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Edmundo Leite

(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 24 de junho de 2002)


Edmundo Leite


Saitama, Japão - Ronaldinho Gaúcho está garantido na final da Copa do Mundo, se o Brasil conseguir passar pela Turquia na partida desta quarta-feira pela semifinal da competição. O meia brasileiro foi julgado neste domingo pela Comitê Disciplinar da Fifa e cumprirá apenas um jogo de suspensão pela expulsão na vitória contra a Inglaterra. Ronaldinho poderia pegar mais um jogo como punição, mas foi apenas multado em 3.500 francos suícos, cerca de US$ 2.300.


A punição financeira foi comemorada pelo jogador, um dos destaques do Brasil na vitória sobre os ingleses ao lado de Rivaldo e que havia considerado injusta a sua expulsão, depois de cometer falta no lateral inglês Mills. “A minha expectativa era de que ficasse em um jogo mesmo, pois não tive intenção de machucar o adversário”, disse o atleta do Paris Saint-Germain, que na véspera declarou que a falta era apenas para cartão amarelo. “Mas também esperava que viesse alguma punição financeira, como havia acontecido com o Rivaldo na primeira fase”.


A multa de Gaúcho, no entanto, não chegou nem à metade da imposta a Rivaldo, punido pelo Comitê de Arbitragem por ter simulado que havia tomado uma bola na cara no jogo contra a Turquia, quando tinha sido atingido na perna. Pela encenação, Rivaldo teve de pagar 11.500 francos suíços.


Feliz pela posssibilidade de disputar o jogo decisivo da Copa do Mundo, Ronaldinho lamenta apenas o fato de poder ajudar o time apenas do banco, nessa partida decisiva contra a Turquia. Mas garante que incentivará bastante os companheiros e quem entrar em seu lugar para que o Brasil consiga a classificação.


No jogo contra a Inglaterra, Ronaldinho Gaúcho marcou o gol da virada no início do segundo tempo e ainda havia feito o passe para Rivaldo empatar o jogo nos acréscimos do primeiro. Agora, para tentar repetir o bom desempenho, Gaúcho terá de esperar que os colegas não o decepcionem.

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(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 22 de junho de 2002)

Edmundo Leite

Saitama, Japão - Ronaldinho Gaúcho está confiante e arrependido. Confiante porque acredita que não receberá uma punição mais severa da Fifa por causa da expulsão no jogo contra a Inglaterra e que, assim, poderá disputar a final da Copa do Mundo, se o Brasil passar pela Turquia. Arrependido por ter ido com tanto ímpeto contra o inglês Mills no lance que resultou no cartão vermelho. “Não passa pela minha cabeça ficar forma da final”, disse o meia do Paris Saint Germain, no hotel onde a seleção brasileira está concentrada em Saitama. “O que passa na minha cabeça é cumprir a suspensão normalmente e nesse jogo que eu vou ficar no banco poder ajudar de alguma forma e poder participar da final”.

O caso de Ronaldinho seria julgado neste domingo pela Comissão de Arbitragem da Fifa, que pode aumentar a suspensão do jogador em mais um partida. Mas Ronaldinho acredita que a análise do vídeo do jogo o favorecerá. Além disso, a CBF também conta com o prestígio do presidente da entidade, Ricardo Teixeira, que é integrante da Comissão de Arbitragem, para preservar o atleta de uma punição rigorosa.

Ronaldinho voltou a afirmar que considera a expulsão injusta e disse que não teve a intenção de atingir o adversário, que pouco antes o havia atingido. “Acabei colocando o pé nele e o árbitro achou que era lance para expulsão. Eu acho que era para cartão amarelo”. Segundo o brasileiro, ele tentava se proteger. “Minha intenção não foi dar o troco, foi de me proteger, pois achei que ele viria mais forte”.

Mesmo considerando injusto o cartão vermelho, Ronaldinho Gaúcho não esconde um pouco de arrependimento por ter ido com tanto ímpeto na jogada. “Se fosse pensar duas vezes é lógico que eu não colocaria o pé daquela forma. Mas aconteceu e agora é esperar”.

Gol - A única coisa que ameniza a tristeza com a expulsão é ter marcado o gol que garantiu a vitória e a vaga do Brasil nas semifinais da Copa do Mundo. Como aconteceu depois da partida, Ronaldinho Gaúcho voltou a afirmar que tinha a mesmo a intenção de chutar a bola a gol, e não fazer um cruzamento, como até alguns companheiros de time chegaram a dizer. “É lógico que eu não queria botar a bola daquela forma, colocar exatamente naquele lugar, mas minha intenção foi de chutar no gol”.

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(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 20 de junho de 2002)


Edmundo Leite


Hamamatsu, Japão - O atacante Ronaldo vive repetindo que não se preocupa em ser artilheiro da Copa do Mundo e que está apenas empenhado em ajudar a seleção na conquista do pentacampeonato. Mas com os cinco gols que já marcou nesse mundial - divide a artilharia com o alemão Klose - ele pode também a ajudar a melhorar as estastísticas da competição. Isso porque já faz 28 anos que um jogador não consegue marcar mais de seis gols em Copa do Mundo.


O último a conseguir superar essa marca foi o polonês Grzegorz Lato, que em 1974, na Alemanha, conseguiu chegar sete vezes à rede adversária. Seu derradeiro gol foi contra o Brasil, na disputa do terceiro lugar, da qual os poloneses saíram vitoriosos por 1 a 0. Deste então, todos os artilheiros dos mundiais seguintes terminaram com seis gols.


