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Edmundo Leite

Todos os times têm derrotas memoráveis em sua história. Algumas amargas. Dentro de campo, é do jogo. Mas quando a derrota é fora dos gramados fica difícil até de avaliar. Há exatos dez anos, o Palmeiras deveria começar a disputa de um sonhado Mundial de Clubes na Espanha. A falência da ISL, agência parceira da Fifa, fez o sonho virar pesadelo.

Depois de, num lance de esperteza e ingenuidade dos dirigentes, ceder a vaga a que tinha direito no primeiro Mundial de Clubes disputado no Brasil para o Vasco, o time do Parque Antártica ficou a ver navios quando foi anunciado o cancelamento do torneio na Espanha.

O material promocional produzido pelo clube em parceria com agências de viagens parceiras dá uma noção de quão grande era a expectativa palmeirense com a competição. O time pretendia, 50 anos depois de conquistar a mítica e polêmica Taça Rio, o primeiro Mundial de Clubes da História, colocar seu nome como uma das grandes forças do futebol mundial.

Para acalmar os dirigentes  palmeirenses, a Fifa indenizou o clube em US$ 750 mil. O então técnico Luiz Felipe Scolari resumiu numa frase o sentimento da torcida palmeirense com o drible tomado da Fifa: “Eu me sinto roubado”.

 

 

O Estado de S.Paulo – 18/5/2001

O Estado de S. Paulo – 19/5/2001

Relembre nas reportagens de Cosme Rímoli, Luiz Antônio Prósperi e Eduardo Maluf outros lances da história, iniciada em 1999,  do Mundial não disputado pelo Palmeiras:

Jornal da Tarde – 15/06/1999

Mundial de Clubes: Vasco é o indicado 

COSME RÍMOLI, LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI 

A Confederação Sul-Americana surpreendeu ao anunciar, ontem, que o  Vasco
representantará o continente no  Mundial  de  Clubes , que será disputado no
Brasil de 5 a 15 de janeiro de 2000.  Francisco Benitez, secretário-executivo
da Conmebol, comunicou à  Fifa  que o clube carioca foi escolhido por ter sido
campeão da Libertadores da América em 1998.
A expectativa era pela participação do campeão sul-americano de 99, título
que será decidido entre  Palmeiras  e Deportivo Cali, amanhã, no Parque
Antártica.  Com a opção pelo  Vasco , a Conmebol resolveu um problema da CBF,
que havia escolhido São Paulo e Rio como as duas sedes do torneio.
“Até eu fiquei surpreso com a indicação do  Vasco , não tive participação
nenhuma na escolha.  A Sul-Americana seguiu critério da  Fifa , que havia
indicado o Real Madrid como campeão da Copa Toyota de 98”, comentou Ricardo
Teixeira, presidente da CBF.
Com um time carioca garantido no  Mundial , não será surpresa se Teixeira
optar por um clube paulista como representante do Brasil, que tem direito a
uma vaga por ser o país-sede do evento.
“Tenho até outubro para definir o clube que representará o Brasil.  Quero
analisar com calma.  Não haverá um torneio específico para isso.  Antecipo que
não será o campeão brasileiro ou o campeão da Copa do Brasil.  O critério é
da CBF.”
Teixeira tem um bom argumento para escolher um time paulista: um jogo extra
entre Corinthians, campeão brasileiro de 98, e  Palmeiras , campeão da Copa do
Brasil de 98.  A chance de a vaga ficar com um time paulista é muito grande.
Não por acaso, o presidente da CBF conseguiu, ontem, o apoio do governador
Mário Covas para a realização do torneio.
Teixeira teve uma audiência com Covas, às 10h, quando expôs o projeto da CBF
e as exigências da  Fifa  para o Brasil organizar o torneio. “O governador
ficou entusiasmado com o torneio, principalmente quando soube que mais de 2
bilhões de pessoas acompanharão os jogos pela televisão.  Será uma propaganda
de São Paulo para o mundo.  Do governo paulista nós só precisaremos de
segurança para as equipes.”
Com o respaldo de Covas, Teixeira cumpriu com uma das exigências da  Fifa ,
que só autoriza um país a organizar o  Mundial  desde que tenha apoio oficial
das autoridades locais.
Anthony Garotinho, governador do Rio, havia garantido que o Estado daria
total respaldo à CBF.  Garotinho também anunciou um investimento de US$ 60
milhões para reformar o Maracanã.  A  Fifa prometeu vistoriar o estádio
carioca e o Morumbi a partir de quinta-feira.
Cosme Rímoli e Luiz Antônio Prósperi
A escolha veio da Confederação Sul-Americana, que se decidiu pelo clube
carioca por causa do título da Libertadores/98.O outro
indicado do Brasil será privilégio da CBF

