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Edmundo Leite

Os tuiteiros Marcia Carvalho e Mauricio Alves não gostaram de ver reproduzidos no texto “Plínio, o perigote do debate”, aqui neste blog, os comentários que eles publicaram no Twitter sobre o desempenho candidato do PSOL no debate de quinta-feira.

Enquanto a Marcia se queixou de o comentário dela ter sido usado para tratar Plínio de Arruda Sampaio como um comediante, o Mauricio reclamou que foi citado sem ter sido consultado.

A Marcia se manifestou pelo Twitter, por comentários no post original e também publicou um texto em seu blog. O Mauricio se manifestou apenas pelo Twitter. As queixas de ambos seguem abaixo.

As da Marcia, em seu blog:

marcia_blog

marcia_blog4

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As do Mauricio, no Twitter:

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Algumas respostas às queixas de ambos já foram dadas no twitter ou em comentários no post original. Eventuais novas considerações minhas serão publicadas neste post como comentários.

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06.agosto.2010 07:50:09

Plínio, o perigote do debate

plinio | zebunitinho

Plínio de Arruda Sampaio roubou a cena no primeiro debate entre os candidatos à presidência ontem à noite na Band. Com um formato cada vez mais engessado por regras – convenientemente impostas pelos principais candidatos para aceitarem participar – qualquer um que saia um pouco do script acaba conquistando a simpatia do público, espírito de porco por natureza.

Na TV, segundo os primeiros dados divulgados, não teve muita audiência, mas bombou na internet. Após as primeiras gracinhas já no início do debate, o nome do candidato do PSOL começou a galgar posições nos Trend Topics do Twitter, o novo guia de nossas vidas (nas redações de sites jornalísticos, os TTs  estão virando uma espécie de biruta de aeroporto).

tw_TT

Seria bom saber com quantos comentários se faz um trend topic e o alcance disso, mais ou menos como o Ibope faz com a TV. Ou mesmo a audiência dos sites que transmitiram o debate ao vivo. Isso sem falar nas outras redes sociais populares, como o Facebook e o Orkut.  Talvez desse para responder a boa pergunta  que o Mauricio Stycer fez após o debate:

tw_sty

Difícil responder. E essa  talvez seja a resposta que todos as equipes de campanhas dos candidatos sonham em ter.  Mas o que dá para dizer, pelo menos do ponto de vista de quem assiste,  é que uma experiência coletiva bem bacana ver  debate pela TV e ao mesmo acompanhar os comentários pelo twitter ou na sua rede social preferida.

Tem muita gente postando comentários  legais e é como se a sala de casa virasse um outro imenso debate. Mas também tem mais gente ainda vendo aquilo que quer ver:  fazendo loas ao candidato preferido e comentários desdenhosos ao adversário odiado. Mas o que acaba acontecendo mesmo é que fica quase igual a assistir jogo de Copa do Mundo em bar.

Creio  que esse é primeiro debate eleitoral no Brasil com um acompanhamento massivo e realmente expressivo pela internet. E aí voltamos ao Plínio.  Alguns já o consideram até como o vitorioso do debate, já que a princípio nem iria participar.

tw_bob

tw_nemsabia

tw_oas

tw_stand

Imagino que já deva ter bastante gente no PSOL comemorando a repercussão da performance de Plínio no Twitter e achando que ele será um diferencial na campanha. Com o sucesso da atuação engraçadinha, devem achar que talvez dê até para alçar vôos maiores e, quem sabe, até superar algum dos sisudos adversários.  Devem estar apostando  que Plínio se torne um novo Cacareco, Macaco Tião ou Enéas, que entraram para o folclore eleitoral brasileiro como misto de gaiatice e voto de protesto.

