Notei que o jovem que sai da Bahia, do Espírito Santo, do Maranhão, de Manaus, de Minas, do Rio Grande do Sul ou de Brasília é antes de tudo um aventureiro. Jovens em início de carreira que esquecem da sua qualidade de vida e partem para um futuro incerto. Muitos cortam as relações de dependência financeira dos país e acabam até tendo que passar por maus bocados. Outros, enxergam nessa independência um valor inestimável, e lidam numa boa com a falta de colchões, televisões e fogão. Sempre com muito bom humor!
Mas a rotina dessas pessoas é mais que pesada. E o olhar que eles têm da cidade, me ajudaram a sedimentar um pouco da minha visão de São Paulo. Já conhecia a cidade, em viagens anteriores, mas somente em seus feriados e finais de semana.
Da vida real, com o convívio com essa massa de trabalhadores da nova geração, só agora. Quase todos apontam a diversidade de gente, a oferta cultura e de serviços, como o que de melhor a cidade oferece. Mas o certo é que fiquei ressabiado com a resposta de uma dessas figuras que encontrei nesses dias em Sampa: “São Paulo é para usar e abusar”. Ela citava que a oferta de cursos de qualificação, vagas de emprego e formação acadêmica na cidade é inquestionavelmente sem igual.
Mesmo achando um pouco agressiva a frase resolvir apostar nela. Para os que pensam em vir para São Paulo, pensem que não faltam aventureiros em condições as mais adversas possíveis. Cada um com sua devida ambição, mas todos com a esperança de um melhoria futura. “A hora de arriscar é agora”, nunca esse clichê fez tanto sentido. E mais, incrível foi perceber que essas figuras certamente darão certo num futuro não tão longo assim. Grande Sampa: lugar de encontros e crescimento!
O suplemento anual publicado por cada uma das turmas de Focas é publicado um dia após a conclusão do Curso. Nessa 22ª edição, o caderno vai sair encartado para todo o Brasil no dia 10 de dezembro, um dia após a formatura. Por enquanto que os jovens jornalistas selecionados para esta edição estão envolvidos na produção dos textos, repassamos algumas imagens dos bons momentos informais vividos pelo grupo. Damos uma pausa nos posts habituais para um elogio ao companheirismo, à amizade e à colaboração mútua entre eles. Ingredientes mais que necessários para um bom entrosamento, inclusive, profissional.
Davi Lira de Melo, de 26 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Essa pergunta é bem recorrente para jovens jornalistas e para os profissionais com um pouco mais de experiência. O questionamento se desdobra até mesmo para quem ainda não entrou no atribulado ritmo de redação. A dúvida se concentra em dois eixos: é melhor garantir o emprego e o reconhecimento para se ter a possibilidade de aperfeiçoar-se fora país e em seguida retornar à redação (no caso de quem já trabalha), ou investir logo de cara no aperfeiçoamento profissional (e até acadêmico) e chegar com tudo no jornal diário?
Para os focas de plantão, ainda existe um outro componente para essa dúvida. Evitar uma proposta de trabalho agora em troca de uma bolsa de estudos no exterior seria perder o bonde? O time exato da colocação profissional seria logo após a saída da universidade, ou poderia haver um período de carência após a conclusão da graduação? As escolhas dependem de cada realidade. Mas independente do momento, é importante saber que existem muitas boas alternativas de bolsas, programas e cursos no exterior. Venho fazendo uma apuração desde 2009 sobre as mais interessantes opções que contemplam auxílios para jornalistas brasileiros. Cheguei até a acrescentar recentemente dois programas que desconhecia. Fiquei sabendo apenas porque os agraciados são atuais jornalistas daqui do Estadão: os ex-focas de 2007 Alexandre Gonçalves e Vitor Hugo Brandalise.
Durante a aula do dia 13 de outubro o Alexandre, Repórter de Ciência do Estadão, informou à turma de focas que foi um dos selecionados para a bolsa de Mestrado em Jornalismo nos Estados Unidos patrocinada pelo Instituto Ling. O Vitor Hugo, repórter da editoria ‘Metrópole’ que deu palestra para os focas no dia 15 de setembro sobre sua experiência profissional já está na Espanha. Ele foi selecionado pela Fundação Santiago Rey Fernandez Latorre (entidade ligada à Universidade de La Coruña e ao jornal La Voz de Galicia) com um Master em Edição Jornalística. Ficará lá por um ano. “Terminado o Master, pretendo, sim, voltar à redação. O Estadão me concedeu uma licença não-remunerada e a ideia é retornar em novembro de 2012.”
Então, não deixe de conferir, logo abaixo no mapa, 12 opções de programas, cursos e bolsas para jornalistas. Caso queira recomendar algum outro link específico: inclua nos comentários sua indicação. Não esquecendo que toda e qualquer experiência no exterior do mochilão ao curso de verão em universidades da América do Norte e Europa são mais que importantes em qualquer processo seletivo em jornalismo. Idiomas e experiências com outras culturas é algo bem presente nos integrantes dessa 22ª turma de Focas do Estadão e sempre bem recebido pelos recrutadores de plantão de mercados concorridos Brasil adentro. Seguimos!
