Na reta final do curso, os focas se despediram da temporada na Redação do jornal na última sexta-feira. Ou melhor, no último domingo – afinal, para fechar a jornada com chave de ouro nada melhor que um plantão. Durante as últimas dez semanas, passamos por diferentes editorias d’O Estado de S. Paulo, e também pela Rádio Estadão ESPN, pelo portal Estadão.com.br e pela Agência Estado.
Para muitos de nós, foi uma oportunidade de conhecer pela primeira vez como funciona a redação do jornal. Para outros, foi uma chance de ampliar o propalado networking, conhecer pessoas e formar bons laços profissionais. Muitos participaram de coberturas especiais, como o Enem e a morte de Steve Jobs. Alguns publicaram boas matérias, até mesmo a capa de um caderno.
As experiências são diferentes para cada um, a partir do direcionamento dado para sua passagem pela redação e pelo curso. Nas redações, conversar com os editores e tutores que nos recebiam foi uma boa forma de conhecer melhor os desafios de cada editoria, e como eles vêm o trabalho na área e a profissão. Foi também (e principalmente) uma oportunidade para entender o que esperam de nós, focas, agora que deixaremos o conforto do curso para assumir posições efetivas no mercado.
A necessidade de autonomia e agilidade pelos jovens repórteres são unanimidade entre os editores. Saber lidar com situações atípicas com independência e rapidez é fundamental para desempenhar um bom trabalho e conseguir a confiança dos editores. Mas mais do que isso, o conteúdo segue firme como diferencial, e aliado à iniciativa e criatividade pode garantir o enfoque diferenciado em uma pauta comum.
“É importante ter a capacidade de apresentar mais do que o pedido pela pauta ou pelo editor. Se o repórter só traz o ipsis litteris da pauta ou do fato, não consegue espaço. No início, é compreensível. Mas é um processo rápido, ele deve aprender a trazer sempre mais”, opina Sérgio Pompeu, editor do Estadão.Edu.
A posição é compartilhada pelo editor do Caderno 2, Ubiratan Brasil. Para ele, nas editorias de cultura e áreas mais especializadas, o repórter deve reunir boa bagagem e informações diversificadas. “Conhecimento profundo em cultura, numa área especifica ou em mais de uma, é fundamental nessa cobertura. Escrever sobre um tema, e não sobre só o fato que gerou a pauta, requer um conhecimento sobre o que cerca o fato. Sem isso, a cobertura fica rasa e é disse que fugimos.”
Antonio Pita, de 25 anos, é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Para jornalistas e leitores interessados em saber detalhes da mídia brasileira, vale a pena dar uma olhada no site Donos da Mídia. A página traz um levantamento dos veículos de comunicação existentes no Brasil, assim como a formação de conglomerados e a ligação das empresas de mídia com políticos. Porém não há informações sobre sites de notícias.
Os dados publicados foram coletados desde a década de 1980 em fontes como a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ).
A navegação pela página traz logo de cara um dado curioso. Dos 9.477 veículos, a maioria não é jornal, nem emissoras de televisão ou rádios FM. Com 2,4 mil unidades, as rádios comunitárias são mais de um quarto dos veículos de comunicação no Brasil.
Com isso, podemos tirar a conclusão de que mesmo com a formação de grupos nacionais, portais, tablets, smartphones e afins, a mídia de alcance local ainda tem grande relevância.
Por isso, em um mercado de trabalho competitivo, a receita das rádios comunitárias pode ajudar a criar um diferencial para os demais veículos de comunicação. Relação próxima com o público, empatia, interatividade, possibilidade de participação e conhecimento de quem é a sua audiência são chaves importantes para se diferenciar.
Ciro Campos, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Clichê colossal: sempre quis ter um blog. Não só para fazer aquelas análises pretensiosas sobre temas que a gente acredita dominar, mas principalmente para exercitar a escrita. Depois das aulas do Paco Sánchez, lá no início do Curso, resolvi acreditar um pouco mais no meu estilo. Manter um blog seria uma boa forma de aprimorá-lo. Menos amarras, eu acho.
