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Em Foca

Depois de o tema “Subterrâneos de São Paulo” ser escolhido para o suplemento dos focas, publicado no dia 11, nós (Amanda, Andréa, Bernardo e Carol) ficamos responsáveis por apurar a situação do mapeamento das redes subterrâneas da cidade. O primeiro passo foi procurar matérias sobre o assunto no arquivo do Estadão e em outros veículos.

Como já havia muitas publicações denunciando a falta de organização dos cadastros do espaço público, aproveitamos algumas fontes das matérias pesquisadas como ponto de partida para nossas entrevistas. A partir delas, surgiram muitos outros contatos.

Em uma ida à USP, passamos por quatro departamentos (Geofísica, Geologia, Geografia e Politécnica). Foi muito produtivo, pois conversamos com profissionais renomados como o geógrafo Jurandyr Ross e o geólogo Cláudio Riccomini.

Também conseguimos o contato do engenheiro Carlos Eduardo Maffei, consultor de grandes obras por todo o Brasil. Na sexta-feira 19 de outubro, depois de voltarmos de uma viagem a Holambra, fomos entrevistá-lo para saber como a falta de mapeamento interfere nas obras com túneis.

Só terminamos de apurar a dois dias da entrega do texto. O cuidado em traduzir temas específicos foi importante para deixar o texto claro para o leitor.

Prós e contras fizeram parte de todo o processo. Uma longa entrevista com a direção do Convias, por exemplo, rendeu bastante material, mas não obtivemos respostas sobre as verbas destinadas a tentativas anteriores de organizar um mapeamento das redes do subsolo.

No fim, a matéria no jornal não dá conta de tudo o que é encontrado durante o longo e tortuoso caminho percorrido até a publicação do texto, mas faz sentido que seja assim. Se o espaço no papel é limitado, é preciso fazer com que o leitor tenha nas mãos apenas o imprescindível sobre um assunto necessariamente relevante. A partir daí, caso haja interesse, é possível buscar outras fontes de informação (na internet, por exemplo) ou mesmo cobrar do veículo que publicou a matéria uma cobertura mais profunda do tema.

Esperamos que os leitores tenham aproveitado a matéria, da mesma maneira que aprendemos com ela.

Acesse o PDF da matéria Prefeitura só terá mapa digital de redes após 2012

Acesse o PDF da matéria Para dar ordem ao emaranhado

Amanda Agutuli, de 25 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e em História pela Universidade de São Paulo (USP)

Andréa Carneiro, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp)

Bernardo Barbosa, de 22 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

Carolina Almeida, de 22 anos, é formada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

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O conhecimento da Lei Municipal de 2003 que cobra pelo uso do subsolo paulistano foi o ponto de partida de nossa matéria, intitulada Uso do solo renderia R$ 1 bilhão. Apesar de a Câmara de Vereadores constatar a arrecadação de R$ 118 milhões por ano em 2001, a Prefeitura recebeu apenas uma pequena parcela desse total: algumas empresas obtiveram liminares isentando-as da cobrança. Elas dizem, entre outros argumentos, que o município não tem legitimidade para legislar sobre o assunto.

Levantamos o que havia sido publicado em pesquisas pelo arquivo do jornal e acumulamos mais detalhes – a partir disso, conseguimos fazer um histórico (veja abaixo). Descobrimos, por exemplo, decretos anteriores à lei de 2003 que revelavam a existência, desde 1999, da intenção de cobrar. Também de matérias antigas conseguimos mais fontes, como o vereador Paulo Frange – relator da CPI que investigava a cessão de áreas públicas à iniciativa privada, em 2001. Foi ele quem nos passou o estudo sobre a arrecadação anual de R$ 118 milhões.

Recorremos ao vereador porque a Secretaria de Negócios Jurídicos da Prefeitura negou-se a informar os dados oficiais, como quais empresas pagavam a remuneração, quais deixavam de pagar e quanto era arrecadado. Também não quis expor os argumentos para defender o direito de cobrar o preço público. Para a Assessoria de Imprensa, declarações oficiais podiam atrapalhar os casos que ainda correm na Justiça. Somente em contato com os tribunais tivemos acesso à defesa da Prefeitura. E em contato com as concessionárias, descobrimos quem pagava.

