Olha só este videozinho que preparamos com alguns momentos da nossa formatura e do curso!
A manhã começou democrática. Os braços estendidos somados em maior quantidade apontavam a escolha do representante que levaria ao editor-chefe do Estadão, Roberto Gazzi, as três opções de temas que tínhamos para o suplemento dos focas, que saiu no sábado, 11.
Com um segundo turno apertado, ganhei a responsabilidade de representar os colegas e vender nossas ideias para o editor. Eu tinha em mãos um mês de trabalho que começou com 30 temas e depois foi filtrado para seis que passaram por um cuidadoso processo de desenho de pautas e estudo de viabilidade. Por fim, fechamos os três favoritos em mais uma eleição.
Para “vender” o caderno, isto é, convencer o editor que nosso mês de trabalho tinha resultado em três opções interessantes de temas, resolvi ouvir os representantes dos grupos e pegar as melhores ideias, as pautas mais fortes, tudo o que podia contribuir para a “venda” do produto.
Por um momento, me senti como os representantes de vendas de plano de saúde: eu tinha pacotes diferentes para o cliente e a obrigação de que ele comprasse pelo menos uma das opções de planos. Para a missão, fomos eu e a repórter-professora Carla Miranda.
Fomos recebidas na sala de vidro por Gazzi e seus óculos de massa em estilo Woody Allen. A caneta balançando e os olhos para cima demonstravam certa preocupação de Gazzi com os temas apresentados.
- “Bastidores de São Paulo”, apresentei.
- Acabamos de dar um especial parecido no aniversário da cidade, replicou Gazzi.
- “Tempo do paulistano”.
- Muito interessante, mas sem um especialista medindo o valor do tempo, vai ser um caderno de achismo.
- “Subterrâneo de São Paulo”?
- Pouco criativo.
- É… pensamos em mostrar para o público como funcionam as coisas debaixo da terra e que as pessoas não sabem. Tipo para onde vai a água do bueiro. Meu pai mesmo sempre pergunta o que vai acontecer com o subsolo brasileiro quando retirarem o pré-sal.
- Isso!, disse Gazzi. O caderno vai ser esse! Vamos puxar esse caderno nessa ideia do pré-sal e o que as pessoas não sabem do subterrâneo.
Sai feliz com a escolha de um dos temas e aprendi a lição: cuidado ao citar seu pai em uma reunião de pauta. Ele pode ter te pautado e você nem percebeu.
Confira o suplemento dos focas
Flávia Maia, de 23 anos, é formada Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)
Por Mariana Congo, em nome da 21ª turma de focas
“A hora do encontro é, também, de despedida”. A frase, da música de Milton Nascimento e Fernando Brant, é doce cantada na voz de Maria Rita. Mas diz de uma realidade nossa: no dia 1º de setembro, já sabíamos que o curso acabaria depois de cem dias.

A sexta-feira 10 de dezembro chegou intensa e rapidamente. Antes, cada um dos focas entendeu na pele o que significa dedicação total. Muitos largaram emprego ou estágio. Deixaram família, amigos e amores em outras cidades ou mesmo em São Paulo. Conciliaram o estresse das monografias com o curso do Estado.
Por que fazer esses sacrifícios? Respostas pipocam da ponta de nossas línguas: pelo salário satisfação, que dinheiro não compra; pelo poder de fazer escolhas profissionais, hoje e no futuro. Para aprender, melhorar, conhecer.
As lições na sala de treinamento, na redação e na rua nos fizeram mais apaixonados pelo jornalismo. Agradecemos aos nossos professores, à coordenação do curso, ao Grupo Estado e a todos que dispuseram de seu tempo e fizeram parte do nosso caminho – registrado aqui, no Em Foca.
O blog estreou dia 6 de outubro. Desde então, foi nosso espaço para falar, e falar, e falar, em texto, foto e vídeo. Mas não fala pura, foram embasadas, fruto de reflexão. Das questões práticas às filosóficas, das bolachas aos biscoitos. Na figura de Carlos Lordelo (foca de 2009 e hoje repórter do Estadão.edu), agradecemos a quem colocou o blog em funcionamento.
Leitores, o obrigado também a vocês. Cada comentário representou motivação para repensar nossos textos e conteúdos. Depois do curso, sabemos mais do que nunca: humildade é característica fundamental do bom jornalista. Ela nos faz crescer e questionar.