Nada contra o bom humor. Até mesmo na política. Mas não é por isso que os candidatos tenham que se transformar em animadores de auditório. O Serra até fez alguma menção – citando a filha –  à sua falta de riso no final debate de ontem. Ele e Dilma tem feito um esforço para soarem mais festivos e simpáticos em sua busca por votos. Mais uma vez, nada contra. Porém, ficar refém dessa ditadura da alegria não é legal. É como se todos os professores tivessem quer ser iguais aqueles professores de cursinho que dão aulas-shows. Nem todo mundo nasceu para isso e não é assim que se mede a qualidade de um professor e de uma aula. De um candidato a presidente, então, nem de longe pode ser um critério para o voto.

tw_mate

A gaiatice de Plínio, apesar de não ser artificial, soou boba neste debate. Sem ninguém que tivesse coragem para dar  um corte nele, foi ficando cada vez mais à vontade.   Se acreditar que com isso fará sucesso nos outros debates, corre o risco de virar um daqueles quadros fixos da “A Praça é Nossa” (que teve mais audiência que o debate)  em que comediantes repetem seus bordões a cada programa.

Na Praça é divertido. No debate eleitoral, pode ter funcionado no começo.  Mas será que uma parte do eleitorado vai querer mesmo dar seu voto a um comediante?  Se sim, tem gente com chance no pedaço:  Tiririca, Pedro “ô loco meu” Manso e Batoré.  Os três gênios do humor popular disputarão vaga no legislativo apostando na máxima “palhaço por palhaço, fique com os originais”.

Mas o humor de Plínio é de outra natureza. Com 80 anos, ele  está naquela fase  em que uma das coisas legais da idade é não ligar mais para velhas convenções e para a compostura.  Sabe aqueles velhos que ficam falando besteiras para as meninas novinhas? Se um cara mais novo fala a mesma coisa tá arriscado a tomar um tapão e ser escorraçado. Já o senhor desbocado de cabelos brancos ganha um tapinha no braço acompanhado de risadinhas e um “seu velho safado”.  Um exemplo desse comportamento senil pode ser visto todos os domingos na TV, com o Silvio Santos cada vez mais safado e desbocado.

No twitter, a @tripolaroide e @amardinah captaram bem o estado de espírito do Plínio:

tw_tioavo

tw_tioavo2

Depois do programa, naquelas entrevistas ainda no estúdio cheio de gente, Plínio estava tão entusiasmado com o seu desempenho que, juro, deu uma leve gingadinha de corpo na hora de responder qual foi a sua avaliação do debate. A lembrança do genial Zé Bonitinho do Jorge Loredo foi imediata. Só faltou puxar o microfone e dizer “Plininho, o perigote do debate. Au, au”.

# Assista à íntegra do debate

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03.dezembro.2009 00:54:57

Lombardi, uma voz do Brasil

Num tempo que todos podem ser locutores, com seus próprios programas gravados em podcasts ou em vídeos no Youtube, nada podia ser mais anacrônico que uma voz de veludo, empostada, com a dicção perfeita, narrando como há 50 anos nos antigos programas de rádio. Não no SBT. Tem coisas que só no SBT pode. Uma delas era o Lombardi. Leia a íntegra

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“Aqui nada se perde, tudo se transforma”. Embora tudo por ali no finalzinho da Rua Galeno de Almeida venha se transformando bastante, o lema impresso no cartão de visitas da Cristais Eduardo não vem  podendo ser cumprido nos últimos tempos. Por causa de dois empreendimentos imobiliários que cercaram o estabelecimento comercial que leva seu nome, Eduardo Augusto Teixeira Pimentel está  impossibilitado de exercer o ofício ao qual se dedica há 70 de seus 83 anos – 40 deles no endereço pertinho da avenida Doutor Arnaldo.

Eduardo com seus vidros e cristais:
“Se eu parar, São Pedro me engancha”

Localizada entre as ruas Oscar Freire e Arruda Alvim, a antiga casa de telhado estilo borboleta onde fica a Cristais Eduardo é um dos poucos imóveis que resistiu ao assédio dos construtores dos novos prédios residenciais que estão sendo erguidos pela incorporadora Sisan, braço imobiliário do Grupo Silvio Santos, na nova fronteira de um dos endereços mais valorizados da cidade.

