
Brasil e Alemanha entram em campo em Yokohama
Há exatos 10 anos, a seleção brasileira conquistava a sua quinta Copa do Mundo numa noite memorável no estádio de Yokohama. Como o feito futebolístico já foi lembrado e analisado por gente que entende do riscado, recorro a lembranças mais prosaicas daqueles dias na Ásia. A cobertura de mais de 40 dias, primeiro na Coréia do Sul e depois no Japão, foi um desafio logístico para os repórteres enviados ao primeiro mundial disputado simultaneamente em dois países diferentes. Ao final de cada jogo, além de mandar os textos e fotos, era preciso estar com as malas prontas, fazer check-ins rápidos no hotel e começar viagens de táxi, van, ônibus, metrô, trem-bala e avião para alcançar o time no próximo destino. Como a rotina de quem cobria a seleção era ficar horas de plantão no hotel e nos campos de treino, eram esses deslocamentos por cidades diferentes que permitia conhecer um pouco da vida real dos dois países em pequenas aventuras diárias por causa das diferenças de costumes e da língua.
Por causa do fuso-horário 12 horas adiantado, um repórter de uma rádio abria as transmissões de seus boletins para o Brasil dizendo algo mais ou menos assim: “Direto do futuro, as últimas informações sobre a seleção brasileira na Copa do Mundo”. Brincadeira à parte, ele não estava errado. Naquele 2002, inovações tecnológicas que ainda estavam muitos distantes do Brasil faziam parte da rotina de coreanos e japoneses. Na Coréia do Sul, a velocidade da internet era tão grande que mal dava tempo de perceber a troca de uma página para outra após clicar em algum link. O carregamento era instantâneo, num piscar de olhos. Celulares 3G com conexão ultra-rápida facilitavam a cobertura de onde quer que estivéssemos.
Antero Grecco e Luiz Antonio Prósperi em um dos deslocamentos pelo Japão
No Japão, todos os táxis já tinham GPS. Depois de muitos dias, já estávamos acostumados com as novidades, mas mesmo nas vésperas da final ainda havia espaço para assombros tecnológicos. Num dia em que acompanhava o Antero Grecco, que precisou ficar um pouco mais no hotel da seleção gravar um boletim para a ESPN Brasil, o pessoal da TV colocou à disposição um carro para nos levar de volta ao hotel onde estava a equipe do Estadão, já que não haveria mais trens naquele horário. A motorista brasileira-japonesa perguntou o telefone de nosso hotel. Demos o número imaginando que fosse ligar perguntando o endereço, mas ela rapidamente pôs-se a dirigir enquanto mexia no aparelhinho no painel da van. Perguntamos então se ela não iria ligar para o hotel. Ela então nos contou que já havia digitado o número no GPS e que o aparelho já tinha dado o caminho. “Esse aqui tem toda a lista telefônica da Grande Tóquio na memória”, disse. “Se quiser”, acrescentou, “dá para comprar com a lista telefônica do Japão inteiro. É só digitar o número de telefone e chega-se a qualquer lugar do país”.
GPS em todos os táxis
Uma outra novidade presente em todos os hotéis causava gracejos e piadas entre todos: os vasos sanitários cheios de botõezinhos eletrônicos com diferentes recursos na hora das necessidades mais privadas. Com as instruções nos incompreensíveis ideogramas, era prudente não se arriscar e fazer testes antes de se sentar para evitar surpresas.

Privada tecnológica
Além das novidades tecnológicas, os costumes também causavam impacto. Numa corrida passagem pela gigantesca estação ferroviária central de Tóquio, um pequeno salão de cabeleireiro chamou a atenção. O preço do serviço era pelo tempo gasto no corte: mil yens por cada dez minutos.

Não lembro a quanto era o valor em real ou dólar na época. Mas depois ficávamos a imaginar se o absurdo corte de cabelo de Ronaldo antes da semifinal com a Turquia não teria acontecido num desses salões. Se num improvável passeio pela cidade o craque, sem dinheiro no bolso e não reconhecido pelo barbeiro, teve que sair do salão sem completar o corte.
