno havia lhe dito que o delegado Edson Moreira teria pedido R$ 2 milhões para livrá-lo da acusação e que teria ameaçado até sua família caso ele não pagasse. Durval disse ter encaminhado a denúncia para a corregedoria, que não viu fundamento na história. Respondeu também que o goleiro não reclamou de nenhum abuso nas investigações.

 

16h15 – Começou o interrogatório do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de Minas Gerais, deputado Durval Ângelo, a segunda testemunha a ser ouvida hoje. Neste momento, o advogado Ércio Quaresma pergunta sobre o teor dos encontros que teve com Bruno. Segundo Durval, em um desses encontros, Bruno disse que não havia matado a modelo e que não tinha participação no crime, jurando sobre a Bíblia. “O Bruno negou de forma peremptória que tinha matado. Disse que ela teria tomado destino ignorado.”

Durval também relatou ter ouvido de Ingrid, atual mulher do goleiro, que havia um plano de uma juíza de Esmeraldas para libertá-lo, e que a magistrada receberia R$ 1 milhão durante um plantão para soltar o goleiro.

 

16h - No retorno dos trabalhos após o intervalo para almoço, o advogado Ércio Quaresma pediu a palavra para solicitar a responsabilização criminal da testemunha Jailson por falso testemunho. Jailson depôs por quatro horas. Segundo Quaresma, ele teria mentido ao responder que era inocente dos crimes pelos quais foi condenado. Em seu depoimento, Jailson respondeu: “De alguns, sim”. Porém, segundo Quaresma, em carta enviada ao então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, em 2012, Jailson teria dito que estava preso há 16 anos e era inocente dos crimes.

O promotor Henry Wagner Vasconcellos imediatamente solicitou o indeferimento do pedido, dizendo que “a ninguém é exigível autorrecriminar-se”. “A testemunha em princípio contradisse-se estritamente no que diz respeito a questões que atingem seu status jurídico perante a Justiça penal, sem o apontamento pela defesa de qualquer nódoa em suas declarações relativamente aos fatos em julgamento”, afirmou. Depois de alguns minutos, a juíza indeferiu o pedido acatando os argumentos do promotor.

 

14h16 - “Acredito que o diabo está orando, pedindo a Deus para ele (Marcos Aparecido) não tomar o lugar dele”, disse Jailson, que segue sob interrogatório do advogado de defesa Ércio Quaresma, após um pequeno intervalo. Jailson contou que teria ouvido as confissões de Bola nos pavilhões da penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, durante o período em que o réu ficou preso ali também. O depoente afirmou, inclusive, que Bola admitiu ter dado “bobeira” ao deixar a foto onde duas pessoas que foram assassinadas aparecem com um x no rosto.

Ele afirmou que o acusado de executar Eliza Samudio assistia o noticiário sobre o caso com frequência na sala de Jailson. O interrogado reafirmou a denúncia de um suposto plano para matar a juíza Marixa Rodrigues. O assassino seria o “Nem da Rocinha”.

 

12h22 – Neste momento, o advogado de Bola, Ércio Quaresma, faz perguntas à testemunha. Primeiro ele tentou desqualificar Jailson, listando os crimes que teria cometido, como um latrocínio.

O advogado também perguntou se o preso já havia “dedurado” outras pessoas. Jailson respondeu que sim, sempre em casos envolvendo policiais e agentes penitenciários. Um deles foi um tenente coronel que “vendia” fugas. Quaresma foi repreendido pela juíza e motivou protestos do promotor ao chamar Jailson de “delinquente contumaz”.

 

12h10  – Nas perguntas que fez a Jailson, o promotor Henry Wagner conseguiu que ele reafirmasse sua versão de que ouviu do próprio Bola que Eliza foi queimada em pneus, e as cinzas, jogadas em uma lagoa. O depoente também chamou o advogado do ex-policial, Ércio Quaresma, de “noiado”. Ele disse isso ao identificá-lo em uma foto mostrada pelo promotor. “Neste dia da foto, o Bola ficou me ameaçando dizendo que eu era peixinho pequeno para ele”, afirmou.

 

10h07 – Começa o segundo dia de julgamento de Bola, ex-policial acusado de ser o executor de Eliza Samudio, a mando do goleiro Bruno Fernandes, que era amante da modelo. Para  o promotor de Justiça Henry Wagner Vasconcellos, responsável pela acusação do réu, a estratégia da defesa de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, de prolongar ao máximo os interrogatórios das testemunhas é um tiro no pé, na medida em que cansa os jurados e provoca neles uma antipatia em relação ao acusado.

Na segunda-feira, primeiro dia do júri, o depoimento da delegada Ana Maria Santos durou 6 horas e 40 minutos, das quais cinco horas foram usadas pelos advogados de Bola. Um deles, Fernando Magalhães, já afirmou que pretende prolongar o julgamento para até dez dias. “Só para o delegado Edson Moreira temos perguntas para 24 horas de interrogatório”, afirmou o defensor.

