Jovens sem ensino fundamental completo fazem avaliação final do Projovem Urbano. Foto: Davi Lira
A matéria foi publicada no caderno especial dos focas no dia 10 de dezembro. Foram mais de 250 mil edições impressas juntamente com o Estadão daquele sábado. Essa tiragem era algo que nos impactava bastante. Queríamos aproveitar o potencial de circulação do caderno para produzir um material com um tom nitidamente factual (mesmo num caderno eminentemente de comportamento). O texto deveria ter uma pegada jornalística de denúncia focando no grande tema do suplemento: a juventude. Queríamos, além de tudo, nos testar, e praticar todo o conhecimento adquirido durante os 100 dias de muitas atividades, palestras, workshops e passagens nas redações do Grupo Estado.
Era o nosso momento de nos firmamos enquanto jornalistas profissionais. Não poderíamos falhar em nada. E foi o nosso interesse por educação e política que acabou nos levando, naturalmente, a escolher como pauta um programa de educação do governo voltado para os jovens. Não deu outra, o Projovem Urbano e os seus percalços foi o foco da nossa apuração que durou três longas semanas, sem quaisquer intervalos. Durantes, dias, noites e madrugadas à dentro, inclusive dos fins de semana, nos focamos em uma extensiva análise de dados, informações, notícias, legislação,projetos de governo, documentos de auditoria e cartilhas de acompanhamento do programa pelos órgãos oficiais e ONGs.Sem esquecer das valiosas orientações dos especialistas em educação: Mozart Ramos (Todos pela Educação), Maria Virgínia (Ação Educativa) e da professora Marisa Ribeiro (UFMG).
Foi muita apuração e muita análise de dados coletados nos portais de transparência do gasto e de outros órgãos de acompanhamento de políticas públicas: Siga Brasil (números coletados e comparados com os dados fornecidos pelo Contas Abertas) , relatórios de auditoria do TCU, site do FNDES para o acompanhamento da prestação de contas, relatório com Estudo de Caso sobre o Projovem do Fundo de População das Nações Unidas, documento “Indicadores sociais” do IBGE, textos de discussão do Ipea sobre Políticas da Juventude, análise do portal de controle do Ministério do Planejamento, e uma série de artigos científicos recentes da área de avaliação educacional. Todo esse cuidado se justifica pelo impacto que a matéria poderia proporcionar na principal política do Governo Federal para a juventude.
A cada dia, com a análise cuidadosa do material coletado, dávamos de cara com uma série de problemas de gestão e eficiência, nitidamente comprovados e fundamentados por órgãos oficiais e entidades inquestionáveis. Logo, sabíamos de antemão que algo não estava bem estruturado.Lançado em 2005, o Projovem (Programa Nacional de Inclusão de Jovens) passou por uma reformulação e, em 2008, foi dividido em quatro modalidades, entre eles, o mais significativo, o Projovem Urbano, comandado pela Secretaria Geral da Presidência da República. Outros veículos de comunicação já haviam falado de forma isolada sobre algumas deficiências do programa como um todo (especialmente dos desvios do Projovem Trabalhador), à exemplo do Correio Braziliense.
Apenas uma outra matéria do O Globo estava mais consolidada, mas pouco pontual a respeito do Projovem Urbano (essas“descobertas” durante o processo de apuração nos deixou um pouco atordados: “a concorrência já havia dado, e agora?”).
Não deu outra. Optamos por dar enfoque ao Projovem Urbano e conseguimos dados bastante significativos que até então nenhum veículo de comunicação havia tratado: a questão do rendimento — com que nota o aluno entra e com que pontuação ele sai. Essa questão só havia sido tratada, basicamente, com foco na quantidade de alunos formados e na evasão.
Os dados demoraram a chegar. Só recebemos depois de muita insistência junto à Secretaria da Presidência, que centraliza as dados do Projovem Urbano. Informações dos outros Projovens (Adolescente, Trabalhador e Campo), também foram coletados junto aos respectivos ministérios (Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Trabalho e Emprego e Educação, respectivamente). O espaço que tínhamos no caderno, porém, nos obrigou a desprezar os outros Projovens.