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O Estado de S.Paulo - 26/05/2001

Fifa promete indenizar o clube 

EDUARDO MALUF 

A  Fifa  aunciou ontem que vai indenizar os  clubes  pelo adiamento do  Mundial ,
que seria realizado em julho e agosto, na Espanha.  O  Palmeiras  vai receber
pelo menos US$ 500 mil que a entidade havia dado como adiantamento aos
participantes da competição.  O Alviverde, no entanto, não tinha recebido
nenhuma quantia. “Teremos de fazer o balanço do prejuízo financeiro.  Nas
próximas semanas, pagaremos os  clubes  e os organizadores”, garantiu Michel
Zen Ruffinen, secretário-geral da  Fifa .
A diretoria do  Palmeiras  havia enviado, durante a semana, uma carta para a
sede da entidade exigindo explicações e pedindo os US$ 500 mil a que tinha
direito.  O Departamento Jurídico estava estudando a possibilidade de entrar
com uma ação contra a  Fifa  na Justiça por perdas e danos.  Depois da promessa
de ressarcir os  clubes , porém, o  Palmeiras vai desistir da idéia.
A quantia que receberá poderá ajudar a diretoria a trazer alguns reforços.  O
atacante Caio, que deixou o Santos, pode ser o primeiro.  No início do ano, o
Alviverde tentou contratá-lo.  A intenção é “tapar os buracos” que vão
aparecer, porque dificilmente Alex e Felipe permanecerão no Palestra Itália.
“O preço que estão pedindo pelo passe deles está fora da realidade do
futebol brasileiro”, afirmou um dirigente do clube, ligado ao presidente
Mustafá Contursi.  O zagueiro Argel, que interessa ao Santos, dificilmente
permanecerá no segundo semestre.  (E.M.)

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Jornal da Tarde - 25/05/2001

Revoltado com o acordo 

COSME RÍMOLI 

Scolari havia avisado para não aceitarem acordo que dava a vaga para o Mundial
de 2000 ao Vasco. ‘Eu me sinto roubado’

