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Em Foca

Foto: Cecília Cussioli
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Parti de Recife apenas com uma mochila. Nela, não esqueci do netbook, celulares, mp4, câmera digital, caderno de anotações e do iPad. Trouxe também duas calças, duas meias, um único sapato, um pullover e sete camisetas. Vim com tudo, mas de forma bem compactado. Ajudou bastante na minha locomoção. Durante essa imersão de 100 dias de Curso queria conhecer São Paulo intensamente, mas fugindo do óbvio. Optei por viver como nômade. Queria conhecer muito mais quem vive em São Paulo, do que a própria São Paulo. Queria sentir a atmosfera de quem acorda, trabalha e dorme na cidade. Em três meses foram sete casas. Acabei conhecendo pelo menos 20 residentes.As casas de amigos, colegas, colegas de amigos, amigos de colegas, de quase  desconhecidos e até hostel serviram de bases provisórias. As pessoas com quem mais convivia fora do Estadão eram sempre jovens e praticamente quase nenhum paulistano. Enxerguei um outro mundo paralelo: com vários perfis, posturas, visões de mundo e ambições. Curto muito esse mosaico com vários tipos sociais: do cabeleleiro, ao vendedor, passando pelo estudante de Direito, DJ e chegando ao jornalista.

Notei que o jovem que sai da Bahia, do Espírito Santo, do Maranhão, de Manaus, de Minas, do Rio Grande do Sul ou de Brasília é antes de tudo um aventureiro. Jovens em início de carreira que esquecem da sua qualidade de vida e partem para um futuro incerto. Muitos cortam as relações de dependência financeira dos país e acabam até tendo que passar por maus bocados. Outros, enxergam nessa independência um valor inestimável, e lidam numa boa com a falta de colchões, televisões e fogão. Sempre com muito bom humor!

Mas a rotina dessas pessoas é mais que pesada. E o olhar que eles têm da cidade, me ajudaram a sedimentar um pouco da minha visão de São Paulo. Já conhecia a cidade, em viagens anteriores, mas somente em seus feriados e finais de semana.

Da vida real, com o convívio com essa massa de trabalhadores da nova geração, só agora. Quase todos apontam a diversidade de gente, a oferta cultura e de serviços, como o que de melhor a cidade oferece. Mas o certo é que fiquei ressabiado com a resposta de uma dessas figuras que encontrei nesses dias em Sampa: “São Paulo é para usar e abusar”. Ela citava que a oferta de cursos de qualificação, vagas de emprego e formação acadêmica na cidade é inquestionavelmente sem igual.

Mesmo achando um pouco agressiva a frase resolvir apostar nela. Para os que pensam em vir para São Paulo, pensem que não faltam aventureiros em condições as mais adversas possíveis. Cada um com sua devida ambição, mas todos com a esperança de um melhoria futura. “A hora de arriscar é agora”, nunca esse clichê fez tanto sentido. E mais, incrível foi perceber que essas figuras certamente darão certo num futuro não tão longo assim. Grande Sampa: lugar de encontros e crescimento!


PS: O pior dessa jornada? Acabei engordando seios quilos. Comida feita por homem ainda é muito ruim (acabei ficando, basicamente, em casa com homens), o jeito foi se entupir de comidinhas legais nos bares “3 em 1″ de São Paulo. De manhã: padaria; à tarde: restaurante; de noite: botecão do bom e do melhor! Ê cidade multiuso.

» Por onde eu passei:
- Consolação – Rua Matias Aires, 171 (http://g.co/maps/hxd6z)
- Consolação – Rua Augusta, 1418 (http://g.co/maps/nrfhv)
- Cerqueira César – Rua Matias Aires, 268 (http://g.co/maps/6fqht)
- República – Avenida São João, 1086 (http://g.co/maps/6pw89)
- Campos Elíseos – Al. Barão de Limeira, 253 (http://g.co/maps/kq9fy)
- Santana – Rua Silvio Rodino, 89 (http://g.co/maps/3bre6)
- Santa Cecília – Avenida Duque de Caxias, 189 (http://g.co/maps/vbu4s)

Davi Lira de Melo, de 26 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

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22.novembro.2011 18:33:54

Epidemia

“As ideias têm poder de contágio”, destacou o biólogo francês Jacques Monod em 1964, sem saber que em 2011 sua teoria seria escandalosamente evidente.