Nesta terça-feira, 23, segundo dia do julgamento do acusado de matar Eliza Samudio, a mando do goleiro Bruno, os trabalhos começam com o depoimento da testemunha Jailson Alves de Oliveira, preso na mesma penitenciária que o réu, no município de São Joaquim de Bicas. Jailson denunciou ter ouvido várias vezes Bola confessar que matou Eliza e ter jogado suas cinzas na água. O julgamento está sendo realizado no Fórum de Contagem, onde o goleiro Bruno foi condenado a 22,3 anos de prisão em março. Seu braço direito, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, foi condenado a 15 anos em novembro de 2012.

 

Aline Reskalla, Especial para o Estado

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22h35 - Seis horas e quarenta minutos foi o tempo que durou o depoimento da delegada Ana Maria Santos, que terminou neste momento. No final, a delegada agradeceu o defensor de Bola por ter mudado de postura e sido mais educado desta vez, já que, segundo ela, Quaresma é conhecido por suas atitudes grosseiras. Neste momento, o advogado virou as costas e, depois do fim dos trabalhos, foi abraçar a delegada. No final da sessão, o réu Marcos Aparecido foi autorizado a abraçar seus familiares. Ele se emocionou bastante e chorou compulsivamente, antes de deixar o Fórum de Contagem. Nesta terça-feira, o julgamento será retomado às 9h.

 

22h04 - Ércio Quaresma mostra uma pistola e pergunta se a delegada sabe se era de Bola. Ela disse que não sabe. O advogado, que disse ter perguntas para várias horas ainda de interrogatório, também questiona se a delegada sabia que Bola fazia um curso na noite do crime, e apresenta um lista de presença com o nome de Marcos Aparecido na Faculdade de Tecnologia Internacional. A delegada disse desconhecer o álibi e afirmou que escolas costumam dar presença a alunos ausentes. Reportagens publicadas em 2010 mostram que Bola deixou a faculdade, que fica, segundo Quaresma, na Pampulha, às 20h30. Porém, Eliza teria sido entregue a ele por Macarrão às 22h06.

 

21h30 - Quaresma perguntou se Ana Maria se lembra da versão dada por Bola sobre seu paradeiro no dia do crime. Ela disse que não. “Mas eu me lembro que o senhor Marcos Aparecido não quis, durante as investigações, esclarecer nenhum dado”. Ela também afirmou, respondendo ao advogado, que levantou toda a vida pregressa do ex-policial. E que alguns vizinhos relataram ter medo dele, razão pela qual não quiseram se identificar. “A noticia que se tem é que ele morava lá com a família, e que, por ocasião de ficar sabendo de uma diligência da polícia no local, os moradores da casa teriam saído às pressas”, afirmou. Pouco antes, a delegada foi questionada se, na condição de autoridade policial, ela acredita que Eliza foi esquartejada. Ana Maria disse que sim.

 

19h55 - A delegada Ana Maria Santos depõe há quase quatro horas. Ela tem sido bastante pressionada pelo advogado de defesa de Bola, Ércio Quaresma, cuja estratégia é apontar o que ele considera falhas no inquérito conduzido pela delegada na época do desparecimento de Eliza. Ele questionou insistentemente a delegada por não ter indiciado outros nomes que apareceram na quebra de sigilo telefônico dos envolvidos no caso. O advogado se referia principalmente aos policiais José Lauriano, o Zezé, e Gilson Costa. A delegada afirmou repetidas vezes que não os indiciou porque, na época, não havia elementos suficientes.

 

17h27 – Ércio Quaresma retornou à sala do júri, ficou alguns minutos sentado e demonstra nervosismo, circulando pelo salão. O réu Marcos Aparecido ouve o interrogatório da delegada de cabeça erguida. Ana Maria conta agora detalhes do depoimento prestado pelo então menor Jorge Luiz, primo de Bruno, que na época do desaparecimento de Eliza Samudio contou detalhes de como ela teria sido assassinada por Bola.

 

17h - A delegada Ana Maria Santos esta sendo interrogada pelo promotor Henry Vasconcellos. O advogado de defesa Ercio Quaresma pediu para deixar o fórum porque segundo ele sua esposa estava sendo assaltada e tinha uma arma apontada para a cabeça. Assim que ele saiu, o promotor pediu para constar em ata que Quaresma havia dito a mesma coisa no julgamento ocorrido em novembro.

 

16h – A juíza chamou finalmente o réu Marcos Aparecido dos Santos à sala do júri. Bola aparenta nervosismo. Também já foram sorteados os jurados do Conselho de Sentença, que é formado por quatro homens e três mulheres. Em instantes, terá início o interrogatório da delegada Ana Maria Santos.

