Não somente arquivos físicos podem guardar a memória de lugares. Documentos de outras naturezas, as obras de arte também tem seu papel na conservação do passado de pessoas, cidades, países, do mundo.
Com sua nostálgica “Lampião de Gás”, Zica Bergami retratou uma São Paulo de clima bucólico, anterior à grande expansão que transformou a cidade em metrópole.
Zica muitas vezes viu a autoria de sua obra-prima ser atribuída a Inezita Barroso, intérprete que consagrou a canção. É a sina de quase todo compositor que não é o cantor da própria obra.
Soube de Zica uns tempos atrás, quando trabalhei com uma sobrinha-neta da artista. Hoje, fiquei sabendo que ela se foi há alguns dias, aos 97 anos.
Justo então lembrar de quem nos proporcionou lembranças de uma cidade que não conhecemos.
# Depoimento ao Museu da Pessoa

Pelo segundo ano consecutivo, São Paulo escolheu o seu melhor pastel de feira. A vencedora desse ano foi a barraca da Agena, que desbancou a campeã do ano passado, a Maria, que até abriu uma loja em Pinheiros depois da consagração no primeiro concurso.
Se hoje é impossível imaginar uma feira sem barraca de pastel, a ponto de o quitute ser reconhecido oficialmente como um símbolo da cidade – com a prefeitura organizando o concurso e o próprio prefeito entregando pessoalmente o prêmio – os pasteleiros nem sempre contaram com a simpatia do poder público. Ao longo dos anos tiveram que lutar contra várias administrações desde que os primeiras cuias de óleo quente apareceram nas feiras livres da cidade.
Como a maioria do comércio informal, não se sabe com precisão quando começou o comércio de pastéis nas feiras. Alguns registros dizem que foram imigrantes japoneses da ilha de Okinawa – movidos pelo aperto econômico – que deram início à tradição.
A primeira regulamentação da categoria data de 1966. Mas isso não foi garantia de tranqüilidade para os pasteleiros. Nos anos 70 e 80 foram várias ações oficiais para coibir a venda de pastéis nas feiras. Enquanto algumas apertavam a fiscalização em torno de alvarás e condições sanitárias, outras pretendiam banir completamente os pastéis das feiras.
Era o que pretendia o prefeito Olavo Setubal, que em 1978 baixou um decreto proibindo o comércio de pastéis nas feiras da capital. Os pasteleiros reagiram com pedido de mandado de segurança, protestos e pressão do sindicato junto aos vereadores.
# Jornal da Tarde – 06/4/1978

A realidade dos pasteleiros não era muito diferente de seus colegas feirantes. Estudo recente apresentado num curso de especialização na Escola de Comunicação e Artes da USP mostra que as próprias feiras estiveram no alvo de várias administrações e que seu fim chegou a ser anunciado várias vezes.
Em 1978, a pressão contra o decreto de Setubal deu certo e os pasteleiros continuaram nas feiras. Mas de tempos em tempos tiveram que enfrentar novas investidas de diferentes gestões da prefeitura.

Mais que o apoio de suas associações e de alguns políticos, os pasteleiros contavam com um aliado poderoso que garantiria a sua permanência nas ruas: os consumidores.
Todos os dias, em diferentes pontos da cidade, milhares de pessoas que há muito deixaram de comprar frutas e hortaliças nas barracas de madeira cobertas com lona ou plástico vão às feiras em busca de um pedaço de massa recheado com os mais variados ingredientes. Aos pioneiros carne, queijo e palmito se juntaram uma infinidade de sabores, de preferência devorados acompanhados de um gelado caldo de cana. Uma guerra que valeu a pena.
# Jornal da Tarde – 04/08/1976