Com quase todos os imóveis vizinhos vendidos para a Sisan, a Cristais Eduardo está ilhada pelo cenário de terra arrasada comum do início de obras de grande porte. Seria apenas uma vista ruim, após a demolição das casas vendidas e da terraplanagem, se o amplo canteiro de obras que tomou conta do lugar não estivesse causando estragos no antigo imóvel onde há quatro décadas seu Eduardo executa seus serviços, descritos logo após a frase de efeito no cartão de visita: “Restauramos cristais, louças, prataria, biscui e objetos de arte. Lapidação, Prateação, Metalização, Presentes.”

Com o início das fundações da obra, os bate-estacas chegaram a fazer tremer as prateleiras onde seu Eduardo mantém uma variedade de produtos de vidros e cristal expostos para venda. Mas esse nem foi o maior transtorno. Na fase de escavações  do terreno, há cerca de dois meses, uma parede da oficina de seu Eduardo, que fica na parte de trás do antigo imóvel, começou a desabar, colocando em risco a segurança do lugar. As obras foram paralisadas pelos construtores, que chegaram a um acordo com seu Eduardo e dona Lígia, moradora de uma casa nos fundos da Cristais Eduardo: Lígia e sua família foram para uma casa alugada pela construtora no Butantã, onde ficará por um ano. Sua casa, agora utilizada como base de serviços e alojamento pelos construtores do prédio, será reconstruída e entregue de volta à proprietária. Com seu Eduardo, o acordo foi o de reconstrução da parte afetada do imóvel e pagamento mensal de uma indenização por quatro meses, tempo previsto  da paralisação de  suas atividades.

São Pedro

Apesar do bom humor com que trata o assunto, Eduardo não esconde a angústia com a situação. “Trabalhar vicia. É vício”, diz. “Trabalho há tantos anos, vou parar de que jeito?” pergunta, para em seguida dar a resposta. “Se eu parar, São Pedro me engancha”, brinca. “Eu preferia que isso não acontecesse. É um transtorno, uma confusão. Eu gostaria de estar na rotina”.

Rotina que tenta manter, apesar de todos os equipamentos da oficina estarem desmontados. Mesmo impossibilitado de trabalhar, e com uma compensação financeira que permitiria que ficasse de férias prolongadas, seu Eduardo vai diariamente ao local. Pessoalmente ou por telefone explica aos clientes que o procuram que não poderá aceitar encomendas. “Meu maior prazer é ver a satisfação do cliente com o produto restaurado, mas agora estou só com algumas vendas, tendo que recusar serviço.”

Oferta

Eduardo conta que os construtores dos prédios tentaram comprar seu imóvel, mas que não aceitou por considerar a oferta insatisfatória. “Se fosse uma moradia, seria mais fácil. Mas aqui é um ponto comercial. Minha clientela está toda por aqui e sabe onde estou. Não posso ir para longe. Se tivessem feito uma oferta melhor, que pagasse o ponto e permitisse que eu fosse para outro ponto por perto, eu venderia. Mas pelo que ofereceram não pude aceitar”. O artesão não revelou quanto ofereceram pelo seu imóvel, mas segundo ele os valores estão abaixo dos preços praticados pelo mercado imobiliário na região.

Outros vizinhos que não quiseram vender seus imóveis também disseram que não aceitaram por considerarem a oferta irrisória. Os apartamentos dos dois novos condomínios – “localizados numa das regiões mais cobiçadas de São Paulo, pertinho da Oscar Freire”, como diz o material promocional  da Sisan – foram vendidos a preços que vão de R$ 360 mil a perto de R$ 1 milhão, no caso das coberturas.

Procurada, a empresa do grupo Silvio Santos não quis comentar o caso. Enquanto as obras continuam, seu Eduardo aguarda com ansiedade a reconstrução da sua oficina, mesmo sabendo que provavelmente a reforma terá a mesma imperfeição dos objetos quebrados que restaura e recupera: “Vidro e cristal é igual a uma mulher. Depois da restauração, fica igual velha quando faz plástica. Fica bom? Fica. Mas nunca mais será como antes.”

