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Em Foca

* Esta reportagem foi um exercício para o Curso Estado

“Numa quinta-feira de novembro, um grupo de adolescentes com idades entre 15 e 17 anos fez uma festa diferente. Com maquiagem profissional, eles cobriram o rosto de branco, pintaram de preto o nariz e a região dos olhos e desenharam dentes ao redor dos lábios. Pareciam caveiras de filme de terror. No cardápio, havia guacamole, a famosa pasta mexicana à base de abacate. No som, salsa e outros ritmos latinos. A ideia era celebrar o Día de Los Muertos, festividade comum no México e em vários países da América Central. A cena teria sido menos insólita se não tivesse acontecido dentro de uma escola pública de São Paulo – e em horário de aula.

Os alunos do 3.º ano do ensino médio da Escola Municipal Vereador Antônio Sampaio, em Santana, zona norte, participavam de uma atividade promovida pelo professor de espanhol, Marcelo Carlos Ferraz, que faz o que pode para motivar a turma. “Aqui, você tem de rebolar. Se ficar só na gramática, o aluno não se interessa”, diz. Segundo ele, a rede municipal não entrega material didático para os docentes. Ferraz improvisa tarefas a partir de pesquisas feitas pelos alunos na internet. “Eu e dois colegas lemos textos sobre (o líder venezuelano) Simón Bolívar, escrevemos um roteiro e fizemos um vídeo para a classe”, conta o estudante Ângelo Augusto Crispim Martins, de 17 anos.

O ensino de espanhol nas escolas é uma imposição da lei federal 11.161, de 2005, que entrou em vigor no ano passado. Ela obriga toda a rede pública a oferecer aos alunos a opção de aprender a língua de Cervantes. Em São Paulo, as 8 escolas de ensino médio da rede municipal começaram as aulas no ano passado. O curso é de duas horas por semana, durante os três anos do ensino médio. Embora conste na lei que a matrícula é facultativa, em escolas como a Professor Linneu Prestes (em Santo Amaro, zona sul) e a própria Antônio Sampaio a disciplina foi incorporada à grade regular de todos os alunos. O que não é necessariamente uma vantagem. “O optativo funciona melhor, porque aí só faz o curso aquele aluno realmente interessado”, afirma Ferraz.

Centros de línguas

Já na rede estadual, apenas 795 das 3.867 escolas ensinam espanhol – 120 delas na capital. São duas aulas por semana, no período de um ano, e somente na primeira série do ensino médio. Para os alunos de escolas que não oferecem espanhol, a secretaria da Educação mantém 144 centros de línguas, chamados de CELs. Neles, o curso tem quatro aulas semanais e dura três anos.

Na opinião de Maria Izabel Azevedo Noronha, presidente da Associação de Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), os CELs existentes não são suficientes para suprir a demanda. “Eles têm uma área de abrangência limitada e, em 2010, alguns até fecharam. Se tivesse um em cada escola, seria ótimo. Mas poucas diretorias de ensino têm CELs.”

A solução dos centros de língua também é criticada por Graciela Foglia, vice-presidente da Associação dos Professores de Espanhol do Estado de São Paulo (Apeesp). Ela afirma que o ensino de um idioma na escola não tem como única finalidade o mercado de trabalho. “Existe também uma função educacional, ligada à formação do cidadão. Por isso, só faz sentido se houver integração entre a língua estrangeira e as demais disciplinas. O currículo dos CELs não tem essa integração.” Segundo Graciela, como a secretaria estadual aposta todas as fichas nos centros de línguas, nas poucas escolas que incluem espanhol na grade os cursos são “precários”.

Desarticulação

Maria Izabel, da Apeoesp, reclama que a pasta esperou o fim do prazo de cinco anos concedido pela lei para tomar as providências necessárias. “Quando saiu a obrigatoriedade, a secretaria fez corpo mole, não deu importância. Foi uma posição política, ela não se preparou.”

Para agravar a situação, os salários oferecidos não estimulam a vinda de professores de espanhol para a escola pública, diz Mozart Neves Ramos, consultor do movimento Todos Pela Educação. “Muitos preferem a pós-graduação. Uma bolsa de mestrado paga R$ 1,3 mil por mês, enquanto quem dá 40 horas de aula na rede pública ganha apenas R$ 1 mil”, compara.