# 1974 / 1977 / 1978
Não entendo de publicidade. Mesmo assim, arrisco dizer que a imagem do prefeito paulistano Gilberto Kassab no intervalo comercial do horário nobre da TV agora de noite para justificar as enchentes em São Paulo pode entrar para a história da propaganda. Só estou na dúvida se será um case - para usar um jargão do ramo – de sucesso ou de fracasso.
Para quem não viu (e como o vídeo ainda não foi parar no YouTube), aqui vai uma breve descrição :
Fantasiado Vestido com uma capa de chuva amarela e tentando dar um tom informal à justificativa, o prefeito relata ações da prefeitura contras as enchentes enquanto as imagens mostram piscinões, bonitos córregos canalizados e limpeza de bueiros.
A coisa vai indo nessa toada até que em determinado momento o prefeito chama as tempestades de dilúvio e diz que, mesmo com tudo o que foi feito, não há cidade que aguente tamanha quantidade de água.
Além de destacar essa força descomunal da natureza, a propaganda mostra imagens de entulhos sendo retirados pelos caminhões – no final aparece um sofá – para reforçar a mensagem de que a culpa pelas enchentes não é da prefeitura.
Se a mensagem surtir efeito, será um case publicitário de sucesso e os marqueteiros da prefeitura poderão comemorar. Mas como disse, estou na dúvida: será que conseguiram passar a mensagem pretendida?
Provavelmente o prefeito não esteja errado ao dizer que a força dessas chuvas recentes seja atípica. Mas será que as pessoas que não manjam de publicidade e seus meandros, como eu, podem não entender direito a mensagem e ficarem um pouquinho indignadas?
Não haverá o risco de – tomados pela emoção das lembranças de não poderem chegar ao trabalho, da casa alagada ou de um parente levado por uma enxurrada ou deslizamento - os telespectadores acharem que soa como escárnio o prefeito ir à televisão dizer o que foi dito da maneira que foi dito, e ainda com dinheiro pago pelos contribuintes?
Será preciso muitas horas de pesquisa qualitativa para se chegar a uma conclusão sobre o resultado da peça publicitária, mas de minha parte posso dizer o que ficou na minha cabeça: o Kassab de capa de chuva amarela.
Me lembrei do famoso desenho do Pica-Pau nas cataratas de Niagara. Aquele em que os turistas de capa amarela erguem os braços e urram toda vez que o guarda atormentado pelo Pica-Pau despenca pelas cataratas num barril de madeira.
Nesse caso, os marqueteiros poderiam até comemorar, pois a propaganda do prefeito me fez ter uma boa lembrança, através da associação da capa amarela.
Mas a imagem das forças das águas de Niagara também me fizeram voltar à realidade: se no desenho o pobre guarda sobrevive às inúmeras descidas de barril na gigantesca queda, aqui as pessoas morrem afogadas em pequenos córregos esquecidos pela prefeitura, galerias sem tampas no meio da rua e outros buracos para onde são tragadas sem chance de se salvar.
Na época em que tinha tempo para esses e outros passatempos, tinha um vizinho que alternava um deslumbramento de não piscar os olhos quando assistia TV com uma crueldade sem igual nos comentários realistas na conversa da molecada sobre desenhos, filmes e comerciais: “isso não é de verdade. Que farsa!”, dizia. Parece que tinha razão.
Kassab ignorou enchentes na campanha eleitoral
Limpeza de córregos é nula em 13 subprefeituras de SP
Kassab gastará 5 vezes mais com publicidade do que com área de risco
Cidade do Rock (Rock in Rio*) – 15 e 19/01/1985
ingresso preço jornais preço atual
Preço único (out/84) Cr$ 16.000 23 R$ 58
Preço único (nov/84) Cr$ 18.000 26 R$ 65
Preço único (dez/84) Cr$ 20.000 29 R$ 73Preço jornal época: Cr$ 700,00 | Preço jornal atual: R$ 2,50
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Pacaembu – 12/10/1996
ingresso preço jornais preço atual
arquibancada R$ 20 20 R$ 50
Pista R$ 35 35 R$ 88Preço jornal época: R$ 1,00 | Preço jornal atual: R$ 2,50
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Morumbi - 27/11/2009
ingresso preço jornais preço atual
arquibancada 1 60 R$ 150
arquibancada 2 68 R$ 170
arquibancada 2 76 R$ 190
Pista e cadeira 100 R$ 250
cadeira 2 120 R$ 300Preço jornal época: R$ 2,50 | Preço jornal atual: R$ 2,50 .
Morumbi – 03/11/1993
ingresso preço jornais preço atual
Arquibancada Cr$ 2.200 30 R$ 80
Pista Cr$ 3.200 46 R$ 115
Cadeira superior Cr$ 3.500 60 R$ 150Preço jornal época: Cr$ 70,00 | Preço jornal atual: R$ 2,50 .Cadeira especial Cr$ 19.000 272 R$ 680
Morumbi – 18 e 20/12/2008
ingresso preço jornais preço atual
Arquibancada 1 R$ 160 64 R$ 160 Arquibancada 2 R$ 180 90 R$ 180 Pista e cadeira inf. R$ 250 100 R$ 250 Cadeira superior R$ 300 120 R$ 300 Pista Vip R$ 600 240 R$ 600Preço jornal época: R$ 2,50 | Preço jornal atual: R$ 2,50
Maracanãzinho (Police) – 16/02/1982
ingresso preço jornais preço atual
arquibancada Cr$ 1.000 25 R$ 63
cadeira na pista Cr$ 2.000 50 R$ 125Preço jornal época: Cr$ 40,00 | Preço jornal atual: R$ 2,50
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Parque Antartica – 12/10/1988
(Show Anistia Internacional: Sting, Peter Gabriel, Tracy Chapman, Bruce Springsteen, Youssou n’Dour)
ingresso preço jornais preço atual
arquibancada Cz$ 4.500 30 R$ 75
pista Cz$ 5.500 37 R$ 93Preço jornal época: Cz$ 150,00 (cruzados) | Preço jornal atual: R$ 2,50 .
Cidade do Rock (Rock in Rio III) – 12/01/2001 – Sting
ingresso preço jornais preço atual
preço único R$ 35 24 R$ 60
área VIP R$ 250 167 R$ 418Preço jornal época: R$ 1,50 | Preço jornal atual: R$ 2,50
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Maracanã (Police)– 08/12/2007
ingresso preço jornais preço atual
arquibancada R$ 160 64 R$ 160
pista premium R$ 500 200 R$ 500Preço jornal época: R$ 2,50 | Preço jornal atual: R$ 2,50 .
Chácara do Jockey (Sting) – 22/11/2009
ingresso preço jornais preço atual arquibancada R$ 120 48 R$ 120 pista R$ 200 80 R$ 200 cadeira R$ 240 96 R$ 240 pista premium R$ 500 200 R$ 500Preço jornal época: R$ 2,50 | Preço jornal atual: R$ 2,50
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