Também recorremos a juristas para saber se a cobrança da Prefeitura era, de fato, legal. Com algumas variações de opinião, os três disseram que sim. Na hora de redigir a matéria, tivemos que dar uma atenção extra às palavras usadas. A cobrança, por exemplo, não pode ser chamada de imposto ou taxa, mas sim de preço público. No infográfico, o erro quase foi impresso. Mas foi corrigido a tempo.

Histórico

A disputa começou com um decreto do então prefeito Celso Pitta, em 1999. As empresas conseguiram liminares que asseguravam a isenção. Em 2001, a prefeita Marta Suplicy revogou o decreto e instituiu nova cobrança. “Não dá mais para elas furarem a cidade de graça: vão ter de pagar, sim”, afirmou ela à época.

Dizia-se que a arrecadação seria de R$ 200 milhões por ano – o que, até este ano, renderia R$ 1,8 bilhão aos cofres da cidade. Com os estudos da CPI da Câmara, no mesmo ano, chegou-se ao valor de R$ 118 milhões. Entretanto, várias empresas questionaram a nova lei na Justiça e conseguiram continuar isentas. O argumento era de que a nova taxa não poderia ser criada pelo Poder Executivo, e sim pelo Legislativo (ou seja, pela Câmara de Vereadores).

Somente em 2003, um projeto elaborado pelos vereadores foi transformado em lei e substituiu o decreto, depois de uma CPI investigar o uso de áreas públicas e constatar a pouca arrecadação tributária do subsolo.

Acesse o PDF da matéria Uso do solo renderia 1 bilhão

Andréa Carneiro, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp)

Fábio Pupo, de 21 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)

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02.dezembro.2010 13:56:46

Recordação

Lembranças de boas histórias marcam esta reta final. E as produções de matérias para o professor Luiz Carlos Ramos estão repletas delas.

Logo na segunda semana de curso, Luiz Carlos apresentou aos recém-chegados a região central da cidade. Recebemos, nas escadarias da Sé, dicas para a nossa segunda reportagem, cujo tema seria o centro. Escrevi sobre o forte comércio, que empregava jovens como Flávia, de 20 anos. Ela havia preenchido há um mês uma vaga de auxiliar administrativo em uma confecção. Também conheci Lucineide, de 42, que comprava no centro para revender no seu bairro, Itaquera, e assim garantia renda.

Memorável também será a rotina de incerteza dos ambulantes do Parque do Ibirapuera, a qual relatei em outra matéria. Os vendedores me contaram o receio de perder o direito de permanência no parque, garantido por uma licença precária. Não bastasse isso, alguns mostraram preocupação com as vendas, que não iam bem. Uma senhora de 68 anos disse que era comum terminar os dias com o carrinho cheio de mercadorias. O comércio – que sustentara as duas filhas após a morte do marido – precisava render para ajudar os seis netos. O mais velho, criado entre as árvores do Ibirapuera, enfrentava o vício em drogas.

Junto a outras, essas histórias originaram reportagens, devolvidas com muitas marcações. Luiz Carlos destacou os erros de cada uma, sem se esquecer de apontar o que ficou bom. As considerações, em forma de recado, terminaram sempre com um abraço. Mais uma das boas recordações que levaremos conosco.

Andréa Carneiro, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp)

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18.novembro.2010 19:26:16

Jura?

Situações desesperadas pedem medidas desesperadas. Foi este o mote que guiou, de maneira inusitada, quase em estilo pastelão, uma visita à USP em busca por fontes para o nosso suplemento.

Na última sexta-feira, eu e as focas Andréa e Carol fomos à universidade entrevistar um geofísico. Tudo certo, agendado com antecedência, sem nenhum estresse. Porém, durante a entrevista, percebemos a necessidade de conversar com outros especialistas. Como já estávamos no câmpus, decidimos otimizar a visita e tentar encontrá-los mesmo sem marcar previamente.

Entre as fontes, um grande geógrafo, Jurandyr Ross, nos deu um baile.

