Os focas de 2010. Foto: Robson Fernandes/AE
Depois de cem dias tomados por aulas, palestras, viagens, exercícios e passagens pelas editorias do Grupo Estado, o desafio que surge no horizonte dos focas recém-graduados no 22° Curso Intensivo de Jornalismo agora é outro: a entrada no disputado mercado de trabalho jornalístico.
Para encará-lo, muitos contam com a visibilidade dos currículos cadastrados no banco de talentos do Estadão e a possibilidade de ingressar no “Foco nos Focas”, programa que seleciona os melhores colocados no ranking do Curso para estagiar por um ano em alguma das editorias da empresa.
“A maioria dos participantes tem interesse no impresso e, mais especificamente, no Estadão”, comenta Denise de Almeida, gerente de Recursos Humanos do Grupo Estado. Segundo ela, a quantidade de vagas abertas anualmente varia de acordo com a verba disponível para o programa – em 2011, por exemplo, houve quatro vagas. “O índice de efetivação dos estagiários é muito alto e os veículos que mais contratam são o Jornal da Tarde, o Portal e, no Estado de S.Paulo, o caderno Metrópole e o guia Divirta-se”, conclui.
Helen Miyahira, consultora de RH do Grupo Estado, adianta que no próximo ano o Foco nos Focas deve começar no primeiro trimestre e manter provavelmente o número de quatro participantes. Enquanto a convocação não chega, vale conferir a trajetória dos focas do 21º Curso Intensivo de Jornalismo neste ano que chega ao fim. E que venham os novos focas.
Amanda Agutuli, 26 anos – Colocou em dia a leitura atrasada e fez aulas de Cool Hunting e Business English enquanto procurava emprego. Depois de alguns trabalhos como freelancer até julho, tornou-se repórter do núcleo de Gastronomia, Arte, Decoração e Mulher da CasaDois Editora.
Amon Borges, 24 anos – Resolveu viajar e descansar um pouco após os cem dias do Curso Focas. Em meados de janeiro, começou a fazer freelances por alguns meses até ser chamado pela Folha de S.Paulo, em maio, para trabalhar no Guia Folha, no qual escreve atualmente.
Bernardo Barbosa, 23 anos – De volta à cidade natal, o carioca teve uma curta passagem como freelancer pelo periódico Expresso antes de começar, no meio de fevereiro, a trabalhar na editoria de mídias sociais do jornal O Globo, onde permanece até hoje.
Bruna Maia, 25 anos – O início do ano foi agitado: após recarregar as energias no fim de dezembro, ela foi freelancer nas revistas Superinteressante e Playboy antes de ser chamada, ainda em janeiro, pela revista Capital Aberto para o cargo de repórter, o qual ocupa desde então.
Carolina Almeida, 23 anos – Após esperar o Foco nos Focas na cidade natal, a pernambucana retornou a São Paulo em março para uma pós-graduação em Política e Relações Internacionais na FESP-SP. Desde então, trabalhou um semestre no Portal Terra e agora é freela fixa no site da Veja.
Daniela Schmid, 24 anos – Logo em janeiro, entrou como repórter na filial do SBT em Petrópolis (RJ), sua cidade natal. Em setembro, soube por meio do foca Bernardo de uma vaga na agência de notícias espanhola Efe, onde trabalha desde setembro como editora do serviço em português.
Érica Saboya, 26 anos – Depois da formatura dos focas, aproveitou o fim do ano para terminar o seu trabalho de conclusão do curso de Jornalismo. Em julho, retornou ao Portal R7, no qual estagiara na editoria de política antes do curso do Estadão, para ser repórter de cidades.
Fábio Pupo, 22 anos – Com o final do Curso, retornou a Curitiba para ser freelancer na editoria de economia da Gazeta do Povo, onde permaneceu por um mês e meio. Em maio, retornou à capital paulista e, desde então, é repórter de infraestrutura do Valor Econômico.
Felipe Frazão, 24 anos – Após quatro anos sem férias, aproveitou o fim de ano para descansar: viajou a Belo Horizonte e ao Rio de Janeiro, onde reviu a família e cobriu o carnaval de rua pelo O Globo. Chamado pelo Foco nos Focas, voltou a São Paulo e atualmente está no caderno Metrópole, do Estadão.
Felipe Tau, 24 anos – A espera pela convocação para o programa “Foco nos Focas” terminou no dia 4 de abril para este paulistano da zona norte, que foi chamado pelo Grupo Estado para integrar a editoria geral do Jornal da Tarde, na qual é repórter desde então.
