Para fechar as postagens deste ano no Em Foca, “Cedê” Silva fez um vídeo com alguns momentos do Curso Estado de Jornalismo. Curtam!
Esta matéria surgiu do turbilhão de informações que conseguimos ao conversar com diversos especialistas na área. Da entrevista de Nayara Fraga com o PhD em obras subterrâneas André Pacheco de Assis, conseguimos diversas dicas de cidades que estavam usando soluções subterrâneas. A partir disso, fomos atrás de outros especialistas indicados por ele e de informações sobre os lugares apontados.
Alguns documentos que conseguimos em uma recente palestra sobre o assunto nos deram dados. Muitas informações vieram de matérias de outros jornais, especialmente no caso das localidades internacionais.
Um grande desafio foi o contato com pessoas de fora do País, para que conseguíssemos mais informações. Um deles, o prefeito da cidade de Seoul, capital da Coréia do Sul, nos respondeu na tarde do fechamento. E as informações complementavam e deixavam mais clara nossa matéria.
No fim, percebemos que tivemos bem mais entrevistas e dados do que esperávamos no começo. Mas como nos foi ensinado, devemos apurar bem mais que o necessário e usar “10%” de tudo que sabemos.
Planejávamos outro destino para este tópico. Ele seria uma parte das experiências internacionais. Mas como a matéria sobre a Operação Lapa-Brás evoluiu, foi decidido que ela iria na mesma página que esta. Por assumir essa importância, primeiramente foi escrita com todas as informações possíveis, já que não sabíamos qual o espaço seria dedicado a ela. Não foi nenhuma surpresa quando soubemos que teríamos que diminuir as linhas das 120 iniciais para cerca de 40.
Com a ajuda de amigos e muito suor, conseguimos chegar próximo à meta. A edição final não prejudicou a informação inicial, e certamente ficou mais natural e fluído do que o texto original.
Acesse o PDF da matéria Cidades enterram trilhos para mudar entorno e melhorar o transporte
Henrique Bolgue, de 27 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), onde também cursa o último semestre de Audiovisual
Marina Estarque, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Mais difícil do que apurar uma pauta obscura e inovadora – daquelas que a gente nem sabe quem procurar primeiro – é escrever sobre um assunto já publicado inúmeras vezes. Esse foi nosso primeiro desafio quando escolhemos o tema das galerias abandonadas embaixo da Avenida Paulista para o suplemento publicado no dia 11. Não dava para deixar de abordar um problema dessa importância em um caderno sobre o subterrâneo de São Paulo. Mas o que trazer de diferente para o leitor?
O preço absurdo dos estacionamentos na região nos trouxe a resposta. A Paulista é um dos endereços mais caros da cidade, e a falta de espaço o torna ainda mais valorizado. Então, quanto valeriam as tais 22 galerias caso fossem postas em uso? Para fazer uma estimativa, cruzamos o preço do metro quadrado de cada trecho da avenida – fornecido por uma consultoria imobiliária – com as áreas de cada uma delas, calculadas com base em uma planta da Emurb. Chegamos à cifra de R$ 62 milhões. Pronto. A pauta começava a ganhar rosto. Agora precisávamos descobrir por que ninguém, em 37 anos, se apropriou de áreas tão valiosas.
Batendo de porta em porta, descobrimos que os espaços – resultado de desapropriações feitas na década de 1970 – pertencem à Prefeitura e que a sociedade civil já propôs discussões sobre o assunto que nunca foram concluídas. Entrevistamos urbanistas, ONGs, empresários que têm negócios na Paulista e a diretora da SP Urbanismo para entender os interesses envolvidos no suposto negócio. Descobrimos um grande abacaxi.
Segundo consta, as galerias estavam bastante deterioradas e só com um bom investimento estariam aptas a serem ocupadas. Para alguns entrevistados, existem meios de tirá-las do abandono; para outros, seria uma grande perda de tempo e de dinheiro. A assessoria de imprensa da Prefeitura (principal personagem de uma eventual solução) não quis falar sobre o assunto. Aí estava nossa matéria: a falta de consenso e de empenho para dar algum destino a valiosos 13 mil metros quadrados de patrimônio público.
