A primeira ideia nasceu já junto da segunda. Falar de cultura sempre foi uma vontade, assim como a parceria entre as amigas-vizinhas de curso. Decidido o tema, uma pesquisa nos orientou para a pauta: qual seria o impacto da cultura e da arte na vida dos jovens? O contato com a pesquisa da pedagoga Cleidy Nicodemos Silva, do Observatório Jovem, serviu de ponto de partida para entender essa relação, tanto no presente quanto nas consequências futuras. A busca por personagens interessantes seria fundamental.
Encontramos a Angela Gaeta num encontro de maracatu sugerido pela amiga foca Beatriz Bulla: na Escola Estadual Alves Cruz, o Projeto Calo Na Mão desenvolve há quase dez anos um projeto cultural que não só abriu novos horizontes para muitos jovens, como também contribuiu na melhoria do ensino. Com o índio capixaba, descoberto num webdocumentário da Rede Cultura Jovem, foi muito interessante ver como a relação com a escrita e com a música o ajudam a pensar criticamente sobre a situação de seu povo. Além disso, ajudaram a colocá-lo como ator na preservação de uma forma de viver tão rica e importante para a cultura brasileira, em geral.
Tyagkauê, nosso índio escritor e cantor de Aracruz, Espírito Santo, através de sua arte até se reinventou. Misturou seu nome “branco”, Tiago, com sua graça indígena Kauê, renascendo artista. Uma de nós, que além do Estado de origem também tem nome indígena, foi até entrevistada na entrevista. O jovem, da mesma idade, perguntou: “Você tem um nome ”branco” também?” “Não, não, esse é meu nome mesmo”, falávamos por telefone, enquanto ele, debaixo de uma árvore em sua tribo, dividia com a gente, da redação do jornal, o canto dos passarinhos.
Já com o Frederico Félix, art designer de apenas 18 anos, além de uma agradável conversa, pudemos inovar na forma. A entrevista foi feita por meio de uma conferência de vídeo. Mesmo com certa distância, pudemos aproveitar da observação da fonte. Uma aposta até de mais um modo de fazer jornalismo daqui por diante. E a conversa com Gustavo Martins, compositor e guitarrista da banda Ecos Falsos, além de diretor do programa Furo MTV, foi o que nos despertou para entendermos também o modo como a produção cultural desses jovens artistas influencia diretamente na vida de outros jovens. No geral, a experiência foi intensa, como tudo que vivemos no Curso Estado de Jornalismo, e deliciosa. Foi quando nos sentimos jornalistas do Estadão e, de quebra, selamos uma amizade em tom de parceria.
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Heloisa Aruth Sturm, de 29 anos, é formada em Direito e em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP)
Jacyara Pianes H. Carvalho, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
Algumas pessoas não precisam passar por isto. Se escolhem jornalismo, chegam ao primeiro ou ao segundo ano de faculdade com o nome escolhido. Não foi o meu caso. No terceiro período do curso, na primeira matéria de jornal experimental, o professor começou toda uma inquietação:
- Já definiram como vão assinar as matérias?
Foi a primeira vez que ouvi essa pergunta. Mas a repetiram muitas vezes depois. O negócio é que nas muitas vezes depois eu já havia definido. Depois de pedir algumas opiniões, escolhi Carvalho, pra ficar simples e não precisar soletrar. Sobrenome do meu pai. É assim, de forma simples, mas também emotiva e racional, que costumamos escolher aquilo que vai ser nossa marca, nossa grife, nossa assinatura.
No entanto, essa coisa de assinar matéria nem sempre foi assim, houve épocas em que a estampa do nome do repórter não saia e ele ficava sob a guarda do veículo em que trabalhava. Só que essa relação de autoria leva a questões mais amplas do que o umbigo do nome de cada um. Situações até trabalhistas. Quando existe alguém por trás da matéria que fere, que erra ou que mente, é contra ele, por exemplo, que muitas vezes vai o processo judicial. Ou, sendo menos drástica, o jornalista atrás daquela marca será o remetente da cobrança. Mas o contrário também vale e a personificação do texto pode dar louros ao autor.