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# Batedor da seleção é fã do Brasil
Tem um texto que escrevi em 2007, reciclei no ano passado por causa do Ronaldo, reaproveito agora novamente e, pelo jeito, ainda vai poder ser relembrado várias vezes. O protagonista da vez é o jovem cantor Justin Bieber.
Bem-vindo à galeria do dedo médio, Justin! Mas antes terá que estudar as lições do mestre Johnny Cash, que ensinou a fazer isso com dignidade. Quem será o próximo?
Ao revidar as vaias da torcida corintiana após a derrota para o Paulista de Jundiaí, o atacante Ronaldo se juntou a uma galeria célebre de esportistas que em momentos de pressão recorreram ao gesto universal do dedo médio para desabafar. O momento foi captado pelo fotógrafo Paulo Pinto, do Estadão.
Reciclo aqui um post de 2007 no blog Bate-Pronto:
Aprenda, Capello, Ronaldo, Justin…
De tempos em tempos ele volta à cena e sempre causa polêmica. Na falta de um nome melhor, acaba sendo chamado genericamente de “gesto obsceno”. Apesar de simples, o ato de levantar o dedo médio com os outros retraídos tem um efeito devastador. No Brasil, já deu até prisão.
Ao fazer o gesto para os torcedores do Real Madrid no último sábado, o técnico italiano Fabio Capello arranjou mais uma dor de cabeça e entrou para uma galeria que inclui as mais variadas personalidades, muitas delas do mundo esportivo, como o atacante Romário, o ex-senador e cartola Luis Estevão, o ex-corintiano Fininho e até a mulher do técnico Vanderley Luxemburgo.
No futebol, as histórias quase sempre são parecidas: o dedo em riste aparece como um válvula de escape para momentos difíceis, geralmente provocados por enorme pressão da torcida. Foi assim com Romário, que em 2001 fez o gesto para os torcedores do Vasco que o hostilizavam num jogo com o Universidad Catolica do Chile pela Copa Sul-Americana no Estádio São Januário. E para não deixar dúvida, após marcar o seu gol o baixinho tascou o gesto em dose dupla, levantando as duas mãos com os dedos enrijecidos.
Em 2005 foi a vez do novato Fininho, que num jogo do Corinthians contra o Sampaio Correa pela Copa do Brasil foi até os alambrados do Pacaembu revidar os protestos da torcida, que retribuiu com o mesmo gesto.
A recíproca também aconteceu entre o ex-senador Luiz Estevão, cartola do Brasiliense, e torcedores do adversário Gama num clássico do Distrito Federal em 2003. Do alto da tribuna, Estevão mandava um “duplo-médio” a la Romário para os torcedores do Gama que o atormentavam mais embaixo com dedos em riste e aquele sinal com as duas mãos usado para chamar alguém de ladrão.
Outro personagem polêmico que enfrentou a hostilidade da torcida com o gesto inominável foi o técnico Vanderley Luxemburgo, em 2000. O gesto, porém, não foi feito por ele, mas por sua mulher Josefa. Na época, além de desembarcar no Brasil com o peso do fracasso da seleção brasileira na Olímpíada de Sydney, o técnico era alvo de inúmeras denúncias de irregularidades fincanceiras. Para evitar o assédio da imprensa e dos torcedores no tumultuado desembarque, Luxemburgo entrou rapidamente em um carro acompanhado de sua mulher. Pela janela do banco de trás, Josefa foi fiel ao estilo do marido e mandou o dedo ao alto. Na recente eliminação do Brasil na Copa do Mundo, o gesto mudou de lado e acabou virando o símbolo da frustração dos torcedores que estavam na Alemanha.
Crise diplomática
Fora do campo esportivo, o gesto também costuma causar confusão. A maior delas foi a protagonizada pelo piloto americano Dale Robbin Hersh, que em janeiro de 2004 mostrou o dedo médio enquanto tirava foto de identificação na área de desembarque do Aeroporto de Cumbica. Os agentes da Polícia Federal consideram o ato de deboche do piloto um desacato e o caso ganhou status de conflito diplomático. Isso porque o Brasil passara a exigir identificação dos americanos que entravam no País alegando reprocidade, pois esse era o tratamento dispensado aos brasileiros que iam aos Estados Unidos após o endurecimento das medidas antiterror.
