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Em Foca

29.setembro.2011 13:00:52

A preparação diária para um bom jornalismo

Dezenas de jornalistas correm pela mesma notícia. Preparação é o diferencial. Foto: Agência Brasil

Na semana passada, o Comunique-se publicou que “os estudantes de Comunicação Social têm pior desempenho na escrita do que os universitários da área de exatas, como Engenharia, por exemplo. No estudo, os engenheiros obtiveram a melhor avaliação e 87,5% conseguiram passar no teste”, enquanto 65,3% dos alunos de Comunicação foram reprovados.

Como assim essa galera de Exatas escreve melhor que a gente?

Ao longo da matéria, percebe-se que o que é avaliado é gramática, não a escrita em si. Em janeiro deste ano, “dez mil candidatos a vagas de estágio realizaram um ditado de 30 palavras, que permitia até seis erros. Dentre as palavras avaliadas estavam: desajeitado, autorizar, exceção, seiscentos e anexo.”

Acho grave um estudante de Publicidade não saber escrever anexo. E em pior situação está um estudante de RP que desconhece a grafia de autorizar. E é triste ver um jornalista escrever em seu bloquinho que seu entrevistado é uma “excessão”.

Apesar do drama, não acho que isso seja a doença, mas um sintoma.

Os estudantes de Jornalismo, em geral, esperam que a universidade dê o pacote completo. A maioria espera sair expert em redação, anseiam felizes e satisfeitos que seus professores cuspam os leads dos melhores livros, e que isso seja o suficiente para formar toda sua bagagem teórica. Não vão além do arroz e feijão da academia.

É sempre um exercício interessante perguntar para pessoas diferentes, da mesma turma da faculdade, o que cada uma achou do curso. As respostas vão de “péssimo” a “fascinante”. Pergunto: quem está errado? Ninguém.

É o jornalista que faz a faculdade, é o foca que faz o curso. São as suas referências pessoais que determinam a quantidade e a qualidade das informações que você retém das aulas e da redação. Na nossa profissão, tem que ler e estudar, sim e sempre. E na 22ª turma de focas, há 30 cursos em andamento. Cada um aprende o que quer, o que consegue.

O diferencial do bom jornalista é ele perceber que para ser um bom profissional, ele dever ser, no mínimo, um ser humano interessante. Tem que ter a pegada com informação, tem que ir além do preto-no-branco. Jornalista bom não pode acreditar em tudo, muito menos de primeira. É preciso investigar, debulhar dados, ser insatisfeito, ser “humilde sem ser subserviente”, como se diz aqui no Curso. Jornalista bom segue o ditado que o repórter especial Lourival Sant’Anna ensinou para os focas: “A sua mãe diz que te ama? Cheque”.

Natália Peixoto Rodrigues, de 24 anos, é formada em Jornalismo pela PUC-SP

comentários (5) | comente

5 Comentários Comente também
  • 30/09/2011 - 15:53
    Enviado por: Davi Lira

    Muito, muito simbólica a frase do repórter especial do Estadão, Lourival Sant’Anna: “A sua mãe diz que te ama? Cheque”

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  • 02/10/2011 - 17:36
    Enviado por: Tetsuo Shimura

    Não pretendo polemizar em relação ao tema da matéria, mas acredito que de um modo geral a sociedade vem fazendo vistas grossas aos erros de ortografia sob a desculpa do modismo de “teclar”, seja no computador ou no telefone celular. Para evitar ser taxado como ser jurássico (como se escrever corretamente tivesse um caráter temporal) muitos que já passaram da fase jovem adulto, parecem não conseguir se desligar do coloquial mundano. Acho que tentar escrever corretamente tem muito pouco a ver com as escolhas academicas e é um dever de qualquer profissional, afinal na escrita passamos um pouco do nosso perfil e a confiabilidade no conteúdo.

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  • 03/10/2011 - 18:17
    Enviado por: João Damasio

    Muito estudante vai para o curso de jornalismo fugindo das ciências exatas. Mas o essencial das exatas também compõe o cardápio obrigatório nas humanas: lógica.
    O fato da péssima grafia é um problema grave. Geralmente, jornalistas preocupam-se muito com seus “narizes de cera” e pouco com a correção gramatical.

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  • 08/02/2012 - 19:57
    Enviado por: Isabella

    Algumas pessoas nem se prepara, pensam que Jornalismo é aquela coisa, você escreve ganha dinheiro ou até mesmo aparece na tv e ganha dinheiro, vai muito além disso. E por isso as escolas tem exigido redação após redação dos alunos que prestarão ENEM, porque se saber escrever não fosse tão importante os alunos não seriam seriamente avaliados na redação. E são erros ortográficos como esses que mostram a quantas andam a educação das pessoas. Vocês podem achar um exagero de minha parte, mas estou cursando o último ano de ensino médio, me preparando para o Enem e para uma universidade federal e detesto erros como esses, sinceramente, acho que as pessoas erram por preguiça de aprender e não porque não sabem.

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