“As ideias têm poder de contágio”, destacou o biólogo francês Jacques Monod em 1964, sem saber que em 2011 sua teoria seria escandalosamente evidente.
Até 2007, eu não sabia o que era meme, tinha uma conta no Twitter que não usava, e gastava bem menos tempo com os vídeos do Youtube. Hoje, é quase impossível não me render os conteúdos que, mesmo com esforço contrário, invadem minha caixa de email, o mural do Facebook, a timeline do Twitter ou a dashboard do Tumblr.
A web é uma epidemia. Um fluxo viral de ideias. É bem verdade que na maior parte das vezes esses conteúdos são apenas entretenimento ou vislumbre estético. Mas, vez ou outra, aparece um vídeo que ajuda a eleger um presidente, um tweet que derruba um regime e um meme que leva milhares às ruas. “Nós somos os 99%”, viralizaram os jovens do Occupe Wall Street.
É sobre esta “geração memética” que os 30 focas decidiram escrever para a última atividade do curso. No sábado, dia 10 de dezembro, chegará às bancas o nosso caderno especial. Queremos saber como e pelo que os jovens levantam do sofá hoje. E o Facebook pareceu a melhor maneira de perguntar.
Foi aí que eu tive a ideia: se queremos falar sobre jovens que (como eu) vivem dentro desta tal “cultura do compartilhamento” e são extremamente suscetíveis às campanhas virais, porque não criar uma? Ideia ambiciosa, que talvez não viralize. Mas isso não impediu que seis focas madrugassem o fim de semana todo criando um vídeo que potencializasse nossa enquete. (VOTEM!)
Ontem, o vídeo foi ao ar (nos próximos dias teremos mais dois). E a euforia de ver o número de visualizações e respostas às enquetes subir rapidamente nos assustou um pouco. A satisfação foi maior. Não criaremos uma epidemia digital. Mas a ideia também não é esta. Queríamos testar se esta tal “mobilização 3.0” funciona mesmo, e nos preparar para as reportagens que estão por vir.
Cecília Cussioli, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Outubro será um mês complicado. O ritmo do curso começa a acelerar, nos dando uma boa ideia do que está por vir: temos um caderno para fechar em dezembro. Entre as aulas com o queridinho Paco Sánchez, as intermináveis pautas para apurar e os plantões que quero acompanhar nas redações, ainda tenho que encontrar tempo para assistir minhas queridas 14 séries que acabam de reestreiar na TV americana – e britânica.
Não. Abrir mão das séries não é uma opção. Seria a atitude mais sensata, mas eu perderia metade do meu bom humor e das minhas valiosas horas de procrastinação. Se para uma boa formação cultural é importante ler, ir ao cinema e ao teatro, televisão de qualidade é mais um item nesta lista.
É verdade, algumas das séries que assisto são puro guilty pleasure e outras já tiveram temporadas melhores. Mas existem aquelas que te fazem idolatrar os roteiristas, admirar atores e se surpreender com escolhas narrativas.
Escolhi três das minhas séries preferidas pra indicar – uma pra cada gosto. Não que isso vá fazer alguma diferença na formação de ninguém, mas com certeza renderá bons tópicos para conversar de bar – as vezes é bacana variar o papo sobre o futebol sabe?
Parks and Recreation, da NBC (http://www.youtube.com/watch?v=jcyH-qIPKMA)
Apesar de já estar na 4ª temporada, a comédia que mostra os bastidores de uma repartição pública em uma cidade do interior dos EUA, é mais engraçada a cada ano. O grande mérito da série é fazer personagens tão hilários quanto reais. Todo mundo é meio exagerado mas ninguém sai do tom. Conseguir esse equilíbrio entre o bobo e o supercool é uma arte que não é para qualquer um. Anotem aí: ela ainda irá conquistar o posto que hoje é de Modern Family.
Breaking Bad, da AMC (http://www.youtube.com/watch?v=2LOzMtI6RCM)
Walter White é um professor de química, seu filho adolescente tem paralisia cerebral, sua mulher está grávida e como o salário não é o suficiente, Walter trabalha em um lava rápido. Para aumentar a renda, o professor decide fabricar e vender metanfetamina. Com linguagem inovadora, ângulos de câmera geniais e desenvolvimento lento, somos levados em uma narrativa de bons diálogos, atuações impecáveis e situações inesperadas.
