ir para o conteúdo
 • 

Em Foca

Logo depois dos três dias de viagem a Santa Cruz do Sul (RS), sete focas ainda se aventuraram na cobertura do Enem. Entre 11h e 11h30 eles já se preparavam para ajudar na produção do blog PontoEdu. Cecília Cussioli participou no sábado e estava na expectativa para saber como o plantão funcionaria.

A dúvida de Davi Lira era sobre como fugir dos clichês da cobertura sobre o tema. Para ele, as crônicas e posts mais descontraídos deram leveza às notícias factuais.  Fazer o comparativo com a cobertura de outros sites foi um dos pontos importantes para o foca, além de esclarecer algumas dúvidas, como a maneira correta de encarar um fato, fazer a apuração e saber identificar o que é apenas boato.

“Ali, naquele momento, dentro da redação, foi possível separar o joio do trigo, porque tivemos a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento do fato em informação consolidada. Nada de jogar suposições, é checar e rechecar com cuidado extremo”, diz Davi.

No domingo, a quantidade de textos e flashs – notícias passadas por telefone pelos repórteres que estavam nas universidades onde foram aplicadas as provas – surpreendeu Rafael Abraham. O que mais lhe marcou na cobertura foi quando conseguiu furar outros veículos: “De minha parte, o mais legal foi ter publicado antes dos concorrentes a tirinha que foi utilizada como apoio da redação da prova – antes de ela ter terminado, é claro”.

Mesmo já tendo passado por outras editorias na redação, fazer parte do plantão do Enem aproximou Cecília da prática jornalística. “Corremos muito, respiramos pouco, e levamos (bom, eu levei) algumas broncas. Mas acho que o mais legal foi que de fato tivemos uma experiência real com redação, não como repórter, mas como parte integrante da engrenagem. E fomos tratados como profissionais de verdade. Me senti jornalista  pela primeira vez aqui dentro”.

Mariana Niederauer, de 22 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)

Romina Cácia, de 26 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

sem comentários | comente

31.outubro.2011 08:00:50

O Furo Possível

 Clique para assistir ao vídeo

Todos procuram, mas poucos o encontram. O furo jornalístico está na essência da nossa profissão, mas sair na frente da concorrência é uma missão que requer boas fontes, apuração impecável e muita bagagem de informação contextualizada. Se já é difícil encontrá-lo no jornalismo hardnews, o problema pode ser ainda maior na cobertura cultural. Afinal, se todos os jornais têm acesso à mesma agenda de lançamentos e ações culturais, é possível dizer que existe furo no jornalismo cultural?

A pergunta que suscitou dúvidas entre os Focas foi levada à redação do Caderno 2.  Para o editor Ubiratan Brasil, a dinâmica da cobertura de cultura é diferente, e o fato puro e simples não é suficiente para uma reportagem. “A cobertura tenta fugir da agenda encontrando algo que possa ser aprofundado, como entrevistas exclusivas e informações diferenciadas, para entregar um pacote recheado com aspectos criativos”. Segundo ele, o acesso a estas informações depende da relação com a fonte.  “Após publicar matérias bem feitas, o repórter ganha confiança para receber informações exclusivas”.

Foi o que aconteceu com o ex-foca (2007) Lucas Nóbile, repórter de música do Estadão. Nóbile conseguiu antecipar o lançamento do último CD do rapper Criolo, Nó na Orelha, após uma entrevista com seu produtor, Daniel Ganjaman. Durante a apuração, Ganjaman lhe contou sobre um bom CD em fase de produção. “Pedi que ele me avisasse sobre o lançamento e como Ganjaman gostou da reportagem publicada, acabou me passando o disco antes da assessoria. Fiquei muito feliz por ter feito essa matéria e ter antecipado um dos melhores CDs do ano”.

Outro furo de Lucas aconteceu recentemente na cobertura do Rock In Rio. O repórter conseguiu driblar a segurança e assistir à passagem de som do cantor Steve Wonder. Assim, ele divulgou na TV Estadão que o repertório do cantor incluía a canção Garota de Ipanema, e o vídeo teve recorde de acesso. “Eu era o único jornalista que teve acesso à informação. Se o repórter do caderno Metrópole tem que estar na rua para encontrar a matéria, o repórter de cultura também. Não adianta ficar sentado na redação esperando pela. Tem que circular, conhecer os lugares”.