Em 2011 chegarão novos focas, ávidos por preencher os espaços que o Estadão abre ano a ano: neste 2010, a novidade foi o blog. E, para nós – já quase “velhos focas de 2010” -, uma pergunta: para onde ir? O sonho do curso do Estado, realizado, dará lugar a novos. As saudades são prévias e a felicidade é presente por termos formado uma família.
Diante de uma folha em branco, temos o desafio repetido em todos os momentos anteriores a escrita de um texto. A diferença é que esse texto tem muito corpo e muita cor: é nosso futuro. “Chegar e partir são só dois lados da mesma viagem”, diz a música. É a vida.
PS: O curso acabou, mas o blog não. Amanhã, você confere aqui os melhores momentos da nossa formatura. Na segunda, começamos a falar sobre os bastidores da apuração do nosso suplemento, publicado hoje no Estadão. Continue a nos seguir, a comentar, a participar. Muito obrigado!
A luz trêmula da lâmpada com defeito incomoda o olhar mais atencioso. Pendurados por arames, um chicote e uma forca dão boas-vindas aos visitantes da sala dos focas, no primeiro mezanino do prédio do Grupo Estado. Próximo aos instrumentos de tortura e adorno, riscos a caneta mostram que está acabando.
O cavalete que há três semanas sustentava uma folha em branco virou calendário do fim do curso. Ontem tivemos uma última conversa com o coordenador, Chico Ornellas, e fechamos o suplemento. O deadline, como nos últimos três meses e dez dias, foi às 23h59min.
Criamos uma relação de amor e dependência com o curso e a rotina puxada. No Curso Estado de Jornalismo, os “prisioneiros” não querem ser soltos. Relutam em dizer adeus.
Vivemos desde setembro rotinas de 10, 12, 14 horas por dia nas dependências do Grupo Estado. E gostaríamos que fossem mais. Se tivessem camas por aqui, com certeza alguns fariam do primeiro mezanino a sua casa.
Os dias rabiscados com caneta preta mostram o que parece difícil acreditar: realmente acabou. O calendário que projetava a intensidade que seriam esses últimos dias de curso agora tem só um dia em branco, onde pode-se ler “formatura”. Este dia é hoje.
Quando esse texto for publicado no Em Foca as rotativas provavelmente estarão imprimindo os exemplares do suplemento que será distribuído com o Estadão de amanhã. Em poucas horas, receberemos nossos certificados no auditório em frente à sala dos focas. E é isso.
Espero que os leitores do Em Foca, que nos acompanharam nesses meses, sintam-se parte do suplemento que produzimos ao pegarem o jornal de amanhã. Porque, com certeza. são!
Lucas Sampaio, de 25 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
O curso está no fim, mas, para nós, é apenas o começo. Há muita coisa para fazer. Especialmente, há muito para ler. Uma certeza que fica deste período é a importância da leitura na vida do jornalista. Por isso, já pensando no pequeno tempo que teremos durante as festas de fim de ano, fui conversar com o editor do suplemento Sabático, Rinaldo Gama, sobre literatura e dicas de livros para jornalistas.
O papo, que durou mais de uma hora, foi entrecortado por citações. “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”, recitou Gama. “Muito lindo”, disse, com os olhos brilhando. “É um dos melhores lides da literatura”, concluiu, sobre a frase de abertura do livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez.
Para o editor, o jornalista precisa ler sobre temas relacionados à sua cobertura diária e sobre assuntos fora da sua área. “Se você lê sempre as mesmas coisas, acaba se alimentando do seu próprio universo. Isso é muito danoso, especialmente para um jornalista, que deve saber lidar com a realidade como um todo”, diz.
Além disso, Gama explica que é a leitura que permite sofisticar a escrita. “Para além das 12 linhas, temos que levar o leitor pela mão. Só quem nos ensina esse manejo é a literatura”, argumenta. Neste momento, Gama recita outro lide clássico, o de Franz Kafka, em A Metamorfose, e continua: “Ler é uma forma de escrita. Mesmo que você não analise o texto tecnicamente, você absorve estilos e estruturas que pode usar depois, sem nunca saber de onde veio.”