Pensando bem, concordo com a assinatura, pois acredito que somos diferentes, embora possamos trabalhar em um mesmo lugar com uma só linha editorial. Sobretudo, devemos ser responsáveis pelo que escrevemos. Não podemos nos esconder. Mas devemos tomar muito cuidado, afinal, é nossa reputação. Acredito que o melhor a fazer é sempre só assinar o que realmente fizemos, muito mais que no sentido óbvio do “não copiarás”, mas em relação às ideias prontas que compramos de outros por pressão ou simples falta de questionamento. Além disso, só assinar aquilo que temos certeza. “Na dúvida, não publique”, ouvimos sempre por aqui.
Mas por que isso tudo? Devo confessar, dia desses, na sala dos Focas, sugeriram que eu mudasse minha assinatura. “Pianes [sobrenome da minha mãe] é mais forte”, disse o Luís Carrasco, sendo logo seguido pelos meus amigos vizinhos. Surgiu a dúvida, mas fica a reflexão. Como em qualquer tipo de documento, todos sabem, sempre leia antes de assinar – mesmo as letras miúdas do jornal. Um nome em uma matéria errada e é a nossa carreira que está em jogo.
Jacyara Pianes H. Carvalho, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
Então, vale ficar atento ao código de ética dos jornalistas, em vigor há mais de 20 anos e reformulado recentemente. Vale também discutir, ler, ir atrás de informações e procurar exemplos, muitos dos quais estão até mesmo no cinema, como o muito conhecido pelos professores das faculdades O preço de uma verdade (de um jovem que publicava histórias mentirosas). De resto, vale sempre discutir e pensar a respeito. Mas o que vale mesmo é não deixar a ética virar assunto só de aula de filosofia.
Jacyara Carvalho, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
Logo no início, Chico Ornellas avisou aos 30 focas do Curso Estado de Jornalismo que estaríamos vivendo uma experiência parecida com a residência que os médicos enfrentam depois de se formar. Ele se referia à entrega, quase total, à profissão durante o tempo em que essa jornada durar. E acontece mais ou menos assim: com os que saíram da faculdade de Medicina, noites viradas em um hospital; no nosso caso, filhos do Jornalismo, horas e horas (e horas) em um jornal. Mas, essa não foi a primeira vez que ouvia essa metáfora para um curso de focas.
Na verdade, quem é de Vitória costuma ser familiarizado com ela. O Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta – empresa de comunicação do Espírito Santo – chega à 14ª edição em 2011. E há dois anos eu estava lá, participando da 12ª turma (agora, sou da 22ª no Estadão, pra quem acredita em “coincidência”). Quando fiz o curso capixaba, por dois meses e meio, tive aulas, ouvi palestras, rodei pelas editorias das redações multimídia (de impresso, rádio, tv e online), ajudei a fazer um caderno especial de encerramento, fiz amigos e acumulei histórias. Parecido com o que faço, agora, no Grupo Estado, e exatamente como farão 15 novos focas, em Vitória. Saiu hoje a lista de aprovados para a “residência“, pessoas que sentirão esse frio na barriga bom.
Ainda lembro que, com excitação de foca, minha primeira editoria por lá foi Cidades, onde pude acompanhar uma reportagem especial da jornalista Vilmara Fernandes. Foram três noites trocando as tardes na redação pelas madrugadas na companhia dela, do motorista e do fotógrafo e rodando pela região metropolitana de Vitória para falar dos personagens que também trocavam a noite pelo dia, como nós. Ganhei uma aula de apuração e de bom jornalismo, que valeriam por um semestre na faculdade. Experiência que só pude ter por ser foca…
No fundo, acho importante que cursos como o do Estadão sejam procurados por todo o Brasil – e só em São Paulo são quatro, além dele, o da Folha, o da Abril e o do Valor Econômico. Perto ou longe de casa, trata-se de uma experiência de aprendizado para os jovens jornalistas, além de chances maiores e reais de entrar no mercado de trabalho, que, a gente sabe, nem sempre é fácil.
Jacyara Carvalho, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
O significado de Davi é predileto, amado. Já Rafael, tal qual o anjo, é “curado por Deus”. Os dois são nomes bíblicos. Enquanto isso, Luís, com suas variações de grafia, significa combatente glorioso. E Luísa varia de Luís, assim como Heloisa de Luísa. Mas, peraí, se tudo isso você pode encontrar com bastante mais “misticismo” no www.significadonome.com.br, por que estou entrando no assunto? Na verdade, não é o significado de nome algum que vem, propriamente, ao caso.