Graciela ressalva que não é possível saber se realmente faltam professores no mercado, porque o governo estadual nunca abriu concursos. “É necessário que se façam concursos para verificar isso. Se houver essa carência, cabe ao governo articular planos emergenciais de formação junto às universidades públicas.”

Para a pedagoga Paula Louzanno, consultora da Fundação Lemann, a língua espanhola foi incluída no currículo escolar de forma desordenada, assim como aconteceu com filosofia, sociologia e várias outras disciplinas que são objeto de emendas à Lei de Diretrizes e Bases que tramitam na Câmara dos Deputados. “Os educadores são peça fundamental nesse debate. Mas a discussão não se deu no âmbito do Ministério da Educação, e sim no Congresso Nacional, por meio de projetos de lei como esse do espanhol.” Paula vê nessa manobra um lobby para garantir trabalho a certas classes profissionais. “Os gestores (as secretarias) não foram chamados a participar, não houve debate para se analisar a viabilidade, a disponibilidade de professores. Aí se joga o problema no colo do gestor, que é obrigado a administrar isso.”

Enquanto a oferta de espanhol na rede estadual permanece estagnada, os alunos das escolas da Prefeitura pegam gosto pelo idioma. Muitos escolheram fazer as questões de espanhol na prova do Enem, em vez de inglês. “Os alunos que fizeram as questões de espanhol no exame foram muito bem”, conta Lucia Helena de Moraes Cabral, professora da escola Linneu Prestes. Em 2012, a rede municipal deve ganhar novos professores, selecionados por meio de concurso feito neste ano, além do material didático, esperado por alunos como Karine Cardoso dos Santos, de 16. “Quando tivermos um livro, poderemos estudar em casa e nos aprofundar muito mais.”

Thiago Lasco de Magalhães, de 33 anos, é formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero

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Chegou às bancas ontem (sábado) o caderno especial da 22ª turma do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do Estadão. As reportagens completas também estão no ar na internet, clique na imagem:

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09.dezembro.2011 11:16:22

Na rota dos focas

Os focas de 2010. Foto: Robson Fernandes/AE

Depois de cem dias tomados por aulas, palestras, viagens, exercícios e passagens pelas editorias do Grupo Estado, o desafio que surge no horizonte dos focas recém-graduados no 22° Curso Intensivo de Jornalismo agora é outro: a entrada no disputado mercado de trabalho jornalístico.

Para encará-lo, muitos contam com a visibilidade dos currículos cadastrados no banco de talentos do Estadão e a possibilidade de ingressar no “Foco nos Focas”, programa que seleciona os melhores colocados no ranking do Curso para estagiar por um ano em alguma das editorias da empresa.

“A maioria dos participantes tem interesse no impresso e, mais especificamente, no Estadão”, comenta Denise de Almeida, gerente de Recursos Humanos do Grupo Estado. Segundo ela, a quantidade de vagas abertas anualmente varia de acordo com a verba disponível para o programa – em 2011, por exemplo, houve quatro vagas. “O índice de efetivação dos estagiários é muito alto e os veículos que mais contratam são o Jornal da Tarde, o Portal e, no Estado de S.Paulo, o caderno Metrópole e o guia Divirta-se”, conclui.

Helen Miyahira, consultora de RH do Grupo Estado, adianta que no próximo ano o Foco nos Focas deve começar no primeiro trimestre e manter provavelmente o número de quatro participantes. Enquanto a convocação não chega, vale conferir a trajetória dos focas do 21º Curso Intensivo de Jornalismo neste ano que chega ao fim. E que venham os novos focas.

Amanda Agutuli, 26 anos – Colocou em dia a leitura atrasada e fez aulas de Cool Hunting e Business English enquanto procurava emprego. Depois de alguns trabalhos como freelancer até julho, tornou-se repórter do núcleo de Gastronomia, Arte, Decoração e Mulher da CasaDois Editora.

Amon Borges, 24 anos – Resolveu viajar e descansar um pouco após os cem dias do Curso Focas. Em meados de janeiro, começou a fazer freelances por alguns meses até ser chamado pela Folha de S.Paulo, em maio, para trabalhar no Guia Folha, no qual escreve atualmente.