E como se eu já não estivesse convencida, disse ainda que acredita na valorização do jornalismo literário. Segundo ele, haveria duas propostas diferentes e necessárias de trabalho jornalístico. Uma estaria baseada na informação instantânea, 24 horas. A outra, no conteúdo aprofundado, contado com estilo, mais reflexivo e de maior investigação. “Na contramão deste jornalismo de pílula, pode ser que o literário ganhe mais espaço. Porque eu não acredito que o ser humano seja capaz de lidar sempre com a realidade só enquanto ela acontece. Precisamos do distanciamento.”
Durante a conversa, Gama recomendou:
- Os Sertões, de Euclides da Cunha. “Porque partiu de uma reportagem e é o retrato do Brasil, com suas dicotomias.”
- Do jornalismo literário, A Sangue Frio, de Truman Capote, e Operação Massacre, do argentino Rodolfo Walsh, considerado modelo do new journalism. Este último, “um primor de bem escrito”, comentou Gama. Ele também indicou outros títulos da Coleção Jornalismo Literário, da Companhia das Letras, como Vultos da República – Os melhores perfis políticos da revista piauí. Para entender o fenômeno literário, apontou o livro A turma que não escrevia direito, de Marc Weingarten.
- Crônica de uma Morte Anunciada, de Gabriel García Márquez. “Você sabe desde o início que o homem vai morrer. É o estilo que te faz ler o livro.”
- Ensaio sobre a Cegueira e O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago. Sobre o último, disse: “É a história mais famosa do mundo, mas é a forma como ela é contada que faz diferença”.
- João Ubaldo Ribeiro e Lygia Fagundes Teles. De Clarice Lispector, Laços de Família e A Hora da Estrela. E Machado de Assis? “Leia tudo. Gosto muito de Missa do Galo e A Cartomante.”
- Fernando Pessoa, especialmente O Guardador de Rebanhos, do heterônimo Alberto Caeiro. “Pessoa é o poeta mais extraordinário e surpreendente da língua portuguesa. Talvez da literatura ocidental.”
- O Engenheiro e A Educação pela Pedra, de João Cabral de Melo Neto. “Para aprender a escrever sobre temas dramáticos sem ser meloso.”
Suspiro. “Nossa, tanta coisa boa para ler e tão pouco tempo.” Não conto para ele, mas a minha visão do paraíso é uma biblioteca infinita e a eternidade para ler. Quase adivinhando meus pensamentos, Gama me orienta: “a vida é curta para ler livros ruins”. É verdade. Os bons merecem todo o tempo do mundo.
Marina Estarque, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Ser a foca 30 tem algumas desvantagens. Durante o curso, na maioria das vezes, fui a última a ter o texto corrigido, sugerir uma pauta ou apresentar um trabalho. Só às vezes algum professor decidia começar as atividades pelo último número (e me pegava desprevenida). Geralmente, também fui a última a ter os posts publicados neste blog e ficava tentando achar um assunto que ainda não tivesse sido abordado por nenhum dos outros 29 focas.
Até agora não tinha me importado muito com isso, mas nesse último texto foi diferente. Já sabia desde o começo da última rodada de posts que o assunto do qual queria falar seria o mesmo sobre o qual alguns focas já teriam escrito. E que, apesar disso, não teria como fugir dele.
Na próxima segunda-feira não terei que acordar cedo. Não vou enfrentar o trânsito de São Paulo durante uma hora para chegar ao jornal. Não vou voltar para casa 12 horas depois morrendo de cansaço. Vou descansar, almoçar com calma, ir ao cinema. E ser um pouquinho menos feliz. Sem a companhia dos outros focas, como fazer para essas 12 horas passarem como se fossem apenas uma?
Ao longo do curso, tive a oportunidade de aprender com ótimos professores e jornalistas. Foram conversas com editores, chefes de redação e repórteres extremamente talentosos, todos com contribuições valiosas para um jornalista recém-formado. Mas, hoje, meu agradecimento especial vai para aqueles 29 jornalistas que ainda estão apenas começando e mesmo com a pouca experiência também souberam dar suas aulas: de companheirismo, de bom humor, de equilíbrio, para saber dosar as brincadeiras com os momentos de seriedade. E de jornalismo também. Foi um verdadeiro privilégio conviver diariamente com pessoas tão talentosas, que com certeza terão um caminho de muito sucesso pela frente. A todos eles, meu muito obrigada.