 

15h50 -  Na retomada dos trabalhos, a juíza Marixa Rodrigues indeferiu todos os questionamentos feitos pelo advogado de defesa de Bola, Ércio Quaresma, durante a preliminar. Quaresma havia questionado o fato de uma das juradas do julgamento de Bruno ter passado mal e isso não ter constado da ata. “O incidente não foi ocorrido durante os trabalhos. Embora a jurada tenha recebido atendimento médico, foi preservada sua incomunicabilidade’, afirmou a juíza.

Sobre o atestado de óbito de Eliza e a alegada falta de competência do Fórum de Contagem para realizar o julgamento, Marixa disse que esta é uma “questão já ultrapassada, nesta e em outras instâncias superiores”, que reconheceram a Comarca de Contagem como legítima para realização do júri.

Marixa também indeferiu alegação de cerceamento de defesa pela realização do julgamento sem a presença de Jorge Luiz Lisboa, o primo de Bruno arrolado como testemunha e que não compareceu, a exemplo do ocorrido no julgamento do goleiro. “Tendo residência fora desta comarca, não tinha obrigação de comparecer”, afirmou a juíza.

Quaresma também havia questionado o fato de uma das juradas do julgamento de Bruno ter passado mal e isso não ter constado da ata. “O incidente não foi ocorrido durante os trabalhos. Embora a jurada tenha recebido atendimento medico, foi preservada sua incomunicabilidade’, afirmou a juíza.

A juíza acolheu o pedido do promotor de Justiça de retirar dos autos imagens em que Bola aparece fortemente armado treinando policiais. Segundo Henry Vasconcellos, as imagens podem intimidar o conselho de sentença.


14h10 – Terminou há pouco a etapa das alegações preliminares da defesa e da Promotoria. Neste momento, a juíza deu um intervalo de uma hora para o almoço.

Primeiro, o advogado Ercio Quaresma criticou a atuação do Ministério Publico, comparando-a a Inquisição, e defendeu o adiamento do julgamento. Para ele, o motivo é a existência de investigações em andamento sobre a participação de outros supostos envolvidos no caso: os policiais José Lauriano, o Zeze, e Gilson Costa.

O promotor Henry Vasconcellos disse que as investigações “suplementares visam a mais ampla reunião de provas de coautoria de outros dois parceiros do réu”.  Ele disse também que a defesa age como se estivesse antecipando a fase dos debates.

A testemunha que não havia comparecido ao Fórum de Contagem, o jornalista José Cleves, já foi encontrada e aguarda o momento de depor em uma sala no local.

 

11h12 - Neste início de julgamento, o advogado de Bola, Ércio Quaresma, chegou a pedir à juíza Marixa Rodrigues o adiamento do júri, o que ela negou.

Uma das testemunhas da defesa, o jornalista José Cleves, não compareceu, e os advogados solicitaram mais tempo para tentar localizá-lo. Este pedido a juíza acatou e, no momento, todos esperam a testemunha.

O depoimento de José Cleves faz parte da estratégia de tentar desqualificar o então chefe das investigações da época do desaparecimento de Eliza, delegado Edson Moreira. Para a defesa, Moreira, que hoje é vereador, tem uma perseguição pessoal com Bola.

Cleves foi acusado de matar a mulher, mas depois acabou inocentado. O caso também foi conduzido por Edson Moreira.

 

09h40 –  Deve começar em breve o julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de assassinar e sumir com o corpo da amante do ex-goleiro Bruno, Eliza Samudio. Bola será julgado no Fórum Pedro Aleixo, em Contagem, o mesmo onde Bruno foi condenado a 22,3 anos de prisão no dia 8 de março e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, a 15 anos em novembro.

Com previsões de duração que vão de três dias a uma semana, o julgamento tem início com a apresentação dos pedidos da promotoria e dos advogados e com a formação do conselho de sentença.
Na sequência, serão interrogadas as testemunhas.

O Ministério Público, responsável pela acusação, arrolou a delegada Ana Maria dos Santos, que esteve à frente das investigações iniciais do caso; o primo de Bruno Jorge Luiz Lisboa Rosa; o ex-caseiro do goleiro João Batista Alves Guimarães e o ex-colega de prisão de Bola Jailson Alves de Oliveira, que denunciou a suposta existência de um plano do ex-policial para matar a juíza Marixa Rodrigues. Ele também relatou ter ouvido Bola confessar o crime na cadeia.

A defesa arrolou como testemunhas o corregedor geral da Polícia Civil, Renato Patrício Teixeira; o jornalista José Cleves; a delegada Alessandra Wilke, que trabalhou no caso; e a delegada Ana Maria dos Santos. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de Minas, deputado Durval Ângelo, também foi intimado.

 

Aline Reskalla, Especial para o Estado

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