Bernardo Barbosa, 23 anos – De volta à cidade natal, o carioca teve uma curta passagem como freelancer pelo periódico Expresso antes de começar, no meio de fevereiro, a trabalhar na editoria de mídias sociais do jornal O Globo, onde permanece até hoje.

Bruna Maia, 25 anos – O início do ano foi agitado: após recarregar as energias no fim de dezembro, ela foi freelancer nas revistas Superinteressante e Playboy antes de ser chamada, ainda em janeiro, pela revista Capital Aberto para o cargo de repórter, o qual ocupa desde então.

Carolina Almeida, 23 anos – Após esperar o Foco nos Focas na cidade natal, a pernambucana retornou a São Paulo em março para uma pós-graduação em Política e Relações Internacionais na FESP-SP. Desde então, trabalhou um semestre no Portal Terra e agora é freela fixa no site da Veja.

Daniela Schmid, 24 anos – Logo em janeiro, entrou como repórter na filial do SBT em Petrópolis (RJ), sua cidade natal. Em setembro, soube por meio do foca Bernardo de uma vaga na agência de notícias espanhola Efe, onde trabalha desde setembro como editora do serviço em português.

Érica Saboya, 26 anos – Depois da formatura dos focas, aproveitou o fim do ano para terminar o seu trabalho de conclusão do curso de Jornalismo. Em julho, retornou ao Portal R7, no qual estagiara na editoria de política antes do curso do Estadão, para ser repórter de cidades.

Fábio Pupo, 22 anos – Com o final do Curso, retornou a Curitiba para ser freelancer na editoria de economia da Gazeta do Povo, onde permaneceu por um mês e meio. Em maio, retornou à capital paulista e, desde então, é repórter de infraestrutura do Valor Econômico.

Felipe Frazão, 24 anos – Após quatro anos sem férias, aproveitou o fim de ano para descansar: viajou a Belo Horizonte e ao Rio de Janeiro, onde reviu a família e cobriu o carnaval de rua pelo O Globo. Chamado pelo Foco nos Focas, voltou a São Paulo e atualmente está no caderno Metrópole, do Estadão.

Felipe Tau, 24 anos – A espera pela convocação para o programa “Foco nos Focas” terminou no dia 4 de abril para este paulistano da zona norte, que foi chamado pelo Grupo Estado para integrar a editoria geral do Jornal da Tarde, na qual é repórter desde então.

Flávia Maia, 25 anos – Voltou para Brasília e atualmente é repórter na editoria de cidades do Correio Braziliense.

Frederico “Cedê” Silva, 25 anos – Entrou em janeiro no site do Estado de Minas como repórter de Nacional e Internacional, cargo que ocupou até junho. Após uma semana de férias, retornou a São Paulo para trabalhar na editoria Planeta e atualmente escreve sobre educação no .Edu.

Guilherme Waltenberg, 27 anos – Foi repórter de economia na revista Executivos Financeiros entre março e maio, quando foi chamado pelo Grupo Estado para entrar na equipe do Jornal do Carro, suplemento publicado às quartas-feiras com o JT, da qual faz parte atualmente.

Gustavo Coltri, 26 anos – No mês de abril, foi contratado como produtor de pesquisa do programa “E aí, Doutor”, da TV Record. Em maio, porém, aceitou a vaga oferecida pelo Grupo Estado de repórter nos Classificados do Estadão, onde está atualmente.

Gustavo Antonio, 23 anos – Conciliando o cursinho com a redação de esportes do Portal Terra desde abril, o vestibulando decidiu em outubro se dedicar inteiramente aos estudos para ingressar na faculdade de Direito, a qual pretende conciliar com o Jornalismo em 2012.

Gustavo Aleixo, 25 anos – No fim de janeiro, o mineiro de Belo Horizonte foi aprovado nos testes de admissão da rádio Estadão/ESPN, na qual está trabalhando como editor e fechador do programa “Estadão no Ar”, transmitido diariamente das 6h às 10h.

Gustavo Ferreira, 25 anos – No último dia do Curso, foi chamado como fechador freelancer na editoria de opinião do Estadão, na qual esteve por três meses. Pouco depois, entrou numa vaga recém-aberta de repórter na coluna do Celso Ming, no caderno de Economia, onde está atualmente.

Henrique Bolgue, 29 anos – O paulista voltou a Brasília, onde mora há quinze anos, para finalizar seu trabalho de conclusão do curso de Audiovisual. Desde março, escreve para o portal da UnB, no qual faz matérias diárias e contribui para a revista científica Darcy.

