Para jornalistas e leitores interessados em saber detalhes da mídia brasileira, vale a pena dar uma olhada no site Donos da Mídia. A página traz um levantamento dos veículos de comunicação existentes no Brasil, assim como a formação de conglomerados e a ligação das empresas de mídia com políticos. Porém não há informações sobre sites de notícias.
Os dados publicados foram coletados desde a década de 1980 em fontes como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ).
A navegação pela página traz logo de cara um dado curioso. Dos 9.477 veículos, a maioria não é jornal, nem emissoras de televisão ou rádios FM. Com 2,4 mil unidades, as rádios comunitárias são mais de um quarto dos veículos de comunicação no Brasil.
Com isso, podemos tirar a conclusão de que mesmo com a formação de grupos nacionais, portais, tablets, smartphones e afins, a mídia de alcance local ainda tem grande relevância.
Por isso, em um mercado de trabalho competitivo, a receita das rádios comunitárias pode ajudar a criar um diferencial para os demais veículos de comunicação. Relação próxima com o público, empatia, interatividade, possibilidade de participação e conhecimento de quem é a sua audiência são chaves importantes para se diferenciar.
Ciro Campos, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Imagine aquele que é considerado o melhor jogador do mundo ter de bater um pênalti decisivo em uma final de Copa do Mundo. Nos pés dele estão a esperança de uma nação e a própria consagração como um nome na História. Mas, por um acaso do destino, justamente aquela cobrança acaba sendo a pior dele na vida e a bola vai longe, muito longe do gol. Roberto Baggio, italiano escolhido pela Fifa o melhor do mundo em 1993, sentiu isso na pele em 1994.
Tamanha volta no tempo e nos assuntos é necessária para fazer lembrar uma placa disposta logo na entrada da sala dos focas. O aviso “seu primeiro erro pode ser o último” já alerta que no jornalismo consertar informações publicadas é tão difícil quanto fazer voltar um pênalti perdido.
O alerta vale para aqueles que estão no início da profissão, com todo aquele gás acumulado e certas vezes, por querer demonstrar serviço e pró-atividade, vão bater o pênalti com muita vontade. Essas cobranças de tiro livre e a apuração guardam semelhanças. O segredo dos grandes especialistas nos dois assuntos é ter calma, jeito e cuidado aos detalhes.
Uma informação errada que é publicada pode deturpar a verdade, induzir o leitor ao erro e até mesmo causar a demissão do jornalista. Portanto, vale o cuidado extremo de checar sempre, e, na dúvida, não escrever. Ao contrário do jogador de futebol, o repórter nem sempre tem outra chance para se redimir.
Ciro Campos, de 23 anos, é formado em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Já passou mais de um mês desde o esperado dia 1º de setembro, data de início do 22º Curso Estado de Jornalismo. Toda vez que alguém de fora da turma dos “Focas” me pergunta como tem sido a experiência, passa pela minha cabeça dizer que é como um intercâmbio sem precisar sair do País.
Deixei o emprego em Curitiba, perdi o contato próximo com amigos, minha rotina está revirada e vim morar em uma cidade desconhecida, tudo isso em busca de uma experiência inédita. A partir de setembro praticamente mudei de nome também. Sou o Foca 04.
Desde aquela data convivo diariamente com pessoas que até há pouco não conhecia, mas que compartilham das mesmas aventuras paulistanas que eu. Inclusive embarquei até mesmo em uma nova viagem vocabular do Estadão. Agora diariamente pronuncio as palavras Hermes (programa de editoração eletrônica do jornal), fretado (ônibus que vaz o trajeto entre o Grupo Estado e o Terminal Barra Funda) e Puras (nome do restaurante presente na nossa sede). Sem contar as piadas internas.
Com os novos colegas é possível embarcar em uma viagem cultural tão variada quanto o tamanho do Brasil. Estão representados na turma 12 Estados, mais o Distrito Fedaral. A reunião garante a troca de experiências sobre os trabalhos anteriores, os costumes e sotaques de cada local, fora colocar no nosso mapa mental o nome de cidades que jamais ouviríamos falar. Alô, Telêmaco Borba e São João da Boa Vista?
O ‘intercâmbio’ de 100 dias pelo Estadão ainda guarda inúmeras surpresas. Viver é sem dúvida uma viagem divertida.
Ciro Campos, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Poucas coisas podem ser mais assustadoras para uma criança do que mudar de escola. No intervalo de dois anos passei por essa experiência duas vezes. Uma situação parecida com a que aquele menino de 9 anos enfrentou vai se repetir durante o rodízio pelas dez áreas do Grupo Estado, que todos os focas vão encarar. A cada semana vamos mudar de lugar de aprendizado, de colegas e por que não, até mesmo de professor.
Já havia iniciado a 3ª série do ensino fundamental quando tive que trocar de escola repentinamente. De um dia para o outro a rotina mudou por completo. Para começar, deixei de estudar de manhã para ter aulas à tarde. Além de usar outros uniformes, tive de decorar o nome dos novos colegas e correr atrás do conteúdo passado. Porém, o mais difícil de tudo foi arrumar vaga nos times de futebol na hora do recreio.
Todos os desafios foram grandes para quem estava há seis anos na mesma escola, no mesmo ambiente, totalmente habituado e acomodado. De uma hora para outra tudo mudou. Fiz a mesma mudança outras vezes e tudo o que é novo sempre desperta insegurança.
O ciclo será parecido nesta etapa de atividades práticas nas redações do Grupo Estado. Com isso, assim que os jovens jornalistas começarem a se acostumar com alguma editoria, terão de mudar de “escola” e se acostumar com um novo ambiente na segunda-feira seguinte. A cada começo será hora de conhecer os novos colegas, o ambiente e os tutores, que não deixam de ser professores.
Cada área do jornalismo possui certas nuances e artimanhas. Por isso cada etapa do rodízio será basicamente um ciclo de choques de realidade e da busca por uma adaptação rápida. Mas tem de pegar o jeito antes mesmo do fim da semana, porque na outra segunda-feira tudo começa novamente e um novo desafio estará por vir. Nossas matrículas já estarão prontas, só que, como se trata de vida adulta, não tem mais futebol para jogar no recreio.
Ciro Campos, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
O desafio de andar pelo centro de São Paulo e achar uma história interessante, que rendesse pauta, foi algo mais difícil do que eu esperava. Na manhã do sábado todos os focas entraram nessa aventura e, para mim, a empreitada trouxe uma reflexão.
Ir para a rua sem nenhuma pauta em mente não deveria ser algo tão difícil, mas se mostrou um grande obstáculo. O ato básico de observar um ambiente em que até então nunca havia andado foi atrapalhado pela insegurança e a pressa em achar rapidamente algo interessante.
Parece que nós, jornalistas iniciantes, estamos acostumados a já sermos pautados previamente e, habituados com isso, passamos a fechar os olhos inconscientemente para outros fatos, que também podem ser interessantes. A reflexão que fica é a necessidade de treinar não apenas a técnica, mas também os cinco sentidos. Afinal, o jornalismo é uma atividade humana e a sensibilidade é uma arma poderosa para se produzir um bom trabalho.
Ciro Campos, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
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