A eliminação do Brasil da Copa América sem acertar uma cobrança na decisão por pênaltis deixou muita gente indignada. “Como pode um jogador profissional errar desse jeito?” é a pergunta mais comum ouvida por aí nessa segunda-feira de ressaca paraguaia. Pelo que li, o feito do time de Mano Menezes é inédito. Pelo menos em jogos. Em treino não é. Na Copa de 2002, na Coréia e no Japão, os craques de Felipão conseguiram perder oito num treino antes do início da competição.
O Estado de S.Paulo – 30/5/2002
11.07.2008
Se alguém ainda acredita naquele papo de Olimpíadas como integração dos povos e culturas através do esporte, a decisão do governo chinês de proibir os restaurantes locais de servir pratos com carne de cachorro deu mais uma demonstração de que os ideais do Barão de Coubertin são coisas de um passado distante. Embora cobrar espírito olímpico de um país onde impera o autoritarismo possa até ser burrice, é difícil entender a decisão, adotada para “evitar conflitos”, nas palavras de uma autoridade chinesa. Leia a íntegra

Menu de restaurante na Coréia do Sul, em 2002, oferece carne de cachorro

A simpática coreana e as entradas: petiscos de carne canina na vasilha retangular
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 11 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Ulsan – A cidade de Ulsan, onde a seleção brasileira está concentrada na Coréia do Sul, não dispõe de um sistema de transporte público eficiente. Com um número reduzido de ônibus circulando pela ruas e sem metrô ou trem, o táxi não é nem opção, e sim item obrigatório para quem está trabalhando na Copa do Mundo sem carro alugado. Nos primeiros dias, não conseguia entender porque os motoristas que já levavam passageiros paravam quando eu dava sinal. Só depois de alguns dias fui saber que é prática comum na cidade os taxistas levarem passageiros diferentes se o itinerário for o mesmo. Numa mesma corrida, você pode dividir o carro com pessoas diferentes mais de uma vez. O problema é quando se está com pressa, atrasado para um treino da seleção, por exemplo.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 11 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Ulsan - A cobrança sobre os erros de passes e finalizações da seleção brasileira tem sido uma constante para o técnico Luiz Felipe Scolari. O treinador chega até se irritar com as críticas, que considera injustas. Mas não é por isso que deixa de cuidar desse assunto delicado para o time.
Nos treinos desta segunda-feira - os primeiros visando o jogo contra a Costa Rica - Scolari dedicou a maior parte do tempo a esses dois fundamentos. E ainda aproveitou para testar uma possível formação diferente para o último jogo nesta fase, poupando três titulares.
Na parte da manhã, quando chegou a preservar cinco jogadores (Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos, Roque Júnior e Cafu ficaram fazendo musculação no ginásio do hotel), os passes curtos e rápidos foram a prioridade do treinador. Felipão tem dito que os jogadores precisam se aprimorar mais nesse fundamento para adquirir confiança e errar menos nos passes longos. O trabalho, no sistema de “dois toques”, acabou tendo uma baixa além dos quatro poupados: o volante Kléberson, que teve um entorse no tornozelo direito e deixou o gramado. O tratamento, com gelo e antiinflamatório, foi iniciado nos degraus que servem de arquibancada ao lado do campo.
O médico José Luiz Runco afirmou que a contusão não era grave e que poderia preservar o jogador no treino da tarde, o que acabou acontecendo. Ele acredita, porém, que o Kleberson poderá treinar normalmente nesta terça.
Roberto Carlos, que vinha reclamando de dores na panturrilha da perna esquerda, também não foi e ficou em tratamento. Runco afirmou que o jogador do Real Madrid está sentindo o problema por causa do grande número de jogos que disputou esse ano e que o “bom-senso” pedia que ele fosse preservado.
Se será poupado também na partida, diz, a decisão será de Luiz Felipe Scolari. O técnico não falou nada, mas sinalizou que pode poupar o jogador, testando uma formação titular com o Júnior no lugar de Roberto Carlos, Edmílson no de Roque Júnior e Ricardinho substituindo Ronaldinho Gaúcho. A opção foi testada com o time utilizando metade do campo, mas sem os reservas, que ficaram do outro lado repetindo finalizações, como adversários.
Antes de experimentar as substituições, Scolari havia colocado todos os jogadores para treinar chutes a gol, com ênfase nas bolas cruzadas das laterais. Com o penúltimo dia antes do terceiro jogo do Brasil na Copa do Mundo dedicado aos fundamentos básicos do futebol, resta agora apenas um período de treinos, nesta terça, para definir o time, além do reconhecimento no estádio, na véspera do jogo de quarta-feira.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 09 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Ulsan – Os chineses tomaram conta da Ilha de Jeju para o jogo contra o Brasil, ontem, e fizeram uma grande festa no estádio de Seogwipo, apesar da goleada sofrida pelo time. Se antes do jogo, eles ocuparam a maioria das vagas disponíveis no hotel da ilha, hoje, na volta, parece que todos resolveram ir embora ao mesmo tempo. O aeroporto internacional da Ilha estava tomado de chineses, provocando enormes filas e atrasos nas partidas dos vôos.
As filas começavam já nos balcões das companhias aéreas e aumentavam nas áreas internas de embarque, transformando-se em aglomeração. Nos guichês da imigração, a passagem era bastante complicada. A tradicional educação oriental era ignorada e os chineses iam tentando se enfiar na frente dos que já estavam lá. Mas a pior parte eram os detectores de metais, em número reduzido para tanta gente ao mesmo tempo. Os agentes se desdobravam para controlar e liberar os passageiros para os vôos.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 08 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Seogwipo, Coréia do Sul – Nada como um susto para deixar as pessoas mais atentas. Com a contusão e o corte do volante Émerson ainda frescos na memória, o técnico Luiz Felipe Scolari adotou a cautela no treino de reconhecimento do gramado do estádio de Seogwipo, onde a seleção brasileira enfrenta a China neste sábado pela segunda rodada da Copa do Mundo.
Depois de comandar um treino tático, quase um mini-coletivo no local da partida, a comissão técnica começou os preparativos para o tradicional recreativo. Quando os auxiliares colocaram os paus que fazem as vezes de trave no meio do campo, começou a expectativa sobre qual seria a reação dos jogadores e do técnico, que haviam dito que nada mudaria depois que Émerson sofreu uma luxação no ombro quando brincava de goleiro no treino recreativo antes da estréia. Não foi bem assim.
Os jogadores de linha nem se preocuparam em trocar de posição, como tradicionalmente fazem. Felipão nem fez suspense e logo chamou os goleiros Marcos e Rogério para assumirem seus postos. Os jogadores mantiveram seus posicionamentos originais em campo: zagueiro na saga, meia no meio e atacante no ataque. Sem invenções.
A presença de Ricardinho ali ao lado era o sinal de que não era bom dar sopa para o azar. Nas entrevistas depois do treinos, todos afirmaram que não houve medo algum e que o que aconteceu com Émerson foi normal e poderia acontecer com qualquer um. “Foi só um treino leve mesmo”, disse Kléberson. “Ninguém tirou o pé por causa do que aconteceu com o Émerson”.
Gilberto Silva negou que houvesse excesso de zelo. “Cuidado tem que ter sempre, não houve nada disso”. O herdeiro da faixa de capitão de Emerson, o lateral Cafu, tentou dar uma outra explicação, mas não convenceu. “Existem várias formas de fazer reconhecimento do gramado. E hoje apenas optamos por fazer uma diferente da que fizemos na vez passada. Mas nosso comportamento não mudou em nada”.
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