Embora o termo tenha sido consolidado entre as décadas de 60 e 70, com a geração de Gay Talese e Tom Wolfe, já nos anos 1915 a revista Vanity Fair dava mostras dessa tendência que ficou conhecida como New Journalism, ao inspirar-se em um jornalismo de atualidade feito por escritores. Anos depois, Harold Ross fundou a revista que é a principal referência em jornalismo literário até hoje: The New Yorker. A fórmula editorial, que começa com textos curtos, passa por reportagens longas e literárias, apresenta ao menos um texto de ficção e é ilustrada somente com cartoons, é a mesma desde os anos 30 até hoje. A consolidação desse gênero e suas características principais foram o tema da palestra de João Gabriel de Lima, diretor de redação da revista Bravo!, a que alguns focas foram assistir na última terça-feira, na FAAP.
Para ele, são três os principais aspectos a serem observados nesse tipo de texto. O primeiro deles é buscar sempre a clareza. O segundo, manter a autoria. Significa dizer que o estilo de quem escreve deve ser sempre preservado, evitando-se textos padronizados. O terceiro, e mais importante, é mergulhar no assunto, com objetivo de efetivamente gerar conhecimento. Jornalismo literário é, portanto, a batalha da clareza, do estilo e do aprofundamento. Mas não é preciso necessariamente escrever textos longos para se fazer jornalismo literário. E quebrar alguns paradigmas é muito saudável, como já lembrou nosso colega Gabriel Navarro. A internet também é lugar para esse tipo de escrita. Muito mais do que ser o espaço do texto curto, a internet é o espaço do texto infinito.
Para aqueles que pretendem enveredar por esse caminho, seguem algumas sugestões de leitura feitas pelo diretor da Bravo!:
- revistas Vanity Fair, The New Yorker e Esquire. No Brasil, a Piauí
- livros clássicos do jornalismo literário:
Hiroshima, de John Hersey;
Filme, de Lillian Ross;
A Sangue Frio, de Truman Capote
- fiquem atentos aos textos de Adam Gopnik, Jon Lee Anderson, Malcom Gladwell, Sérgio Augusto, Ruy Castro, Daniela Pinheiro e Eliane Brum.
Heloisa Aruth Sturm, de 29 anos, é formada em Direito e em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP)
Os focas começaram hoje, quinta, um intensivo laboratório de escrita. Se no início do curso nos dedicamos mais às discussões de pauta e às apurações, nos últimos dias pudemos nos debruçar mais detidamente sobre o texto – melhor dizendo, sobre cada palavra. Sobre a importância do verbo, do substantivo, do adjetivo. Nesta ordem. Aprendemos a aguçar o olhar para compreender de forma mais crítica tudo o que os outros escrevem e, de tabela, o que nós mesmos escrevemos. Quem nos tem fornecido esta preciosa lupa é Paco Sánchez, diretor editorial do Grupo Voz, da Galícia (Espanha).
Em nossos encontros, assistimos entusiasmados às ideias de Paco sobre a função do jornalista: partindo do pressuposto de que comunicar é formar comunidades, o jornalista tem a importante missão de trabalhar para o bem comum, fazendo o possível para que essa comunidade seja livre. Livre, aqui, significa saber tudo o que for necessário para ter a capacidade de tomar decisões. Em última instância, trabalhar pra o bem comum é contribuir para a felicidade da comunidade a que se pertence.
Nosso trabalho, como comunicadores, é fazer com que os distintos grupos que compõem cada comunidade se conheçam e se compreendam. Devemos ser capazes de entender o mundo, o país, o local – ou seja, toda a cultura. E ele enfatiza: a cultura é um intento de dar sentido ao viver. Parafraseando Nietzsche, reforça: “O homem é capaz de suportar qualquer quê se tem um para quê“. Daí a necessidade de se ter uma formação muito especial para entender a natureza humana e, especialmente, essa nossa cultura.
Para isso, é preciso ler. “Ler muito. Ler sempre um metro de livros (deitados) por ano. Cem páginas por dia.” Nessa vida atribulada de hoje em dia, a dica dele para aproveitar o pouco tempo livre é carregar sempre um livro, para ler sempre que der. Podemos começar já, lendo alguns dos muitos textos que Paco tem nos sugerido:
- A Bíblia
- “Cartas a um jovem poeta”, de RM Rilke.
- “A arte de fazer um jornal diário”, de Ricardo Noblat
- “O homem à procura de sentido”, de Viktor Frankl
E para finalizar, um texto de Paco sobre as qualidades que todo comunicador deve ter, e que ilustra muito bem a essência do escrever: La escritura como modo de vida.