Só nos faltava descer em uma das galerias para constatar com nossos próprios olhos as condições em que se encontrava e, claro, fotografá-la. Mais uma vez, houve resistência na Prefeitura em nos atender. Precisávamos de uma autorização para entrar com o Corpo de Bombeiros. Mas qual seria o departamento responsável por essa permissão? Ninguém soube responder. Depois de quase um mês de um jogo de empurra, ganhamos apoio de brigadistas particulares e descemos na galeria que fica em frente ao Conjunto Nacional – exatamente no último dia que nos restava de apuração. Abandono confirmado. Fotos lindas. Ganhamos a capa do caderno!
Acesse o PDF da matéria R$ 62 milhões esquecidos na Paulista
Érica Saboya, de 24 anos, cursa o último semestre de Jornalismo na PUC-SP
Felipe Tau, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero
Flávia Maia, de 23 anos, é formada Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)
Fazer um caderno sobre os subterrâneos da cidade nos permitiria levar ao leitor uma série de coisas que ninguém vê ou talvez tenha apenas ouvido falar. Isso ocorreu até mesmo com a gente. No nosso caso – Felipe Frazão, Gustavo Coltri e Daniela Schmid – havíamos escutado histórias de que pessoas moravam sob a terra em São Paulo. Nosso objetivo foi achá-las e contar suas histórias.
Saímos em busca de indícios e lugares onde poderíamos encontrar esses moradores. Foram cerca de duas semanas de buscas, sempre à tarde e à noite (nesses horários, as pessoas costumam vagar pela rua e, durante o dia, havia outros compromissos do curso). Fizemos contato por telefone e visitamos entidades civis e religiosas de auxílio a moradores em situação de rua. Entramos em buracos sob viadutos, ficamos de plantão em cemitérios, distribuímos cobertores sob chuva fina com os irmãos da Toca de Assis, frequentamos a macarronada da Sé, descemos em galerias pluviais.
Tivemos sucesso em quatro investidas, que optamos por dividir em reportagens independentes com traços comuns: apego a Deus, isolamento da família, falas rápidas – às vezes desconexas, com informações inconsistentes –, temor em revelar nome e local de moradia (o que, num dos casos, foi exigido para conseguirmos a entrevista), proximidade com drogas, medo de bandidos e da Polícia.
Por opção da edição, as histórias foram condensadas, preservando ao máximo a parte mais pertinente de cada. Também tivemos de cortar a matéria sobre os jovens retirantes Jonatan, de Alagoas, e Enoque, do norte de Minas.
Leia algumas curiosidades e trechos inéditos.
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No centro, conseguimos nossa primeira entrevista. Fomos ao encontro de Jonatan, de 28 anos, e Enoque, de 23. Os rapazes dividem um mocó (como chamam o buraco sob um viaduto da região) com mais sete pessoas. Foi também nosso primeiro choque. Eles vestiam roupas limpas, contrariando o estereótipo do morador de rua em situação de mendicância, completamente sujo, com vestes rasgadas, cabelos e barba por fazer.
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A dependente de crack Sônia mora com mais três pessoas na barraca improvisada na galeria pluvial da Avenida Inajar de Souza. Por conveniência, apelidou-os de Tia, Grandão e Barba. Não sabe o nome verdadeiro deles. Mesmo assim, disse entre uma baforada e outra no cachimbo com a droga: “Esses são meus amigos de verdade, estão sempre comigo.”
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Cleonice vive solitária no cemitério, mas, às vezes, visita a filha em Guaianases, zona leste de São Paulo. A pernambucana, idosa, chegou a São Paulo ainda jovem, para ser empregada doméstica em casa de família. Dos tempos em que tinha emprego formal, resta apenas um cartão do INPS.
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Zé, o morador da Praça da Sé que abre a reportagem publicada no suplemento, está escrevendo dois livros, nos quais conta sua vida nas ruas. Ele estudou até o ensino médio, tem vocabulário amplo e freqüenta lan houses da região. Religioso, dorme nas escadarias da catedral e sonhava em ser padre. Depois de perder a casa num incêndio, pediu a Deus para não ter mais nada de material. “Meu sacerdócio é nas ruas.”
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Acesse o PDF da matéria Histórias de quem conhece a vida embaixo da terra
Felipe Frazão, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e cursa Ciência Política na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio)
Gustavo Coltri Skrotzky, de 25 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Daniela Schmid, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Muito antes dos trilhos do Metrô, a cidade de São Paulo já possuía caminhos por baixo da terra. A curiosidade de encontrá-los foi o que motivou a matéria Entre fantasmas e divas, publicada no nosso suplemento de fim de curso que saiu no dia 11. A ideia era mostrar a história da cidade que permanecia escondida sob suas ruas e avenidas.