Visualizar Cursos, programas e bolsas para jornalistas em um mapa maior
Davi Lira de Melo, de 26 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Existe um cronômetro no Curso Estado de Jornalismo. A duração é de exatos 100 dias. Com quase metade do tempo já ultrapassado, algumas palavras ficaram na mente. Aqui, a nuvem de tags se amplia. Cada palavra assume um contexto. São nas frases que o sentido de cada uma delas assume outra relevância. Nas sentenças a seguir, um pouco dessa trajetória cada vez mais reveladora e fascinante. Que as mensagens explícitas em cada uma delas possam gerar uma certa reflexão nos jornalistas de plantão que acompanham o Em Foca. E como extra: não deixem de conferir o conteúdo adicional via QR Code. Seguimos!
Diferenciar Memória de História não é tarefa fácil. Mas o sociólogo francês Maurice Halbwachs defendia uma distinção bem nítida. Para ele, a Memória – entendida como construção coletiva – só se estabelece na continuidade, e depende de um grupo social que a faça lembrar. Já a História começa quando acaba a Memória. A única forma, então, de manterem vivas as lembranças (memorialísticas e históricas) seria escrevê-las em formato de narrativa.
Para alçançar esse objetivo, resgatamos uma imagem bem simbólica e utilizamos a ferramenta do audioslide. A partir da fotografia da turma de focas de 1991 queremos propor um retorno de 20 anos. Não apenas isso. Queremos também lançar uma proposta para os 20 anos seguintes. Os focas de ontem se misturam com os focas de hoje. Desejos, conquistas e aprendizado se mesclam com sorrisos e retratos.
Quatro colegas da 2ª turma do Curso de Jornalismo Estado contam um pouco o que representou sua passagem pelo Curso dos Focas. Eles mostram, também, seus novos retratos e relembram as lições aprendidas lá atrás. Outros membros da mesma família do Focas, integrantes da 22ª turma, têm a missão de pensar adiante. Num exercício de reflexão, sugerem o que esperamdaqui a 20 anos. Que os participantes da 42ª turma possam monitorar a concretização de tais aspirações. Seguimos!
Clique para assistir
Leia mais:
- Faça o download gratuito da trilha sonora do audioslide (“16 minutos” – A Banda de Joseph Tourton: grupo instrumental recifense formado por jovens de 20 e poucos anos de idade, em média).
Davi Lira de Melo, de 26 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
A seleção dos 30 jovens jornalistas da 22ª turma do Curso Estado de Jornalismo foi bastante concorrida. Os 1.531 candidatos de todo o País inscritos na edição de 2011 tiveram de enfrentar uma concorrência de 51 candidatos por vaga. Disputa maior até mesmo que a do tradicional vestibular de medicina da USP (49,25 candidatos/vaga na seleção da Fuvest 2011).
E não há como negar: a prova objetiva, redação inclusa, é a fase mais difícil. É onde ocorre o grande peneirão rumo à entrevista presencial. Por isso, oito focas vencedores deste ano resolveram contar um pouco das armas secretas utilizadas durante a preparação. Cliquem no infográfico abaixo para ver as preciosas dicas de cada um deles. E como “extras”: não deixem de clicar nos dois últimos vídeos. Orientações e informações valiosas!
Então, futuros focas: não deixem de ir se preparando, desde já, para a 23ª turma. ”Quem garante a vaga é o próprio candidato”, diz o coordenador do curso, Francisco Ornellas. Uma afirmação extremamente simbólica. Background, foco, preparação e força de vontade são possíveis ingredientes implícitos nessa frase. Por enquanto é isso. Qualquer dúvida: lance-a nos comentários. Seguimos!
E MAIS:
» Não deixem de conferir, também, o vídeo do Cedê Silva, da turma 21, com mais dados da prova do curso do Estado
» Participem mais da jornada dos focas da 22ª turma. Confiram a galeria de fotos no Flickr
Davi Lira de Melo, de 26 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
A primeira atividade prática já ocorreu no terceiro dia de curso. Isso, sábados e domingos acabam sendo considerados dias úteis para os focas. No dia 3, a proposta lançada pelo professor Luiz Carlos Ramos reuniu nós 30, da nova turma, na Praça da Sé. No lugar onde tudo começou, no marco zero da cidade, o desafio era conhecer os principais pontos turísticos do centrão paulistano e logo depois desenvolver uma pauta. Ali, na hora, de supetão! A entrega do texto ficaria para o dia seguinte.
Logo depois de juntar o grupo, às 10h de um sábado ainda frio, nas ladeiras da catedral, eis que surge diante de todos uma pauta caída do céu, ou melhor, talvez de bicicletas. O ciclista e também jornalista Elcio Thenorio estava dando partida do marco zero da Sé para uma trajetória em prol do meio ambiente. Durante 5 anos ele irá dar a volta ao mundo de bicicleta, percorrendo 90 mil quilômetros por 80 países, nos 5 continentes, reportando tudo que estiver sendo feito em favor da preservação do planeta.

Foto: Davi Lira de Melo
Uma notícia pronta. Certa. Simbólica e reportável. Mas havia apenas uma notícia para 30 focas. A “descoberta” da matéria ficou para quem viu primeiro – o próprio Luiz Carlos. A indelicadeza de assumir a pauta para si, acredito, acabou ficando com ninguém. Optei por uma segunda opção. Mas que a notícia era bacana, isso era. No entanto, ser gentleman em jornalismo algumas vezes pressupõe dar a posse do fato a quem primeiro desbravou ou sugeriu. Isso quando as outras possibilidades de pautas são factíveis. Senão é fight: a boa e leal luta jornalística pela diferenciação de uma mesma cobertura. Seguimos.
PS: Saiba mais sobre o projeto Rodas Livres.
Davi Lira de Melo, de 26 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
2012
2011
2010