O gesto provocou grande indignação no Brasil e o piloto da American Air Lines teve que pagar R$ 36 mil de multa para ser solto. Dia depois, um outro americano repetiu o gesto no aeroporto de Foz do Iguaçu e teve que pagar R$ 50 mil para ser liberado. No ano passado, a American Air Lines foi condenada em primeira instância a pagar R$ 175 mil por danos morais para cada um dos sete agentes federais que trabalhavam no desembarque.
Em abril do ano passado foi a vez do diretor de teatro Gerald Thomas usar o gesto para protestar durante um ato de apoio a Varig: “Lula, aqui para você”, disse o diretor após falar sobre o que considerava descaso do governo com a companhia aérea em crise. Como era de se esperar, deu em nada. Sabiamente, Lula nem ligou.
Os que usam o dedo médio para expressar os seus sentimentos deveriam aprender com o grande mestre Johnny Cash, que ensinou que para fazer isso com dignidade é preciso estar por cima e, mais que isso, ter absoluta certeza disso. Foi o que aconteceu em 1996, quando foi à forra depois de ser premiado como Melhor Álbum Country pelo fabuloso disco Unchained. Do alto de seus então 64 anos de sabedoria, Cash pagou um anúncio de página inteira na BillBoard, a principal revista de música do país, para agradecer o apoio recebido das rádios e do meio musical de Nashville, a meca do Country, que haviam ignorado o disco. Aprenda, Capello, Ronaldo, Justin.
# Texto originalmente publicado no blog Bate-Pronto em 17.01.2007
Ronaldo começou a brilhar muito no futebol em 1993. Aos longos desses anos pude noticiar vários fatos de sua carreira: o contrato vitalício com a Nike, a atuação inesquecível pelo Barcelona nos gramados espanhóis, a eleição como melhor do mundo, a grande atuação na Copa de 98 ofuscada pelo dramático e polêmico mal-estar na véspera da final perdida, as contusões, as confusões, os títulos ganhos e os perdidos, as transferências, os contratos milionários… Com o fim da carreira nos gramados, as notícias serão outras. Assim como Pelé até hoje é notícia, Ronaldo ainda vai estar por muitos anos presente nos noticiários mesmo sem jogar.
Na Copa de 2002, tive o privilégio de acompanhar de perto a sua magistral atuação ao lado de Rivaldo na conquista da Copa na Coréia e no Japão. Nas entrevistas, ficava nítido que Ronaldo, além de superior aos companheiros em campo, era também fora dele. Craque de primeira grandeza e carisma ofuscante. Vi Beckham ser ignorado por jornalistas ingleses enquanto aguardavam pela presença do brasileiro. Vi jogadores de primeiro escalão da seleção brasileira parecendo meninos deslumbrados ao seu lado.
Mas a imagem que mais me marcou na trajetória de Ronaldo foi a de fãs coreanos o aguardando no aeroporto de Bulsan na chegada da seleção brasileira ao país asiático. Um deles parecia fazer questão de se parecer com o ídolo, apesar das intransponíveis diferenças de traços orientais e ocidentais.
Alguns chatos dirão que os garotos eram apenas manipulados pela maciça propaganda do patrocinador. Besteira. Carisma é algo que nem o mais milionário dos investimentos pode forjar.


Ao revidar as vaias da torcida corintiana após a derrota para o Paulista de Jundiaí, o atacante Ronaldo se juntou a uma galeria célebre de esportistas que em momentos de pressão recorreram ao gesto universal do dedo médio para desabafar. O momento foi captado pelo fotógrafo Paulo Pinto, do Estadão.
Reciclo aqui um post de 2007 no blog Bate-Pronto:
Aprenda, Capello Ronaldo
De tempos em tempos ele volta à cena e sempre causa polêmica. Na falta de um nome melhor, acaba sendo chamado genericamente de “gesto obsceno”. Apesar de simples, o ato de levantar o dedo médio com os outros retraídos tem um efeito devastador. No Brasil, já deu até prisão.