Ivan Martínez, 22 anos – Passou pela revista Capital Aberto antes de entrar na Record, onde foi produtor do programa “E aí, Doutor?” e, desde outubro, é redator de um talk show com estreia prevista para dezembro. Paralelamente, atua na comunicação interna do Colégio Dante Alighieri.

Lucas Sampaio, 26 anos – Pediu demissão do antigo emprego em Santa Catarina e passou alguns meses em Taubaté, a sua cidade natal, até ser aprovado no Programa de Treinamento da Folha de S.Paulo, em março, empresa na qual trabalha desde então.

Mariana Congo, 24 anos – Novamente em Belo Horizonte, fez alguns freelas na cidade antes de retornar a São Paulo, em março, onde está trabalhando como repórter na revista Consumidor Moderno. Nesse meio tempo, continuou fazendo freelas em revistas e sites.

Marina Estarque, 24 anos – Morou alguns meses em Nova York como voluntária na Rádio da ONU em português antes de voltar ao Estadão, onde trabalhou como freelancer entre junho e outubro. No momento, faz mestrado em edição jornalística na Espanha.

Nayara Fraga, 25 anos – Trabalhou como freelancer em revistas de arquitetura, decoração e mercado de capitais antes de entrar na editoria de economia & negócios do site do Estadão, na qual cobre tecnologia, escreve para o blog Radar Tecnológico e faz matérias especiais.

Paula Bianca Bianchi, 24 anos – A gaúcha voltou ao Rio de Janeiro, onde trabalhava antes do curso Focas, para ser freelancer no jornal Extra. Nele escreveu sobre delegacias e morros até junho, quando entrou na sucursal carioca da Folha de S.Paulo, da qual é atualmente freela fixa.

Ramon Vitral, 25 anos – Após o fim de ano em Juiz de Fora (MG), sua cidade natal, voltou a São Paulo e fez uns freelas no site Scream & Yell até ser chamado pelo Estadão, em março, para trabalhar no guia Divirta-se, suplemento semanal publicado às sextas no qual escreve atualmente.

Ricardo Santos, 23 anos – O paulistano esperou a resposta do Foco nos Focas até o fim do prazo estimado para a convocação, no fim de janeiro. Como não recebeu o contato, saiu em busca de emprego e arrumou uma vaga de redator no Portal Terra, onde está desde fevereiro.

Rodrigo Rocha, 25 anos – Foram meses enviando currículos até ser avisado pelo ex- foca Gustavo Antonio de uma vaga aberta na editoria de esportes do Portal Terra, na qual entrou em maio. Em setembro, mudou-se para o portal F5 como freelancer fixo, cargo que ocupa até hoje.

Tiago Rogero, 23 anos – No fim de dezembro, voltou à Band News FM de Belo Horizonte, onde já estivera como repórter antes do Curso Focas. Em março, contudo, aceitou um convite do Estadão para trabalhar na sucursal do Rio de Janeiro, onde mora e trabalha desde então.

Vanessa Corrêa, 27 anos – Começou a procurar trabalho em janeiro, após as férias de fim de ano. Ela teve uma passagem de um mês pela Rede TV antes de ingressar na equipe do jornal Folha de S.Paulo, onde trabalhou como repórter na editoria de Turismo de abril a novembro.

Obs: Até o momento não foi possível falar com a ex-foca Andréa Carneiro (Foca 03), que não retornou os contatos do blog ao longo desta semana.

Luiz Betti, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e cursa Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP)