Flávia Maia, 25 anos – Voltou para Brasília e atualmente é repórter na editoria de cidades do Correio Braziliense.
Frederico “Cedê” Silva, 25 anos – Entrou em janeiro no site do Estado de Minas como repórter de Nacional e Internacional, cargo que ocupou até junho. Após uma semana de férias, retornou a São Paulo para trabalhar na editoria Planeta e atualmente escreve sobre educação no .Edu.
Guilherme Waltenberg, 27 anos – Foi repórter de economia na revista Executivos Financeiros entre março e maio, quando foi chamado pelo Grupo Estado para entrar na equipe do Jornal do Carro, suplemento publicado às quartas-feiras com o JT, da qual faz parte atualmente.
Gustavo Coltri, 26 anos – No mês de abril, foi contratado como produtor de pesquisa do programa “E aí, Doutor”, da TV Record. Em maio, porém, aceitou a vaga oferecida pelo Grupo Estado de repórter nos Classificados do Estadão, onde está atualmente.
Gustavo Antonio, 23 anos – Conciliando o cursinho com a redação de esportes do Portal Terra desde abril, o vestibulando decidiu em outubro se dedicar inteiramente aos estudos para ingressar na faculdade de Direito, a qual pretende conciliar com o Jornalismo em 2012.
Gustavo Aleixo, 25 anos – No fim de janeiro, o mineiro de Belo Horizonte foi aprovado nos testes de admissão da rádio Estadão/ESPN, na qual está trabalhando como editor e fechador do programa “Estadão no Ar”, transmitido diariamente das 6h às 10h.
Gustavo Ferreira, 25 anos – No último dia do Curso, foi chamado como fechador freelancer na editoria de opinião do Estadão, na qual esteve por três meses. Pouco depois, entrou numa vaga recém-aberta de repórter na coluna do Celso Ming, no caderno de Economia, onde está atualmente.
Henrique Bolgue, 29 anos – O paulista voltou a Brasília, onde mora há quinze anos, para finalizar seu trabalho de conclusão do curso de Audiovisual. Desde março, escreve para o portal da UnB, no qual faz matérias diárias e contribui para a revista científica Darcy.
Ivan Martínez, 22 anos – Passou pela revista Capital Aberto antes de entrar na Record, onde foi produtor do programa “E aí, Doutor?” e, desde outubro, é redator de um talk show com estreia prevista para dezembro. Paralelamente, atua na comunicação interna do Colégio Dante Alighieri.
Lucas Sampaio, 26 anos – Pediu demissão do antigo emprego em Santa Catarina e passou alguns meses em Taubaté, a sua cidade natal, até ser aprovado no Programa de Treinamento da Folha de S.Paulo, em março, empresa na qual trabalha desde então.
Mariana Congo, 24 anos – Novamente em Belo Horizonte, fez alguns freelas na cidade antes de retornar a São Paulo, em março, onde está trabalhando como repórter na revista Consumidor Moderno. Nesse meio tempo, continuou fazendo freelas em revistas e sites.
Marina Estarque, 24 anos – Morou alguns meses em Nova York como voluntária na Rádio da ONU em português antes de voltar ao Estadão, onde trabalhou como freelancer entre junho e outubro. No momento, faz mestrado em edição jornalística na Espanha.
Nayara Fraga, 25 anos – Trabalhou como freelancer em revistas de arquitetura, decoração e mercado de capitais antes de entrar na editoria de economia & negócios do site do Estadão, na qual cobre tecnologia, escreve para o blog Radar Tecnológico e faz matérias especiais.
Paula Bianca Bianchi, 24 anos – A gaúcha voltou ao Rio de Janeiro, onde trabalhava antes do curso Focas, para ser freelancer no jornal Extra. Nele escreveu sobre delegacias e morros até junho, quando entrou na sucursal carioca da Folha de S.Paulo, da qual é atualmente freela fixa.
Ramon Vitral, 25 anos – Após o fim de ano em Juiz de Fora (MG), sua cidade natal, voltou a São Paulo e fez uns freelas no site Scream & Yell até ser chamado pelo Estadão, em março, para trabalhar no guia Divirta-se, suplemento semanal publicado às sextas no qual escreve atualmente.
Ricardo Santos, 23 anos – O paulistano esperou a resposta do Foco nos Focas até o fim do prazo estimado para a convocação, no fim de janeiro. Como não recebeu o contato, saiu em busca de emprego e arrumou uma vaga de redator no Portal Terra, onde está desde fevereiro.