A verdade é que, há algum tempo, venho construindo um personagem que daria sentido a essa minha empreitada: Júlio Alencar, jornalista na meia-idade transbordando em amarguras. Elaborei o texto inicial, pensei em um nome sapeca e até criei um banner. Agora, me vejo em uma encruzilhada. Criar o blog ou não? A recepção ao presente post poderá me esclarecer. Portanto, caro leitor – se puder –, leia o texto abaixo e deixe as suas impressões. O Júlio e eu agradecemos.
O dia do surto e outras queixas – 1ª postagem
Tomáz segurava um copo de refrigerante quando pronunciou as seguintes palavras: “Bebida alcoólica! Jamais ousarei me acostumar com uma coisa tão desprovida de sabor”. Depois saiu, devagarzinho. Tomáz. Ele tinha tanta razão quanto alguém que prefere guaraná poderia ter, por isso continuei a entornar o meu vinho.
Fim do domingo, 23h47min. Aniversário de um companheiro de trabalho. O gosto forte do álcool em contato com as minhas glândulas palatinas – as poucas ainda em funcionamento – ajudavam a esquecer a iminência de mais uma dolorosa segunda-feira.
Entrar no estúdio e apresentar aquele jornal tinham sido atividades prazerosas em algum lugar da longínqua década passada. Hoje não mais.
A insatisfação estava assumindo dimensões paquidérmicas, beirando o abjeto. Saiba: nos últimos meses, o primeiro pensamento que me vem à mente quando eu acordo é o quanto foi estúpida aquela minha simulação de asma no exame para admissão no Exército. Há 22 anos. Tenho a impressão de que teria sido um ótimo major; o mais condescendente deles, sem dúvida, mas ainda assim um ótimo major.
Proteger territórios e fronteiras, todavia, sempre me pareceu uma atividade muito mais exaurível do que escrever textos e aparecer na televisão. Acabei, então, me tornando um jornalista (explico melhor depois). Âncora do telejornal mais assistido da cidade, salário abaixo do razoável até mesmo para um tocador de cítaras na Macedônia, liberdade de criação zero e o mesmo prestígio que um garoto de 3ª série experimenta quando tenta beijar a boca da professora gostosa de ciências e tudo o que consegue é um-leve-roçar de-lábios-no-maxilar-direito. Ah, a proporção que o embaraço pode assumir na vida de uma pessoa…
Meu nome é Júlio Alencar e além de um completo desafortunado, recentemente descobri que as entrevistas do “meu” telejornal não mais serão definidas por mim. Uma estagiária novata e de grande potencial parece ter mais tempo do que eu para “essas coisas sem importância”, assim me segredou a direção da emissora. Eles não precisam de álcool para tomar decisões equivocadas.
Quando cheguei à redação naquela segunda-feira, cumpri minha rotina de obrigações fingindo ser um amigável urso de pelúcia. Eu sou bom, acreditem. Ao entrar no estúdio, porém, e depois de ter apresentado três blocos de notícias sobre buracos de origens enfadonhamente óbvias e postos de saúde tão úteis quanto os quatro dentes sisos de um gato siamês, senti pela primeira vez na vida que o meu corpo era formado por um instável emaranhado de mitocôndrias pululantes.
Tudo o que elas desejavam naquele momento – individual e simultaneamente – era um pouco de privacidade, um pouco
mais de espaço, o que acabaria resultando na minha própria explosão, infelizmente.
Aconteceu logo depois que o entrevistado do dia respondeu de uma maneira para lá de evasiva ao meu questionamento (não era como se eu estivesse fugindo do assunto) sobre um possível aumento da pedofilia entre os usuários da internet. Aquela atitude dispersa me deixou tão perplexo que a próxima pergunta não poderia ter sido outra:
–E o senhor, já usou a internet para consumir pornografia?
Escândalo. Balbúrdia. O pessoal da redação me contou depois que eu fiz pelo menos mais umas quatro perguntas impróprias, algumas envolvendo termos da moda como ejaculação precoce e masturbação tântrica. Não me lembro. Para ser preciso, a última coisa da qual me recordo é do sorriso nos lábios de Tomáz, o câmera 3. Ele parecia bastante feliz por finalmente poder comprovar – tanto para mim quanto para si próprio – o quão destrutivas algumas doses de uísque podem ser. No final das contas, talvez tenha alguma razão. Um beijo para o meu pai, para minha mãe e para você, Tomáz.
