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Em Foca

Começamos a matéria de uma forma comum para boa parte dos repórters: no escuro. Além de estrangeiros em São Paulo – um mineiro e uma gaúcha recém-chegados, por mais que tentem, não dão meio paulistano -, também não tínhamos lá muita intimidade com a pauta. Contaminação do solo é um tema interessante, agora contaminação do solo de uma região metropolitana com mais de 20 milhões de pessoas não é tão simples assim de desvendar.

Dividimos esforços e partimos para a pesquisa. Muitos textos depois, chegamos a dois pontos chaves de contaminação mapeados inclusive pela Prefeitura: os postos de gasolina e as comunidades estabelecidas em cima de áreas contaminadas, como lixões abandonados. Com uma pauta mais palpável, começamos as entrevistas e os textos. No entanto, uma conversa com a editora, Carla Miranda, nos obrigou a voltar para o grande mistério da contaminação: nada de textos específicos, precisávamos mapear o solo da cidade.

Entre as fontes que tentavam nos ajudar com esse quebra-cabeça, muitos professores, médicos e assessores de imprensa, além dos moradores das comunidades. Enquanto a academia fazia questão de falar, a assessoria do Estado preferia nos enrolar. Nesse momento, escrever para um jornal de circulação nacional não adiantou muito. Valeu mais o posto de focas, solenemente ignorado.

Puxa daqui, pesquisa dali, entrevista acolá, o texto nasceu. Um emaranhado de informações que procurava explicar para o leitor que, apesar do estardalhaço causado pela série de investigações sobre a poluição causada pelos postos de gasolina mal fiscalizados, eles eram apenas um dos fatores de contaminação do solo da cidade. O buraco era muito mais embaixo, ou em cima, já que a malha de indústrias clandestinas e regulares também mal fiscalizada era responsável por boa parte da poluição não mapeada.

Mais uma vez, foi sentando com a editora que a matéria renasceu. “Se a cidade está em cima de uma bomba relógio (citação de uma professora reiterada por vários outros entrevistados) por que isso não está no título?” Às vezes, apuramos tanto que esquecemos de olhar para o texto e dizer para o leitor o que é mais importante, já que para nós tudo parece ter grande valor.

Com o toque da Carla, foi só uma questão de reler, mudar a estrutura e voilá: tínhamos uma bela matéria sobre contaminação, que dizia justamente o que sentimos no começo. Com mais de 400 anos de urbanização e poucos estudos a respeito, não sabemos e nem temos como saber o que existe no solo de São Paulo, o que, além de uma incógnita, é um problemão para a cidade.

Junto com a sensação de dever cumprido, ficou também um ensinamento do professor Paco Sánchez: um texto bem feito mostra 10% da apuração. Como falamos com quase 15 pessoas e pesquisamos bastante, a sensação era de que nem 5% do material estava ali e que seria possível fazer um caderno inteiro sobre contaminação.

Acesse o PDF da matéria Contaminado, solo paulistano é incógnita

Paula Bianca Bianchi, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Tiago Rogero, de 22 anos, é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário Newton Paiva, de Belo Horizonte

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08.dezembro.2010 14:35:31

Sem medo de ser piegas

Sexta-feira acaba. Depois de mais de três meses convivendo diariamente, o dia inteiro, com 29 brilhantes jornalistas, hora de se acostumar à ausência deles.

Vim para São Paulo com receio. Pensava que, com tantas pessoas buscando o mesmo objetivo – crescimento profissional e, quem sabe, uma vaga no Grupo Estado –, a competição seria um empecilho que fatalmente surgiria para romper com a harmonia do grupo.

Estava errado.

A semelhança no que buscávamos tornou-se o principal elo, e a diversidade, nosso “champignon”, como diria Wilson Simonal.

Sexta-feira acaba. Sim, tudo será diferente. Mas, como certa vez disse a um dos integrantes desta “Família Foca”, diferente não significa pior. Agora, crescidos e mais preparados – e sempre ainda com muito a aprender –, voltamos ao “mundo real” em busca de novas realizações, porém, com uma diferença em relação a 1º de setembro: 29 companheiros para a vida toda.

Pensando bem, sexta-feira começa.

Tiago Rogero, de 22 anos, é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário Newton Paiva, de Belo Horizonte

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01.dezembro.2010 19:41:16

Meus amigos focas

Queria falar sobre jornalismo neste post, como fiz em todos os anteriores, mas não consigo. Do meu lado está Frederico Silva, que viaja em pé. “Quero olhar a Marginal”, diz ele, meio torto. Enquanto isso, uma piada qualquer é dita no fundo do ônibus (teria sido o Tiago?) e provoca uma onda de risadas, puxada por Daniela. Também há uma conversa animada perto de Paula, que chacoalha um jornal tentando ler as letras miúdas. Não consigo parar de observá-los. A caminho de nossa última viagem, para Buenos Aires, já começo a sentir saudades.