O que você está fazendo que ainda não vê Breaking Bad?
Sherlock, da BBC (http://www.youtube.com/watch?v=cSQq_bC5kIw)
O famoso morador da 211B Baker Street ganha releitura moderna e um roteiro impecável de Steven Moffat, o maior gênio da TV inglesa (assistam tudo que tiver a assinatura dele). Em uma série madura, com acidez típica inglesa, o exelente Benedict Cumberbatch da vida ao jovem detetive impetuoso, arrogante e imperfeito, assim como a criação original de Arthur Conan Doyle. Muito melhor que outras versões cinematográficas, a série só tem três episódios, cada um de 1h30; e a próxima temporada está prometida para este ano.
PS. Não é seriado, é jornal. Mas se eu fosse obrigada, trocava todas as séries que assisto pelo The Daily Show with Jon Stewart, programa obrigatório no meu dia.
Cecília Cussioli, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
O grande dia chegou. Desde que fomos aprovados, esperamos ansiosos (e nervosos) pelo dia em que finalmente faremos parte do espaço sagrado do jornalismo: a redação. A partir de hoje, os 30 focas invadem a redação dos veículos do Grupo Estado ávidos por conhecimento e com muito medo de trancar as páginas do Hermes e atrasar a edição.
A cada semana, passaremos por uma editoria/veículo: Nacional, Vida/Internacional, Economia, Metrópole, Esportes, Suplementos/Caderno2, Agência Estado, Portal, Rádio Estadão ESPN, e Jornal da Tarde.
A escala que determina a ordem em que passaremos por cada uma foi divulgada na sexta-feira. Claro que nem todos ficaram radiantes com a própria sorte, mas presenciar a reação de cada um ao olhar a lista foi hilário. Por isso, compartilho com vocês um pequeno vídeo desse momento.
Eu começo no caderno Nacional. É meu preferido? Não. Mas está longe de ser o pior. Para falar a verdade, estou até bem empolgada, acho melhor iniciar em uma editoria longe da minha zona de conforto. A gente aprende com tratamento de
choque.
Desejem-me sorte.
Cecília Cussioli, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Os 30 focas acordaram cedo no sábado para o primeiro exercício prático: encontrar uma pauta no centro de São Paulo. Alguns com sede de redação, outros com uma certa preguiça de fim de semana, nos reunimos na Catedral da Sé para encontrar o jornalista Luiz Carlos Ramos, professor do curso e nosso guia turístico. É difícil encontrar alguém que conheça tanto a cidade quanto ele. Cada prédio era apresentado com uma explicação detalhada de datas, fatos importantes e estilo arquitetônico.
(Nota mental: sempre levar protetor solar. Mesmo com um frio absurdo, o sol de São Paulo queima. E muito.)
Depois do tour, cada um saiu para caçar uma pauta nas ruas do centro. Confesso que achei que seria mais simples, afinal com tanta gente circulando e tanta coisa acontecendo, pauta não iria faltar. Meu olhar estrangeiro pareceu me atrapalhar um pouco. Conhecer a dinâmica da cidade e perceber o que é clichê por aqui pode levar um tempo, e esta era minha principal preocupação: fugir de temas batidos.
Circulei por algumas horas pelo centro, sem muita pressa, observando as coisas, até achar ter encontrado minha pauta. Entrevistei o José, um artista de rua que conversava com “bonecas videntes” para ler a sorte das pessoas. Era um personagem excêntrico, mas pouco disposto a falar sobre si. Consegui arrancar as informações que queria, mas fui embora nem um pouco satisfeita.
Na volta para casa, vi o piano que está instalado na Estação da Sé desde março, à disposição de quem quiser tocar. Gastei mais uns minutos por ali, olhando a aglomeração que se formava. Às 13h, achei o Mario e o Paulo, dupla que se encontra todos os sábados no piano da Sé para aulas de música. Sábado era a primeira vez que Mario tocava para a família e amigos depois de cinco meses de aulas.
Pauta salva, hora de enfrentar a Linha 3-Vermelha do Metrô, que não fica vazia nem no fim de semana.
Cecília Cussioli, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
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