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Edmundo Leite

Não somente arquivos físicos podem guardar a memória de lugares. Documentos de outras naturezas, as obras de arte também tem seu papel na conservação do passado de pessoas, cidades, países, do mundo.

Com sua nostálgica “Lampião de Gás”, Zica Bergami retratou uma São Paulo de clima bucólico, anterior à grande expansão que transformou a cidade em metrópole.

Zica muitas vezes viu a autoria de sua obra-prima ser atribuída a  Inezita Barroso, intérprete que consagrou a canção. É a sina de  quase todo compositor que não é o cantor da própria obra.

Soube de Zica uns tempos atrás, quando trabalhei com uma sobrinha-neta da artista. Hoje, fiquei sabendo que ela se foi há alguns dias, aos 97 anos.

Justo então lembrar de quem nos proporcionou lembranças de uma cidade que não conhecemos.

# Depoimento ao Museu da Pessoa

# Ouça canções de Zica Bergami

# Site de Zica Bergami

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24.agosto.2010 06:40:06

A guerra dos pastéis

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Pelo segundo ano consecutivo, São Paulo escolheu o seu melhor pastel de feira. A vencedora desse ano foi a barraca da Agena, que desbancou a campeã do ano passado, a Maria, que até abriu uma loja em Pinheiros depois da consagração no primeiro concurso.

Se hoje é impossível imaginar uma feira sem barraca de pastel, a ponto de o quitute ser  reconhecido oficialmente como um símbolo da cidade –  com a prefeitura organizando o concurso e o próprio prefeito entregando pessoalmente o prêmio – os pasteleiros nem sempre contaram com a simpatia do poder público. Ao longo dos anos tiveram que lutar contra várias administrações desde que os primeiras cuias de óleo quente apareceram nas feiras livres da cidade.

Como a maioria do comércio informal, não se sabe com precisão quando começou o comércio de pastéis nas feiras. Alguns registros dizem que  foram imigrantes japoneses da ilha de Okinawa – movidos pelo aperto econômico – que deram início à tradição.

A primeira regulamentação da categoria data de 1966. Mas isso não foi garantia de tranqüilidade para os pasteleiros. Nos anos 70 e 80 foram várias ações oficiais para coibir a venda de pastéis nas feiras. Enquanto algumas apertavam a fiscalização em torno de alvarás e condições sanitárias, outras pretendiam banir completamente os pastéis das feiras.

Era o que pretendia o prefeito Olavo Setubal, que em 1978 baixou um decreto proibindo o comércio de pastéis nas feiras da capital. Os pasteleiros reagiram com pedido de mandado de segurança, protestos e pressão do sindicato junto aos vereadores.

# Jornal da Tarde – 06/4/1978

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A realidade dos pasteleiros não era muito diferente de seus colegas feirantes. Estudo recente apresentado num curso de especialização na Escola de Comunicação e Artes da  USP  mostra que as próprias feiras estiveram no alvo de várias administrações e que seu fim chegou a ser anunciado várias vezes.

Em 1978, a pressão contra o decreto de Setubal deu certo e os pasteleiros continuaram nas feiras. Mas de tempos em tempos tiveram que enfrentar novas investidas de diferentes gestões da prefeitura.

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Mais que o apoio de  suas associações e de alguns políticos, os pasteleiros contavam com um aliado poderoso que garantiria a sua permanência nas ruas: os consumidores.

Todos os dias, em diferentes pontos da cidade, milhares de pessoas que há muito deixaram de comprar frutas e hortaliças nas barracas de madeira cobertas com lona ou plástico vão às feiras em busca de um pedaço de massa recheado com os mais variados ingredientes.  Aos pioneiros carne, queijo e palmito se juntaram uma infinidade de sabores, de preferência devorados acompanhados de um gelado caldo de cana. Uma guerra que valeu a pena.

# Jornal da Tarde – 04/08/1976

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#  1974 / 1977 / 1978

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24.fevereiro.2010 23:54:27

O case publicitário de Kassab

Não entendo de publicidade.  Mesmo assim, arrisco  dizer que a  imagem do prefeito paulistano Gilberto Kassab  no intervalo comercial do horário nobre da TV  agora de noite para justificar as enchentes em São Paulo pode  entrar para a história da propaganda.  Só estou na dúvida se será um case - para usar um jargão do ramo – de  sucesso ou de fracasso.

Para quem não viu (e como o  vídeo ainda não foi parar no YouTube), aqui vai uma breve descrição :

Fantasiado Vestido com uma capa de chuva amarela e tentando dar um tom informal à justificativa,  o prefeito  relata ações da prefeitura contras as enchentes enquanto as imagens mostram piscinões, bonitos córregos canalizados e limpeza de bueiros.

A coisa  vai indo nessa toada até que em determinado momento o prefeito chama as tempestades de dilúvio e diz que, mesmo com tudo o que foi feito, não há cidade que aguente tamanha quantidade de água.

Além de destacar essa  força descomunal da natureza, a propaganda  mostra  imagens de entulhos sendo retirados pelos caminhões  – no final aparece um sofá – para reforçar a mensagem de que a culpa pelas enchentes não é da prefeitura.

Se a mensagem surtir efeito,  será um case publicitário de sucesso e os marqueteiros da prefeitura poderão  comemorar. Mas como disse, estou na dúvida: será que  conseguiram passar a mensagem pretendida?

Provavelmente o prefeito não esteja errado ao dizer que a força dessas chuvas recentes seja atípica. Mas será que as pessoas que não manjam  de publicidade e seus meandros, como eu, podem  não entender direito a mensagem   e ficarem um pouquinho indignadas?