Ao fazer o gesto para os torcedores do Real Madrid no último sábado, o técnico italiano Fabio Capello arranjou mais uma dor de cabeça e entrou para uma galeria que inclui as mais variadas personalidades, muitas delas do mundo esportivo, como o atacante Romário, o ex-senador e cartola Luis Estevão, o ex-corintiano Fininho e até a mulher do técnico Vanderley Luxemburgo.
No futebol, as histórias quase sempre são parecidas: o dedo em riste aparece como um válvula de escape para momentos difíceis, geralmente provocados por enorme pressão da torcida. Foi assim com Romário, que em 2001 fez o gesto para os torcedores do Vasco que o hostilizavam num jogo com o Universidad Catolica do Chile pela Copa Sul-Americana no Estádio São Januário. E para não deixar dúvida, após marcar o seu gol o baixinho tascou o gesto em dose dupla, levantando as duas mãos com os dedos enrijecidos.
Em 2005 foi a vez do novato Fininho, que num jogo do Corinthians contra o Sampaio Correa pela Copa do Brasil foi até os alambrados do Pacaembu revidar os protestos da torcida, que retribuiu com o mesmo gesto.
A recíproca também aconteceu entre o ex-senador Luiz Estevão, cartola do Brasiliense, e torcedores do adversário Gama num clássico do Distrito Federal em 2003. Do alto da tribuna, Estevão mandava um “duplo-médio” a la Romário para os torcedores do Gama que o atormentavam mais embaixo com dedos em riste e aquele sinal com as duas mãos usado para chamar alguém de ladrão.
Outro personagem polêmico que enfrentou a hostilidade da torcida com o gesto inominável foi o técnico Vanderley Luxemburgo, em 2000. O gesto, porém, não foi feito por ele, mas por sua mulher Josefa. Na época, além de desembarcar no Brasil com o peso do fracasso da seleção brasileira na Olímpíada de Sydney, o técnico era alvo de inúmeras denúncias de irregularidades fincanceiras. Para evitar o assédio da imprensa e dos torcedores no tumultuado desembarque, Luxemburgo entrou rapidamente em um carro acompanhado de sua mulher. Pela janela do banco de trás, Josefa foi fiel ao estilo do marido e mandou o dedo ao alto. Na recente eliminação do Brasil na Copa do Mundo, o gesto mudou de lado e acabou virando o símbolo da frustração dos torcedores que estavam na Alemanha.
Crise diplomática
Fora do campo esportivo, o gesto também costuma causar confusão. A maior delas foi a protagonizada pelo piloto americano Dale Robbin Hersh, que em janeiro de 2004 mostrou o dedo médio enquanto tirava foto de identificação na área de desembarque do Aeroporto de Cumbica. Os agentes da Polícia Federal consideram o ato de deboche do piloto um desacato e o caso ganhou status de conflito diplomático. Isso porque o Brasil passara a exigir identificação dos americanos que entravam no País alegando reprocidade, pois esse era o tratamento dispensado aos brasileiros que iam aos Estados Unidos após o endurecimento das medidas antiterror.
O gesto provocou grande indignação no Brasil e o piloto da American Air Lines teve que pagar R$ 36 mil de multa para ser solto. Dia depois, um outro americano repetiu o gesto no aeroporto de Foz do Iguaçu e teve que pagar R$ 50 mil para ser liberado. No ano passado, a American Air Lines foi condenada em primeira instância a pagar R$ 175 mil por danos morais para cada um dos sete agentes federais que trabalhavam no desembarque.
Em abril do ano passado foi a vez do diretor de teatro Gerald Thomas usar o gesto para protestar durente um ato de apoio a Varig: “Lula, aqui para você”, disse o diretor após falar sobre o que considerava descaso do governo com a companhia aérea em crise. Como era de se esperar, deu em nada. Sabiamente, Lula nem ligou.
Os que usam o dedo médio para expressar os seus sentimentos deveriam aprender com o grande mestre Johnny Cash, que ensinou que para fazer isso com dignidade é preciso estar por cima e, mais que isso, ter absoluta certeza disso. Foi o que aconteceu em 1996, quando foi à forra depois de ser premiado como Melhor Álbum Country pelo fabuloso disco Unchained. Do alto de seus então 64 anos de sabedoria, Cash pagou um anúncio de página inteira na BillBoard, a principal revista de música do país, para agradecer o apoio recebido das rádios e do meio musical de Nashville, a meca do Country, que haviam ignorado o disco. Aprenda, Capello Ronaldo.