Vanessa Corrêa, de 26 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP)
Deu até vontade de voltar para casa e vasculhar o conteúdo da quarta gaveta da minha escrivaninha. A conversa com o coordenador do Arquivo do Estado, Edmundo Leite, me fez pensar no meu mini-museu. Lá estão algumas fotos, bilhetes trocados na época do colégio, coração de papel, flor de guardanapo, cartas (de 2001!) que recebi de amigas que estavam fora do País, entre outras lembranças. São pedacinhos da minha história, parte de um arquivo pessoal. Itens que podem ser resgatados a qualquer momento, caso eu queira exercitar minha memória. Exercício este que, no universo jornalístico, tem tudo a ver com boas histórias — como nos ensinou Edmundo.
Veja como ele conseguiu tirar do passado três assuntos e conectá-los ao presente:
Memórias do bunker: Glauco e Henfil
No dia da morte de Glauco (12 de março de 2010), Edmundo fala da influência de Henfil na vida do cartunista e do período em que viveram, sob o mesmo teto, com Angeli e Laerte. O texto fica rico com o uso de cartuns, trechos da biografia e detalhes que não foram mencionados em nenhum veículo naquele dia. Para escrevê-lo, Edmundo foi para casa, onde havia material bom sobre o cartunista. O post ficou pronto em cinco horas.
As insanidades de Lula
Em março de 2010, ao visitar Cuba, Lula questiona a greve de fome de um opositor político cubano. Edmundo aproveita o assunto para contextualizar a posição do presidente em relação ao tema, a partir de matérias antigas. “(…) o próprio presidente Lula se antecipou às objeções de que já utilizou esse recurso quando lutava contra a ditadura militar brasileira e classificou a sua antiga atitude de recorrer ao jejum para protestar como ‘insanidade’”.
Uma curiosa revista argentina
Depois de viagem à Argentina, surge a ideia de um post que combinasse revista para maconheiros (THC) e a prisão de Rita Lee e Gilberto Gil por porte de maconha, contada pelo Jornal da Tarde (vale a pena ver o antológico vídeo do julgamento de Gil).
Exemplos simples, com boas sacadas, inspirados em puro arquivo. Passeio pela memória. “É preciso sair da nostalgia, pessoal”, aconselha Edmundo. “Comecem a criar um acervo próprio.”
No meu, ainda sem muito material jornalístico, os itens da foto serão provavelmente os próximos a serem arquivados (lembranças do curso). Mas um acervo mais profissional (com matérias e fotos interessantes encontradas por aí) eu começo a construir agora, depois das preciosas dicas de um apaixonado por memória.
Nayara Fraga Sampaio, de 24 anos, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas)
Era 1º de setembro e 30 jovens jornalistas entravam na sala em que passariam boa parte dos seus dias nos próximos três meses. Quase todos os rostos eram desconhecidos, um ou outro colega de sala, de corredor de faculdade, mas, no geral, um bando de estranhos. E naquela semana aprenderíamos sobre como, com esforço, poderíamos ter uma carreira tão promissora quanto boa parte dos mais de 600 ex-focas do Estadão.
Com dez dias escrevíamos a nossa primeira matéria para o professor Luiz Carlos Ramos, já éramos a foto da 21ª turma e começávamos a decorar os nomes uns dos outros. E já podíamos nos considerar colegas.
Em 1º de outubro, a língua portuguesa e a filosofia já tinham sido aprofundadas. Conversamos com jornalistas mais experientes, um deles, ministro. As aulas de como se portar em ambientes formais também tinha ficado pra trás. Começávamos a passar pelas primeiras editorias. Pessoalmente, nos conhecíamos um pouco mais, brincávamos com nossos sotaques e queríamos saber um pouco mais das trajetórias dos nossos colegas.
Duas semanas depois éramos muito diferentes. O espanhol Paco Sánchez, que desembarcou na sala dos focas, nos ensinaria tanto sobre jornalismo que, dali em diante, tínhamos a certeza de que sairíamos profissionais muito melhores do que quando entramos. Os perfis que fizemos uns dos outros traziam para mais perto mesmo aqueles que estavam sentados mais distantes. E o Em Foca nascia, com, ironicamente, uma reflexão do que havíamos passado até ali.