Com tantos dados analíticos e planilhas de orçamento, chegamos a nos complicar um pouco para definir o foco. Sabíamos que deveríamos nos distanciar do tal “vamos fazer um balanço”. Mas como o programa vai migrar para o Ministério da Educação em 2012, optamos por um apanhado geral das deficiências de gestão.
DAVI: Algo que, particularmente, sempre me chamava atenção, desde o início, era o ganho em imagem que os políticos obtinham no momento da “formatura” das turmas de um mesmo Estado em um único evento. Acompanhava nos sites oficias de algumas prefeituras, especificamente a do Recife, e recentemente havia lido no jornal O Povo de Fortaleza um artigo da prefeita Luizianne Lins elogiando de forma pomposa o programa, sem criticar a qualidade do ensino. Queriam apenas a foto. Era muita gente se formando ao mesmo tempo. Suspeitei logo da qualidade. Em alguns momentos passava pela cabeça o seguinte: “será que o programa, por mais bem pensado que seja (e é!), não acabou virando um supletivão do ensino fundamental?”. Uma das maiores autoridades sobre ensino básico, o senador Cristovam Buarque (PDT/DF) confirmou essa tese. E o mais importante foi o contato que tive com algumas turmas. Era visível a dificuldade dos alunos que faziam a avaliação final de entender textos simples em bilhetes ou efetuar contas banais de matemática. Mas também era nítido o ganho em autoestima dos participantes e a incrível felicidade de tantos outros de terem a chance de voltar à escola e ganharem um novo círculo social. Mas o ponto central da matéria era nítido: atacar à ineficiência da gestão, não destruir o programa, tão bem concebido.
» Confira a versão impressa da reportagem
»
Davi Lira de Melo, de 26 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Débora Álvares, de 23 anos, é formada em Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB)
Notei que o jovem que sai da Bahia, do Espírito Santo, do Maranhão, de Manaus, de Minas, do Rio Grande do Sul ou de Brasília é antes de tudo um aventureiro. Jovens em início de carreira que esquecem da sua qualidade de vida e partem para um futuro incerto. Muitos cortam as relações de dependência financeira dos país e acabam até tendo que passar por maus bocados. Outros, enxergam nessa independência um valor inestimável, e lidam numa boa com a falta de colchões, televisões e fogão. Sempre com muito bom humor!
Mas a rotina dessas pessoas é mais que pesada. E o olhar que eles têm da cidade, me ajudaram a sedimentar um pouco da minha visão de São Paulo. Já conhecia a cidade, em viagens anteriores, mas somente em seus feriados e finais de semana.
Da vida real, com o convívio com essa massa de trabalhadores da nova geração, só agora. Quase todos apontam a diversidade de gente, a oferta cultura e de serviços, como o que de melhor a cidade oferece. Mas o certo é que fiquei ressabiado com a resposta de uma dessas figuras que encontrei nesses dias em Sampa: “São Paulo é para usar e abusar”. Ela citava que a oferta de cursos de qualificação, vagas de emprego e formação acadêmica na cidade é inquestionavelmente sem igual.
Mesmo achando um pouco agressiva a frase resolvir apostar nela. Para os que pensam em vir para São Paulo, pensem que não faltam aventureiros em condições as mais adversas possíveis. Cada um com sua devida ambição, mas todos com a esperança de um melhoria futura. “A hora de arriscar é agora”, nunca esse clichê fez tanto sentido. E mais, incrível foi perceber que essas figuras certamente darão certo num futuro não tão longo assim. Grande Sampa: lugar de encontros e crescimento!
O suplemento anual publicado por cada uma das turmas de Focas é publicado um dia após a conclusão do Curso. Nessa 22ª edição, o caderno vai sair encartado para todo o Brasil no dia 10 de dezembro, um dia após a formatura. Por enquanto que os jovens jornalistas selecionados para esta edição estão envolvidos na produção dos textos, repassamos algumas imagens dos bons momentos informais vividos pelo grupo. Damos uma pausa nos posts habituais para um elogio ao companheirismo, à amizade e à colaboração mútua entre eles. Ingredientes mais que necessários para um bom entrosamento, inclusive, profissional.