Continua… Ou não.
Leandro Igor Vieira, de 26 anos, é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
O suplemento anual publicado por cada uma das turmas de Focas é publicado um dia após a conclusão do Curso. Nessa 22ª edição, o caderno vai sair encartado para todo o Brasil no dia 10 de dezembro, um dia após a formatura. Por enquanto que os jovens jornalistas selecionados para esta edição estão envolvidos na produção dos textos, repassamos algumas imagens dos bons momentos informais vividos pelo grupo. Damos uma pausa nos posts habituais para um elogio ao companheirismo, à amizade e à colaboração mútua entre eles. Ingredientes mais que necessários para um bom entrosamento, inclusive, profissional.
Davi Lira de Melo, de 26 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Foto: Mosab Omar/Reuters
Thiago Santaella arruinou a primeira aula do Paco Sánchez. Lá se vai um mês e tanto (foi ontem?) desde que o galego entrou na sala de treinamento perguntando: “O que é comunicação?”. Já que as respostas estavam tímidas (como assim, a lenda viva já chegava perguntando?), Santaella, que já tinha assistido a um curso dele, disparou: “Formar comunidade”. Era para a discussão ter evoluído antes que chegássemos a esse ponto, o Paco argumentou. Mas seguimos com a conversa, que, afinal, foi apaixonante.
Na programação do MediaOn, o primeiro debate na quarta-feira era, na verdade, exposição e sabatina de Meg Pickard, diretora de Estratégias para Mídias Sociais no grupo Guardian News & Media. Quer dizer, a responsável por um dos modelos de jornalismo participativo mais bem sucedidos do mundo. Em muitos aspectos, vários tópicos que ela abordou dialogam com o que havíamos aprendido com Paco Sánchez.
Pickard (londrina típica, sorriso fácil, empatia imediata) começou a exposição com o conceito reverso da nossa primeira aula do Paco: “Communities communicate”. Para existir uma comunidade de fato, é preciso que haja interação, comunicação. A grande sacada do Guardian, segundo a Meg, está em “encorajar e premiar essas iniciativas”. A história que ela citou foi fantástica. Em 2009, o Parlamento britânico tornou pública a prestação de contas de cada um de seus membros, em um total de 500 mil páginas em .pdf. Ou seja, o inferno na terra.
A solução encontrada pelo jornal para transformar aquilo em uma análise interessante exigiu dez dias de execução: foi o tempo que o programador precisou para criar uma ferramenta online de pesquisa. E aí o Guardian incentivou os leitores a entrar no site e pesquisar o parlamentar que eles haviam elegido. Além de ser um exercício de cidadania, os (e)leitores podiam classificar as contas do seu parlamentar como Interessantes e merecedoras de investigação, Interessantes mas já conhecidas, ou apenas informar que não havia nada de errado. Dessa forma, em menos de quatro dias, 5 mil .pdf’s foram analisados.
Mas a lição mais importante sobre esse estilo de jornalismo participativo ficou para o final. O caminho da notícia não é mais linear, e esse é o rumo que nós, jornalistas, precisamos entender. Não cabe mais na redação o profissional que bate ponto, que não pensa digitalmente – recebe a pauta, entrevista personagem e especialista, ouve os “dois lados”, publica, vai embora, e no outro dia começa tudo de novo. É imprescindível que o jornalista acompanhe a repercussão de sua matéria, e, mais que isso, se inspire pela interação com as pessoas que leem e comentam os textos.
Ao final, o que se aprende com as sensíveis aulas de texto com Paco Sánchez é magistralmente resumido pela frase apresentada por Pickard: “It’s not about those who speak, but those who act” (algo como “não importa quem fala, mas quem age”). Somos menos importantes do que as histórias que contamos. E menos importantes do que os efeitos que causam essas histórias. Aos apaixonados pelo ofício, não deveria ser necessário o conselho final de Meg, mas vale a inspiração: “Don’t light the fire and walk away” (“Nunca comece um fogo e depois vá embora”).
