ir para o conteúdo
 • 

Em Foca

23.novembro.2011 12:00:30

Nada como o deadline

A última hora ou data na qual uma tarefa deve ser completada. Essa é a definição do dicionário online de Oxford para a palavra deadline. No mesmo site, logo abaixo, aparece outra definição, dessa vez, histórica, e, diga-se de passagem, um tanto quanto assustadora: linha desenhada em volta de uma prisão além da qual os prisioneiros estão suscetíveis a serem alvejados. É assim que nós, jornalistas, inevitavelmente nos sentimos quando estamos apurando uma matéria. Se ultrapassarmos o prazo limite para a entrega, seremos massacrados por nossos editores.

No Curso, não é diferente. Estamos sendo avaliados constantemente pelos professores que nos passam os exercícios de apuração e temos prazos para enviar os textos. Ou seja, não há como fugir do deadline.

Desde o início do Curso participamos de algumas entrevistas coletivas. A última aconteceu na manhã de segunda-feira. Os focas entrevistaram o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega. Já sabíamos que seria necessário escrever uma matéria sobre a coletiva. A surpresa veio quando, momentos antes de o entrevistado chegar, o professor Luiz Carlos Ramos nos informou que teríamos até as 13h para entregar o texto, ou seja, era preciso escrever tudo em pouco menos de duas horas.

Depois do início dramático deste post – onde o deadline foi comparado metaforicamente a uma linha de tiro – alguns leitores devem estar imaginando as reações na sala dos focas: gritos apavorados, desespero, apreensão, barganha por mais alguns minutos no prazo. Errado. No fim da entrevista dava para ouvir os dedos digitando nervosamente, é verdade.

Mas a agilidade exigida fez com que não perdêssemos o foco. É bem provável que a maioria deixasse para escrever o texto na última hora caso o prazo fosse maior. Eu, pelo menos, faço isso com uma frequência maior do que gostaria.

O fato é que nós precisamos do deadline. É claro que essa, como toda regra, não se aplica a qualquer tipo de texto ou apuração, há casos em que é essencial ter tempo e calma para escrever. Mas a pressão dos prazos é necessária e garante que o jornal saia todos os dias.

Agora, por exemplo, restam poucos minutos para eu enviar este post e assegurar que ele seja publicado na data prevista, sem atrasos. Nada como o deadline.

Mariana Niederauer, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)

comentários (2) | comente

Há algumas semanas tivemos uma reunião de pauta para definir quais seriam os temas de duas matérias que vamos entregar para o Curso. Cada um dos 30 focas apresentou quatro sugestões, caso alguma fosse derrubada. Comentar todas as pautas não foi uma tarefa fácil. Para tornar a situação o mais real possível, Alexandre Gonçalves, repórter do caderno Vida do Estadão, tomou a posição de editor e definiu que as pautas tinham que se sustentar de forma que rendessem um abre de caderno ou um especial de domingo.

Depois de horas discutindo, argumentando e buscando alternativas para manter as pautas de pé, muitas não resistiram. Os olhares nervosos não escondiam a apreensão com as críticas: se você cantar esta pauta lá em cima (na redação), vão dizer que falta apuração. Já foi feita uma matéria como esta no jornal, qual é o fato novo? O número de pessoas incluídas no estudo é suficiente para torná-lo relevante?

No dia 7 de novembro (segunda), participei da verdadeira reunião de pauta da editoria, que definiu a maioria das matérias que serão publicadas nesta semana e na próxima. Guardadas as devidas proporções – havia três vezes menos pessoas participando e não foi necessário muito mais que uma hora para a definição – a discussão foi bem parecida. Os repórteres, acostumados com a rotina da editoria, trouxeram, é claro, pautas bem elaboradas, mas as sugestões e observações feitas foram parecidas.

Todos sugeriram personagens para algumas das matérias, foi lembrada a importância de contextualizar a notícia, mesmo tendo um fato novo em mãos, e já ficou pré-definido o que deve ser abre de semana e que deve ter destaque no caderno de domingo. A relação com aquilo que faz parte do dia-a-dia do leitor, da vida real dele, foi apontada algumas vezes como fator que levará a matéria a ter mais relevância no caderno ou até na capa do jornal.