Antonio Pita, de 24 anos, é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA)

sem comentários | comente

30.outubro.2011 22:00:02

Caminhos

Entramos em uma discussão dessas mais infinitas nestes últimos dias: qual o papel do jornal impresso? Difícil cravar se é solução, ou erro, querer ser cada vez mais como aquela que não precisa de papel, a internet. Mais rápido, mais fácil, mais visual, melhor? Mais denso, mais extenso, mais analítico, errado? Esses dias escutei: “Mas quem somos para poder dar dicas de jornalismo?”. Boa pergunta. Eu sou jornalista, recém-formado, com diploma (que não acho que tem que ser obrigatório) e, mesmo com pouca experiência, acredito que a única maneira de desenvolver um bom trabalho é conseguir pensar a frente e imaginar onde aquilo que você faz vai dar. O que não significa ser “pacote pronto”, já saber tudo. Significa ter opinião, sem deixar de estar aberto a mudá-la diante de bons argumentos. Não dá para esperar a sabedoria bater à porta.

Na minha opinião, que não é a do blog, o futuro do impresso está no jornalismo interpretativo. As redações da rádio, tevê, jornal e online recebem o aviso bombástico da notícia praticamente ao mesmo tempo. Enquanto o jornal continuar se perguntando “O que? Quando? Onde? Como? Por quê?”, vai enfrentar três imensos concorrentes. O “quente” já terá sido narrado, apresentado e lido pelo seu leitor, que continuaremos crendo que só lê jornal. E se, quando o fato aparecer na redação, o jornal se perguntar, por exemplo, “no que isso vai dar?”

O hard continuará a existir, em menor espaço, como contexto, e vai ser responsabilidade daqueles que, agora, vão ser seus três grandes parceiros. Nesse cenário, as grandes empresas de mídia levam uma vantagem que, para mim, desperdiçam. Hoje, quantos jornalistas que saem para cobrir uma pauta sabem quem é o colega que vai fazer a matéria para o rádio, o que vai fazer a matéria para a tevê e o que vai fazer a matéria para o online? Há integração nos trabalhos? Ou é apenas colaboração eventual? Enquanto cada mídia trabalhar de forma independente e fizer as mesmas perguntas, vai conseguir respostas idênticas, publicadas em horários desiguais: o “déjà li”.

Thiago Santaella, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

sem comentários | comente

De fato, fizemos mais do que beber e dançar no Sul. Um dos pontos que gerou polêmica entre os focas na volta da viagem foram as condições de vida dos produtores de tabaco em Santa Cruz do Sul. A questão era o ajuste focal. Em maior ou menor grau, o meio rural era uma incógnita para todos os focas. Foi uma experiência ímpar aquele contato efêmero, de não mais de quatro horas de duração, com uma realidade tão diferente da nossa vida cosmopolita, deslumbrada e confortável no coração financeiro do país.

Navarro e a Gabi foram os primeiros a manifestar indignação com a tal ‘falta de perspectiva’ de quem vive de agricultura. O Navarro resumiu: “O fumo movimenta MUITA grana, em especial para o governo, que recolhe um dinheirão em tributos. O absurdo, neste caso, está na falta de bem-estar social promovida pelos gestores estaduais, municipais etc”. A Gabriela justificou e argumentou: “Eles não escolheram aquela vida, é a opção menos pior que eles têm. Os caras [indústria] fabricam 60 milhões de cigarros por dia e quem dá duro de verdade não leva 1/23432 avos disso. Quero ver alguém levar a família pra roça pra fazer um trabalho desses e aguentar mais de um ano”.

O contraponto, no caso, foi feito pelo Davi. (Aliás, o saudável de ter o Davi na turma é ele ser aquela pessoa disposta a dar opiniões controversas, mesmo que seja só pra alimentar a discussão). “[A gente tem a] prepotência de achar que as coisas funcionam na nossa lógica. [Dizemos que] eles são “pobres coitados”, são “desassistidos”… Acho que são formas diferenciadas de se encarar a vida. Tento muito afastar de mim essa visão romântica do campo. Mas no fundo queria muito mesmo pode me bastar naquela imensidão verde, estando perto de pessoas que valham a pena estar. No final das contas, a gente só quer amar e ser amado, capisce? Eles sabem amar da forma deles. Repeitemo-la”.

Considero a resposta do Gabriel um primor: “É menos importante saber escrever que saber respeitar. Eu respeito, acho. Mas acho inocente demais achar que viver bem é viver a vida que escolheram para você. Em especial quando governo e iniciativa privada parecem fazer questão de continuar escolhendo”.