Davi Lira de Melo, de 26 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Dia desses, lendo o post do Davi, lembrei-me de quanto tempo já passei pesquisando bolsas de estudos no exterior. Durante a graduação, tive a oportunidade de estudar um ano de Jornalismo em Sevilha, na Espanha, e essa experiência aumentou ainda mais minha vontade de correr para fora do País logo após o término do curso. Infelizmente, no ano em que tentei, o Master que eu mais queria havia cortado as bolsas para non-EU students.
Acabei mudando para São Paulo e não tentei mais, no entanto, minha lista de sites visitados segue intacta. Há opções nas melhores universidades da Europa e dos Estados Unidos, todas com foco em Jornalismo e nos seus mais diferentes segmentos. Para vocês, que também têm vontade de estudar fora, mas não têm condições financeiras de bancar a especialização, segue um apanhado bacana de programas de pós-graduação. Bom proveito e boa sorte!
Erasmus Mundus Master’s: Journalism, Media & Globalisation
Bolsa de até € 48 mil e quatro linhas de pesquisa: Media and Politics, Business & Finance Journalism, Journalism and Media Across Cultures e War and Conflict.
Comunicación Corporativa, Publicitaria y Política
Cobre 86.7% do valor do curso e oferece passagem de ida e volta para a Espanha e seguro de vida.
Cobre 66.6% do valor do curso e oferece passagem de ida e volta para a Espanha, seguro de vida e € 1.200 mensais.
Máster en Dirección de Comunicación Corporativa
Cobre 70% do valor do curso e oferece passagem de ida e volta para a Espanha e seguro de vida.
Cobre 64% do valor do curso e oferece passagem de ida e volta para a Espanha, seguro de vida e € 1.200 mensais.
Cobre 62,35% do valor do curso e oferece passagem de ida e volta para a Espanha, seguro de vida e € 1.200 mensais.
Máster en Realización y Diseño de Programas y Formatos en Televisión
Cobre 66.6% do valor do curso e oferece passagem de ida e volta para a Espanha, seguro de vida e € 1.200 mensais.
Máster Oficial en Gestión de Empresas de Comunicación
Cobre 60% do valor do curso e oferece passagem de ida e volta para a Espanha, seguro de vida e € 1.200 mensais.
Máster Oficial en Periodismo Multimedia El Correo
Cobre 66.6% do valor do curso e oferece passagem de ida e volta para a Espanha, seguro de vida e € 1.200 mensais.
Máster em Periodismo Agencia EFE
Cobre 66.6% do valor do curso e oferece passagem de ida e volta para a Espanha, seguro de vida e € 1.200 mensais.
Knight Science Journalism Fellowships at MIT
U$ 65 mil mais o valor da matrícula e benefícios.
John S Knight Journalism Fellowships – Stanford University
U$ 60 mil mais o valor da matrícula e benefícios (moradia, seguro de vida, livros e outros).
Academic Programs at Columbia Journalism School
Vários tipos de bolsas. Vale o clique para pesquisar a que se encaixa melhor em cada perfil.
Gabriela Forlin, de 23 anos, é formada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali)
Essa pergunta é bem recorrente para jovens jornalistas e para os profissionais com um pouco mais de experiência. O questionamento se desdobra até mesmo para quem ainda não entrou no atribulado ritmo de redação. A dúvida se concentra em dois eixos: é melhor garantir o emprego e o reconhecimento para se ter a possibilidade de aperfeiçoar-se fora país e em seguida retornar à redação (no caso de quem já trabalha), ou investir logo de cara no aperfeiçoamento profissional (e até acadêmico) e chegar com tudo no jornal diário?