“ Não se abre mão de um direito adquirido em nome de nada (desistência do
Palmeiras  do  Mundial  em favor do Vasco) ”
(Luiz Felipe Scolari)
Em Belo Horizonte, Luiz Felipe Scolari soube do cancelamento do  Mundial  de
Clubes  da Espanha, do qual o  Palmeiras  iria participar em julho, e foi
dominado pela raiva.  O treinador se lembrou das conversas que teve com
dirigentes do clube enquanto preparava a equipe para a disputa do  Mundial  no
Japão em 1999.  Ele tentou de todas as maneiras evitar que aceitassem adiar a
participação do  Mundial  de 2000 e deixar a vaga para o Vasco.
“Era um assunto interno, na época.  Eles me disseram que o  Palmeiras  iria
abrir mão porque teria assegurado a participação no  Mundial  de 2001.  O Vasco
ficaria com a nossa vaga porque interessava para a realização do campeonato
ter um time do Rio de Janeiro.  A desculpa que convenceu os dirigentes foi
que se ganhássemos o  Mundial  do Japão em dezembro de 1999 só teríamos um mês
para desfrutá-lo, já que o  Mundial  do Rio seria em janeiro de 2000.  E além
do mais a  Fifa  garantia que estaríamos no de 2001 na Europa.  Fui contrário
desde o início.  Não se abre mão de um direito adquirido em nome de nada.  Mas
fui voto vencido.  E sou homem que respeita a hierarquia.  Quem manda no clube
já havia aceito”, revela, irritado.
O tempo haver passado e provado que estava certo não acalma Luiz Felipe.
Pelo contrário. “Tenho uma ligação de coração com o  Palmeiras .  Carrego a
carteirinha do clube para onde vou.  Fico muito mais do que triste com tudo
que deixaram de ganhar no Parque Antártica com o cancelamento do  Mundial .”
Revolta
Quando pensa na luta que foi para vencer a Libertadores da América e que
vários jogadores que participaram da campanha como Marcos, Alex e Arce
ficaram no  Palmeiras  esperando pelo  Mundial  da Espanha, Felipe se revolta de
vez: “Sei que estão se sentindo como eu.  Estou me sentindo roubado.  Em
futebol não se confia em ninguém.  Falaram para deixar o Vasco disputar o
Mundial  de 2000 que o  Palmeiras  estaria no de 2001.  Eu avisei.  E agora?  Cadê
a competição?  Sinto raiva, bronca, vergonha.  Por mim, pelos atletas e pelos
torcedores.  No futebol as oportunidades são únicas.”
Embora seu trabalho tenha sido vitorioso no  Palmeiras , Luiz Felipe nunca
teve sequer metade do respaldo que tinha no Grêmio.  Por falar palavrões, o
treinador foi proibido de levar a equipe para treinar no Parque Antártica.  A
diretoria não molhava a grama horas antes da partida começar, como implorava
o treinador – ele sempre entendeu que o gramado do estádio palmeirense
prendia a bola e atrapalhava seu próprio time.  Seu trabalho era limitado
também nas categorias de base.  Mas mesmo assim grande parte dos conselheiros
quer o retorno do treinador.
Ligação afetiva
“Eu me sinto lisonjeado e feliz demais quando retorno ao  Palmeiras .  Mesmo o
presidente Mustafá, com quem tive algumas opiniões divergentes, sempre me
tratou com respeito e foi muito digno quando pedi para sair.  Também sei que
faz o possível e o impossível pelo  Palmeiras .  Passei três anos no Parque
Antártica.  Minha ligação é tão afetiva que ganhei uma carteira de sócio, com
validade até novembro de 2003, do diretor financeiro Durval Colossi.  Ela
está sempre comigo.”
O técnico não gosta quando perguntam o que sente ao ser aplaudido pelos
palmeirenses que chamam Celso Roth de “burro”. “Agora eu sou treinador do
Cruzeiro e vou fazer tudo para eliminar o  Palmeiras  e para ganhar a
Libertadores.  Adoro saber que os palmeirenses têm um carinho grande por mim
e é recíproco.  Só que o homem que merece todo o apoio e incentivo agora é
seu treinador, o Celso Roth.  Ele está trabalhando pelo clube e merece
respeito.”
Sobre voltar a trabalhar no  Palmeiras , Luiz Felipe não aceita nem falar
sobre o assunto.  Diz estar com toda a sua energia voltada para o Cruzeiro.
Mas não esconde o encantamento com São Paulo. “Sinto um friozinho na barriga
quando sei que vou viajar para São Paulo.  A cidade enorme, os prédios, a
competitividade no trabalho.  Tudo isso me impressiona.  O técnico não é dono
de sua carreira.  Nunca sabe onde vai trabalhar no futuro.  Mas que no futuro
quero voltar a trabalhar em São Paulo..., ah!, isso eu quero.” (C.R. ) 

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Jornal da Tarde - 05/06/2001