“Eu e o Rivaldo já conversamos sobre isso e não vamos nos preocuparar em ser artilheiro”, diz o jogador da Inter de Milão, sobre o companheiro de ataque, que tem um gol a menos que ele nessa Copa do Mundo. Se o Brasil passar pela Inglaterra, Ronaldo terá ainda dois jogos para tentar alcançar ou superar a “barreira dos seis”. Isso se ele não marcar contra os ingleses, já que a “promessa” feita ao técnico Felipão era de fazer um gol a cada jogo.


Para o jogo desta sexta-feira, Ronaldo diz que o Brasil não deve se preocupar com a Inglaterra, mas sim com o seu próprio futebol. “Temos que aproveitar as oportunidades da melhor maneira possível”, diz. “Os ingleses são muito fortes e tem muita pegada, mas se jogarmos o nosso futebol temos condições de superá-los”.

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(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 26 de maio de 2002, domingo - 13h07)

Edmundo Leite

Ulsan, Coréia do Sul – Em meio ao barulho dos torcedores brasileiros que foram recepcionar o time de Luiz Felipe Scolari no aeroporto de Busan, três jovens coreanos destoavam da multidão de curiosos que se aglomerava para ver a chegada da seleção. Ao contrário da maioria, que estava apenas de passagem entre a espera de um vôo, eles foram especialmente para ver de perto os ídolos que chegavam à Coréia. Sem querer, acabaram formando um pequeno “fã clube” de Ronaldo no saguão do aeroporto.

Vestindo a camisa amarela da seleção e com outra da Inter de Milão pendurada na mochila, Son Joo-Mo, de 19 anos, viajou sete horas de ônibus desde Incheon para mostrar a sua paixão pelo futebol brasileiro e especialmente pelo atacante, de quem diz ser um grande admirador. Apesar da pouca idade, o estudante afirma que é um velho torcedor do Brasil.

“Bebeto, Romário”, diz, repetindo – com os braços fingindo acalentar uma bebê – a comemoração que marcou a conquista do tetracampeonato em 1994. “Mas atualmente eu gosto do Ronaldo”. E o contato com os ídolos não se limitará a rápida chegada no aeroporto. Joo-mo já assistirá em Suwon o terceiro jogo do Brasil na Copa, contra a Costa Rica.

Cho Sung-Kun, também de 19 anos, não veio de tão longe – mora em Busan mesmo – mas preparou um cartaz verde com o nome do jogador e o número nove escritos em amarelo. Um pôster de Ronaldo sem camisa completava a homenagem, preparada na noite anterior. “Virei fã do Brasil após ver Ronaldo jogar a Copa de 98″.

Para o outro fã, Chung Jae Woo, a camisa amarela com o número 9 nas costas e uma imagem do ídolo não foi suficiente. Chung Jae Woo raspou o cabelo para ficar parecido com o fenômeno. De costas, até que o resultado foi satisfatório.

Além do ídolo e da idade, os três tinham algo mais em comum: não hesitaram em dizer que torcerão mesmo para o Brasil, em vez da Coréia. Os adolescentes eram os mais identificáveis, mas não eram os únicos fãs de Ronaldo no aeroporto. Com os jogadores já no ônibus, uma coreana chorava copiosamente por ver o ídolo pela janela. Ronaldo é mesmo um fenômeno.

Fotos: Edmundo Leite

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Em exposição, foto de Ronaldo com ex

(texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 24 de maio de 2002, sexta-feira - 20h34)

O destaque de uma mostra instalada ao lado de um quiosque de venda de ingressos em Ulsan tem como destaque um tórrido agarramento do craque com Suzana Werner.

Edmundo Leite

ronalexUlsan – A mulher de Ronaldinho, Milene, não deverá gostar muito de uma exposição fotográfica sobre Copa do Mundo instalada ao lado do quiosque de venda de ingressos no centro de Ulsan. O destaque da mostra é uma antiga imagem do seu marido. Não por estar em um belo lance de jogo, mas sim por aparecer num tórrido agarramento com a ex-namorada Suzana Werner. A imagem, informa a legenda em coreano, é de 1997.

A foto destoa das demais, com torcedores e jogadores, e acaba se tornando o alvo da curiosidade dos comportados coreanos, que, ao menos publicamente, não costumam protagonizar cenas como a do casal. A imagem não chega a chocar, mas chama a atenção dos que passam pelo local. Após verem a imagem de Ronaldo e Suzana, as pessoas começam a ver o restante da pequena exposição, mas não com muito interesse. Logo vão embora. Até porque trata-se de um local de passagem, na área externa de um grande shopping.

Ainda não é certo se a mulher de Ronaldo poderá se deparar pessoalmente com a foto. Segundo um dos empresários do jogador, Reinaldo Pitta, o atacante da Inter ainda não decidiu se levará à família para assistir à Copa, como fez na França. Em 98, ele alugou uma casa próximo à concentração para onde ia nos dias de folga.

A imagem de Ronaldo na exposição é praticamente a única de um jogador brasileiro da atual seleção em Ulsan. A promoção da Copa do Mundo na cidade não é agressiva, para não dizer tímida. Tirando a modesta decoração oficial feita pela prefeitura e pelo comitê organizador, pouco ou nada se vê sobre o time brasileiro que chega neste domingo à cidade. Nem mesmo o comércio ou as empresas patrocinadoras da seleção e dos jogadores parecem animadas em explorar sua imagem em solo coreano.

Fotos: Edmundo Leite

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