Do alto do meu existencialismo neurótico e nicotínico, acredito que as pessoas precisam ter opções. Por um lado, considero preocupante que as pessoas que conhecemos estejam há, sei lá, 50, 60 anos vendo todos os dias a mesma paisagem. Me angustia a sensação de que elas ‘acham’ que levam uma vida boa só porque não conhecem outra coisa – e que haja tanta gente trabalhando para que as coisas continuem exatamente assim.

Mas, por outro, tenho uma dolorida consciência de que ter acesso a várias opções abre espaço para insatisfação – que pode se tornar crônico e te fazer morrer infeliz. Fatalista, pois é. Uma sensação recorrente e clichê em São Paulo é constatar que somos uma multidão de solitários. Os laços são efêmeros. Nós mesmos, focas, temos a garantia de estar juntos por apenas 100 dias. Caminhamos no fio da navalha todos os dias, jornalistas sem rotina e sem seguranças – por escolha própria, frise-se.

Somos, todos, feitos de sociedade, complexidades, contextos e economia (que cada vez mais domina todas as esferas da nossa vida) . Mas também somos carne, osso, sangue e o amor que sentimos pelos outros.

E aí, o que os leitores acham: tem como esse não ser um dilema?

Luiza Calegari, de 22 anos, é formada em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL)

comentários (7) | comente

27.outubro.2011 23:59:30

Pautas abertas

Em 2009, 3,7% das matrículas em todo o ensino superior do  Brasil eram feitas na área de Comunicação Social – sétima área de educação mais procurada segundo o Censo da Educação Superior. Tudo bem que nem todas essas pessoas ingressaram em faculdades de Jornalismo, mas a procura também por ela é grande. Então, como podemos perceber qualidade em meio a tanta quantidade? Nos assuntos de relevância que são pautados e apurados por nós. Essa é a prestação de serviços à comunidade que podemos e devemos fazer.
.
Um bom exemplo para isso é mergulhar nas orientações e até mesmo trabalho que é feito pela ONG Contas Abertas, que fiscaliza de perto o orçamento público. Uma das ferramentas usadas por eles e que estão abertas para todos, inclusive jornalistas, é o Portal da Transparência. Mergulhar nessa prestação de contas pública é uma possibilidade não só de encontrar boas pautas, mas trabalhar dando retorno aos leitores.
.
Matérias de denúncia como os gastos de ministros já saíram de pesquisas nessa ferramenta. Além disso, pouco menos de um ano antes das eleições municipais, vale ainda mais a pena ficar de olho. É assim que podemos, pelo menos, ajudar a ir mudando o cenário de corrupção que encontramos no País, e assim ir diminuindo o espaço que ela ocupa mundo afora.
.
Jacyara Carvalho, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

comentários (2) | comente

27.outubro.2011 22:30:34

A alegria do feedback

O jornalista em início de carreira se acostuma rapidamente a ser avaliado, seja pelos professores, colegas ou pelos chefes. Porém, tantas avaliações não conseguem substituir àquela pela qual eles buscam desde que escolheram a profissão: a do leitor, ouvinte ou telespectador. A situação é angustiante. Sabemos que nossos textos provocam reações em quem os lê, mas raramente temos a oportunidade de receber nosso feedback. Às vezes, nem sabemos direito quem é nosso público realmente.
.
Com o perdão do senso comum, a opinião do leitor é o que dita os rumos editoriais de um jornal – e não adianta dizer que não, porque é. Se desagradarmos nosso receptor constantemente, deve-se tomar medidas imediatas e, eventualmente, até drásticas. É claro que essas mudanças podem vir para o bem ou para o mal, no entanto, são inevitáveis.
.
Mas como nem todo o conteúdo produzido pelos focas do Curso Estado de Jornalismo pode ser publicado, ficamos distantes de qualquer interatividade, e passarmos apenas uma semana em cada editoria na Redação também exclui as possibilidades de acompanhar de perto a repercussão de alguma notícia por nós produzida. O único parecer que temos sobre nossos textos são dos professores e de alguns jornalistas do Grupo Estado – bastante exigentes, por sinal.
.
Temos, então, apenas um veículo que nos permite botar o focinho para fora da toca: este blog. Nossa maneira de nos comunicarmos com o mundo e lembrá-lo de que ainda existimos, mesmo após entrar neste curso e praticamente abdicar de toda a vida fora daqui. Por este meio, buscamos apresentar nossas experiências de maneira a acrescentar algo na vida de quem lê. E aí entra a questão: quem nos lê?
.
Todos os focas, quando escrevem seus posts, sabem já há para cada texto 29 leitores em potencial: os outros focas, fora alguns que fizeram o curso em anos anteriores e outros que talvez tenham a intenção de fazê-lo. E como nossos colegas são a parcela conhecida da audiência, muitas vezes caímos no erro de escrever para eles, ainda que inconscientemente. Não lembramos que um blog hospedado no portal Estadão por si só já atrai centenas de internautas todos os dias, independentemente do conteúdo.
.
Por isso, quando a turma descobriu que os posts estavam sendo comentados e até bastante criticados por pessoas alheias ao curso e ao jornal, o sentimento, por incrível que pareça, foi de satisfação. Recebemos nosso tão esperado feedback, que está servindo de parâmetro para melhoras. As críticas despertaram a preocupação dos focas e alertaram para a necessidade de mudanças. O repórter do Ponto Edu e administrador do Em Foca, Cedê Silva, se reuniu com todos os alunos do Curso Estado e rediscutiu algumas regras que engessam nossos textos. Agora, é só esperar pelas mudanças e por novas críticas atrás do aperfeiçoamento sem fim.
.
Reinaldo Adri, de 22 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal