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O processo seletivo da 22ª turma iniciou com a inscrição de 1.531 participantes. Na segunda quinzena de agosto, depois da prova escrita, o Curso Estado chegou a convocar 60 candidatos para a entrevista final . Metade do grupo foi selecionada, a outra metade não entrou. Foi por pouco. A sensação de estar “quase lá”, no entanto, deve ser entendida como uma decepção, uma frustração ou como mais uma experiência profissional?
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Cinco dos candidatos não selecionados para esta turma se dividiram nas respostas. No quadro abaixo, um pouco da percepção deles. E o mais importante: como cada um, hoje, está conectado com o jornalismo! Se alguém mais quiser compartilhar sua principal frustração ou até decepção jornalística em processos de seleção de estágios, trainees, empregos e experiências (alcançadas ou não) durante a graduação, comentários são hiper bem-vindos!
Pessoalmente, minha principal frustração profissional foi não trabalhar tanto quanto gostaria com trabalhos voluntários envolvendo comunicação nos diversos segmentos. Também gostaria de ter tido aplicado (não apenas entendido) essa noção tão bem destacada pelo companheiro de entrevistas do dia 16 de agosto, Daniel Figueredo Vieira, do Espírito Santo. “Quem quer trabalhar com informação, pode fazê-lo em qualquer lugar. Basta ter vontade.”
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De decepção, a principal ilusão  foi de imaginar que a universidade pudesse suprir, minimamente, lacunas de formação em edição de imagens, captação de vídeos, gerenciamento de mídias sociais e infografia. Atualmente, requisitos mais que necessários e diferenciadores  para o completo exercício do ofício jornalístico, inclusive em grandes veículos com o Grupo Estado (noto isso a cada dia nas palestras do curso e durante passagem pela redação). Além é claro, na aposta em mais cursos de extensão em outras áreas de conhecimento: do direito, passando pela economia e chegando à tecnologia da informação. Por enquanto é isso. Seguimos!
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E MAIS:
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- Participe do ciclo de palestras e workshops em linguagem e design editorial do 4º Lide
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- Conheça a oferta de cursos online gratuitos oferecidos por instituições de prestígio: FGV (http://www5.fgv.br/fgvonline/CursosGratuitos.aspx),
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Davi Lira de Melo, de 26 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

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Logo depois dos três dias de viagem a Santa Cruz do Sul (RS), sete focas ainda se aventuraram na cobertura do Enem. Entre 11h e 11h30 eles já se preparavam para ajudar na produção do blog PontoEdu. Cecília Cussioli participou no sábado e estava na expectativa para saber como o plantão funcionaria.

A dúvida de Davi Lira era sobre como fugir dos clichês da cobertura sobre o tema. Para ele, as crônicas e posts mais descontraídos deram leveza às notícias factuais.  Fazer o comparativo com a cobertura de outros sites foi um dos pontos importantes para o foca, além de esclarecer algumas dúvidas, como a maneira correta de encarar um fato, fazer a apuração e saber identificar o que é apenas boato.

“Ali, naquele momento, dentro da redação, foi possível separar o joio do trigo, porque tivemos a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento do fato em informação consolidada. Nada de jogar suposições, é checar e rechecar com cuidado extremo”, diz Davi.

No domingo, a quantidade de textos e flashs – notícias passadas por telefone pelos repórteres que estavam nas universidades onde foram aplicadas as provas – surpreendeu Rafael Abraham. O que mais lhe marcou na cobertura foi quando conseguiu furar outros veículos: “De minha parte, o mais legal foi ter publicado antes dos concorrentes a tirinha que foi utilizada como apoio da redação da prova – antes de ela ter terminado, é claro”.

Mesmo já tendo passado por outras editorias na redação, fazer parte do plantão do Enem aproximou Cecília da prática jornalística. “Corremos muito, respiramos pouco, e levamos (bom, eu levei) algumas broncas. Mas acho que o mais legal foi que de fato tivemos uma experiência real com redação, não como repórter, mas como parte integrante da engrenagem. E fomos tratados como profissionais de verdade. Me senti jornalista  pela primeira vez aqui dentro”.

Mariana Niederauer, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)

Romina Cácia, de 26 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

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15.outubro.2011 23:59:22

Os 5 desafios

Outro dia, um leitor do blog comentou que esperava que contássemos “as primeiras impressões de um profissional recém-formado em início de carreira, de forma natural, como qualquer pessoa que sai da universidade e entra no mercado de trabalho”. De fato, a condição de focas nos põe bem no meio dessa travessia: acabamos de sair da faculdade, estamos colocando o pé no mercado e, nesse tatear, vamos sentindo o que se espera de nós, quais as cobranças, quais as qualidades apreciadas e mesmo os requisitos para se dar bem. Se o jornalista é um eterno aprendiz, nós ainda estamos bem crus e temos que nos aprimorar em vários pontos. Vou colocar aqui cinco questões que me parecem essenciais – são os desafios com os quais eu e meus colegas estamos lidando nesse momento de nossa vida profissional.