Mustafá mostra sua revolta. E desafia 

COSME RÍMOLI

Mustafá Contursi está revoltado.  Motivos não faltam ao presidente do
Palmeiras .  Mas a vontade de vencer se mistura com a revolta.  Motivos não
faltam para o dirigente mostrar sua raiva.  O cancelamento do  Mundial  de
Clubes ; a acusação de ter feito um acordo e ceder a vaga do  Mundial  no Rio
para o Vasco; a pressão para trocar Celso Roth; as acusações do presidente
do Cruzeiro, Zezé Perrela, de que Mustafá impôs, na Confederação
Sul-Americana, o árbitro Carlos Eugênio Simon para perturbar Luiz Felipe
Scolari no decisivo jogo entre os brasileiros.
Enquanto Mustafá prepara o terreno para a chegada do sonhado patrocínio da
Pirelli, a ponto de ter praticamente fechada a venda da imagem, marketing e
assessoria de imprensa para as agências Fisher & Justus e Low Loduca, ele
também pensa como um torcedor. “O  Palmeiras  não teme a Bambonera e apesar de
todos estarem contra, tem tudo para ganhar a Libertadores”, desabafou com
exclusividade ao JT.
Jornal da Tarde – O senhor está orgulhoso por não haver cedido às pressões
para a demissão de Celso Roth?
Mustafá-- Eu não sou homem de ceder à pressão de torcedor, imprensa.  Eu
apostei no trabalho do Celso Roth desde o início.  Eu entendo de futebol e vi
o trabalho sério que ele estava fazendo com o time.  O  Palmeiras  nunca foi
circo para o nosso técnico estar na corda bamba como diziam por aí.
Mas no jogo que valeu a classificação, o presidente do Cruzeiro, Zezé
Perrela, declarou que o senhor impôs a escalação do árbitro Carlos Eugênio
Simon.  O senhor tem essa força na Confederação Sul-Americana?
Tem coisas que me revoltam no futebol.  Eu sou um dirigente, um homem comum,
que paga pelos meus atos.  O presidente do Cruzeiro é um deputado, com
imunidade.  Pode fazer o que quiser, invadir o campo para pressionar o juiz,
inventar um monte de mentiras para justificar a eliminação do seu time e
nada acontece com ele.  Por pessoas assim que o Clube dos 13 está cada vez
mais fraco.
O senhor fez acordo com a diretoria do Vasco para participar do  Mundial  de
2001 e deixou os vascaínos com o de 2000?
Isso é uma das maiores injustiças que fazem comigo.  Não houve acordo nenhum.
A Confederação Sul-America determinou o Vasco e Corinthians como
representantes brasileiros antes da Copa Libertadores acabar.  Não havia a
certeza que seria o  Palmeiras .  Não fiz acordo e estou irritadíssimo como
qualquer torcedor pelo cancelamento do  Mundial  da Espanha.
O  Palmeiras  não irá recuperar o dinheiro que investiu?
Vou revelar agora: a  Fifa  já colocou à nossa disposição US$ 500 mil.  Mas o
dinheiro não interessa.  Eu queria a chance do  Mundial .  Eu sinto como se me
tivessem convidado para uma festa mas não me deixaram comer o bufê.  Estou
revoltado.
E o  Palmeiras  não está garantido no  Mundial  de 2003.
Isso eu já sei.  Estamos nas mãos dos dirigentes da  Fifa , mas vou brigar
pelos nossos direitos adquiridos no campo.
O senhor mais teme o Boca Juniors ou La Bambonera?
O  Palmeiras  não teme La Bambonera e, apesar de todos estarem contra, tem
tudo para ganhar a Libertadores.  Conseguimos bons resultados no ano 2000 e o
time está pronto para suportar a pressão e decidir a vaga na nossa casa, no
Parque Antártica.  O time está pronto.  Dizem que não acompanho futebol, mas
sei muito bem o nosso potencial.  Por isso tenho a coragem de falar sobre as
nossas reais possibilidades de ganhar o título.
Como estão as negociações de patrocínio com a Pirelli?
Estão caminhando.  Mas não há nada decidido.  A nossa proposta eles já tem e
estou esperando a resposta definitiva.  Não posso afirmar mais nada, só isso.
O senhor vai levar seguranças a mais para Buenos Aires para proteger os
jogadores do  Palmeiras ?
Nada disso.  Ainda bem que esse tempo já passou.  Nossos jogadores não serão
perturbados.  E os deles não precisam se preocupar na partida de volta.  O
Palmeiras  sempre teve as suas conquistas no campo.  No campo.
Cosme Rímoli

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O Estado de S.Paulo - 18/06/2001

Palmeiras faz as contas e conclui: ‘Que prejuízo!’ 