# Texto originalmente publicado no blog Bate-Pronto em 17.01.2007
Ronaldo vira seu próprio cabeleireiro
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 25 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Saitama - O atacante Ronaldo já era o centro das atenções no treino desta segunda-feira no estádio de Saitama por causa do problema muscular que colocou em dúvida a sua participação no jogo semifinal contra a Turquia. Havia grande expectativa para saber se o jogador treinaria ou não, o que seria um indicador das chances de ele atuar na partida decisiva de quarta-feira. Mas quando entrou em campo, acabou atraindo a curiosidade de todos por causa de um inusitado corte de cabelo. Um dos precursores da careca entre os jogadores de futebol, o atleta da Inter de Milão desta vez raspou a cabeça, mas deixou um arco na parte de frente.
A novidade, contou o jogador, não foi feita por nenhum cabeleireiro ou colega, como costuma acontecer várias vezes na seleção. Foi obra dele mesmo. “É uma coisa nova, tentei mudar um pouco. Eu mesmo cortei”, disse. Segundo ele, o corte não foi inspirado em ninguém, tampouco foi fruto de alguma aposta ou promessa.
Dois jogadores de outras seleções já haviam feito algo parecido, mas com resultado um ligeiramente melhor: o meia turco Umit Davala e o atacante americano Clint Mathis, ambos com cortes ao estilo moicano, com uma faixa de cabelo no meio da cabeça e as laterais raspadas.
Ronaldo não comentou se pretende continuar com o corte mostrado no treino desta segunda ou se raspará tudo nos próximos dias. Mas na zona mista, local onde os jogadores dão entrevistas no estádio e por onde passou rapidamente, o jogador não quis exibir o corte inovador e preferiu ficar de boné, apesar da insistência dos repórteres para que mostrasse a inovação estética.
Se foi econômico nos comentários sobre o cabelo, Ronaldo também não quis se alongar muito sobre a sua condição física, mesmo dizendo-se otimista com a possibilidade de jogar contra os turcos. “Hoje não foi o dia mais importante. Vamos ver amanhã”. O fato de não ter se movimentado muito no treino e de ter participado apenas de uma parte do coletivo, segundo ele, não é motivo de preocupação. “Não tenho limitação de movimentos. Foi só mesmo para descansar”.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 20 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Hamamatsu, Japão - O atacante Ronaldo vive repetindo que não se preocupa em ser artilheiro da Copa do Mundo e que está apenas empenhado em ajudar a seleção na conquista do pentacampeonato. Mas com os cinco gols que já marcou nesse mundial - divide a artilharia com o alemão Klose - ele pode também a ajudar a melhorar as estastísticas da competição. Isso porque já faz 28 anos que um jogador não consegue marcar mais de seis gols em Copa do Mundo.
O último a conseguir superar essa marca foi o polonês Grzegorz Lato, que em 1974, na Alemanha, conseguiu chegar sete vezes à rede adversária. Seu derradeiro gol foi contra o Brasil, na disputa do terceiro lugar, da qual os poloneses saíram vitoriosos por 1 a 0. Deste então, todos os artilheiros dos mundiais seguintes terminaram com seis gols.
“Eu e o Rivaldo já conversamos sobre isso e não vamos nos preocuparar em ser artilheiro”, diz o jogador da Inter de Milão, sobre o companheiro de ataque, que tem um gol a menos que ele nessa Copa do Mundo. Se o Brasil passar pela Inglaterra, Ronaldo terá ainda dois jogos para tentar alcançar ou superar a “barreira dos seis”. Isso se ele não marcar contra os ingleses, já que a “promessa” feita ao técnico Felipão era de fazer um gol a cada jogo.
Para o jogo desta sexta-feira, Ronaldo diz que o Brasil não deve se preocupar com a Inglaterra, mas sim com o seu próprio futebol. “Temos que aproveitar as oportunidades da melhor maneira possível”, diz. “Os ingleses são muito fortes e tem muita pegada, mas se jogarmos o nosso futebol temos condições de superá-los”.
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