Até 2007, eu não sabia o que era meme, tinha uma conta no Twitter que não usava, e gastava bem menos tempo com os vídeos do Youtube. Hoje, é quase impossível não me render os conteúdos que, mesmo com esforço contrário, invadem minha caixa de email, o mural do Facebook, a timeline do Twitter ou a dashboard do Tumblr.

A web é uma epidemia. Um fluxo viral de ideias. É bem verdade que na maior parte das vezes esses conteúdos são apenas entretenimento ou vislumbre estético. Mas, vez ou outra, aparece um vídeo que ajuda a eleger um presidente, um tweet que derruba um regime e um meme que leva milhares às ruas. “Nós somos os 99%”, viralizaram os jovens do Occupe Wall Street.

É sobre esta “geração memética” que os 30 focas decidiram escrever para a última atividade do curso. No sábado, dia 10 de dezembro, chegará às bancas o nosso caderno especial. Queremos saber como e pelo que os jovens levantam do sofá hoje. E o Facebook pareceu a melhor maneira de perguntar.

Foi aí que eu tive a ideia: se queremos falar sobre jovens que (como eu) vivem dentro desta tal “cultura do compartilhamento” e são extremamente suscetíveis às campanhas virais, porque não criar uma? Ideia ambiciosa, que talvez não viralize. Mas isso não impediu que seis focas madrugassem o fim de semana todo criando um vídeo que potencializasse nossa enquete. (VOTEM!)

Ontem, o vídeo foi ao ar (nos próximos dias teremos mais dois). E a euforia de ver o número de visualizações e respostas às enquetes subir rapidamente nos assustou um pouco. A satisfação foi maior. Não criaremos uma epidemia digital. Mas a ideia também não é esta. Queríamos testar se esta tal “mobilização 3.0” funciona mesmo, e nos preparar para as reportagens que estão por vir.

Cecília Cussioli, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

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Logo depois dos três dias de viagem a Santa Cruz do Sul (RS), sete focas ainda se aventuraram na cobertura do Enem. Entre 11h e 11h30 eles já se preparavam para ajudar na produção do blog PontoEdu. Cecília Cussioli participou no sábado e estava na expectativa para saber como o plantão funcionaria.

A dúvida de Davi Lira era sobre como fugir dos clichês da cobertura sobre o tema. Para ele, as crônicas e posts mais descontraídos deram leveza às notícias factuais.  Fazer o comparativo com a cobertura de outros sites foi um dos pontos importantes para o foca, além de esclarecer algumas dúvidas, como a maneira correta de encarar um fato, fazer a apuração e saber identificar o que é apenas boato.

“Ali, naquele momento, dentro da redação, foi possível separar o joio do trigo, porque tivemos a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento do fato em informação consolidada. Nada de jogar suposições, é checar e rechecar com cuidado extremo”, diz Davi.

No domingo, a quantidade de textos e flashs – notícias passadas por telefone pelos repórteres que estavam nas universidades onde foram aplicadas as provas – surpreendeu Rafael Abraham. O que mais lhe marcou na cobertura foi quando conseguiu furar outros veículos: “De minha parte, o mais legal foi ter publicado antes dos concorrentes a tirinha que foi utilizada como apoio da redação da prova – antes de ela ter terminado, é claro”.

Mesmo já tendo passado por outras editorias na redação, fazer parte do plantão do Enem aproximou Cecília da prática jornalística. “Corremos muito, respiramos pouco, e levamos (bom, eu levei) algumas broncas. Mas acho que o mais legal foi que de fato tivemos uma experiência real com redação, não como repórter, mas como parte integrante da engrenagem. E fomos tratados como profissionais de verdade. Me senti jornalista  pela primeira vez aqui dentro”.