Rodrigo Rocha, 25 anos – Foram meses enviando currículos até ser avisado pelo ex- foca Gustavo Antonio de uma vaga aberta na editoria de esportes do Portal Terra, na qual entrou em maio. Em setembro, mudou-se para o portal F5 como freelancer fixo, cargo que ocupa até hoje.
Tiago Rogero, 23 anos – No fim de dezembro, voltou à Band News FM de Belo Horizonte, onde já estivera como repórter antes do Curso Focas. Em março, contudo, aceitou um convite do Estadão para trabalhar na sucursal do Rio de Janeiro, onde mora e trabalha desde então.
Vanessa Corrêa, 27 anos – Começou a procurar trabalho em janeiro, após as férias de fim de ano. Ela teve uma passagem de um mês pela Rede TV antes de ingressar na equipe do jornal Folha de S.Paulo, onde trabalhou como repórter na editoria de Turismo de abril a novembro.
Obs: Até o momento não foi possível falar com a ex-foca Andréa Carneiro (Foca 03), que não retornou os contatos do blog ao longo desta semana.
Luiz Betti, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e cursa Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP)
A popularização das minivans no mercado automotivo, impulsionada em grande parte pelo público feminino no início dos anos 2000, deixou claro que as mulheres não só eram potenciais consumidores como também poderiam ditar tendências no setor – haja visto a proliferação nos últimos anos de modelos compactos, repletos de porta-objetos, com espaço interno otimizado e posição de dirigir elevada. Atualmente presentes em cargos executivos, linhas de produção, concessionárias e pesquisas de comportamento, elas se destacam também nas redações jornalísticas de carros.
Formada na Universidade Católica de Santos (UniSantos), a jornalista Milene Rios escreve sobre o assunto há mais de três anos e já trabalhou nos portais Zap e G1 antes de ingressar no Jornal do Carro, onde permaneceu até o início deste mês, quando passou a integrar a equipe de produção do programa Auto Esporte, da Rede Globo. Em sua última semana no Grupo Estado, ela conversou com o Em Foca sobre o momento atual da indústria automotiva na entrevista a seguir.
Quando você começou a gostar de carros?
Foi quando eu terminei a faculdade e passei a trabalhar com o tema pela primeira vez. Antes disso eu não me interessava muito por carros, tanto que fui a última entre os meus amigos a tirar a carteira de motorista, aos vinte anos.
Como é escrever para um público em sua maioria masculino?
Eu pensei que receberia críticas machistas dos leitores, mas isso não ocorreu. Eles leem o meu trabalho sem se importar se eu sou homem ou mulher, e isso é bem bacana.
Você já sofreu algum tipo de preconceito no meio automotivo?
Na verdade a maior repulsa é dentro do próprio setor, dos jornalistas que estão há mais tempo na área e olham torto para as mulheres do segmento. Entre os mais novos isso não ocorre. Aliás, todos os meus editores e a maioria dos meus colegas de trabalho foram homens e a relação sempre foi muito boa. É claro que, independentemente do sexo, sempre tem aqueles que trabalham e os que vão desfilar. Nós acabamos ficando um pouco queimadas pelas exceções.
Dizem que o brasileiro, quando troca de carro, privilegia design em detrimento de atributos como espaço interno e custo-benefício, por exemplo. Contanto, as vendas de veículos cujos desenhos são pouco elogiados – como o Renault Logan e o Fiat Mille, por exemplo – mostram o contrário. Quais são as características que você considera mais importante nos testes e comparativos?
Eu tenho de ser o mais imparcial possível e levar em consideração todos os itens do carro, até porque um deles pode ser crucial para a sua vitória ou derrota no comparativo. Claro que nem sempre o vencedor é o modelo que você escolheria, mas ele acaba ganhando por ter qualidades que a concorrência não possui. Se for colocar na ponta do lápis, X é melhor. Mas, cá pra nós, eu ficaria com Y. É difícil não se deixar emocionar pelos carros, há alguns em que é praticamente impossível achar defeitos, mas aí tem de colocar o pé no chão.
Quando eu dirigi o Mercedes-Benz SLS AMG, observei que a porta em formato asa de gaivota não era funcional para mim, que tenho 1,70 metros de altura e, sentada no banco do motorista, não conseguia alcançar a maçaneta da porta - eu precisei sair um pouco do assento, pegar a porta e puxá-la. Então sempre há alguma falha, mesmo nos melhores carros. Esse é o nosso trabalho, tentar identificar tudo que o veículo tem de positivo e negativo.