comentários (6) | comente

Eu tenho preconceitos. Não muitos, ainda bem, mas tenho ciência de alguns. Meus preconceitos são peculiares, em geral inusitados, e até os falaria aqui, caso esse post não ficasse guardado para sempre nos anais do Google.Meu grande desejo é deixá-los pelo chão, como roupa suja em um dia cansado. Esquecê-los por aí, entre uma lauda e outra.O difícil – usaria outro termo, se aqui palavrões fossem permitidos -, entretanto, é perceber qual é o seu preconceito. Você tem problema com o quê?

Jornalista é um bicho esquisito, acha que os problemas mortais não lhe atingem. Como se a mais venal das profissões estivesse distante dos pecadilhos humanos. O preconceito, meus amigos, está sim entre nós.

Longe de pregar uma vigília, mas é preciso um exercício diário de autocrítica, de pensar sobre o que a gente pensa, assim, bem redundante, se isso nos atrapalha como profissionais.

Precisamos chegar como uma folha em branco, abertos às pessoas, aos lugares, aos instantes. Afinal, elas são nosso principal instrumento de trabalho. Ideias pré-formatadas, rótulos e conceitos engessados atrapalham demais.

Tenho a doce ilusão de que se despir de preconceitos é possível. Haja fôlego.

Natália Peixoto Rodrigues, de 24 anos, é formada em Jornalismo pela PUC-SP

1 Comentário | comente

25.outubro.2011 08:00:57

Pauta fria e pauta quente

Quando entrei na faculdade de Jornalismo, imaginava que a apuração de pautas quentes - as notícias inéditas – obrigaria o jornalista a passar o dia inteiro na rua gastando sola de sapato em busca de informações para a reportagem. Logo nas primeiras experiências profissionais, contanto, percebi que a regra, ainda que estimulada no ambiente acadêmico e usada em algumas editorias impressas, não se aplicava aos portais em que estagiava, nos quais eu não precisava sair da redação para apurar as notícias diárias – elas vinham de sites estrangeiros e o meu trabalho se resumia a traduzi-las e publicá-las.

Por outro lado, eu acreditava que as pautas frias – as notícias não inéditas – seriam mais tranquilas e, até certo ponto, fáceis, uma vez que permitiam ao jornalista um maior tempo para apurar e escrever. Novamente, enganei-me. É verdade que a pauta fria concede ao jornalista mais tempo para se aprofundar sobre o tema, mas ela cobra caro por isso. Se por um lado não há a pressão de concluir a matéria no fim do dia (à exceção do fechamento), por outro a exigência de uma apuração minuciosa e um texto impecável – tanto na estética quanto no conteúdo – mostra-se bastante acentuada. Como não segue necessariamente a pirâmide invertida, a pauta fria concede ao jornalista uma maior liberdade para a construção do texto – algo que, por sua vez, desafia a sua criatividade e capacidade de inovar e sair do lugar comum.

Foi somente na primeira semana na redação do Estadão, escrevendo pequenas notas e revisando textos, que tive contato com a correria da produção das pautas quentes, ainda que eu não saísse do prédio do jornal. Estagiando na editoria de Esportes via-me pressionado pelo horário cada vez mais próximo do fechamento e, ao mesmo tempo, buscando rapidez e concisão sem me descuidar da qualidade da apuração e do texto. Na semana seguinte, estagiando na editoria de Viagem, passei quase uma semana escrevendo a minha reportagem. Naquele momento, a maior pressão que sentia não vinha do relógio, mas do conteúdo que eu estava apurando, assimilando, filtrando e produzindo. De certa forma, esse parece ser o grande desafio do jornalista do meio impresso e, sobretudo, do meio digital.