Mariana Niederauer, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)

Romina Cácia, de 26 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

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Outubro será um mês complicado. O ritmo do curso começa a acelerar, nos dando uma boa ideia do que está por vir: temos um caderno para fechar em dezembro. Entre as aulas com o queridinho Paco Sánchez, as intermináveis pautas para apurar e os plantões que quero acompanhar nas redações, ainda tenho que encontrar tempo para assistir minhas queridas 14 séries que acabam de reestreiar na TV americana – e britânica.

Não. Abrir mão das séries não é uma opção. Seria a atitude mais sensata, mas eu perderia metade do meu bom humor e das minhas valiosas horas de procrastinação. Se para uma boa formação cultural é importante ler, ir ao cinema e ao teatro, televisão de qualidade é mais um item nesta lista.

É verdade, algumas das séries que assisto são puro guilty pleasure e outras já tiveram temporadas melhores. Mas existem aquelas que te fazem idolatrar os roteiristas, admirar atores e se surpreender com escolhas narrativas.

Escolhi três das minhas séries preferidas pra indicar – uma pra cada gosto. Não que isso vá fazer alguma diferença na formação de ninguém, mas com certeza renderá bons tópicos para conversar de bar – as vezes é bacana variar  o papo sobre o futebol sabe?

Parks and Recreation, da NBC (http://www.youtube.com/watch?v=jcyH-qIPKMA)

Apesar de já estar na 4ª temporada, a comédia que mostra os bastidores de uma repartição pública em uma cidade do interior dos EUA, é mais engraçada a cada ano. O grande mérito da série é fazer personagens tão hilários quanto reais. Todo mundo é meio exagerado mas ninguém sai do tom. Conseguir esse equilíbrio entre o bobo e o supercool é uma arte que não é para qualquer um. Anotem aí: ela ainda irá conquistar o posto que hoje é de Modern Family.

Breaking Bad, da AMC (http://www.youtube.com/watch?v=2LOzMtI6RCM)

Walter White é um professor de química, seu filho adolescente tem paralisia cerebral, sua mulher está grávida e como o salário não é o suficiente, Walter trabalha em um lava rápido. Para aumentar a renda, o professor decide fabricar e vender metanfetamina. Com linguagem inovadora, ângulos de câmera geniais e desenvolvimento lento, somos levados em uma narrativa de bons diálogos, atuações impecáveis e situações inesperadas.

O que você está fazendo que ainda não vê Breaking Bad?

Sherlock, da BBC (http://www.youtube.com/watch?v=cSQq_bC5kIw)

O famoso morador da 211B Baker Street ganha releitura moderna e um roteiro impecável de Steven Moffat, o maior gênio da TV inglesa (assistam tudo que tiver a assinatura dele). Em uma série madura, com acidez típica inglesa, o exelente Benedict Cumberbatch da vida ao jovem detetive impetuoso, arrogante e imperfeito, assim como a criação original de Arthur Conan Doyle. Muito melhor que outras versões cinematográficas, a série só tem três episódios, cada um de 1h30; e a próxima temporada está prometida para este ano.

PS. Não é seriado, é jornal. Mas se eu fosse obrigada, trocava todas as séries que assisto pelo The Daily Show with Jon Stewart, programa obrigatório no meu dia.

Cecília Cussioli, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

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29.setembro.2011 22:43:24

Fez sentido

Certa vez me disseram que você só começa a aprender algo quando aquilo passa a fazer sentido para você. Até peguei a ideia, mas só a absorvi de fato durante a minha primeira semana na redação.

Comecei por Economia. Quer se divertir? Dá uma olhada no vídeo da Ciça e veja minha cara de desespero ao saber que essa seria minha primeira editoria. Esse era o caderno que eu sempre deixava por último quando lia o jornal. Como assim escrever sobre o tema do qual eu simplesmente não conseguia entender nada?!

Os colegas tentaram me acalmar, mas só sosseguei quando recebi minha primeira pauta. Ao contrário do que eu imaginava, não me foi pedido nenhuma matéria digna de um especialista em mercado, bolsa ou afins.