1) Manter o consumo diário de informação e cultura. Informação inclui ler os dois maiores jornais diários, as revistas semanais (ou pelo menos saber o que elas estão dando) e dar uma olhada nos portais de notícias. Cultura começa em bons livros e passa por cinema, música, arte e viagens – dentro dos interesses (e possibilidades) de cada um. Aliás, vamos sempre nos aprofundar mais naquilo que nos agrada, mas não dá para não saber o básico de todo o resto, e desconhecer o que está acontecendo na cidade, no País e no mundo. Até porque podemos ser levados, a qualquer momento, a escrever sobre outras coisas que estão fora do nosso mundinho de interesses. O desafio é justamente conseguir encaixar esse consumo de informação em uma rotina de trabalho que já é intensa e pesada.

2) Trabalhar o olhar para encontrar pautas. Nesse começo de carreira, ter ideias não é nada fácil. Forçamos a cabeça e nada sai. O tempo e a experiência vão dando subsídios para que consigamos educar nosso olhar, captar aquilo que interessa, ser criativos e, enfim, bolar pautas. Isso vale tanto para assuntos pouco explorados como para temas já batidos, mas que podem render se forem abordados de uma forma diferente. Ao desafio de encontrar pautas, soma-se o de vendê-las na reunião e emplacá-las diante dos editores. Os riscos de não conseguir bolar pautas? Fazer sempre as pautas impostas pelos outros e, eventualmente, perder espaço para outras pessoas mais espertas e criativas que você.

3) Evoluir na apuração deve ser um esforço constante. Afinal, ela é o coração de uma reportagem. O lance é pegar o touro pelos chifres, atacar a timidez, vencer a preguiça, enfim, superar tudo o que for necessário para inteirar-se do assunto, conseguir reunir mais e melhores fontes e conseguir produzir a matéria ideal: aquela em que você pode se dar o luxo de desprezar boas informações, porque tem material de sobra e pode incluir apenas as melhores. Desafios paralelos: expandir sua rede de contatos, manter uma boa relação com eles e conseguir tê-los organizados e sempre à mão – com alguma ferramenta mais eficiente que os bloquinhos de papel, que se perdem por aí.

4) Texto bom não é diferencial, e sim requisito. E tem que sair rápido. Quer dizer então que você tem um texto maravilhoso? Sinto lhe informar que as pessoas que trabalham nos grandes veículos foram peneiradas por diversos tipos de seleção, então em geral todas elas sabem escrever bem. Esse dom podia ser um diferencial enquanto você estava fora da redação e se comparava com seus amigos, que tinham níveis de desenvoltura variados. Ali dentro, texto bom não é diferencial, e sim requisito. Não espere ganhar uma medalha, porque isso é básico. E não é suficiente: você precisa escrever bem e dentro do prazo imposto, sob a pressão do seu fechamento. Por isso, treine seu ritmo e vá aprendendo a soltar o texto cada vez mais rápido.

5) Melhorar o networking. Esse ensinamento é repetido por aí como um mantra, e o Curso e a vida vão nos mostrando o quanto ele é importante. Fazer-se conhecer pelos outros é fundamental. Na redação, nos plantões, nas festinhas, nos botecos. Além de render amizades sinceras, que podem durar para a vida toda (ou não), isso pode abrir oportunidades profissionais, dentro do seu veículo e fora dele. Ao mesmo tempo, é preciso saber dosar a mão: ir com calma, ser suave, não forçar a barra. Senão você vira um cara chato, e o tiro sai pela culatra.

Thiago Lasco de Magalhães, de 33 anos, é formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero

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04.outubro.2011 12:00:08

Intercâmbio

Já passou mais de um mês desde o esperado dia 1º de setembro, data de início do 22º Curso Estado de Jornalismo. Toda vez que alguém de fora da turma dos “Focas” me pergunta como tem sido a experiência, passa pela minha cabeça dizer que é como um intercâmbio sem precisar sair do País.

Deixei o emprego em Curitiba, perdi o contato próximo com amigos, minha rotina está revirada e vim morar em uma cidade desconhecida, tudo isso em busca de uma experiência inédita. A partir de setembro praticamente mudei de nome também. Sou o Foca 04.