Não haverá  o risco de – tomados pela emoção das lembranças de não poderem  chegar ao trabalho, da casa alagada ou de um parente  levado por uma enxurrada ou deslizamento -  os telespectadores acharem que soa como escárnio o prefeito ir à televisão dizer o que foi dito  da maneira  que foi dito, e ainda com dinheiro pago pelos contribuintes?

Será preciso muitas horas de  pesquisa qualitativa para se chegar a uma conclusão sobre o resultado da peça publicitária, mas de minha parte posso dizer o que ficou na minha cabeça: o Kassab  de capa de chuva amarela.

kassab_chuva_capamarela

Me lembrei do famoso desenho do Pica-Pau nas cataratas de Niagara. Aquele em que os turistas de  capa  amarela  erguem os braços  e urram  toda vez que  o guarda atormentado pelo Pica-Pau despenca pelas cataratas num barril de madeira.

Nesse caso, os marqueteiros poderiam até comemorar, pois a propaganda do prefeito me fez ter uma boa lembrança, através da associação da capa amarela.

Mas a imagem das forças das águas de Niagara também me fizeram voltar à realidade: se no desenho o pobre guarda sobrevive às inúmeras descidas de barril na gigantesca queda,  aqui as pessoas morrem afogadas em pequenos córregos esquecidos pela prefeitura, galerias sem tampas no meio da rua e outros buracos para onde são tragadas sem chance de se salvar.

picapauniagara

Na época em que tinha tempo para esses e outros passatempos,  tinha um vizinho  que alternava um deslumbramento de não piscar os olhos quando assistia TV   com uma crueldade sem igual nos comentários realistas na conversa  da molecada sobre  desenhos, filmes e  comerciais: “isso não é de verdade. Que farsa!”, dizia. Parece que tinha razão.

Kassab ignorou enchentes na campanha eleitoral

Limpeza de córregos é nula em 13 subprefeituras de SP

Kassab gastará 5 vezes mais com publicidade do que com área de risco

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05.fevereiro.2010 08:36:17

AC/DC _ 1985, 1996, 2009

Cidade do Rock (Rock in Rio*) – 15 e 19/01/1985

ingresso                    preço    jornais     preço atual
Preço único (out/84)   Cr$ 16.000         23          R$  58
Preço único (nov/84)   Cr$ 18.000         26          R$  65
Preço único (dez/84)   Cr$ 20.000         29          R$  73
Preço jornal época:  Cr$ 700,00 | Preço jornal atual: R$ 2,50

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Pacaembu – 12/10/1996

ingresso                    preço    jornais     preço atual
arquibancada                R$ 20        20            R$ 50
Pista                       R$ 35        35            R$ 88
Preço jornal época:  R$ 1,00 | Preço jornal atual: R$ 2,50

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Morumbi27/11/2009

ingresso                    preço    jornais     preço atual
arquibancada 1                           60           R$ 150
arquibancada 2                           68           R$ 170
arquibancada 2                           76           R$ 190
Pista e cadeira                         100           R$ 250
cadeira 2                               120           R$ 300
Preço jornal época:  R$ 2,50 | Preço jornal atual: R$ 2,50
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05.fevereiro.2010 08:35:18

Madonna _ 1993 & 2008

Morumbi – 03/11/1993

ingresso                    preço    jornais     preço atual
Arquibancada            Cr$ 2.200         30          R$  80
Pista                   Cr$ 3.200         46          R$ 115
Cadeira superior        Cr$ 3.500         60          R$ 150
Cadeira especial       Cr$ 19.000        272          R$ 680
Preço jornal época:  Cr$ 70,00 | Preço jornal atual: R$ 2,50
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Morumbi – 18 e 20/12/2008

ingresso                    preço    jornais     preço atual
Arquibancada 1             R$ 160         64          R$ 160

Arquibancada 2             R$ 180         90          R$ 180

Pista e cadeira inf.       R$ 250        100          R$ 250

Cadeira superior           R$ 300        120          R$ 300

Pista Vip                  R$ 600        240          R$ 600
Preço jornal época:  R$ 2,50 | Preço jornal atual: R$ 2,50

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Maracanãzinho (Police) – 16/02/1982

ingresso                    preço    jornais     preço atual
arquibancada            Cr$ 1.000         25         R$   63
cadeira na pista        Cr$ 2.000         50         R$  125
Preço jornal época:  Cr$ 40,00  | Preço jornal atual:  R$ 2,50

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Parque Antartica – 12/10/1988

(Show Anistia Internacional: Sting, Peter Gabriel, Tracy Chapman, Bruce Springsteen, Youssou n’Dour)

ingresso                    preço    jornais     preço atual
arquibancada            Cz$ 4.500         30         R$   75
pista                   Cz$ 5.500         37         R$   93
Preço jornal época:  Cz$ 150,00 (cruzados) | Preço jornal atual:  R$ 2,50
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Cidade do Rock (Rock in Rio III) – 12/01/2001 – Sting

ingresso                    preço    jornais     preço atual
preço único             R$     35         24          R$  60
área VIP                R$    250        167          R$ 418
Preço jornal época:  R$ 1,50 | Preço jornal atual: R$ 2,50

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Maracanã (Police)– 08/12/2007

ingresso                    preço    jornais     preço atual
arquibancada               R$ 160         64        R$   160
pista premium              R$ 500        200        R$   500
Preço jornal época:  R$ 2,50 | Preço jornal atual:  R$ 2,50
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Chácara do Jockey (Sting) – 22/11/2009

ingresso                    preço    jornais     preço atual

arquibancada               R$ 120         48        R$   120

pista                      R$ 200         80        R$   200

cadeira                    R$ 240         96        R$   240

pista premium              R$ 500        200        R$   500
Preço jornal época:  R$ 2,50 | Preço jornal atual:  R$ 2,50

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