EDUARDO MALUF 

A diretoria do  Palmeiras  reuniu-se nos últimos dias para analisar as
necessidades do elenco e para fazer um balanço das finanças do clube.  A
conclusão foi de que o primeiro semestre não poderia ser pior
financeiramente.  Além do prejuízo de no mínimo R$ 10 milhões com o
cancelamento do  Mundial  de  Clubes  da  Fifa , o Alviverde deixou de faturar
pelo menos mais R$ 5 milhões com a desclassificação nas semifinais da Taça
Libertadores, somando o valor pago pela Conmebol aos finalistas, arrecadação
e o prêmio que a Pirelli, nova patrocinadora, pagaria pelo título, conforme
prevê o contrato que vai durar dois anos.
Otimista, o presidente Mustafá Contursi apostou nesta cláusula do acordo
para aumentar a receita do clube.  A empresa italiana desembolosará US$ 2
milhões por ano, valor considerado baixo, mas pagará, ainda, por cada
conquista.  Neste ano, restam o Campeonato Brasileiro e a Copa Mercosul.
A derrota para o Boca Juniors afetou também a Pirelli.  A multinacional e o
clube planejavam anunciar oficialmente o acerto após a partida da última
quarta-feira e apresentar a nova camisa com a logomarca do patrocinador.
Assim, o  Palmeiras  estrearia o uniforme já nos jogos decisivos da competição
sul-americana.
Bons tempos – No fim de 2000, a diretoria palmeirense comemorava o
equilíbrio financeiro do clube.  Tinha mais de R$ 40 milhões acumulados,
enquanto a maioria tentava “driblar” as dívidas.  Hoje, porém, esse valor
diminuiu em mais de 50%.  Assim, Mustafá não promete reforços de peso para o
segundo semestre.
O jogador que está mais próximo do Palestra Itália é o meia Robert, do
Santos, e o negócio pode ser fechado nos próximos dias.  Para que ele seja
contratado, o  Palmeiras  deverá ceder o atacante Tuta e mais um volante,
possivelmente Claudecir.
Robert, atacante do Botafogo de Ribeirão Preto, e Marquinhos,
lateral-esquerdo do Goiás, também interessam.  Um meia e um lateral são as
prioridades, porque Felipe e Alex estão deixando o clube.
O diretor de Futebol Sebastião Lapola iniciará nesta semana os trabalhos no
Palmeiras ao lado de Américo Faria.  Ele estava nos Emirados Árabes e volotou
ao Brasil semana passada.
R$ 15 milhões no primeiro semestre 

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O Estado de S.Paulo - 07/07/2001

Palmeiras recebe US$ 750 mil da Fifa e desiste de entrar na Justiça 

A  Fifa  anunciou ontem que pagará uma indenização de US$ 750 mil aos  clubes
que iriam participar do  Mundial  da Espanha, que começaria no fim do mês.  O
Departamento Jurídico do  Palmeiras  havia ameaçado entrar na Justiça contra a
entidade, alegando perdas e danos, mas desistiu.  O valor ajudará a diretoria
na contratação de reforços.  Embora não seja uma quantia  elevada para os
padrões do futebol atual, é considerável.  Equivale a quase quatro meses de
pagamento da Pirelli, que assinou contrato de patrocínio na segunda-feira.
Outra boa notícia para o torcedor é a renovação de contrato do volante
Fernando, que ficará pelo menos mais um ano no Palestra Itália.  O atleta
vinha sendo bastante assediado pelo Internacional-RS, mas preferiu
permanecer em São Paulo. “Sempre tive a intenção de ficar”, comentou. “A
renovação de meu contrato é uma prova de que idade não faz diferença.”
Apesar dos 34 anos, Fernando teve boas atuações no ano passado e no primeiro
semestre de 2001 e passou a ser querido pelos torcedores por sua dedicação.
Alegria de uns, tristeza de outros.  Fábio Júnior está inconformado com sua
situação.  O atacante foi suspenso por um ano na Itália por uso de passaporte
falso e quer mais esclarecimentos, o que não conseguiu até agora.  Américo
Faria, diretor de Futebol, disse que ainda não recebeu nenhum comunicado
oficial. “Minha mãe viu na televisão que eu tinha sido suspenso pela  Fifa  e
não poderia jogar no mundo todo e me ligou desesperada para saber se era
verdade”, contou. “Essa falta de informação é ruim e prejudicial.”
Mesmo assim, Fábio Júnior segue treinando e, amanhã, viaja com o elenco para
Serra Negra.  A estréia da camisa com a logomarca da Pirelli será no dia 14,
em amistoso com o Etti Jundiaí.  O  Palmeiras  vai entregar as faixas de
campeão da Série A2 para o time do interior.
A diretoria está atras de pelo menos três reforços.  Deivid, do Santos,
interessa.  Se não acertar com o Corinthians, poderá aparecer no Palestra
Itália.