Entretanto, encontrar esses caminhos não foi tarefa fácil. Pesquisas acadêmicas voltadas para os túneis subterrâneos históricos são inexistentes e, mesmo entre arqueólogos e historiadores, não conseguimos informações objetivas. Surgiram diversas pistas desencontradas após algumas ligações telefônicas e leituras de blogs sobre curiosidades de São Paulo.
Buscando a confirmação das pistas, como em um trabalho de detetive, fui para a rua fazer a apuração. Visitei o caminho sob o quartel das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e ouvi histórias sobre o passado do local. Mas faltaram as informações dos locais por onde o túnel passava, dados que se perderam no tempo.
Também conheci o caminho subterrâneo do Hospital das Clínicas e conversei com dois personagens encantadores. O atendente de enfermagem Sebastião Donizetti caminhou comigo pelo túnel falando pelos cotovelos. Disse que gostava de deixar as pessoas bem à vontade para não sentirem medo, afinal o local é usado para o transporte de mortos e rende histórias sobre assombrações. Depois eu me encontrei com o coordenador de engenharia de manutenção do HC, Manuel Fabiano. O senhor de 82 anos havia passado o fim de semana anotando diversas histórias em uma folha de papel, para poder me ajudar da melhor forma. Só as histórias de Fabiano já davam uma matéria, mas eu ainda não tinha achado o foco.
Nas ruas do centro, procurei os túneis subterrâneos que fariam a ligação entre os prédios religiosos. Mas a história não passava de lenda, como me contaram os responsáveis por algumas igrejas e pelo Mosteiro de São Bento. No Teatro Municipal, mais curiosidades que não possuíam confirmação.
Após colocar toda a apuração no papel, pude perceber qual era o elo entre as histórias. Cada uma delas possuía uma lenda diferente, ou um trecho da história que permanece em branco, por não ter sido preservado. Ao decidir procurar os túneis subterrâneos do passado, que um dia foram construídos para despistar quem caminha sobre a terra, eu não contava que depois de tantos anos eles pudessem continuar cumprindo seu objetivo: esconder-se dos nossos olhos.
Acesse o PDF da matéria Entre fantasmas e divas
Daniela Schmid, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Oi, pessoal!
Confiram neste vídeo os bastidores da minha reportagem no suplemento dos focas publicado no dia 11. Minha matéria foi uma “sub” – no jornalismo, uma matéria complementar a uma mais importante, chamada de “abre” – desta: Petrobrás vai reordenar dutos em SP. As duas falam sobre os impactos da exploração do petróleo no pré-sal em São Paulo.
Acesse o PDF da matéria Estado pode ser maior beneficiado com a exploração
Frederico “Cedê” Silva, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas)
Um termo relativamente comum em jornalismo é o da “matéria fria”, ou seja, um texto que não tem a obrigação de sair numa determinada data, porque não traz necessariamente um fato novo. Num jornal diário, por exemplo, esse tipo de texto tem espaço principalmente nos suplementos semanais. Esse foi o caso de boa parte das matérias do nosso caderno, e não era para ser diferente com o nosso texto sobre arqueologia.
De início, queríamos saber apenas o que escondem, ou melhor, o que contam do passado os sítios arqueológicos de São Paulo. Era para ser um “refresco” para o leitor dentro de um caderno carregado de dados. Já tínhamos entrevistado dois arqueólogos que nos haviam passado importantes panoramas dos sítios de São Paulo quando chegamos a Plácido Cali, responsável pelas pesquisas nas obras de revitalização do Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste. E dele surgiu a informação de que haveria um espaço permanente de conservação na nova praça que estava sendo construída na região.
Nessa hora, Carla Miranda, editora do caderno, apontou que esse poderia ser um bom caminho para a pauta, principalmente se conseguíssemos confirmar o ineditismo da informação. Tínhamos um possível “furo”. Nada que mudasse o mundo, mas ainda sim era um furo. Conversamos mais três vezes com Cali, para obter detalhes que estavam faltando, e com o arqueólogo responsável pela obra junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Rossano Lopes. Em todas as conversas, a mesma pergunta: “A exposição do sítio está realmente confirmada?”. Com a resposta positiva, ficamos mais seguros para escrever a matéria.