Luiza Calegari, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina – e tem muito mais perguntas que respostas
Jornalistas que conquistaram suas baias próprias na redação da Agência Estado. Foto: Thiago Queiroz/AE
O mercado jornalístico é selvagem e muitas vezes nós só percebemos essa realidade quando tentamos nos inserir no mercado, lá pelo segundo, terceiro ano de faculdade. É aí que vemos que o salário da categoria é realmente baixo, a carga horária é realmente extenuante e que tem um monte de gente que realmente quer sofrer nas redações e que concorre com você.
Mas se você curte mesmo o texto, só escrever, sem correr o risco de passar 12h em uma redação, trabalhar como frila pode ser uma boa. Trabalhar de casa exige uma dedicação enorme, mas compensa se pensarmos em organizar nossos dias de acordo com os horários em que estamos mais dispostos, em que o clima está mais gostoso, enfim, fazer pelo menos o tempo do nosso jeito. Outra grande vantagem é poder ver seu trabalho vinculado em mais de um veículo. Às vezes de uma vez, às vezes de vez em nunca. Mas é uma possibilidade bem legal.
Ontem um amigo me consultou sobre um frila que está fazendo. Queria saber se negociou o valor justo, uma dúvida frequente para todos que não tem intimidade com esse mundo paralelo às redações, e que muitas vezes salva edições inteiras. Como saber se o preço está bom?
Perguntei para Amanda Polato, amiga e ex-foca que eu sei que entende desse mundo. Quando ela saiu do curso em 2008, fez muito frila antes de conquistar sua baia própria na redação. A dica da Amanda é boa e prática: usar as tabelas das organizações de jornalistas. As tabelas são objetivas e se os iniciantes nesse ramo cobrar com base nelas, a negociação fica séria, e o contratante respeita o frila.
Depois do post da Romina, que mostra onde conseguir trabalho, pensei em fazer este post simples, pra ajudar os frilas de primeira viagem a não serem explorados. A desvantagem dessa forma de trabalhar é que não há estabilidade, nem a garantia de um salário no fim do mês. O mínimo que se espera é ganhar o justo.
Amanda diz que “na maioria das vezes, são as empresas que oferecem o valor e você aceita ou tenta negociar. Quanto a pauta é de emergência, às vezes até oferecem um pouco mais”. Pra mim, o importante mesmo é saber negociar.
Além da tabela do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo que a ela me mostrou, também achei a da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais, confiável. Vocês conhecem mais tabelas boas, confiáveis para ajudar os que desejam iniciar agora a carreira de frila? A simples organização de preços é uma forma de ajudar a valorizar o nosso mercado.
Natália Peixoto Rodrigues, de 24 anos, é formada em Jornalismo pela PUC-SP
A última hora ou data na qual uma tarefa deve ser completada. Essa é a definição do dicionário online de Oxford para a palavra deadline. No mesmo site, logo abaixo, aparece outra definição, dessa vez, histórica, e, diga-se de passagem, um tanto quanto assustadora: linha desenhada em volta de uma prisão além da qual os prisioneiros estão suscetíveis a serem alvejados. É assim que nós, jornalistas, inevitavelmente nos sentimos quando estamos apurando uma matéria. Se ultrapassarmos o prazo limite para a entrega, seremos massacrados por nossos editores.
No Curso, não é diferente. Estamos sendo avaliados constantemente pelos professores que nos passam os exercícios de apuração e temos prazos para enviar os textos. Ou seja, não há como fugir do deadline.
Desde o início do Curso participamos de algumas entrevistas coletivas. A última aconteceu na manhã de segunda-feira. Os focas entrevistaram o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega. Já sabíamos que seria necessário escrever uma matéria sobre a coletiva. A surpresa veio quando, momentos antes de o entrevistado chegar, o professor Luiz Carlos Ramos nos informou que teríamos até as 13h para entregar o texto, ou seja, era preciso escrever tudo em pouco menos de duas horas.
Depois do início dramático deste post – onde o deadline foi comparado metaforicamente a uma linha de tiro – alguns leitores devem estar imaginando as reações na sala dos focas: gritos apavorados, desespero, apreensão, barganha por mais alguns minutos no prazo. Errado. No fim da entrevista dava para ouvir os dedos digitando nervosamente, é verdade.