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Ronaldo vira seu próprio cabeleireiro

(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 25 de junho de 2002)

Edmundo Leite


ronaldo_cabelo Saitama - O atacante Ronaldo já era o centro das atenções no treino desta segunda-feira no estádio de Saitama por causa do problema muscular que colocou em dúvida a sua participação no jogo semifinal contra a Turquia. Havia grande expectativa para saber se o jogador treinaria ou não, o que seria um indicador das chances de ele atuar na partida decisiva de quarta-feira. Mas quando entrou em campo, acabou atraindo a curiosidade de todos por causa de um inusitado corte de cabelo. Um dos precursores da careca entre os jogadores de futebol, o atleta da Inter de Milão desta vez raspou a cabeça, mas deixou um arco na parte de frente.


A novidade, contou o jogador, não foi feita por nenhum cabeleireiro ou colega, como costuma acontecer várias vezes na seleção. Foi obra dele mesmo. “É uma coisa nova, tentei mudar um pouco. Eu mesmo cortei”, disse. Segundo ele, o corte não foi inspirado em ninguém, tampouco foi fruto de alguma aposta ou promessa.


Dois jogadores de outras seleções já haviam feito algo parecido, mas com resultado um ligeiramente melhor: o meia turco Umit Davala e o atacante americano Clint Mathis, ambos com cortes ao estilo moicano, com uma faixa de cabelo no meio da cabeça e as laterais raspadas.


Ronaldo não comentou se pretende continuar com o corte mostrado no treino desta segunda ou se raspará tudo nos próximos dias. Mas na zona mista, local onde os jogadores dão entrevistas no estádio e por onde passou rapidamente, o jogador não quis exibir o corte inovador e preferiu ficar de boné, apesar da insistência dos repórteres para que mostrasse a inovação estética.


Se foi econômico nos comentários sobre o cabelo, Ronaldo também não quis se alongar muito sobre a sua condição física, mesmo dizendo-se otimista com a possibilidade de jogar contra os turcos. “Hoje não foi o dia mais importante. Vamos ver amanhã”. O fato de não ter se movimentado muito no treino e de ter participado apenas de uma parte do coletivo, segundo ele, não é motivo de preocupação. “Não tenho limitação de movimentos. Foi só mesmo para descansar”.

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(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 22 de junho de 2002)

Edmundo Leite

Saitama, Japão - Ronaldinho Gaúcho está confiante e arrependido. Confiante porque acredita que não receberá uma punição mais severa da Fifa por causa da expulsão no jogo contra a Inglaterra e que, assim, poderá disputar a final da Copa do Mundo, se o Brasil passar pela Turquia. Arrependido por ter ido com tanto ímpeto contra o inglês Mills no lance que resultou no cartão vermelho. “Não passa pela minha cabeça ficar forma da final”, disse o meia do Paris Saint Germain, no hotel onde a seleção brasileira está concentrada em Saitama. “O que passa na minha cabeça é cumprir a suspensão normalmente e nesse jogo que eu vou ficar no banco poder ajudar de alguma forma e poder participar da final”.