Contudo, não poderíamos falar apenas desta novidade sem dar algumas informações sobre em que pé estão os outros sítios arqueológicos paulistanos. Inicialmente, essas informações iriam para a infografia, junto com aquelas dezenas de dados que ficaram nas páginas 4 e 5 do caderno. E, para isso, recolhemos dados como o total de sítios de São Paulo, quais eram os principais, qual a profundidade, tamanho. Algo que acabou sendo mais complexo do que imaginávamos. E aqui cabe um agradecimento especial ao arqueólogo Paulo Zanettini, que infelizmente não entrou no texto final, mas colaborou e muito com essas informações.
Como é possível ver no trabalho final, a arqueologia de São Paulo não teve espaço na infografia e as informações acabaram entrando na própria matéria e em um box ao lado do texto, listando os principais sítios arqueológicos da cidade. Daí cabe uma dica àqueles que costumam deixar de lado as pesquisas para esses complementos visuais que não entrarão diretamente no texto: uma boa apuração desses dados pode enriquecer muito a matéria, além atrair a atenção do leitor.
Lendo e ouvindo nossos colegas, percebemos que não tivemos tanto trabalho quanto a maioria. A pauta ajudou bastante e também tivemos um pouco de sorte. Mas o que mais nos marcou foi a possibilidade de darmos uma informação inédita. Uma história nova para contar numa matéria que conta um pouco da história de São Paulo.
Acesse o PDF da matéria Sítio arqueológico encontrado em Pinheiros terá exibição permanente
Rodrigo Rocha, de 24 anos, cursa o último semestre de Jornalismo na Universidade de São Paulo (USP)
Vanessa Corrêa, de 26 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP)
A ideia dessa pauta nasceu no dia em que apresentamos os possíveis temas para o suplemento dos focas. Quando decidimos que seria o subterrâneo de São Paulo, o editor-chefe do Estadão, Roberto Gazzi, logo sugeriu: “Podemos fazer uma matéria sobre os porões da cidade, as famílias que ainda mantém os seus porões, suas histórias”.
Estava dada a largada. Fomos procurar casas que tivessem porões. E não bastava ter porão, era preciso que a família utilizasse o cômodo há várias gerações e que disso resultasse numa boa história. O desafio dado pela editora Carla Miranda era grande. Nada que o entusiasmo e litros de gasolina não fossem capazes de vencer.
A procura por porões se estendeu por quase um mês. A pesquisa de lugares começou por indicações na internet. De um texto saudoso sobre um sapateiro que trabalhava no porão, nasceu nosso ponto de partida: a Rua Major Diogo, no Bexiga. Realmente a rua era cheia de porões, desde o do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) até um forró no porão conhecido como Buraco da Barata. Na mesma rua, encontramos casas antigas em que os porões viraram pensões para famílias de baixa renda, em especial, de migrantes vindos do Nordeste.
Todas as histórias dessa rua nos empolgaram, mas a editora ainda não estava satisfeita. Iniciamos então uma verdadeira saga atrás de famílias centenárias e seus porões. Batemos de porta em porta na Vila Clementino, Vila Mariana, Saúde, Campos Elísios e Bexiga… Nada de famílias centenárias! Percebemos que elas tinham abandonado há anos essas regiões. A pauta inicial começava a cair.
Observamos, porém, que muitos porões estavam alugados para comércios ou foram adaptados – como aquele do Bexiga – e se tornaram moradias de baixo custo e boa localização para os trabalhadores. Uma nova pauta surgia, pois a realidade tinha ultrapassado o contorno da pauta que havíamos traçado dentro da redação. E a editora concordava.
O resultado foi uma matéria de personagem, baseada em duas boas histórias. A rua nos mostrou um elemento básico do jornalismo que acaba sendo esquecido no dia a dia: a vida que o jornalista cria em sua cabeça muitas vezes está longe da que existe de fato, e é preciso humildade para deixar a realidade – com suas limitações e encantamentos – remodelar a pauta inicial.
Acesse o PDF da matéria Da Paraíba para os porões paulistanos
Érica Saboya, de 24 anos, cursa o último semestre de Jornalismo na PUC-SP
Flávia Maia, de 23 anos, é formada Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB)
Paralelamente à matéria do Metrô, produzimos uma reportagem sobre o enterramento das linhas férreas que ligam a Lapa ao Brás. Para apurar, fomos a eventos, entrevistamos autoridades e especialistas, fizemos pesquisas para ver o que já tinha sido publicado sobre o assunto.