Então o carro vencedor do comparativo não é necessariamente aquele que o jornalista escolheria comprar?
Exatamente. Por isso há um espaço no JC para nós escrevermos a nossa opinião. Nos textos, a avaliação segue um conceito de avaliar todos os pontos, até aqueles que as pessoas geralmente não consideram muito relevante, como manutenção, seguro e pacote de peças. Esses três itens, por sinal, já decidiram muitos comparativos.
Há empate nos comparativos?
Empate não existe. Nem que seja por um ponto, um modelo deve ser superior ao outro, pois os carros são diferentes.
Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), houve uma queda de 41,2% na venda de carros importados em outubro em relação ao mês anterior. Qual é a sua opinião sobre o aumento do IPI nesses modelos adotado pelo governo federal a partir de dezembro?
Eu achei uma medida protecionista e que devia ter sido pensada de outra forma, incentivando as indústrias que atuam e apostam no País e diminuindo os impostos, como foi a redução do IPI em 2008. O mercado nacional mudou bastante desde a abertura para os importados, que além de trazer inovações tecnológicas, aumentaram a concorrência entre as empresas. As montadoras chinesas são um bom exemplo: elas ainda precisam melhorar, mas têm muitos recursos e estão dispostas a investir por aqui. Antes da chegada delas não havia carros com freios ABS e airbag duplo por menos de R$ 40 mil, aí elas oferecem isso e a maioria das marcas reposiciona os seus preços. Quem ganha com isso é o consumidor, sobretudo em tecnologia e segurança.
No Brasil, a questão do status social é bastante acentuada na hora de escolher um veículo. Por que isso ocorre?
Porque nosso mercado é emergente. Nós viajamos ao exterior e vemos como as coisas são baratas, como é possível comprar um relógio de marca, uma roupa de grife… O CrossFox aqui custa o preço de um Passat lá fora, é um absurdo. Nós pagamos muitos impostos, quando temos a oportunidade de comprar algo nos sentimos muito bem, pois tudo é muito suado e, felizmente ou infelizmente, vivemos no Brasil.
As montadoras vêm investindo na criação de motores menores e, ao mesmo tempo, mais potentes, econômicos e sustentáveis. Pode-se dizer que tais investimentos são uma resistência aos propulsores elétricos ou, na verdade, um passo em direção a eles?
Eu acho que os propulsores à combustão ainda tem muito a evoluir e os elétricos estão distantes não apenas de nós, mas do mundo inteiro, pois a sua implantação exigirá recursos altíssimos em postos de recarga, baterias e estrutura. Por isso a popularização deles ainda vai demandar algum tempo. Por outro lado, os motores híbridos, que combinam eletricidade e combustão, parecem estar mais próximos da nossa realidade.
Nossos modelos de entrada prescindem de itens básicos de segurança como hodômetro e limpador do vidro traseiro em suas configurações mais básicas. No balanço geral, a maior variedade de opções nesse segmento veio acompanhada de um aumento na qualidade dos carros oferecidos ao consumidor?
De fato os modelos de entrada pecam em qualidade. Há exemplos em que o comando manual interno de ajuste do retrovisor é opcional, ou seja, a pessoa tem de abaixar o vidro e colocar o dedão no espelho para regular. Não dá pra acreditar, pois eu estou falando do Fiat Uno, um carro que chegou todo moderninho e vem “pelado” assim. Eu não sei se a indústria nos fez assim ou apenas se adaptou às nossas atitudes, ou talvez um mix dos dois.
O consumidor brasileiro prioriza o preço, mas deveria ponderar a relação custo-benefício. Esse é o maior apelo das montadoras chinesas e coreanas, cujo crescimento em nosso mercado pode fazer com que a gente comece a repensar sobre as tranqueiras que devemos aceitar e as melhorias que podemos exigir. Acredito que o nosso comportamento mudará bastante após a entrada desses carros aqui.
O preço dos carros novos é bastante elástico no Brasil. Modelos com alta procura às vezes são vendidos com ágio antes mesmo do seu lançamento e, por outro lado, carros com baixa procura são reposicionados para uma categoria inferior. Isso ocorre somente por aqui ou também em outros países?