Mas a agilidade exigida fez com que não perdêssemos o foco. É bem provável que a maioria deixasse para escrever o texto na última hora caso o prazo fosse maior. Eu, pelo menos, faço isso com uma frequência maior do que gostaria.
O fato é que nós precisamos do deadline. É claro que essa, como toda regra, não se aplica a qualquer tipo de texto ou apuração, há casos em que é essencial ter tempo e calma para escrever. Mas a pressão dos prazos é necessária e garante que o jornal saia todos os dias.
Agora, por exemplo, restam poucos minutos para eu enviar este post e assegurar que ele seja publicado na data prevista, sem atrasos. Nada como o deadline.
Mariana Niederauer, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)
No meio de um daqueles momentos nostálgicos, lembrei-me do encontro que tivemos em setembro com Vitor Hugo Brandalise e Edison Veiga. Um dos tópicos daquela conversa com os focas foi sobre como conciliar paixões e trabalhos extras fora do expediente.
Acredito que com muito esforço e organização (de agenda, pensamentos e ações) é possível trabalhar em projetos paralelos. Sem querer fiz a ponte com um amigo que neste mês acaba de começar a trabalhar na revista tão sonhada e com quem “flertou” por algum tempo. Ele começou com um frila para a publicação, conseguiu virar colaborador fixo e há uma semana recebeu o tão esperado registro na carteira.
No entanto, para chegar até aquele ponto, assim como Vitor Hugo e Edson, ele teve que ralar muito. Trabalhava numa assessoria de imprensa e todo o tempo livre que tinha pesquisava, apurava e escrevia. Muitos diziam que ele estava louco tentando equilibrar tantas tarefas, mas ele (ainda bem) não desistiu.
Fazer frilas, também pode ser uma ótima maneira de tentar entrar no mercado, trabalhar com temas diferentes e testar as delícias e dores de ser seu próprio chefe. Desde que finalizei minha graduação, essa é a maneira com que pago parte das contas do mês. Não sou nenhuma especialista no caso, mas posso dar algumas dicas.
Networking é fundamental. Estabeleça e preserve seus contatos.
Se assim como eu você acabou vindo parar numa cidade na qual não conhece ninguém, uma saída é dar uma olhada em sites como o do Prolancer.
Também vale seguir no Twitter os perfis:
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Mas se você tem ideias de pauta e sabe em qual lugar gostaria de trabalhar, a dica é a seguinte. Vá até o expediente da publicação e procure o contato do editor ou do chefe de reportagem. Use sua cara de pau nata de jornalista e envie um e-mail ou telefone mesmo. Ofereça uma pauta, se já tiver a matéria apurada, melhor ainda. Insista, negocie e não desista mesmo quando não houver retorno ou depois de zilhares de nãos. Posso dizer, por experiência própria, que, quando você menos esperar, um sim apagará todas as negativas da memória.
Romina Cácia, de 26 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
A popularização das minivans no mercado automotivo, impulsionada em grande parte pelo público feminino no início dos anos 2000, deixou claro que as mulheres não só eram potenciais consumidores como também poderiam ditar tendências no setor – haja visto a proliferação nos últimos anos de modelos compactos, repletos de porta-objetos, com espaço interno otimizado e posição de dirigir elevada. Atualmente presentes em cargos executivos, linhas de produção, concessionárias e pesquisas de comportamento, elas se destacam também nas redações jornalísticas de carros.
Formada na Universidade Católica de Santos (UniSantos), a jornalista Milene Rios escreve sobre o assunto há mais de três anos e já trabalhou nos portais Zap e G1 antes de ingressar no Jornal do Carro, onde permaneceu até o início deste mês, quando passou a integrar a equipe de produção do programa Auto Esporte, da Rede Globo. Em sua última semana no Grupo Estado, ela conversou com o Em Foca sobre o momento atual da indústria automotiva na entrevista a seguir.
Quando você começou a gostar de carros?
Foi quando eu terminei a faculdade e passei a trabalhar com o tema pela primeira vez. Antes disso eu não me interessava muito por carros, tanto que fui a última entre os meus amigos a tirar a carteira de motorista, aos vinte anos.