É certo que os pais de cada um dos 30 jornalistas que acabam de iniciar o 22º Curso Estado de Jornalismo tiveram um motivo para batizar seus rebentos. Com certeza, pensaram e repensaram com carinho sobre como nos chamar. Tudo isso para, em 2011, com graça, perdermos nossas graças. Pois é, durante os três meses do curso, foca é prenome e a ordem alfabética determina a família.
“Você estava na cadeira que eu usava, foca X”, já ouvimos e ouviremos falar sempre que encontramos um “antepassado”. Temos até território demarcado. Durante este período, vai ser um número que ditará o lugar em que sentamos na sala e nos diferenciará entre os trabalhos que produzimos.
Mais um motivo também para a risada dos amigos. Tudo bem, afinal, impossível não lembrar do treinamento de choque daquele filme. “01, você é um fanfarrão”, dizia o Capitão Nascimento, em Tropa de Elite. Ou seria, 02, 03…? Bom, por aqui, elogios e puxões de orelha poderão vir do 01 ao 30. Mas sem ressentimentos, afinal, com muita humildade, a gente se sente, mesmo, passando por um treinamento de elite.
Então, sem mais fanfarronices, apresento os 30 números, e, por enquanto, seus nomes também.
O Foca 01 é o Antonio Victor Pita Luz, que veio da Bahia -ia -ia.
A Foca 02 é a paulista, e paulistana, Beatriz Ferreira Bulla.
Cecília Carbone Cussioli é a Foca 03. Ela é de São Paulo, mas fez faculdade em Florianópolis, Santa Catarina.
O Ciro Gilmar Campos Filho é o Foca 04, do Paraná.
A Foca 05 é Cristiane Nascimento de Jesus, também de São Paulo.
O Foca 06 é porreta de animado. Davi Lira de Melo veio de Pernambuco.
Débora Álvares Schuab Táboas é a Foca 07, de Brasília.
A Gabriela Azevedo Forlin é a Foca 08, vinda de Santa Catarina.
Guilherme Fujimoto Amorim é de São Paulo, foi ao Nordeste, por onde fez faculdade, mas voltou para ser o Foca 09.
Heloisa Aruth Sturm é paulista e a Foca 10.
Eu, Jacyara, vim da (linda) cidade de Vitória, no Espírito Santo, e sou a Foca 11.
O Foca 12 é o José Gabriel Navarro, de São Paulo também.
José Roberto Gomes Júnior é o Foca 13, outro de São Paulo.
Juliana Souza Deodoro é a mineira do grupo e a Foca 14.
O Leandro Igor Vieira Ferreira é de Natal, Rio Grande do Norte, e veio ser o Foca 15.
Leonardo Berns Gorges é outro representante de Santa Catarina e é o Foca 16.
A Foca 17 é a Lidiane Dias Ferreira, de São Paulo.
O Foca 18 é o Luis Fernando Soares Carrasco, também de São Paulo.
O Luiz Betti é o Foca 19, maaais um da turma de São Paulo.
Luiza Regina Machado Calegari é a paranaense Foca 20.
Mariana de Araújo Niederauer deixou Brasília para ser a Foca 21.
O Mateus Elias dos Santos é de Araras, interior de São Paulo, mas estudou em Viçosa, Minas Gerais, e é o Foca 22.
Natália Peixoto Rodrigues, mineira, mas só de nascimento, veio para São Paulo, onde fez a faculdade, e é a Foca 23.
O Foca 24 é o Rafael Gyurkovits Abraham, de Santo André, em São Paulo também.
Reinaldo Di Giácomo Adri veio de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, ser o Foca 25.
A Romina Cácia Dutra Magalhães trouxe a alegria da Paraíba. Ela é a Foca 26.
Talita Alves Matias, mais precisamente de Campinas, em São Paulo, é a Foca 27.
Única carioca do grupo, Talita Duvanel da Silveira é a Foca 28.
O Thiago Lasco de Magalhães, também de São Paulo, está muito feliz em ser o Foca 29.
E, para fechar a conta – ou pendurá-la com a Sandra, do bar/restaurante Johny’s, quem, dizem, no final, será a única a nos chamar pelos nomes -, Thiago Machado Santaella, de Santa Catarina, é o Foca 30.
Jacyara Pianes Henriques Carvalho, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
2012
2011
2010