Texto publicado neste sábado no Caderno 2 + Música do Estadão sobre o relançamento dos dois discos de Raul Seixas pela gravadora Copacabana:
O Estado de S.Paulo - 03/9/2011 - Caderno 2 - p.7
# Outros posts sobre Raul Seixas
Mal foi publicada, a notícia de que o Irã proibiu os livros de Paulo Coelho no país passou a receber comentários irônicos exaltando a medida. O primeiro que pode ser lido no Estadão, assinado por Werner Hess, dá a medida do que viria a seguir: “Pelo menos uma coisa o governo do Irã fez certo. Proibiu seus cidadãos de ler lixo.”
Alvo predileto de um elitismo cultural que insiste em debochar grosseiramente e atacar com violência poucas vezes vista contra uma obra e um autor, Paulo Coelho já está acostumado a esse tipo de crítica. Não que as aceite bem. Nenhum autor aceita. Mas com o tempo – já são quase 25 anos de sucesso como escritor – Paulo Coelho está escolado na questão.
Assim como já tem experiência em ser atacado e se defender, Paulo Coelho também não é novato em questão de censura a sua obra por regimes autoritários. Se hoje seu problema é com um regime comandado por iatolás, antes tinha que lidar com burocratas a mando de generais brasileiros. Desde o começo de sua incursão musical – ao lado de Raul Seixas – não foram poucas as vezes em que as letras feitas junto com o roqueiro barbudo e outros parceiros do primeiro time da música brasileira sofreram a ação da censura.
Uma das letras censuradas é o sucesso “Óculos Escuro”, que teve que ser retrabalhada várias vezes pela dupla, entre idas e vindas de recursos da gravadora junto ao órgão de censura até a liberação da versão gravada e consagrada em 1974.

O vai-e-vem do processo de liberação da música pode ser visto em detalhes no site Censura Musical, que também tem histórias de outras letras escritas por Paulo Coelho com outros parceiros, entre eles Zé Rodrix, que sofreram com enroscos na censura.
Anos depois, em 2007, já longe do mundo da música e há muito consagrado como escritor, Paulo Coelho foi uma das únicas vozes do meio cultural a se levantar contra o mais célebre caso de censura vigente contra uma obra literária no Brasil nos últimos anos: o livro “Roberto Carlos em Detalhes”, de Paulo César Araújo.
Indignado com o acordo feito pela sua então editora, a Planeta, com o cantor para retirar a obra de Paulo César das estantes, Paulo Coelho cobrou num artigo publicado na Folha de S.Paulo a editora e o autor e ainda chamou o cantor de “infantil”:
“… [Roberto Carlos] está colaborando para que comece a se criar um sério precedente -a volta da censura. Roberto Carlos tem muito mais anos na mídia do que eu; já devia ter se acostumado. Continuarei comprando seus discos, mas estou extremamente chocado com sua atitude infantil, como se grande parte das coisas que li na imprensa justificando a razão da “invasão de privacidade” já não fosse mais do que conhecida por todos os seus fãs. (…)
(…) gostaria que minha editora, dinâmica, corajosa, se instalando agora no Brasil, explicasse a todos nós, brasileiros, o que significa esse tal de “contexto desfavorável”. Desfavorável é fazer acordo a portas fechadas, colocando em risco uma liberdade reconquistada com muito sacrifício depois de ter sido seqüestrada por anos a fio pela ditadura militar.
E não entendo por que você, Paulo Cesar Araújo, “se comprometeu a não fazer, em entrevistas, comentários sobre o conteúdo do livro no que diz respeito à vida pessoal do cantor” (Ilustrada, 28/4). Não é apenas o seu livro, cujo destino foi negociado entre quatro paredes, que está em jogo. É o destino de todos os escritores brasileiros neste momento.
Não sei se vou ter as explicações que pedi. Mas não podia ficar calado, porque isso que aconteceu na 20ª Vara Criminal da Barra Funda me diz respeito, já que desrespeita minha profissão de escritor.”
O obra literária de Paulo Coelho ainda não foi objeto de um estudo sério e isento. As poucas coisas escritas sobre ele e seus livros ainda estão impregnadas de má vontade, preconceito e rancor contra o sucesso comercial que invalidam qualquer análise. Um chavão dessas análises tortas costuma evocar a fase em que Paulo Coelho foi compositor de sucesso ao lado de Raul Seixas para diminuir a sua criação literária. É pouco. É simplista. E, acima de tudo, pode ser falso, já que se baseia apenas em gostos pessoais. A crítica literária brasileira e o meio acadêmico ainda não fizeram a lição de casa quando o assunto é Paulo Coelho.
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Nenê, 50 anos de rock, na TV Estadão
O rock engatinhava no Brasil no finzinho dos anos 50 quando um empresário foi assistir ao ensaio de um dos primeiros conjuntos que se formavam em São Paulo seguindo a onda que tomava o mundo de assalto.
Um guitarrista faltou e, para não perder a oportunidade, os rapazes improvisaram. O baterista assumiu o lugar do guitarrista furão, mas precisavam de alguém para as baquetas. Não tendo outra opção, o irmão caçula do baterista, que sempre ficava assistindo aos ensaios, foi escalado. O improviso deu certo e, por sugestão do empresário, o moleque de 12 anos foi efetivado no grupo. O recém-nascido “The Rebels”, que ainda naquele 1959 gravaria seu primeiro disco compacto, ganhava um novíssimo integrante: Nenê.
50 anos depois, o caçula do Rebels ainda é chamado pelo mesmo apelido. Trocou a bateria pelo contrabaixo, o Rebels pelos Incríveis e a inocência de garotinho por uma carreira de sucesso e polêmica no rock brasileiro. Essa trajetória é lembrada agora pelo músico no livro “Os Incríveis Anos 60, 70… e eu estava lá“, da editora Novo Século.
Com o bom-humor que é uma de suas marcas, Nenê relembra a iniciação precoce de um menino no show business junto com os Rebels e, mais adiante, narra as aventuras de gravações, shows e viagens nacionais e internacionais com os Incríveis, uma das bandas de maior sucesso no rock brasileiro dos anos 60 e início dos 70, com hits como Era um Garoto que Como Eu Amava os Beatles e Os Rolling Stones, O Milionário, O Vendedor de Bananas e a polêmica Eu te amo meu Brasil, de autoria de Dom, da dupla Dom e Ravel, pela qual o conjunto seria acusado de colaborar com a ditadura militar.
A carreira de músico após o fim dos Incríveis também é lembrada, com histórias sobre o disco e a temporada de shows com Elis Regina, em 1979, e a mítica apresentação de Raul Seixas em um garimpo no interior do Pará em 1985. E também a participação como ator na novela Cinderela 77, protagonizada por Ronnie Von e Vanusa, da qual também foi responsável pela trilha sonora, além de um relato sobre os meses em que morou no Alasca.

Nenê, posando de guitarrista, com os Rebels

Nenê, na bateria, com os Rebels

Com os Incríveis, no contrabaixo (centro)
# Nas livrarias:
Arte Pau Brasil | Cultura | Fnac | Martins Fontes | Novo Século | Saraiva | Livraria da Travessa |
# Discografia dos Incríveis (site Jovem Guarda)
Número feito para o Fantástico em 1978. Wanderlea linda como sempre e Raul, sem barba, fazendo chacota de algo que já não é sério. Cinco anos depois fariam uma nova parceria divertida.
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