Como é escrever para um público em sua maioria masculino?
Eu pensei que receberia críticas machistas dos leitores, mas isso não ocorreu. Eles leem o meu trabalho sem se importar se eu sou homem ou mulher, e isso é bem bacana.
Você já sofreu algum tipo de preconceito no meio automotivo?
Na verdade a maior repulsa é dentro do próprio setor, dos jornalistas que estão há mais tempo na área e olham torto para as mulheres do segmento. Entre os mais novos isso não ocorre. Aliás, todos os meus editores e a maioria dos meus colegas de trabalho foram homens e a relação sempre foi muito boa. É claro que, independentemente do sexo, sempre tem aqueles que trabalham e os que vão desfilar. Nós acabamos ficando um pouco queimadas pelas exceções.
Dizem que o brasileiro, quando troca de carro, privilegia design em detrimento de atributos como espaço interno e custo-benefício, por exemplo. Contanto, as vendas de veículos cujos desenhos são pouco elogiados – como o Renault Logan e o Fiat Mille, por exemplo – mostram o contrário. Quais são as características que você considera mais importante nos testes e comparativos?
Eu tenho de ser o mais imparcial possível e levar em consideração todos os itens do carro, até porque um deles pode ser crucial para a sua vitória ou derrota no comparativo. Claro que nem sempre o vencedor é o modelo que você escolheria, mas ele acaba ganhando por ter qualidades que a concorrência não possui. Se for colocar na ponta do lápis, X é melhor. Mas, cá pra nós, eu ficaria com Y. É difícil não se deixar emocionar pelos carros, há alguns em que é praticamente impossível achar defeitos, mas aí tem de colocar o pé no chão.
Quando eu dirigi o Mercedes-Benz SLS AMG, observei que a porta em formato asa de gaivota não era funcional para mim, que tenho 1,70 metros de altura e, sentada no banco do motorista, não conseguia alcançar a maçaneta da porta - eu precisei sair um pouco do assento, pegar a porta e puxá-la. Então sempre há alguma falha, mesmo nos melhores carros. Esse é o nosso trabalho, tentar identificar tudo que o veículo tem de positivo e negativo.
Então o carro vencedor do comparativo não é necessariamente aquele que o jornalista escolheria comprar?
Exatamente. Por isso há um espaço no JC para nós escrevermos a nossa opinião. Nos textos, a avaliação segue um conceito de avaliar todos os pontos, até aqueles que as pessoas geralmente não consideram muito relevante, como manutenção, seguro e pacote de peças. Esses três itens, por sinal, já decidiram muitos comparativos.
Há empate nos comparativos?
Empate não existe. Nem que seja por um ponto, um modelo deve ser superior ao outro, pois os carros são diferentes.
Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), houve uma queda de 41,2% na venda de carros importados em outubro em relação ao mês anterior. Qual é a sua opinião sobre o aumento do IPI nesses modelos adotado pelo governo federal a partir de dezembro?
Eu achei uma medida protecionista e que devia ter sido pensada de outra forma, incentivando as indústrias que atuam e apostam no País e diminuindo os impostos, como foi a redução do IPI em 2008. O mercado nacional mudou bastante desde a abertura para os importados, que além de trazer inovações tecnológicas, aumentaram a concorrência entre as empresas. As montadoras chinesas são um bom exemplo: elas ainda precisam melhorar, mas têm muitos recursos e estão dispostas a investir por aqui. Antes da chegada delas não havia carros com freios ABS e airbag duplo por menos de R$ 40 mil, aí elas oferecem isso e a maioria das marcas reposiciona os seus preços. Quem ganha com isso é o consumidor, sobretudo em tecnologia e segurança.
No Brasil, a questão do status social é bastante acentuada na hora de escolher um veículo. Por que isso ocorre?
Porque nosso mercado é emergente. Nós viajamos ao exterior e vemos como as coisas são baratas, como é possível comprar um relógio de marca, uma roupa de grife… O CrossFox aqui custa o preço de um Passat lá fora, é um absurdo. Nós pagamos muitos impostos, quando temos a oportunidade de comprar algo nos sentimos muito bem, pois tudo é muito suado e, felizmente ou infelizmente, vivemos no Brasil.
