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Em Foca

Esta matéria surgiu do turbilhão de informações que conseguimos ao conversar com diversos especialistas na área. Da entrevista de Nayara Fraga com o PhD em obras subterrâneas André Pacheco de Assis, conseguimos diversas dicas de cidades que estavam usando soluções subterrâneas. A partir disso, fomos atrás de outros especialistas indicados por ele e de informações sobre os lugares apontados.

Alguns documentos que conseguimos em uma recente palestra sobre o assunto nos deram dados. Muitas informações vieram de matérias de outros jornais, especialmente no caso das localidades internacionais.

Um grande desafio foi o contato com pessoas de fora do País, para que conseguíssemos mais informações. Um deles, o prefeito da cidade de Seoul, capital da Coréia do Sul, nos respondeu na tarde do fechamento. E as informações complementavam e deixavam mais clara nossa matéria.

No fim, percebemos que tivemos bem mais entrevistas e dados do que esperávamos no começo. Mas como nos foi ensinado, devemos apurar bem mais que o necessário e usar “10%” de tudo que sabemos.

Planejávamos outro destino para este tópico. Ele seria uma parte das experiências internacionais. Mas como a matéria sobre a Operação Lapa-Brás evoluiu, foi decidido que ela iria na mesma página que esta. Por assumir essa importância, primeiramente foi escrita com todas as informações possíveis, já que não sabíamos qual o espaço seria dedicado a ela. Não foi nenhuma surpresa quando soubemos que teríamos que diminuir as linhas das 120 iniciais para cerca de 40.

Com a ajuda de amigos e muito suor, conseguimos chegar próximo à meta. A edição final não prejudicou a informação inicial, e certamente ficou mais natural e fluído do que o texto original.

Acesse o PDF da matéria Cidades enterram trilhos para mudar entorno e melhorar o transporte

Henrique Bolgue, de 27 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), onde também cursa o último semestre de Audiovisual

Marina Estarque, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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14.dezembro.2010 16:15:52

Formatura

Olha só este videozinho que preparamos com alguns momentos da nossa formatura e do curso!

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A afirmação de Edmundo Leite, coordenador do Arquivo do Estado e blogueiro, não é novidade, mas ele não se refere somente a alguns cliques em buscadores. Bibliotecas de empresas e arquivos públicos também entram na conta. É preciso dedicação para achar dados que contextualizam e de onde podem surgir pautas.

Foi o que fez o repórter do Metrópole Victor Hugo Brandalise, foca da turma de 2007, ao buscar fotos no arquivo do jornal para a matéria Como o Rio caiu na mão das facções, escrita por Bruno Paes Manso. Para Brandalise, a prática ajuda a trazer para a história para a realidade. “Você consegue ser mais justo com o que está vendo”.

Edmundo Leite ressalta que este tipo de pesquisa ainda é pouco usada devido à falta de tempo e conhecimento de suas possibilidades. “A pessoa só busca se souber que existe”, diz. É bom ter à mão um arquivo organizado, especialmente para matérias online. Existem programas feitos para isso, como o Filemaker e o Evernote, além dos formulários do Google Docs.

No arquivo do Estado, além das diversas publicações que incluem edições da Província de S. Paulo, de 1875, e uma compilação da revista Careta, de 1909, há uma pasta dedicada ao Focas. A primeira matéria sobre o curso, publicada no Jornal da Tarde de 10 de setembro de 1990, mostra que a prova aconteceu no mesmo prédio em que fizemos a nossa seleção. Candidatos de outras regiões já se interessavam pelo curso desde a 3º edição e alguns vieram de ainda mais longe em 1997, quando dois participantes eram estrangeiros. A predominância feminina é antiga: em 1998, por exemplo, o curso tinha 77% de mulheres inscritas. E uma foto chama a atenção dos que hoje não sabem o que é datilografar em uma máquina de escrever:

focas_antigo.JPG

Curso Estado forma sua 6ª turma de focas. Foto: Mabel Feres/AE

Há poucos dias, conversei com alguns focas sobre estes últimos três meses. Lembro que, no dia da prova, peguei emprestado o jornal do foca 20, Ivan Martínez, que hoje senta ao meu lado. Lembrei de nossa primeira matéria, quando, passeando com o professor Luiz Carlos Ramos pelo centro de São Paulo, vi um contrabaixo em uma janela da Rua Direita e descobri a antiga sede da Rádio Record. Lembrei de nossas viagens e das risadas nas tardes passadas na sala do curso.

E agora imagino se estas pessoas da foto acima ainda se conhecem, ainda se comunicam. Penso se eles guardaram estes momentos, que devem ter sido tão marcantes como os que vivi nos últimos meses. Vou guardar os meus com o método mais duradouro: lá nos fundos da memória, para nunca mais esquecer.