Mas minha alegria não foi escapar de uma análise sobre o índice x em alta ou em baixa naquela semana. Durante os dias que passei pela editoria fiz matérias sobre como aqueles tais números, moedas e impostos impactavam a vida de cada pessoa.

De repente, tudo aquilo que eu pensava estar tão distante de mim se mostrou completamente presente no meu cotidiano. Aprendi um pouco sobre como o que sempre evitei interferia na minha vida e de todos ao meu redor. Parece lógico? Para mim, até a semana passada não era. Mas após uma semana imersa, fez sentido.

Romina Cácia, de 25 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

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19.setembro.2011 12:01:17

Redação: é hoje!

O grande dia chegou. Desde que fomos aprovados, esperamos ansiosos (e nervosos) pelo dia em que finalmente faremos parte do espaço sagrado do jornalismo: a redação. A partir de hoje, os 30 focas invadem a redação dos veículos do Grupo Estado ávidos por conhecimento e com muito medo de trancar as páginas do Hermes e atrasar a edição.

A cada semana, passaremos por uma editoria/veículo: Nacional, Vida/Internacional, Economia, Metrópole, Esportes, Suplementos/Caderno2, Agência Estado, Portal, Rádio Estadão ESPN, e Jornal da Tarde.

A escala que determina a ordem em que passaremos por cada uma foi divulgada na sexta-feira. Claro que nem todos ficaram radiantes com a própria sorte, mas presenciar a reação de cada um ao olhar a lista foi hilário. Por isso, compartilho com vocês um pequeno vídeo desse momento.

Eu começo no caderno Nacional. É meu preferido? Não. Mas está longe de ser o pior. Para falar a verdade, estou até bem empolgada, acho melhor iniciar em uma editoria longe da minha zona de conforto. A gente aprende com tratamento de
choque.

Desejem-me sorte.

Cecília Cussioli, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

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05.setembro.2011 19:32:05

A primeira pauta

Os 30 focas acordaram cedo no sábado para o primeiro exercício prático: encontrar uma pauta no centro de São Paulo. Alguns com sede de redação, outros com uma certa preguiça de fim de semana, nos reunimos na Catedral da Sé para encontrar o jornalista Luiz Carlos Ramos, professor do curso e nosso guia turístico. É difícil encontrar alguém que conheça tanto a cidade quanto ele. Cada prédio era apresentado com uma explicação detalhada de datas, fatos importantes e estilo arquitetônico.

(Nota mental: sempre levar protetor solar. Mesmo com um frio absurdo, o sol de São Paulo queima. E muito.)

Depois do tour, cada um saiu para caçar uma pauta nas ruas do centro. Confesso que achei que seria mais simples, afinal com tanta gente circulando e tanta coisa acontecendo, pauta não iria faltar. Meu olhar estrangeiro pareceu me atrapalhar um pouco. Conhecer a dinâmica da cidade e perceber o que é clichê por aqui pode levar um tempo, e esta era minha principal preocupação: fugir de temas batidos.

Circulei por algumas horas pelo centro, sem muita pressa, observando as coisas, até achar ter encontrado minha pauta. Entrevistei o José, um artista de rua que conversava com “bonecas videntes” para ler a sorte das pessoas. Era um personagem excêntrico, mas pouco disposto a falar sobre si. Consegui arrancar as informações que queria, mas fui embora nem um pouco satisfeita.

Na volta para casa, vi o piano que está instalado na Estação da Sé desde março, à disposição de quem quiser tocar. Gastei mais uns minutos por ali, olhando a aglomeração que se formava. Às 13h, achei o Mario e o Paulo, dupla que se encontra todos os sábados no piano da Sé para aulas de música. Sábado era a primeira vez que Mario tocava para a família e amigos depois de cinco meses de aulas.

Pauta salva, hora de enfrentar a Linha 3-Vermelha do Metrô, que não fica vazia nem no fim de semana.

Cecília Cussioli, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

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