Ficou claro que enfrentaremos outras vezes a situação de ter que sugerir matériad que se sustentem. Estamos começando a entrar na reta final do curso e já tivemos uma nova reunião de pauta na semana passada. Dessa vez, foi para escolher o tema do caderno especial, que será publicado no fim do curso. Fizemos uma escolha preliminar e agora vamos correr atrás de assuntos mais específicos para tratar dentro de cada um. O resultado vocês vão poder conferir em 22 dias. E a contagem regressiva continua…

Mariana Niederauer, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)

sem comentários | comente

Logo depois dos três dias de viagem a Santa Cruz do Sul (RS), sete focas ainda se aventuraram na cobertura do Enem. Entre 11h e 11h30 eles já se preparavam para ajudar na produção do blog PontoEdu. Cecília Cussioli participou no sábado e estava na expectativa para saber como o plantão funcionaria.

A dúvida de Davi Lira era sobre como fugir dos clichês da cobertura sobre o tema. Para ele, as crônicas e posts mais descontraídos deram leveza às notícias factuais.  Fazer o comparativo com a cobertura de outros sites foi um dos pontos importantes para o foca, além de esclarecer algumas dúvidas, como a maneira correta de encarar um fato, fazer a apuração e saber identificar o que é apenas boato.

“Ali, naquele momento, dentro da redação, foi possível separar o joio do trigo, porque tivemos a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento do fato em informação consolidada. Nada de jogar suposições, é checar e rechecar com cuidado extremo”, diz Davi.

No domingo, a quantidade de textos e flashs – notícias passadas por telefone pelos repórteres que estavam nas universidades onde foram aplicadas as provas – surpreendeu Rafael Abraham. O que mais lhe marcou na cobertura foi quando conseguiu furar outros veículos: “De minha parte, o mais legal foi ter publicado antes dos concorrentes a tirinha que foi utilizada como apoio da redação da prova – antes de ela ter terminado, é claro”.

Mesmo já tendo passado por outras editorias na redação, fazer parte do plantão do Enem aproximou Cecília da prática jornalística. “Corremos muito, respiramos pouco, e levamos (bom, eu levei) algumas broncas. Mas acho que o mais legal foi que de fato tivemos uma experiência real com redação, não como repórter, mas como parte integrante da engrenagem. E fomos tratados como profissionais de verdade. Me senti jornalista  pela primeira vez aqui dentro”.

Mariana Niederauer, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)

Romina Cácia, de 26 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

sem comentários | comente

11.outubro.2011 23:00:09

Vida de foca

O que você é capaz de fazer em cinco minutos? E em uma hora? As pausas do cafezinho e do almoço são preciosas para os focas. Isso não significa que nós só tomamos café, muito menos que ficamos uma hora almoçando. Este tempo é dividido com a apuração das pautas, com a busca de pautas ou com pesquisas na internet.

Um pequeno intervalo é o suficiente para fazer uma ligação e entrevistar a fonte. Como estar atualizado é essencial, acessar os principais sites de notícia e ler o jornal todos os dias também são boas dicas para ocupar os espaços entre uma aula e outra. E depois dessa rotina, onde as pausas servem como continuação da vida de foca, sobram até uns poucos minutos para sonhar.

Mariana Niederauer, de 21 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)

sem comentários | comente

Já havíamos atravessado o corredor que liga o prédio onde fica a sala do curso ao da redação algumas vezes. Na semana passada, porém, era a primeira que fizemos o percurso com destino à redação, e não mais à lanchonete. Estamos na segunda semana do rodízio pelas redações do grupo Estado e a cada editoria que visitamos as dúvidas colocadas no último post da Cristiane permanecem. Não sabemos se vamos causar boa impressão, se vamos conseguir escrever matérias, se as escreveremos a tempo…

Quando chegamos, normalmente andamos em grupos de três e todos sabem quem somos. Parece que na testa de cada um está escrito “FOCA”. O olhar perdido, tentando achar o editor que ficará responsável por nós durante a semana, denuncia.

Logo no início fiquei na editoria de Esportes, tema sobre o qual tenho muito pouco domínio. Achei que isso seria um problema, mas com um pouco de pesquisa, eu, Luiz e Luiza – “Dá para fazer uma dupla sertaneja”, brincaram repórteres e editores – conseguimos dar conta de notinhas do Jogo Rápido e até de matérias em algumas das edições.