As montadoras vêm investindo na criação de motores menores e, ao mesmo tempo, mais potentes, econômicos e sustentáveis. Pode-se dizer que tais investimentos são uma resistência aos propulsores elétricos ou, na verdade, um passo em direção a eles?
Eu acho que os propulsores à combustão ainda tem muito a evoluir e os elétricos estão distantes não apenas de nós, mas do mundo inteiro, pois a sua implantação exigirá recursos altíssimos em postos de recarga, baterias e estrutura. Por isso a popularização deles ainda vai demandar algum tempo. Por outro lado, os motores híbridos, que combinam eletricidade e combustão, parecem estar mais próximos da nossa realidade.
Nossos modelos de entrada prescindem de itens básicos de segurança como hodômetro e limpador do vidro traseiro em suas configurações mais básicas. No balanço geral, a maior variedade de opções nesse segmento veio acompanhada de um aumento na qualidade dos carros oferecidos ao consumidor?
De fato os modelos de entrada pecam em qualidade. Há exemplos em que o comando manual interno de ajuste do retrovisor é opcional, ou seja, a pessoa tem de abaixar o vidro e colocar o dedão no espelho para regular. Não dá pra acreditar, pois eu estou falando do Fiat Uno, um carro que chegou todo moderninho e vem “pelado” assim. Eu não sei se a indústria nos fez assim ou apenas se adaptou às nossas atitudes, ou talvez um mix dos dois.
O consumidor brasileiro prioriza o preço, mas deveria ponderar a relação custo-benefício. Esse é o maior apelo das montadoras chinesas e coreanas, cujo crescimento em nosso mercado pode fazer com que a gente comece a repensar sobre as tranqueiras que devemos aceitar e as melhorias que podemos exigir. Acredito que o nosso comportamento mudará bastante após a entrada desses carros aqui.
O preço dos carros novos é bastante elástico no Brasil. Modelos com alta procura às vezes são vendidos com ágio antes mesmo do seu lançamento e, por outro lado, carros com baixa procura são reposicionados para uma categoria inferior. Isso ocorre somente por aqui ou também em outros países?
Em nosso mercado ocorre algo peculiar: os modelos antigos convivem com as suas versões atualizadas. O Hyundai Tucson é um exemplo: a sua produção parou no exterior e só continua aqui, em Goiás. A nova geração do modelo, que deveria ser homônima – assim como no resto do mundo -, ganhou por aqui o nome de Ix35 e foi reposicionada em uma faixa de preço superior. Eu poderia citar também o Ford Fiesta, que convive com o New Fiesta. O Fiat Uno Mille, que nos anos 80 era apenas um carro, agora virou dois: o Mille (velho) e o Uno (novo). As montadoras continuam investindo nos carros defasados pois eles vendem – e muito – em nosso país. A Chevrolet S10 não muda há mais de 15 anos e continua sendo a picape mais vendida. É essa mentalidade que talvez a invasão dos importados comece a mudar. Eu espero que os consumidores fiquem mais exigentes com os carros que compram e com o valor que pagam.
O trânsito em São Paulo vem batendo recordes históricos nos últimos anos, sendo o maior deles em 2009, quando a CET registrou 293 quilômetros de congestionamentos (cerca de 1/3 das vias monitoradas) na capital. Em que medida o aumento das vendas de veículos é benéfico para a população levando-se em consideração a morosidade das ações políticas em favor do transporte público?
Nós, que trabalhamos com carros, não podemos ser contra eles. Mas é fato que São Paulo incentiva muito o uso de automóveis, pois não existem investimentos suficientes em transportes públicos, há limitações para fretados… Eu acho que a venda de carros vai continuar crescendo, muitas famílias compram o primeiro carro antes de adquirir a casa própria, a cultura de possuir um carro é muito forte aqui. Contudo, as pessoas devem usá-los de maneira consciente, dando carona, por exemplo. No dia mundial sem carro, eu escrevi uma matéria sobre como dirigir de forma eficiente, gastando menos combustível e poluindo menos. Quando você muda a postura ao volante, você muda muita coisa.
Luiz Betti, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e cursa Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP)
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