Batemos à porta de sua sala, nada. Fomos ao Laboratório de Geomorfologia, também não. Mas disseram, nos enchendo de esperança, que ele ainda estava no prédio.

– Jura?
– Sim, inclusive o apelido dele é Jura
– brincou uma pesquisadora do laboratório.

Decidimos nos dividir e montar guarda em diversos pontos até o encontrarmos. E assim ficamos por cerca de uma hora… Até que cansamos e resolvemos partir para o ataque. Na secretaria, nos disseram que ele tinha barba grisalha e estava vestindo camisa vermelha e jaqueta bege.

– Beleza, agora vai ser fácil.

Doce ilusão. Várias pessoas estavam exatamente assim – e claro que nenhuma era o professor. Então começamos a falar repetidamente, em alto e bom tom, na tentativa de chamar a atenção da pessoa certa:

– Jura?

A esta altura, o pessoal da secretaria já estava comovido. Tentaram entrar em contato, mas não tiveram sucesso. Para ajudar, imprimiram uma foto, em tamanho A4, do rosto do professor. Munidas do retrato, fomos ao estacionamento tentar reconhecê-lo, já que seu carro ainda estava lá e ele deveria ir embora a qualquer momento.

Sentamos na vaga ao lado e continuamos com a foto nas mãos. Não demorou muito e um senhor passou no local com uma expressão ao mesmo tempo curiosa e espantada.

Olhamos para o retrato, olhamos para ele e não tivemos dúvidas.

– Jura!

Fomos ao seu encontro. Surpreso e indignado com a foto que não fazia jus a sua aparência, ele foi receptivo e muito simpático. Mesmo atrasado, topou dar a entrevista na hora, com toda paciência de professor.

Ao final da tarde, voltamos para a redação. Estávamos acabadas, mas, ao mesmo tempo, felizes por desenvolver uma técnica de inédita: apuração bizarro-incisiva – e um tanto divertida!

Amanda Agutuli, de 25 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) e em História pela Universidade de São Paulo (USP)

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O caderno de economia de um jornal pode causar arrepios em muitos estudantes de Jornalismo. Mas, depois de uma conversa com a editora da Agência Estado Marisa Castellani, os assuntos econômicos perderam um pouco da sisudez. Tornaram-se mais palpáveis.

Responsável por um dos produtos da Agência, o AE Broadcast, Marisa costuma dizer que no seu trabalho a pressa deve ser amiga da perfeição. Daí nasce a credibilidade. Na produção de notícias para o mercado financeiro, disputam-se os segundos. Atrasos e incorreções geram erros de tomada de decisão na hora de investir – e prejuízos aos assinantes.

Em dias de divulgação de importantes indicadores, repórteres passam, por telefone, à editora os números que preencherão os espaços em branco de um texto previamente elaborado. No instante seguinte, com a informação no ar, inicia-se a produção de análises e cenários consolidados, observando as movimentações de mercado. A eternidade é o próximo minuto, uma das regras do tempo real.

Apesar da rotina, Marisa esboçou, em cada gesto e entonação de final de frase, tranquilidade e muito bom humor. Com linguagem simples, ela nos explicou a crise econômica de 2008 e clareou termos nebulosos como derivativo, mercado de títulos, subprime e outros tantos com os quais nos deparamos diariamente nos jornais.

É claro que temos muito a aprender, tanto que Marisa encerrou a palestra com dicas de leitura para quem tem pouca familiaridade com a economia. Diante da guerra cambial, tema que ganha força nos noticiários, parece oportuno começar os estudos já.

Livros recomendados:

Salve-se quem puder: uma história de especulação financeira, de Edward Chancellor

Princípios de Macroeconomia, de N. Gregory Mankiw

Andréa Carneiro, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp)

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20.outubro.2010 18:46:52

Além das impressões

Ao ver uma aprentação de dança, dificilmente identificamos a quantidade de pliés e cambrés e a função deles na estrutura do espetáculo. Tampouco observamos se os movimentos da bailarina estão no ângulo correto. A experiência para um coreógrafo seria diferente – ele analisaria com precisão técnica cada detalhe. No mesmo caminho, a minha professora de dança sabia que, tanto quanto fazer coreografias, estudar e acompanhar as produções em cartaz fariam dela uma profissional melhor.