Henrique Bolgue, de 27 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), onde também cursa o último semestre de Audiovisual

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Depois de mais de um ano de apuração e ameaças de sequestro e morte, o repórter hondureno Óscar Martinez, de 27 anos, realizou uma série de reportagens impressionantes sobre a situação dos imigrantes ilegais que saem da América Central e México rumo aos EUA e acabam sendo sequestrados e mortos no caminho.

Alguns desses textos da série En el camino fizeram parte do exercício sobre apuração passado pelo editor do Estado Marcelo Beraba aos focas. Eu, Amanda Agutuli, Daniela Schmid, Frederico Silva e Paula Bianchi tivemos de analisar os métodos de apuração nas reportagens Os seqüestros que não importam, em que Martínez mostra a fundo o caminho dos migrantes, As invisíveis escravas sul-americanas, sobre a prostituição de adolescentes ilegais na região, e Nós somos os Zetas, sobre um dos grupos clandestinos mais bem armados do México.

Vejam este trecho do começo da matéria Os seqüestros que não importam, que pode ser lida no site do projeto:

El primer muerto fue un hondureño que viajaba con Arturo. Iba en el balcón, y desde el techo le pusieron una pistola sobre su cabeza. Entregó cien pesos a los hombres con pasamontañas, pero uno de ellos desconfió, bajó al balcón y lo revisó. La malicia le costó la vida. Le encontraron dinero en un calcetín. “Listo el hijueputa”, sentenció el que apuntaba antes de atravesar de un tiro la nuca del migrante que, ante lo inminente, se había volteado para cubrirse.

Depois de perder o fôlego com a leitura, todos do grupo concordaram em fazer uma pergunta óbvia a Martínez: Você estava lá? Afinal eram tantos os detalhes para compor alguns momentos de narrativa do texto que nos surpreendemos com a resposta: não, ele não presenciou a série de seqüestros. Para conseguir e confirmar a informação ouviu seis pessoas que contavam a mesma história.

Mesmo que naquele momento o jornalista não estivesse na linha de fogo, a equipe teve de lidar com ameaças constantes, já que muitas vezes se passaram como imigrantes para a apuração.

Outros desafios apareceram durante o trabalho. Como poucos se dispõem a falar dos sequestros, Martínez contou com o tempo – que lhe permitiu elaborar um mapa de fontes – e com a rechecagem de informações, até porque muitas vezes os testemunhos não eram gravados. Outro cuidado era não ficar mais de 25 dias em um só local, já que, em certos lugares, não era possível passar incólume pelos territórios dominado pelos cartéis. É preciso lembrar que o México é, hoje, um dos países mais perigosos para os jornalistas. Segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH), 64 jornalistas foram mortos e 11 estão desaparecidos desde 2000, sempre em ações atribuídas ao crime organizado.

A análise nos permitiu também pensar o jornalismo investigativo. Será que ele é realmente “caro, trabalhoso e chato”, como afirma Jesse Eisinger, repórter financeiro da Pro Publica, na matéria de Branca Vianna para a revista piauí? A empresa é voltada para o jornalismo investigativo e fez parte de um movimento que pode ser uma luz para este tipo de material, que é cada vez mais difícil de ser encontrado: o financiamento privado. A série En el camino foi produzida nestes moldes, e depois os textos foram vendidos para jornais como o salvadorenho El faro.

E em épocas de iPad, também é interessante perceber que o material produzido vai além do texto. Além de Martínez, viajaram três fotógrafos e dois documentaristas. E já se prepara um livro com a reunião de todos os textos, alguns inéditos, e um documentário.

Henrique Bolgue, de 27 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), onde também cursa o último semestre de Audiovisual

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Ontem, 27, alguns focas tiveram uma grata surpresa ao entrar na sala. A mesinha com duas garrafas de café, o adoçado e o puro, estava lá dentro, logo depois da primeira fileira. Nos dias anteriores, o ato de sair para pegar um cafezinho era, paradoxalmente, uma pausa para o relaxamento. Ao redor da mesinha, nos reuníamos para comentar a aula, uma pauta, ou simplesmente lamentar o acúmulo de roupa suja por causa da atribulada rotina do curso.

Ontem, não. Sem pudor, as duas garrafas de dois litros – que muitas vezes acabam – estavam lá, como que nos dizendo: vocês não têm como fugir.

Por isso, em tempos de pesquisas, resolvi fazer uma sobre o assunto entre os parceiros de curso. Sem surpresa, descobri que só 4 dos 30 focas não tomam café. Surpreendi-me com a porcentagem de quem diz tomar só um pouco: cerca de 40%. Mas aí vem uma foca e embola os números: ela diz que não vive sem, chega a tremer. Um estudo inglês publicado na Nature disse que os viciados em café precisam dele para ficar em estado normal. Ela deve estar sofrendo.