Veja também:
Moradora afetada por obra deixa residência por um ano
# Google Stree View (vista da rua): a loja com os prédios construídos

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A técnica em pesquisas Ligia Sumi Vieira assistia televisão em sua sala quando ouviu um forte estrondo e sentiu a casa balançar. Ao sair para fora, a surpresa: um trator que fazia escavações no terreno vizinho estava pronto para avançar sobre a sua residência. Desesperada, gritou para interromperem a obra. Tão surpresos quanto Ligia, os operários paralisaram suas atividades. Máquinas desligadas, outra surpresa. A casa de Ligia estava no mapa de demolição da empresa responsável por limpar o terreno para a construção de dois condomínios pela incorporadora Sisan no quarteirão entre as ruas Oscar Freire, Galeno de Almeida e Arruda Alvim.

A casa de Ligia – na qual mora há mais de 30 anos – estava nos planos dos construtores dos novos prédios residenciais, mas não houve acordo para venda. Após aceitar uma oferta, o negócio não foi para frente por causa da recusa do dono do imóvel em frente – a Cristais Eduardo – em vender  a propriedade. Com o impasse, os dois imóveis, que tem uma área comum e são  separadas por um pequeno jardim, ficaram ilhados pelas obras dos edifícios. “Um bate estacas quase derrubou a varanda”, conta Ligia, enquanto alerta o repórter para não se apoiar num muro – “olha só a rachadura” – e coloca alguns vasos de plantas  no carro.

Cuidem bem do meu jardim

As samambaias e outras plantas foram as últimas coisas retiradas da casa. Com os danos e transtornos cada vez maiores, Ligia entrou em acordo com a Sisan e deixou o local. A empresa alugou uma casa no Butantã para ela e a família viverem por um ano. No período das obras dos edifícios, a construtora usará a casa como alojamento e depósito. Depois disso, reconstruirá toda a residência para que a família volte para lá. Mesmo resignada com a situação, Ligia mantém a cordialidade com os funcionários  enviados pela empresa para ajudar na mudança. “Cuidem bem do meu jardim”, pede a um dos operários que ficará trabalhando no imóvel. “Já mudei o endereço das contas e das revistas, mas devem chegar algumas ainda. Guardem para mim que eu passo aqui para pegar.”

Apesar de todos os transtornos com a mudança inesperada, Ligia diz que não está recebendo nenhuma compensação adicional além do aluguel da nova casa e da ajuda na mudança. “Gastei até com perícia particular e a Defesa Civil queria interditar a minha casa e não a obra”, conta Ligia.

Desamparo

O desamparo do poder público também é a queixa de outros vizinhos da obra que não quiseram vender seus imóveis para os construtores dos novos edifícios residenciais.  O comerciante Arnaldo Serafim Saavedra, de 58 anos e  que mora numa das casas localizadas sobre pequenos comércios na Oscar Freire, conta que vem sofrendo com os transtornos das obras e não obtém resposta alguma da prefeitura ou da polícia quando os procura. “Já liguei de madrugada por causa de escavações que estavam fazendo nesse horário e não veio ninguém. As máquinas e caminhões trabalham até de sábado e  domingo. A gente se sente desrespeitado com a falta de respeito das autoridades.”

Assim como outros vizinhos, o comerciante explica que não aceitou a proposta de compra da Sisan por considerá-la insatisfatória. “Estou do lado do Metrô, na Oscar Freire, e não vou sair daqui sem uma proposta que me permita ir para um lugar equivalente”, diz Arnaldo, que nasceu no local, propriedade de sua família há quase 80 anos.

Razões afetivas também foram o motivo da recusa da venda de outro imóvel, localizado na fronteira  de cima do empreendimento. Morador de uma casa na rua Arruda Alvim há 55 anos, Maurício Meirelles – que atende à campanhia sorrindo – não pode nem escutar a possibilidade de sair de lá. “A vida dele está toda aqui”, diz a professora Malena, explicando que o irmão, que tem problemas mentais, vive na casa desde pequeno. “Como poderíamos tirar ele daqui?”, pergunta.  “Ele morre de medo quando escuta alguma conversa sobre a casa. Conhece todo mundo da rua, vai ao médico sozinho e perderia toda sua referência se mudasse para outro lugar. A vida dele é aqui.”

Veja também:
A casa de cristais e o bate-estaca de Silvio Santos
# Galeria de fotos
Google Stree View (vista da rua): o imóvel com os prédios construídos

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