Pois bem. Nós, jornalistas, devemos agir como o coreógrafo e a minha professora de dança. Estudemos os clássicos, os da literatura. E acompanhemos os espetáculos em cartaz, os jornais. Esse raciocínio ficou ainda mais claro com a passagem de Paco Sánchez pelo curso. “Ler jornais é essencial à rotina do jornalista”, o que pareceria óbvio antes de conhecer a técnica de leitura de Paco: buscar a essência do texto, em análise criteriosa dos elementos que o compõem. Estudar a escolha dos verbos, substantivos e adjetivos. Observar a posição deles nas frases, a estruturação dos períodos em parágrafos e a amarração desses na composição do texto.

No estudo, em sala de aula, de reportagens fora de ritmo percebemos: jornalista que não sabe construir transições é como coreógrafo que não costura um passo no outro. É texto sem ritmo, sem graça, sem emoção, sem vida, que faz morrer o interesse do leitor.

Paco trouxe métodos eficazes para olharmos os textos, os nossos e os dos outros, e descobrirmos o que há de bom e a solução para o que está mal. A repetição de estruturas de frases empobrece o texto, bem como vocabulário restrito e o uso excessivo do “que”. Com os verbos “curingas” ser, estar, haver e ter, dificilmente conseguiremos um bom resultado. Um tom marcado na abertura convida o leitor. Prometa informações e corresponda às expectativas.

Aprendemos que, para além apreciar, devemos tentar descobrir o que nos faz gostar do texto. E isso exige muito suor e técnica, tal como a dança.

Andréa Carneiro, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp)

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06.outubro.2010 12:00:07

Em poucas palavras

Os 30 recém-formados jornalistas dos mais variados cantos do País deixaram casa, emprego e família e arriscaram São Paulo. A decisão seria mais difícil se o motivo não fosse viver o Curso de Jornalismo do Estadão. Dos sinais de boas-vindas do primeiro dia ao fechamento da matéria sobre o primeiro turno das eleições às 23h59 de ontem, contabilizamos 35 dos 101 dias de duração do curso. Nesse intervalo, aproveitamos para conhecer os novos colegas e identificar os sotaques, entre os indícios de “uai” e “tu” e os sonoros “s” dos cariocas e o “r’ dos paulistas de fora da capital.

Nas aulas, aprendemos com grandes profissionais. Luiz Carlos Ramos resgatou o amor pelas ruas. Fomos do exercício literário, no Centro de São Paulo, à certeza dos métodos científicos, com a reportagem de jornalismo científico, a pedido de Alexandre Gonçalves, da editoria Vida de O Estado de S. Paulo.

Esperamos, ansiosos, Paco Sánchez, que, sem chegar, ensinou a máxima “olhar, ouvir e pensar”. Olhar sem os olhos de vista cansada, descritos por Otto Lara Resende, para “desinstalar de nossos corações o monstro da indiferença”, como exigiu o exercício de Carla Miranda, editora do Viagem: descrever o caminho que percorremos da entrada do Estadão até a sala de aula.

As discussões políticas, éticas, econômicas e científicas ocorrem em meio a decisões de pauta e apurações para as reportagens. Tudo ao mesmo tempo. A filosofia torna-se repertório para o cotidiano do jornalista, explicou o filósofo Luiz Felipe Pondé. As aulas contextualizam o mundo, enquanto escrevemos sobre parte dele.

Da sala de aula, da rua, do parque, do Metrô, de todo lugar, encaramos a responsabilidade de escrever a história do presente. E o texto? “Revise, revise, revise!” e “Leia, leia, leia”, aconselha Francisco Ornellas, o Chico, coordenador do curso. “E, na dúvida, não escreva”, recomenda.

Em tempo: ter um prévio contato com o Manual de Redação e Estilo de O Estado de S. Paulo, de Eduardo Martins, ajuda muito quem tem interesse pelo curso. Estar por dentro das normas pode evitar os famosos “erros relativos” dos primeiros textos.

Andréa Carneiro, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp)

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