O café sempre fez parte do imaginário sobre o jornalismo. Basta ver filmes, caricaturas, histórias sobre a profissão. Além de nos manter atentos e concentrados (não, não estou ganhando nada para escrever isto), faz parte da cultura profissional. E parece que estou certo quando faço essa ligação ao observar o dia a dia do jornal.

Bem no centro da redação encontram-se duas grandes máquinas, que vendem todos os tipos de café, do descafeinado ao mocaccino. Quem trabalha aqui ganha 12 vale-cafés por mês. “Os meus acabaram na primeira semana”, disse ontem uma funcionária que esperava o seu. Outro número impressiona: o restaurante do jornal produz e distribui mais de 240 litros de café por dia!

Em outra situação está mais uma “-ina” que também faz parte de qualquer imagem clássica da profissão: a nicotina. Mas é uma posição bem menos confortável. O cigarro não faz mais tanto a cabeça dos jovens jornalistas. No começo do curso, tínhamos dois fumantes entre os focas. Ambos resolveram largar o vício recentemente. Foram aplaudidos.

E isso não foge tanto do contexto do resto do jornal. Afinal, há cerca de dez anos o cigarro foi abolido da redação do Estado. Primeiro foram os fumódromos. Um deles, aliás, ficava ao lado das máquinas de café. Hoje, nem isso. Mesmo assim, para mim, imaginar um fio de fumaça em uma redação ainda parece mais plausível do que o aviso permanentemente aceso nos aviões. Outros tempos.

Mas o vício ou o gosto por café e cigarro são só algumas das consequências de outra substância de que, esta sim, nenhum jornalista consegue fugir: a adrenalina. Todo dia que precisamos fechar uma matéria para o curso, por volta das 23h, ela sobe. Mas se não nos estressamos com essa pressão – pelo menos um pouco – para ter a melhor informação e o melhor texto, não ficamos satisfeitos com nosso trabalho. Permanecemos conectados, atentos a tudo, pelo bem do leitor.

Nesta rápida pesquisa na sala dos focas, houve paridade no resultado sobre quem se considera estressado: metade acha que é mais aflita que o resto. Por isso, também não me impressionei com as respostas sobre quem bebe. Só três não apelam para a cervejinha para relaxar depois do expediente. Pelo menos dois deles estão entre os que não se consideram estressados.

De qualquer maneira, toda essa divagação sobre as “-inas” da profissão realmente não importa. Quem pretende ser foca ou simplesmente fazer jornalismo, como disse Chico Ornellas, precisa mesmo é se dedicar e cultivar o hábito da leitura. Acompanhado de uma grande xícara de café ou não.

Henrique Bolgue, de 27 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), onde também cursa o último semestre de Audiovisual

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14.outubro.2010 01:23:20

Reaprender

Não precisamos necessariamente de chicotes – como os presenteados a Chico Ornellas – para aprendermos certos coisas. Mas é realmente muito bom ter esse tempo de reflexão, esse reaprendizado de tudo o que achávamos saber. Aquela do filósofo, “só sei que nada sei”, sempre foi um dos motivos para alguns se aventurarem por esta profissão, que todo dia te dá algo novo sobre o que pensar, sobre o que aprender. Um dos meus motivos, pelo menos.

E como reaprendemos nos últimos dias! Não há como esquecer a já maior tag do blog, Paco Sánchez, hablando en pacunhol que a promoção do amor é a grande função do jornalista. Fica na memória também a conversa com o californiano-brasileiro Matthew Shirts, editor da National Geographic no Brasil, mostrando em Portuguese a força do fotojornalismo. A última palestra foi com o editor do Estado Marcelo Beraba, que discutiu o valor da apuração. Aprendemos até mesmo a como nos comportar em um jantar servido à francesa com a consultora de imagem Renata Mello. Copos e talheres não são mais um problema.

Com os colegas de curso, constatamos, mais uma vez, que este País é grande e diverso. Neste caso, biscoitos e bolachas não são bons parâmetros, como escreveu um dos Gustavos. Eu, por exemplo, nasci comendo bolachas; hoje, compro biscoitos. É nos confrontos de experiências que as diferenças se sobressaem. Formamos um time tão cosmopolita e variado ideologicamente que é difícil prever aonde a próxima conversa vai chegar. Possivelmente em piadas. Certamente inteligentes.

Grande parte da transpiração que a profissão exige está neste aprendizado constante, sem fim. Para isso, mais do que refletir, precisamos mergulhar nos fundamentos básicos da profissão, sem nos esquecer dos valores humanos. Afinal, durante o curso, falamos com médicos e lixeiros, ministros e mendigos. E é o que estamos fazendo nos últimos dias: mergulhando em jornalismo.

Henrique Bolgue, de 27 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), onde também cursa o último semestre de Audiovisual

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