Desde aquela data convivo diariamente com pessoas que até há pouco não conhecia, mas que compartilham das mesmas aventuras paulistanas que eu. Inclusive embarquei até mesmo em uma nova viagem vocabular do Estadão. Agora diariamente pronuncio as palavras Hermes (programa de editoração eletrônica do jornal), fretado (ônibus que vaz o trajeto entre o Grupo Estado e o Terminal Barra Funda) e Puras (nome do restaurante presente na nossa sede). Sem contar as piadas internas.

Com os novos colegas é possível embarcar em uma viagem cultural tão variada quanto o tamanho do Brasil. Estão representados na turma 12 Estados, mais o Distrito Fedaral. A reunião garante a troca de experiências sobre os trabalhos anteriores, os costumes e sotaques de cada local, fora colocar no nosso mapa mental o nome de cidades que jamais ouviríamos falar. Alô, Telêmaco Borba e São João da Boa Vista?

O ‘intercâmbio’ de 100 dias pelo Estadão ainda guarda inúmeras surpresas. Viver é sem dúvida uma viagem divertida.

Ciro Campos, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)

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Diferenciar Memória de História não é tarefa fácil. Mas o sociólogo francês Maurice Halbwachs defendia uma distinção bem nítida. Para ele, a Memória – entendida como construção coletiva – só se estabelece na continuidade, e depende de um grupo social que a faça lembrar. Já a História começa quando acaba a Memória. A única forma, então, de manterem vivas as lembranças (memorialísticas e históricas) seria escrevê-las em formato de narrativa.

Para alçançar esse objetivo, resgatamos uma imagem bem simbólica e utilizamos a ferramenta do audioslide. A partir da fotografia da turma de focas de 1991 queremos propor um retorno de 20 anos. Não apenas isso. Queremos também lançar uma proposta para os 20 anos seguintes. Os focas de ontem se misturam com os focas de hoje. Desejos, conquistas e aprendizado se mesclam com sorrisos e retratos.

Quatro colegas da 2ª turma do Curso de Jornalismo Estado contam um pouco o que representou sua passagem pelo Curso dos Focas. Eles mostram, também, seus novos retratos e relembram as lições aprendidas lá atrás. Outros membros da mesma família do Focas, integrantes da 22ª turma, têm a missão de pensar adiante. Num exercício de reflexão, sugerem o que esperamdaqui a 20 anos. Que os participantes da 42ª turma possam monitorar a concretização de tais aspirações. Seguimos!

Clique para assistir 

 

Leia mais:

- Todo mundo já foi foca

- Faça o download gratuito da trilha sonora do audioslide (“16 minutos” – A Banda de Joseph Tourton: grupo instrumental recifense formado por jovens de 20 e poucos anos de idade, em média).

 Davi Lira de Melo, de 26 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

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03.outubro.2011 22:00:36

Rivais?

Em um primeiro momento, concorremos com cerca de 1.500 pretendentes para chegar aqui no Curso Estado de Jornalismo, na verdade, um pouco menos, por causa do índice de abstenção. No segundo tempo da partida, foram 60 rivais para as entrevistas, ou não? Seriam então 30 rivais e 30 colegas? Difícil responder. Porque os 30 que agora se reúnem todas as manhãs da semana e se cruzam pelos corredores durante à tarde na redação do jornal não estão disputando e, sim, cooperando. Brinco que somos, ainda que inexperientes, a maior editoria do jornal. A editoria Focas: com suas três dezenas de integrantes. “Aqui não tem sacanagem”, sempre reforça o coordenador do curso, Chico Ornellas.
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É verdade, e assim foi esse primeiro mês do nosso treinamento. Dúvidas surgidas em aula muitas vezes foram respondidas por e-mail. Assuntos interessantes, compartilhados pelo Facebook. Ideias de pauta para os temas que não eram da sua tarefa, oferecidas. Pautas que sobraram do assunto que você estava apurando, repassadas. Sem esquecer a sempre bem-vinda ajuda na revisão do seu texto antes de entregar o resultado da apuração, quase sempre a 5 minutos do deadline, o horário-limite de entrega das matérias – que tanto vicia. Essa “nicotina” dos jornalista move os dedos que batem apressados no teclado, impacientes para completar as trinta linhas com uma abertura inédita, que sempre buscamos, mas nem sempre conseguimos, e as informações que a complementarão. Por sorte, não estamos sozinhos.
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Thiago Santaella, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

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