Agora que o curso está acabando, fica ainda mais claro como cada um, com seu jeito e sua mania, tornaram os últimos três meses mais agradáveis. Sim, porque “abandonar” o conforto da cidade de origem, a família, o emprego e chegar a um lugar absurdamente grande e desconhecido como São Paulo não é pra qualquer um.

O nosso caso é ainda mais peculiar, pois toda nossa rotina é dedicada ao curso. Eu, por exemplo, saio por volta das 8h de casa e costumo voltar só 15 horas depois. Restava conviver com eles só o tempo todo, do bom dia a barzinho no fim do expediente. Até chegaram a falar, entre uma cerveja e outra, que viramos uma família. Concordei no ato.

Na semana passada, eu e essas 29 figuras assistimos a uma palestra sobre gestão de carreira, o que inspirou uma brincadeira. Cada um era alvo de um exercício de futurologia em relação a seu futuro profissional. Os cargos eram vários. Colaborador de revistas “da esquerda”, editor frustrado da grande mídia, repórter cultural, assessor de imprensa de museu (!), rei de Curitiba (gostei) e outros.

Brincadeiras à parte, temos a certeza que cada um vai seguir um caminho de sucesso. Ao misturar um pouco de inconsequência juvenil com o talento profissional que já demonstram ter, além de exibir humildade, respeito e profundo companheirismo, eles me conquistaram plenamente. O que me deixa um tanto cabisbaixo é saber que cada um vai trilhar um rumo diferente. Aos poucos, vamos ficar cada vez mais desconectados. Sabemos que aquela sala gargalhante com os 30 focas de 2010 não voltará a existir. Mas fico feliz em ter a certeza que todos se darão muito bem, independente do que acontecer. No futuro, quando eu ler a assinatura de uma grande reportagem de sucesso por aí e lembrar do antigo foca da 21ª turma, apontarei o dedo e direi a quem estiver mais perto: ‘Olha, é meu amigo!’

Fábio Pupo, de 21 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)

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23.novembro.2010 18:31:30

Texto ou foto?

Não só de jornalistas com experiência em texto é feito o Curso Estado de Jornalismo. Apesar de ser um programa de treinamento voltado para a formação de repórteres, muitos da 21ª turma traçaram outros caminhos que não o da reportagem escrita antes de chegar aqui.

O Tiago Rogero, foca 29 deste ano, trabalhava há dois em uma rádio de notícias de Belo Horizonte antes de ser selecionado para o curso. Como muitos outros, pediu demissão com a certeza de que o curso o tornaria um repórter melhor. O traço inconfundível faz de Tiago o caricaturista oficial do grupo.

Com experiência em televisão, o foca 15, Gustavo Coltri, deixou o frila em um canal a cabo em Porto Alegre para se mudar para São Paulo. A possibilidade de trabalhar em um grande jornal e a perspectiva de crescimento profissional fizeram com que o primeiro dos quatro Gustavos deixasse o emprego e a família
no Sul para voltar à sua cidade natal.

Comigo não foi diferente. Durante a entrevista de seleção para o curso, ao descobrir meu emprego em Florianópolis, o coordenador Chico Ornellas foi incisivo:

- Tá, mas texto ou foto?

Sabia que seria inevitável. Formado desde dezembro do ano passado, há 10 meses eu trabalhava como repórter fotográfico em um jornal de Santa Catarina. Toda a minha graduação tinha sido direcionada – inclusive meu trabalho de conclusão de curso – para juntar minhas duas maiores paixões: o jornalismo e a fotografia.

Titubeei. Mesmo tendo me preparado para a pergunta, disse, sem convicção, que queria ser repórter. Chico repetiu a pergunta:

- Texto ou foto?

Texto. Tinha certeza de que a chance de fazer o curso, mesmo que a fotografia tivesse de ficar de lado por três meses ou talvez a vida inteira, era imperdível. Seria um jornalista melhor.

No fim, deu tudo certo. Entre as atividades diárias do curso e a correria da apuração das pautas e do infográfico para o suplemento, tenho conseguido fotografar nosso dia a dia e, de vez em quando, fazer dupla com os colegas em uma pauta ou outra do caderno.

Também aproveitei as poucas folgas do curso para fotografar para o jornal em que trabalho as partidas do Avaí e do Figueirense contra equipes da capital paulista.

Mas demorei quase dois meses para recomeçar a fotografar com frequência. Tem sido um prazer imenso escrever. Enxergar o mundo – e tentar traduzi-lo ao leitor – através de um bloquinho e uma caneta tem sido tão prazeroso quanto era com uma máquina fotográfica.