Para os focas de plantão, ainda existe um outro componente para essa dúvida. Evitar uma proposta de trabalho agora em troca de uma bolsa de estudos no exterior seria perder o bonde? O time exato da colocação profissional seria logo após a saída da universidade, ou poderia haver um período de carência após a conclusão da graduação? As escolhas dependem de cada realidade. Mas independente do momento, é importante saber que existem muitas boas alternativas de bolsas, programas e cursos no exterior. Venho fazendo uma apuração desde 2009 sobre as mais interessantes opções que contemplam auxílios para jornalistas brasileiros. Cheguei até a acrescentar recentemente dois programas que desconhecia. Fiquei sabendo apenas porque os agraciados são atuais jornalistas daqui do Estadão: os ex-focas de 2007 Alexandre Gonçalves e Vitor Hugo Brandalise.
Durante a aula do dia 13 de outubro o Alexandre, Repórter de Ciência do Estadão, informou à turma de focas que foi um dos selecionados para a bolsa de Mestrado em Jornalismo nos Estados Unidos patrocinada pelo Instituto Ling. O Vitor Hugo, repórter da editoria ‘Metrópole’ que deu palestra para os focas no dia 15 de setembro sobre sua experiência profissional já está na Espanha. Ele foi selecionado pela Fundação Santiago Rey Fernandez Latorre (entidade ligada à Universidade de La Coruña e ao jornal La Voz de Galicia) com um Master em Edição Jornalística. Ficará lá por um ano. “Terminado o Master, pretendo, sim, voltar à redação. O Estadão me concedeu uma licença não-remunerada e a ideia é retornar em novembro de 2012.”
Então, não deixe de conferir, logo abaixo no mapa, 12 opções de programas, cursos e bolsas para jornalistas. Caso queira recomendar algum outro link específico: inclua nos comentários sua indicação. Não esquecendo que toda e qualquer experiência no exterior do mochilão ao curso de verão em universidades da América do Norte e Europa são mais que importantes em qualquer processo seletivo em jornalismo. Idiomas e experiências com outras culturas é algo bem presente nos integrantes dessa 22ª turma de Focas do Estadão e sempre bem recebido pelos recrutadores de plantão de mercados concorridos Brasil adentro. Seguimos!
Visualizar Cursos, programas e bolsas para jornalistas em um mapa maior
Davi Lira de Melo, de 26 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Logo depois dos três dias de viagem a Santa Cruz do Sul (RS), sete focas ainda se aventuraram na cobertura do Enem. Entre 11h e 11h30 eles já se preparavam para ajudar na produção do blog PontoEdu. Cecília Cussioli participou no sábado e estava na expectativa para saber como o plantão funcionaria.
A dúvida de Davi Lira era sobre como fugir dos clichês da cobertura sobre o tema. Para ele, as crônicas e posts mais descontraídos deram leveza às notícias factuais. Fazer o comparativo com a cobertura de outros sites foi um dos pontos importantes para o foca, além de esclarecer algumas dúvidas, como a maneira correta de encarar um fato, fazer a apuração e saber identificar o que é apenas boato.
“Ali, naquele momento, dentro da redação, foi possível separar o joio do trigo, porque tivemos a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento do fato em informação consolidada. Nada de jogar suposições, é checar e rechecar com cuidado extremo”, diz Davi.
No domingo, a quantidade de textos e flashs – notícias passadas por telefone pelos repórteres que estavam nas universidades onde foram aplicadas as provas – surpreendeu Rafael Abraham. O que mais lhe marcou na cobertura foi quando conseguiu furar outros veículos: “De minha parte, o mais legal foi ter publicado antes dos concorrentes a tirinha que foi utilizada como apoio da redação da prova – antes de ela ter terminado, é claro”.
Mesmo já tendo passado por outras editorias na redação, fazer parte do plantão do Enem aproximou Cecília da prática jornalística. “Corremos muito, respiramos pouco, e levamos (bom, eu levei) algumas broncas. Mas acho que o mais legal foi que de fato tivemos uma experiência real com redação, não como repórter, mas como parte integrante da engrenagem. E fomos tratados como profissionais de verdade. Me senti jornalista pela primeira vez aqui dentro”.