O mais interessante foi poder acompanhar o andamento da editoria. A reunião de pauta por volta das 15h45 parece mais uma conversa entre amigos sobre o que está acontecendo no universo esportivo, principalmente no futebol. Há também a dificuldade em encontrar espaço para mais matérias na hora de desenhar as páginas. Faltando algumas horas para o primeiro fechamento, a entrada de um anúncio desfaz esse planejamento e demandou do editor e do repórter o máximo de concisão para contar em uma coluna o que havia escrito em seis.

Nesta semana, estou vivendo um pouco do outro lado. É claro que anúncios são sempre bons para o jornal, mas, enquanto em Esportes um anúncio fez todo mundo quebrar a cabeça para fazer o texto caber, nos Classificados uma das intenções principais da matéria é atrair o leitor para o caderno onde está a maioria das ofertas dos anunciantes. Nessa hora, valem as dicas dos ex-focas, que estão espalhados por diversas editorias do jornal.

Mariana Niederauer, de 21 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)

sem comentários | comente

13.setembro.2011 17:00:38

60 minutos

Antes de passar o exercício, Carla Miranda, uma das professoras do curso, avisou: estava sugerindo apenas assuntos. A pauta, éramos nós que precisávamos encontrar. Aí estava a grande dificuldade. Foram sorteados cinco temas e fiquei com a missão de ir ao Instituto Médico-Legal (IML). Escolhi visitar o da zona sul, mas no domingo nada de diferente aconteceu e não era possível contatar a Secretaria de Segurança Pública, órgão que centraliza as informações sobre todas as unidades do instituto em São Paulo. Neste dia, os outros focas que tentaram entrar no IML também não obtiveram sucesso.

Como os funcionários não estavam autorizados a nos passar nenhuma informação, a única coisa que me chamou a atenção foi um cartaz pendurado numa das paredes, sobre o Centro de Referência e Apoio à Vítima (Cravi). Deixei a carta na manga, ou melhor, anotada no caderno.

Na segunda-feira, foi impossível conseguir qualquer posição da secretaria. Os pedidos da imprensa precisam ser analisados e dificilmente são atendidos no mesmo dia. Eu procurava dados sobre o público que busca atendimento nas cinco principais unidades do IML na capital – nas zonas norte, sul, leste, oeste e centro.

Às 17h, depois de passar novamente pelo IML da zona sul e de uma tentativa frustrada de conseguir algo que rendesse matéria no da zona oeste, eu não tinha sequer uma pauta. Desde as 11h estava tentando falar com o pessoal do Cravi pelo telefone, mas ninguém atendia. Voltando de trem para o IML da zona sul, onde pelo menos havia pessoas fazendo exame de corpo de delito, consegui falar com uma assistente social, que confirmou que as unidades do instituto são um ponto de divulgação do trabalho do Cravi.

De volta à zona sul, entrevistei mais uma pessoa. Às 17h30 eu tinha uma pauta. Uma hora e meia, depois estava em casa e com mais 30 minutos escrevi um primeiro rascunho do texto. Gastei mais algum tempo para revisar, e a apenas dez minutos do deadline estabelecido enviei a matéria. Todos nós tínhamos um mundo de possibilidades, mas um prazo curto para apurar. Vivenciamos a lição do Chico: os prazos precisam ser cumpridos, pois o importante é que o jornal chegue cedo à casa do leitor.

Mariana Niederauer, de 21 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)

comentários (3) | comente

Comentários recentes

  • danielli: uau! adorei texto, e ainda mais achei o Lucas De Abreu Maia muito lindo e muito forte por nunca desistir
  • Isabella: Algumas pessoas nem se prepara, pensam que Jornalismo é aquela coisa, você escreve ganha dinheiro ou até...
  • Davi Lira: Excelente post para resumir a história da 22ª turma. Tá tudo aí: nas imagens, vídeos, no perfil e...
  • José Gabriel Navarro: “Agora, vamos. Aonde? Embora. Embora não saibamos aonde, vamos.” — Lindo,...
  • Thiago Lasco: Mandou bem, Betti. Vamos ver quem vai se aventurar a reunir a trajetória da nossa turma em dezembro de...

Arquivo