Em nosso mercado ocorre algo peculiar: os modelos antigos convivem com as suas versões atualizadas. O Hyundai Tucson é um exemplo: a sua produção parou no exterior e só continua aqui, em Goiás. A nova geração do modelo, que deveria ser homônima – assim como no resto do mundo -, ganhou por aqui o nome de Ix35 e foi reposicionada em uma faixa de preço superior. Eu poderia citar também o Ford Fiesta, que convive com o New Fiesta. O Fiat Uno Mille, que nos anos 80 era apenas um carro, agora virou dois: o Mille (velho) e o Uno (novo). As montadoras continuam investindo nos carros defasados pois eles vendem – e muito – em nosso país. A Chevrolet S10 não muda há mais de 15 anos e continua sendo a picape mais vendida. É essa mentalidade que talvez a invasão dos importados comece a mudar. Eu espero que os consumidores fiquem mais exigentes com os carros que compram e com o valor que pagam.
O trânsito em São Paulo vem batendo recordes históricos nos últimos anos, sendo o maior deles em 2009, quando a CET registrou 293 quilômetros de congestionamentos (cerca de 1/3 das vias monitoradas) na capital. Em que medida o aumento das vendas de veículos é benéfico para a população levando-se em consideração a morosidade das ações políticas em favor do transporte público?
Nós, que trabalhamos com carros, não podemos ser contra eles. Mas é fato que São Paulo incentiva muito o uso de automóveis, pois não existem investimentos suficientes em transportes públicos, há limitações para fretados… Eu acho que a venda de carros vai continuar crescendo, muitas famílias compram o primeiro carro antes de adquirir a casa própria, a cultura de possuir um carro é muito forte aqui. Contudo, as pessoas devem usá-los de maneira consciente, dando carona, por exemplo. No dia mundial sem carro, eu escrevi uma matéria sobre como dirigir de forma eficiente, gastando menos combustível e poluindo menos. Quando você muda a postura ao volante, você muda muita coisa.
Luiz Betti, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e cursa Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP)
Quando entrei na faculdade de Jornalismo, imaginava que a apuração de pautas quentes - as notícias inéditas – obrigaria o jornalista a passar o dia inteiro na rua gastando sola de sapato em busca de informações para a reportagem. Logo nas primeiras experiências profissionais, contanto, percebi que a regra, ainda que estimulada no ambiente acadêmico e usada em algumas editorias impressas, não se aplicava aos portais em que estagiava, nos quais eu não precisava sair da redação para apurar as notícias diárias – elas vinham de sites estrangeiros e o meu trabalho se resumia a traduzi-las e publicá-las.
Por outro lado, eu acreditava que as pautas frias – as notícias não inéditas – seriam mais tranquilas e, até certo ponto, fáceis, uma vez que permitiam ao jornalista um maior tempo para apurar e escrever. Novamente, enganei-me. É verdade que a pauta fria concede ao jornalista mais tempo para se aprofundar sobre o tema, mas ela cobra caro por isso. Se por um lado não há a pressão de concluir a matéria no fim do dia (à exceção do fechamento), por outro a exigência de uma apuração minuciosa e um texto impecável – tanto na estética quanto no conteúdo – mostra-se bastante acentuada. Como não segue necessariamente a pirâmide invertida, a pauta fria concede ao jornalista uma maior liberdade para a construção do texto – algo que, por sua vez, desafia a sua criatividade e capacidade de inovar e sair do lugar comum.
Foi somente na primeira semana na redação do Estadão, escrevendo pequenas notas e revisando textos, que tive contato com a correria da produção das pautas quentes, ainda que eu não saísse do prédio do jornal. Estagiando na editoria de Esportes via-me pressionado pelo horário cada vez mais próximo do fechamento e, ao mesmo tempo, buscando rapidez e concisão sem me descuidar da qualidade da apuração e do texto. Na semana seguinte, estagiando na editoria de Viagem, passei quase uma semana escrevendo a minha reportagem. Naquele momento, a maior pressão que sentia não vinha do relógio, mas do conteúdo que eu estava apurando, assimilando, filtrando e produzindo. De certa forma, esse parece ser o grande desafio do jornalista do meio impresso e, sobretudo, do meio digital.
Luiz Betti, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e cursa Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP)
Na aula desta segunda-feira (26) com o professor Luiz Carlos Ramos, recebemos os exercícios corrigidos de entrevista coletiva, realizadas na semana passada com a estudante Danielle Zampolo e com o jornalista José Nêumanne Pinto.