Novembro começava deixando para trás as experiências de dois turnos das eleições, o contato com boa parte do alto escalão do Grupo Estado e uma viagem para o Rio Grande do Sul. Olhando o tempo que passou, creio que foi lá, em Santa Cruz do Sul, que os laços se estreitaram por completo. Nas viagens de avião, de ônibus, nos restaurantes, no hotel, foram 72 horas unidos, quase inseparáveis. E ali víamos 30 amigos aproveitando as oportunidades que a vida lhes havia dado.
Ao longo de novembro, nossa rotina mudaria completamente. Era hora de montar nosso suplemento. Para isso conheceríamos a fundo (literalmente) a cidade de São Paulo, uma experiência nova não apenas para os “estrangeiros”, mas também para os que vivem na metrópole. Enquanto isso, começávamos a aprender um pouco mais de política e economia. E reclamávamos de como o tempo havia passado tão rápido.
Quando chega dezembro, retornamos da Argentina com aquele sentimento de fim de festa. Faltam dez, nove, oito dias… “Meu Deus, acaba esta semana!” E queremos ficar mais perto, passar mais tempo juntos. Somos uma família – meio estranha, é verdade, já que não há mais velhos ou mais novos – em que todo mundo ri, chora, discute e se abraça numa comunhão que nunca imaginei que pudesse se efetivar em 90 e poucos dias.
É hora de pensar no futuro. De cada um escolher seu caminho. Sozinho. O ciclo, infelizmente, se fecha. Mas adianto aos focas que virão no ano que vem: nada vai te enriquecer mais nestes meses do que os outros 29 focas. Não perca eles de vista. Nunca.
Rodrigo Rocha, de 24 anos, cursa o último semestre de Jornalismo na Universidade de São Paulo (USP)
Sexta-feira acaba. Depois de mais de três meses convivendo diariamente, o dia inteiro, com 29 brilhantes jornalistas, hora de se acostumar à ausência deles.
Vim para São Paulo com receio. Pensava que, com tantas pessoas buscando o mesmo objetivo – crescimento profissional e, quem sabe, uma vaga no Grupo Estado –, a competição seria um empecilho que fatalmente surgiria para romper com a harmonia do grupo.
Estava errado.
A semelhança no que buscávamos tornou-se o principal elo, e a diversidade, nosso “champignon”, como diria Wilson Simonal.
Sexta-feira acaba. Sim, tudo será diferente. Mas, como certa vez disse a um dos integrantes desta “Família Foca”, diferente não significa pior. Agora, crescidos e mais preparados – e sempre ainda com muito a aprender –, voltamos ao “mundo real” em busca de novas realizações, porém, com uma diferença em relação a 1º de setembro: 29 companheiros para a vida toda.
Pensando bem, sexta-feira começa.
Tiago Rogero, de 22 anos, é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário Newton Paiva, de Belo Horizonte
Quando entrei no curso, em setembro, não levei muito a sério o coordenador, Chico Ornellas, que nos disse que viveríamos aquilo 24 horas por dia sem fim de semana. Afinal, era um ótimo curso, mas cursos são cursos. Passam. Agora, três, cinco meses depois… faz quanto tempo mesmo que estamos aqui?
A roda dos dias entrou em um paradoxo que conseguia fazê-los passar ao mesmo tempo devagar para serem sentidos como semanas e absurdamente rápidos, impossíveis de conter, como se entre as 8h do início da aula e as 23h59 da entrega das matérias não houvesse mais que duas horas. Em meio a isso, palestras históricas, outras comuns, amigos de infância recém apresentados, a famigerada redação e o fim abanando de longe, preferencialmente longe.
Agora, sem aviso, ou talvez com avisos que evitamos escutar, o dia 10 se aproxima, e com ele o fim. Porque cursos são cursos e passam. Mas poucos são capazes de transformar três meses em tanto tempo. Fomos estranhos, fomos focas, fomos amigos, viramos uma família. E que a roda gire novamente e possamos nos encontrar por aí, com sorte, exercendo o que nos trouxe de longe e de perto até aqui: o jornalismo.
Paula Bianca Bianchi, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
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