Luiz Betti, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e cursa Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP)

comentários (2) | comente

24.outubro.2011 23:00:01

Ornalista

Ilustração: Mauricio de Sousa Produções

O jornalista é um sujeito. Não deseja apenas ser. Sujeita-se a jargões para ser o que é. Geralmente, diz-se injustiçado, joguete nas mãos dos demais sujeitos. Que, aliás, o julgam como se jazessem em colunas jônicas. Dormem na sarjeta o sujeito e os sujeitos! Todos enjaulados nessa língua jocosa.

O jota é uma letra. Corajoso desbravador de linhas! Seja com a ponta da bengala, seja com o pingo lá em cima. O jota é. Simplesmente. Não sugere, não suplica. Nem julga. É. Por assim ser, e por todos o respeitarem como tal, o jota é. Mais do que qualquer jornalista.

Porque o jornalista não é o que é. O jornalista é um sujeito sujeito à consciência. Dele e à de outros. A subjetividade nos deu esse direito jurássico de sermos o que somos e de pensar o que os outros são, mesmo que eles não sejam. Enfim, todos somos. Enjaulados.

Sujeitos subjetivos jogados na sarjeta. Não há como fugir deste maldito jota. Sem ele, seríamos um bando de sueitinhos. Nem por jeca passaríamos. Jornalistas? Jamais. Na jaula dessa língua jocosa, o jota é juiz, júri e jagunço. Juro que queria ser. Livre.

Luis Carrasco, de 22 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero

comentários (2) | comente

21.outubro.2011 23:58:48

Da sutileza

“Depois que eu te conheci fui mais feliz (…) O nosso quebra-cabeça teve fim…”

Foto:Sérgio Savarese/Wikimedia Commons

Cheguei ao Curso pensando que iria ser o amigo das multidões, o mister simpatia, o queridinho dos professores. Sempre que me meto em algum projeto novo, acabo decidindo: “dessa vez supero a minha timidez doentia e me jogo no mundo”.

Ledo engano.

Mas quer saber? Que se dane.

Em Santa Cruz do Sul (RS) cheguei à conclusão de que serei sempre o cara das poucas palavras; dos comentários incompreensíveis e pouco assertivos. O Curso tem me ajudado a ver certo frescor nessa personalidade, no entanto. Nem todos podem ser o raio de sol que é a Juliana, ou ter o humor fatalista do Navarro.

Nem preciso dizer o que aconteceria se o desapego do Rafael (a quem eu muito admiro) fosse característica de mais pessoas no grupo. E é bom mesmo que tenhamos só um Mateus de apetite vasto, no fim das contas.

Já ri muito, reclamei sobremaneira, e até chorei – sendo consolado por um Davi de espírito gigante, quase um Golias. Misturei emoções sem saber que tinha permissão para fazer isso. Na noite da última quarta-feira, tomei um gole de cerveja pela primeira vez e decidi: nunca mais. Também subi no palco e cantei Luan Santana. Mulherada foi ao delírio.

Sim, posso curtir minha circunspecção e, ao mesmo tempo, tentar (me) surpreender. Circunspecção, vejam só.

Que alívio! O curso tem moldado a minha sutileza. Mostrou que é boa, que é necessária. Que às vezes pode ser deixada de lado.

Um pouco de extravagância pode me cair bem.

Um pouco de tudo, eu acho.

Leandro Igor Vieira, de 26 anos, é formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

comentários (21) | comente

Comentários recentes

  • danielli: uau! adorei texto, e ainda mais achei o Lucas De Abreu Maia muito lindo e muito forte por nunca desistir
  • Isabella: Algumas pessoas nem se prepara, pensam que Jornalismo é aquela coisa, você escreve ganha dinheiro ou até...
  • Davi Lira: Excelente post para resumir a história da 22ª turma. Tá tudo aí: nas imagens, vídeos, no perfil e...
  • José Gabriel Navarro: “Agora, vamos. Aonde? Embora. Embora não saibamos aonde, vamos.” — Lindo,...
  • Thiago Lasco: Mandou bem, Betti. Vamos ver quem vai se aventurar a reunir a trajetória da nossa turma em dezembro de...

Arquivo