Mariana Niederauer, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)
Romina Cácia, de 26 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
De fato, fizemos mais do que beber e dançar no Sul. Um dos pontos que gerou polêmica entre os focas na volta da viagem foram as condições de vida dos produtores de tabaco em Santa Cruz do Sul. A questão era o ajuste focal. Em maior ou menor grau, o meio rural era uma incógnita para todos os focas. Foi uma experiência ímpar aquele contato efêmero, de não mais de quatro horas de duração, com uma realidade tão diferente da nossa vida cosmopolita, deslumbrada e confortável no coração financeiro do país.
Navarro e a Gabi foram os primeiros a manifestar indignação com a tal ‘falta de perspectiva’ de quem vive de agricultura. O Navarro resumiu: “O fumo movimenta MUITA grana, em especial para o governo, que recolhe um dinheirão em tributos. O absurdo, neste caso, está na falta de bem-estar social promovida pelos gestores estaduais, municipais etc”. A Gabriela justificou e argumentou: “Eles não escolheram aquela vida, é a opção menos pior que eles têm. Os caras [indústria] fabricam 60 milhões de cigarros por dia e quem dá duro de verdade não leva 1/23432 avos disso. Quero ver alguém levar a família pra roça pra fazer um trabalho desses e aguentar mais de um ano”.
O contraponto, no caso, foi feito pelo Davi. (Aliás, o saudável de ter o Davi na turma é ele ser aquela pessoa disposta a dar opiniões controversas, mesmo que seja só pra alimentar a discussão). “[A gente tem a] prepotência de achar que as coisas funcionam na nossa lógica. [Dizemos que] eles são “pobres coitados”, são “desassistidos”… Acho que são formas diferenciadas de se encarar a vida. Tento muito afastar de mim essa visão romântica do campo. Mas no fundo queria muito mesmo pode me bastar naquela imensidão verde, estando perto de pessoas que valham a pena estar. No final das contas, a gente só quer amar e ser amado, capisce? Eles sabem amar da forma deles. Repeitemo-la”.
Considero a resposta do Gabriel um primor: “É menos importante saber escrever que saber respeitar. Eu respeito, acho. Mas acho inocente demais achar que viver bem é viver a vida que escolheram para você. Em especial quando governo e iniciativa privada parecem fazer questão de continuar escolhendo”.
Do alto do meu existencialismo neurótico e nicotínico, acredito que as pessoas precisam ter opções. Por um lado, considero preocupante que as pessoas que conhecemos estejam há, sei lá, 50, 60 anos vendo todos os dias a mesma paisagem. Me angustia a sensação de que elas ‘acham’ que levam uma vida boa só porque não conhecem outra coisa – e que haja tanta gente trabalhando para que as coisas continuem exatamente assim.
Mas, por outro, tenho uma dolorida consciência de que ter acesso a várias opções abre espaço para insatisfação – que pode se tornar crônico e te fazer morrer infeliz. Fatalista, pois é. Uma sensação recorrente e clichê em São Paulo é constatar que somos uma multidão de solitários. Os laços são efêmeros. Nós mesmos, focas, temos a garantia de estar juntos por apenas 100 dias. Caminhamos no fio da navalha todos os dias, jornalistas sem rotina e sem seguranças – por escolha própria, frise-se.
Somos, todos, feitos de sociedade, complexidades, contextos e economia (que cada vez mais domina todas as esferas da nossa vida) . Mas também somos carne, osso, sangue e o amor que sentimos pelos outros.
E aí, o que os leitores acham: tem como esse não ser um dilema?
Luiza Calegari, de 22 anos, é formada em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL)
Existe um cronômetro no Curso Estado de Jornalismo. A duração é de exatos 100 dias. Com quase metade do tempo já ultrapassado, algumas palavras ficaram na mente. Aqui, a nuvem de tags se amplia. Cada palavra assume um contexto. São nas frases que o sentido de cada uma delas assume outra relevância. Nas sentenças a seguir, um pouco dessa trajetória cada vez mais reveladora e fascinante. Que as mensagens explícitas em cada uma delas possam gerar uma certa reflexão nos jornalistas de plantão que acompanham o Em Foca. E como extra: não deixem de conferir o conteúdo adicional via QR Code. Seguimos!
2012
2011
2010