O secretário municipal do Desenvolvimento Urbano falou conosco sobre o projeto e percebemos que ainda estava muito incipiente. Àquele momento, havia apenas um termo de referência para apresentar as ideias – não tínhamos algo concreto (custos, previsões, documentos).
Outra fonte importante para termos mais noção de todo esse processo foi Franco Corsico, ex-secretário de Desenvolvimento Urbano de Turim, cidade italiana que também apostou na técnica de enterramento da linha férrea para aproveitar o espaço na superfície. Lá, a linha férrea era uma barreira física que atrapalhava o desenvolvimento de um dos lados da via.
Há um mês da veiculação do nosso suplemento, que saiu no dia 11, a grande dificuldade de abordar esse tema foi competir com os jornais e revistas que publicavam qualquer informação nova que surgisse. Para superar esse obstáculo, encontramos uma alternativa: ir a ruas próximas dos 12 quilômetros de linha férrea que será enterrada para saber a opinião de moradores e comerciantes. Essa seria uma prévia das audiências públicas a serem realizadas pela Prefeitura para descobrir os desejos da população em relação às obras. Essa iniciativa foi importante porque, ao fazer projetos de intervenção urbana em vários locais, nem sempre o poder público resolve problemas dos frequentadores diários.
Ao percorrer essa região, percebemos a degradação do entorno dessas estações – lixo, pichação, galpões (muitos abandonados ou desativados), pouco comércio e a sensação de insegurança são alguns dos problemas. Um dos entrevistados, por exemplo, ressaltou as 28 vezes que seu bar, do lado do trecho da Barra Funda, já foi assaltado.
Veja fotos de áreas vizinhas às linhas férrea
Acesse o PDF da matéria Moradores aprovam Operação Lapa-Brás
Amon Borges, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e estuda Filosofia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
Gustavo Aleixo, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Ivan Martínez, de 21 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade de Taubaté (Unitau)
Em um caderno sobre o “subterrâneo” de São Paulo não poderia faltar um tema óbvio: o Metrô. Com o atraso na entrega da Linha 4-Amarela, tivemos a missão de descrever o andamento da construção da primeira fase. Conseguimos visitar as obras nas Estações Luz e República, passamos por Butantã e Pinheiros, além de conhecermos o trecho que já atende à população – Estações Paulista e Faria Lima. O foco nessa descrição foi uma alternativa para não dependermos tanto de informações da assessoria e mostrarmos algo novo ao leitor.
A ideia inicial, no entanto, era produzir uma matéria interessante a partir de perguntas que precisariam ser feitas para compor o infográfico do caderno – projetos de expansão, particularidades de cada linha, a receita gerada por anúncios, entre outros assuntos. Em todos esses casos, o primeiro passo é entrar em contato com a assessoria do Metrô de São Paulo. Procedimento seguinte: enviar e-mail com a solicitação e os questionamentos.
Sabíamos que o ritmo de jornais diários difere do de assessorias e, por isso, esperamos alguns dias para saber sobre previsões de retorno. Os contatos telefônicos e por e-mail não indicavam a existência de um matéria jornalística consistente e passamos a pensar em alternativas para falar sobre o Metrô. A busca por dados oficiais do Metrô no Diário Oficial do Estado foi muito útil, porém os relatórios continham informações dos anos anteriores, sem informações novas para um jornal diário. Para conseguirmos novidades sobre projetos dependíamos, de fato, da assessoria.
Uma das saídas foi contatar a assessoria da concessionária ViaQuatro, que administra a Linha Amarela. Também conseguimos conversar com representantes da Via Amarela, consórcio responsável pelas obras dessa linha, com quem obtivemos autorização para visitas. A partir de então, passamos a receber informações da concessionária – e a reportagem começou a ganhar formato. Em reunião com a editora, surgiu a ideia de fazer um mapeamento de cada estação da primeira fase.
Porém, a maneira de escrever seria um desafio: a proposta era tentar transmitir para o leitor as sensações de quem havia visitado as instalações. Tratava-se de uma tarefa difícil, mas que poderia gerar bons frutos. Essa situação caracteriza bem um caderno especial: pensar boas pautas, apurar demais, ter capacidade descritiva e informar.
Veja fotos das novas estações da Linha 4-Amarela
Acesse o PDF da matéria Por dentro das novas estações
Amon Borges, de 23 anos, é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e estuda Filosofia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
Gustavo Aleixo, de 24 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Ivan Martínez, de 21 anos, cursa o último ano de Jornalismo na Universidade de Taubaté (Unitau)
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