Com os textos em mãos, Luiz Carlos apontou os acertos e erros que apareceram nas matérias. Foram discutidos o rigor na apuração, a escolha do sobrenome usado no texto – sempre aquele pelo qual o entrevistado é conhecido -, o uso correto de nomenclaturas e a utilização de verbos como “acreditar” e “pensar”, uma vez que o entrevistado pode fazer declarações
que nem sempre correspondam às suas crenças e opiniões.
Segundo Luiz Carlos, a pesquisa prévia sobre o entrevistado é condição sine qua non para uma entrevista eficiente; porém, deve-se ficar atento para não atravessá-la com assuntos externos que fujam do enfoque da pauta, o que às vezes acaba colocando o entrevistado em segundo plano. Unindo teoria à prática, seguimos aprendendo.
Luiz Betti, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e cursa Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP)
Logo quando cheguei à sede do Grupo Estado, no primeiro dia do curso, percebi que alguns focas estavam curiosos em saber quem era o sortudo que entrara na vaga aberta após a desistência de um dos aprovados. “Olha eu aqui”, respondia, abrindo um sorriso de orelha a orelha. Mal sabiam eles, na verdade, que eu sou um especialista no assunto.
No início de 2006, depois de um ano de cursinho, lá estava eu enfrentando os vestibulares. Depois de fazer a prova da Cásper Líbero e conferir o gabarito, percebi que havia sido prematuramente eliminado, já que tinha errado as cinco questões de matemática no teste de múltipla escolha – o que, automaticamente, elimina o candidato. Após alguns dias saiu a primeira lista dos aprovados na USP e, pra variar, a minha sorte não mudou.
Eu fiquei arrasado, pois todo o esforço do ano anterior parecia ter sido inútil e, naquele momento, não me restava muito além de tentar me conformar e buscar motivação para mais uma temporada de cursinho. Contudo, as coisas começaram a mudar. Na semana seguinte, recebi a notícia de que uma das questões de matemática da prova da Cásper havia sido cancelada e, logo, eu estava novamente na disputa. Eu entrei na lista de espera e fiquei nela por algumas semanas até que me ligaram oferecendo uma vaga recém-aberta. Lembro que, a essa altura, as aulas da faculdade já haviam começado há quase um mês. Na mesma semana foi a vez de meu nome aparecer ao lado dos poucos gatos pingados que entraram na terceira lista da USP, a última de meu curso naquele ano.
Voltemos a 2011. Candidatei-me ao processo seletivo do 22° Curso Estado de Jornalismo por sugestão de um amigo, Murilo Pavini, e pouco depois de fazer a prova recebi com surpresa o e-mail me convocando para a fase final. A partir daí eu percebi que tinha chances reais de ingressar no curso e, com isso, as minhas expectativas foram aumentando cada vez mais. Em excesso, na verdade. Na entrevista final, minhas mãos suavam e meu maxilar tremia, mas eu não estava com calor e tampouco com frio: era nervosismo mesmo. Depois de alguns silêncios constrangedores, deixei o prédio do Estadão com o pressentimento de que não havia passado. Estava certo: no fim da semana de entrevistas o meu nome não constava na lista dos aprovados.
- Não era a sua hora, filho – disse minha mãe, tentando me reconfortar.
- Paciência, no próximo ano você tenta de novo – endossou meu pai.
É claro que, decepcionado comigo mesmo, tais consolos não me surtiam grandes efeitos. Comecei então a procurar os “pontos negativos” do curso: a distância, o trânsito, a mudança de rotina… E assim eu tentava me resignar. Porém, depois de duas semanas eu recebi a seguinte ligação:
- Bom dia, aqui é do Estadão. Houve uma desistência no curso dos focas, você ainda tem interesse em participar?
- Eu? – perguntei, como que desacreditando no que acabara de ouvir. – Claro que sim!
- Tem certeza? O curso começa depois de amanhã…
- Tenho sim, lógico!
- Muito bem, eu lhe enviarei um e-mail explicando o processo.
Desliguei o telefone com o coração acelerado, tomado por uma sensação de euforia e orgulho semelhante àquela que senti quando passei no vestibular. Eu, que costumo agir com discrição, logo estava esmurrando o ar e gritando interjeições - pensei até em dar uma cabriola, mas aí já seria demais. Naquele momento, percebi que havia ganhado uma segunda chance, uma nova oportunidade de aproveitar ao máximo tudo o que o curso tem para me oferecer nesses três meses de aprendizado intensivo. No fim das contas, assim como nas vezes anteriores, a espera não poderia ter sido melhor recompensada.
Luiz Betti, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e cursa Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP)
2012
2011
2010