Lucas Sampaio, de 25 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

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22.novembro.2010 14:29:29

Frases marcantes

Não costumo anotar freneticamente tudo que é dito nas aulas ou palestras de grandes e experientes colegas de profissão. Porém, quando algo me chama muito a atenção – como uma frase marcante, que, de fato, mudou um pouco a minha maneira de pensar e executar o jornalismo –, gosto de anotar. Fiz, então, uma seleção de algumas das falas que mais mexeram comigo ao longo destes mais de dois meses de curso, e a forma como as recebi.

“Tentar melhorar o mundo é essencial para o jornalista” – Roberto Gazzi, editor-chefe do Estadão.

Muitos de nós entramos na faculdade com este sonho; cultivamos e saímos dela ainda mais entusiasmados com isso. Porém, em algum ponto, começamos a achar que é uma utopia. Muito bom ver o comandante da produção diária de um dos maiores jornais do Brasil dizendo que manter a meta é não apenas necessário, mas essencial.

“Nunca se compare a um colega, cada um tem o seu momento. Injustiças acontecem” – Marcia Glogowski, hoje diretora da RP1 Comunicação; trabalhou por 30 anos no Estadão.

A frase, bem autoexplicativa, reforça a ideia de que temos de seguir nos esforçando, fazendo a nossa parte, “sem olhar para os lados”. A promoção de um colega que, na sua opinião, mereceria menos que você não pode ser algo que vai afetar seu rendimento. A batalha continua, é diária.

“Trabalhar mais faz você produzir mais e melhor” – Roberto Gazzi, editor-chefe do Estadão.

Já pensava um pouco assim antes mesmo do início do curso, depois de participar do congresso deste ano da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Não é que temos que esquecer completamente de nossas vidas fora do trabalho e nos tornarmos verdadeiros zumbis. Mas percebi que os grandes prêmios, as grandes reportagens, foram conquistadas e feitas justamente por aqueles que não se preocuparam em passar aquelas horinhas a mais no trabalho, pesquisando coisas até mesmo fora da pauta do dia, com o objetivo de conseguirem grandes histórias.

“A gente nunca pode achar que já é um repórter formado” – Marcelo Beraba, editor do Estadão.

Logo depois de nos passar e corrigir exercícios sobre apurações que resultaram em grandes reportagens, Beraba deu algumas dicas para crescermos ainda mais na profissão, como evitar a dispersão na hora de escrever uma matéria e o exercício diário da autocrítica. Assim, buscando constantemente se renovar e sabendo que o processo de aprendizado nunca estará completo, um foca sempre será um foca, no melhor sentido da expressão.

Tiago Rogero, de 22 anos, é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário Newton Paiva

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Se o curso fosse um jogo de futebol, montar um “compacto” com os melhores momentos seria uma tarefa das mais difíceis. Não porque são escassos, muito pelo contrário. Em meio a tanta informação adquirida diariamente, difícil apontar o que de melhor aconteceu nos últimos dois meses.

O jornalista e professor do curso Luiz Carlos Ramos, porém, consegue destacar dois momentos como cruciais neste processo de formação dos focas: a vinda de Paco Sánchez, diretor da Corporación Voz de Galicia, proprietária do jornal espanhol La Voz de Galicia; e a passagem pelas redações do Grupo Estado.

A cada duas semanas, os focas começam em uma nova editoria ou redação, seja na Rádio Eldorado, TV Estadão, Agência Estado, Jornal da Tarde, estadão.com.br ou nos cadernos de O Estado de S. Paulo. Cada um percorrerá cinco delas até o fim do curso, definidas por meio de sorteio.

Em muitas delas, como nas editorias Nacional e Economia, os focas têm a oportunidade de participar e, inclusive, contribuir para as edições diárias do Estado. Porém, se por vezes temos a chance de fazer matérias inteiras, em outras o trabalho pode parecer um pouco burocrático, como encontrar personagens, por exemplo. Entretanto, como afirmou o chefe de reportagem da editoria Nacional, Cley Scholz, “a tarefa de ouvir o outro lado e encontrar personagens é chata e difícil, mas tão importante quanto o lide das matérias”.

No fim das contas, o que importa é participar, de alguma forma. Porque qualquer coisa que se faça, por mínima que seja, está sendo feita em um dos maiores jornais do Brasil. É experiência. E ninguém perde por adquirir um pouco mais.

Tiago Rogero, de 22 anos, é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário Newton Paiva

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Serão pouco mais de três meses. 101 dias, para ser mais exato, contando com os fins de semana – e, quando se é jornalista, contam-se os fins de semana. Entre aulas, palestras, passagens pelas redações do Grupo Estado e viagens, os 30 selecionados para a 21ª edição do Curso Estado de Jornalismo terão até 10 de dezembro para aprender o máximo que puderem.

Na mistura de sotaques, manias, gostos e posicionamentos, um detalhe tem se destacado entre os focas. E é isso que pretendo demonstrar neste vídeo, com algumas dicas interessantes para universitários ou jornalistas recém-formados que também desejam se tornar focas do Estadão.

Tiago Rogero, de 22 anos, é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário Newton Paiva

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