O caso de Ronaldinho seria julgado neste domingo pela Comissão de Arbitragem da Fifa, que pode aumentar a suspensão do jogador em mais um partida. Mas Ronaldinho acredita que a análise do vídeo do jogo o favorecerá. Além disso, a CBF também conta com o prestígio do presidente da entidade, Ricardo Teixeira, que é integrante da Comissão de Arbitragem, para preservar o atleta de uma punição rigorosa.

Ronaldinho voltou a afirmar que considera a expulsão injusta e disse que não teve a intenção de atingir o adversário, que pouco antes o havia atingido. “Acabei colocando o pé nele e o árbitro achou que era lance para expulsão. Eu acho que era para cartão amarelo”. Segundo o brasileiro, ele tentava se proteger. “Minha intenção não foi dar o troco, foi de me proteger, pois achei que ele viria mais forte”.

Mesmo considerando injusto o cartão vermelho, Ronaldinho Gaúcho não esconde um pouco de arrependimento por ter ido com tanto ímpeto na jogada. “Se fosse pensar duas vezes é lógico que eu não colocaria o pé daquela forma. Mas aconteceu e agora é esperar”.

Gol - A única coisa que ameniza a tristeza com a expulsão é ter marcado o gol que garantiu a vitória e a vaga do Brasil nas semifinais da Copa do Mundo. Como aconteceu depois da partida, Ronaldinho Gaúcho voltou a afirmar que tinha a mesmo a intenção de chutar a bola a gol, e não fazer um cruzamento, como até alguns companheiros de time chegaram a dizer. “É lógico que eu não queria botar a bola daquela forma, colocar exatamente naquele lugar, mas minha intenção foi de chutar no gol”.

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(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 22 de junho de 2002)

Edmundo Leite

Shizuoka, Japão – O zagueiro Lúcio poderia ter saído do jogo contra a Inglaterra marcado pela eliminação brasileira na Copa do Mundo. O jogador do Bayer Leverkusen falhou deixou Michael Owen na cara gol para fazer o gol inglês aos 22 minutos, complicando a situação do time brasileiro, que só conseguiu se recuperar com um gol de Rivaldo nos acrécimos. Foram momentos de angústia, que o jogador superou com a ajuda dos colegas.

Lúcio admite que falhou no lance, mas procurou minimizar o erro, deatacando a superacão do placar aadverso pela equibe brasileira. Sobre o lance em si, o zagueiro conta que nem viu a bola. “Foi uma bola difícil onde eu fiz o máximo para tirar, mas não consegui ver a bola porque foi um lance muito rápido”, disse o jogador.

O erro, segundo ele, não o abalou, nem mesmo os outros jogadores. O incentivo dos companheiros acontreceu de forma natural. “A princípio ninguém falou nada. Só pegaram a bola e falamos vamos lá que ainda tinha muito jogo pela frente”. A sua postura dentro de campo continuou a mesma, segundo onta, mas com mai atenção. “Continuei jogando da mesma forma. O único lance onde a nossa defesa sofreu foi na hora do gol mas dentro da partida não houve outros lances perigosos”, disse, evidenciando que não pretende ser julgado apenas pelo lance com Owen.

Pare ele, qualquer um que estivesse jogando corria o risco de passar por uma situaçào difíl com a que enfrentou. “A gente que está lá dentro sabe que isso pode acontecer. Infelizmente, aconteceu comigo. Mas o negócio é manter a calma e jogar como a nossoa equipe jogou para conseguir o resultado positivo”.

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(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 15 de junho de 2002)

Edmundo Leite

Kobe, Japão – O lateral Belletti é o único dos jogadores de linha da seleção brasileira que não foi utilizado pelo técnico Luiz Felipe Scolari nas três partidas que a equipe fez na Copa do Mundo. Reserva de uma posição cativa há anos para o capitão Cafu, as chances de ele atuar diminuem a cada jogo, ainda mais agora na fase decisiva, onde não há espaço para testes ou para poupar jogadores, como aconteceu contra a Costa Rica.