Heloisa Aruth Sturm, de 29 anos, é formada em Direito e em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP)
Comece pelo título. Isso mesmo, coloque todas as palavras-chave do seu texto bem ali, pois o título que você escolher será também a url do seu post. E é por ali que o Google vai indexar o seu blog e dar a ele maior visibilidade. Ele é muito mais importante que as tags. A próxima dica é um pouco antijornalística, mas vale muito: repita as palavras-chave no texto, especialmente nos primeiros parágrafos. Tá vendo ali nas três primeiras linhas? Google, blog, dica… Estas e outras ideias foram apresentadas para os focas no encontro que tivemos nesta quarta-feira com Margot Pavan, especialista em mídias digitais. São estratégias de otimização dos mecanismos de busca, ou Search Engine Optimization (SEO).
Margot ressaltou que, atualmente, as pessoas estão chegando aos textos muito mais por meio dos buscadores do que pelas homepages dos portais. E disse ainda que uma pesquisa da iProspect revelou que 72% das pessoas que fazem buscas na internet clicam só no 1º link. E que 88% dos internautas vão até no máximo o 3º link antes de refazer a busca. Daí a importância de se dar atenção redobradas às palavras-chave, especialmente no título. Outra boa dica é colocar palavras ou expressões principais em negrito. Elas ajudam o leitor a ter uma ideia do assunto sobre o qual você está falando, e o negrito também é valorizado pelo buscador.
Dê um cuidado especial às imagens. Nada de deixar o arquivo da foto com aquele nome bonito IMG123.jpg, pois os títulos dos arquivos também entram na ferramenta de busca. Ah, e o Google não lê Javascript, Flash, iFrames. Portanto, essas linguagens não vão melhorar o seu ranking. Crie links internos, dê links externos. A prática de linkagem é fundamental para melhorar o ranqueamento do seu site. Procure também segmentá-lo: divida o conteúdo em tópicos, crie
blocos linkados, etc. Mas nada de usar o famoso “clique aqui”. Este é o pior dos erros. O Google vai entender que a palavra importante para você é o ‘aqui’, e não o real assunto do seu link. Use, por exemplo, “clique para saber mais sobre otimização dos mecanismos de busca”.
Abuse destas ferramentas do Google: Google Analytics, Google Insights, Google Trends, Google AdWords, Google’s Related Searches. Lembre-se de que as pessoas é que lêem o que você escreve, mas elas chegam até o seu texto por meio de um robozinho, o crawler, que faz o incrível trabalho de achar as respostas certas (ou quase) para todas as suas dúvidas.
Por último e não menos importante: faça propaganda de si mesmo. Deixe a vergonha de lado e divulgue no Facebook, peça para os amigos comentarem, coloque no Twitter, ache um espaço pra por o seu link no blog dos outros. Tudo isso funciona! Estou indo fazer o teste agora mesmo.
Heloisa Aruth Sturm, de 29 anos, é formada em Direito e em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP)
Feriado de Sete de Setembro. Uma quarta-feira ensolarada, agradável e sem chuvas em São Paulo, contrariando todas as previsões do tempo. Lindo dia para passear no Parque do Ibirapuera, certo? Melhor dizendo… Lindo dia para trabalhar no Parque do Ibirapuera, não? Foi ali que corremos atrás da nossa segunda pauta. O desafio: fazer o retrato de um personagem que estivesse no parque durante o feriado, fosse ele trabalhador ou frequentador do local.
Munida de protetor solar (sim, Cecília, segui o seu conselho), saí de casa disposta a encontrar o personagem perfeito. Mas foi só chegando ao parque que percebi como os meus olhos estavam viciados. Eu buscava o pintor de retratos, o músico, o tatuador de henna, o homem-estátua, o grafiteiro, a senhorinha meditando, o vendedor de água de coco, o guarda, o skatista, o punk, o velhinho corredor… minha cabeça estava recheada de estereótipos.
Era como se, só de olhar para a pessoa, eu magicamente já soubesse como era a vida dela e simplesmente descartasse o que eu achava que seria uma história de vida comum. Em cinco minutos já tinha cometido dois pecados capitais sobre os quais Chico Ornellas tinha nos alertado logo no primeiro dia: preconceito e dedução.
Ingênua, achei que iria topar com um ou outro amigo foca enquanto estivesse lá, para dividir as minhas angústias, já que vira e mexe a gente se esbarrava nas andanças pelo centro da cidade no último sábado. Esqueci que em São Paulo não tem praia. Com aquele mar de gente, ficou difícil encontrar qualquer rosto familiar.
Felizmente, lembrei-me a tempo dessa máxima tão simples: para falar sobre qualquer assunto, é preciso perguntar. E para falar sobre qualquer pessoa, é preciso conversar. E muito. Acho que neste feriado fiz vários novos amigos.
Heloisa Aruth Sturm, de 29 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP)
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