Para entrar na equipe titular, o são-paulino precisaria que o colega Cafu fosse suspenso ou se machucasse. Treinar com pouca perspectiva de jogar não é muito animador, mas Belletti ainda assim tenta demonstrar que está pronto para ajudar o grupo na conquista do penta. “A oportunidade não escolhe a hora de aparecer, de uma hora para outra ela pode pintar”, diz antes de ir para mais um treinamento em que ficará na posição de coadjuvante. “Minha obrigação é estar pronto para entrar e dar conta do recado”.

A situação do jogador lembra um pouco a da Copa de 98, na França, quando o mesmo Cafu reinava absoluto na posição, tradicionalmente carente de novas revelações. Na época, o também são-paulino Zé Carlos fora convocado na última hora para o lugar de Flávio Conceição e até criou-se uma expectativa de que poderia ser uma boa novidade para o time de Zagallo. A oportunidade para o jogador, que vinha sendo destaque por causa de sua irreverência, acabou surgindo justamente num jogo decisivo, a semifinal contra a Holanda. Com Cafu suspenso, Zé Carlos foi escalado, mas mostrou muita insegurança.

Com esse histórico e as elogiadas atuações de Cafu, Belletti sabe da responsabilidade que terá se precisar substituir o titular. Mas às vezes parece não se preocupar muito. No treino deste sábado, enquanto Felipão orientava o posicionamento do time titular numa cobrança de lateral dos reservas, ele brincava, arremessando a bola para uma imaginária cesta de basquete no alambrado ao lado do campo.

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(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 11 de junho de 2002)

Edmundo Leite

Ulsan - A cobrança sobre os erros de passes e finalizações da seleção brasileira tem sido uma constante para o técnico Luiz Felipe Scolari. O treinador chega até se irritar com as críticas, que considera injustas. Mas não é por isso que deixa de cuidar desse assunto delicado para o time.

Nos treinos desta segunda-feira - os primeiros visando o jogo contra a Costa Rica - Scolari dedicou a maior parte do tempo a esses dois fundamentos. E ainda aproveitou para testar uma possível formação diferente para o último jogo nesta fase, poupando três titulares.

Na parte da manhã, quando chegou a preservar cinco jogadores (Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos, Roque Júnior e Cafu ficaram fazendo musculação no ginásio do hotel), os passes curtos e rápidos foram a prioridade do treinador. Felipão tem dito que os jogadores precisam se aprimorar mais nesse fundamento para adquirir confiança e errar menos nos passes longos. O trabalho, no sistema de “dois toques”, acabou tendo uma baixa além dos quatro poupados: o volante Kléberson, que teve um entorse no tornozelo direito e deixou o gramado. O tratamento, com gelo e antiinflamatório, foi iniciado nos degraus que servem de arquibancada ao lado do campo.

O médico José Luiz Runco afirmou que a contusão não era grave e que poderia preservar o jogador no treino da tarde, o que acabou acontecendo. Ele acredita, porém, que o Kleberson poderá treinar normalmente nesta terça.

Roberto Carlos, que vinha reclamando de dores na panturrilha da perna esquerda, também não foi e ficou em tratamento. Runco afirmou que o jogador do Real Madrid está sentindo o problema por causa do grande número de jogos que disputou esse ano e que o “bom-senso” pedia que ele fosse preservado.

Se será poupado também na partida, diz, a decisão será de Luiz Felipe Scolari. O técnico não falou nada, mas sinalizou que pode poupar o jogador, testando uma formação titular com o Júnior no lugar de Roberto Carlos, Edmílson no de Roque Júnior e Ricardinho substituindo Ronaldinho Gaúcho. A opção foi testada com o time utilizando metade do campo, mas sem os reservas, que ficaram do outro lado repetindo finalizações, como adversários.

Antes de experimentar as substituições, Scolari havia colocado todos os jogadores para treinar chutes a gol, com ênfase nas bolas cruzadas das laterais. Com o penúltimo dia antes do terceiro jogo do Brasil na Copa do Mundo dedicado aos fundamentos básicos do futebol, resta agora apenas um período de treinos, nesta terça, para definir o time, além do reconhecimento no estádio, na véspera do jogo de quarta-feira.

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