(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 09 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Ulsan – Os chineses tomaram conta da Ilha de Jeju para o jogo contra o Brasil, ontem, e fizeram uma grande festa no estádio de Seogwipo, apesar da goleada sofrida pelo time. Se antes do jogo, eles ocuparam a maioria das vagas disponíveis no hotel da ilha, hoje, na volta, parece que todos resolveram ir embora ao mesmo tempo. O aeroporto internacional da Ilha estava tomado de chineses, provocando enormes filas e atrasos nas partidas dos vôos.
As filas começavam já nos balcões das companhias aéreas e aumentavam nas áreas internas de embarque, transformando-se em aglomeração. Nos guichês da imigração, a passagem era bastante complicada. A tradicional educação oriental era ignorada e os chineses iam tentando se enfiar na frente dos que já estavam lá. Mas a pior parte eram os detectores de metais, em número reduzido para tanta gente ao mesmo tempo. Os agentes se desdobravam para controlar e liberar os passageiros para os vôos.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 09 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Seogwipo - O atacante Ronaldo deixou o gramado do estádio de Seogwipo feliz com a atuação contra a China. “Me diverti bastante e vou melhorar ainda mais”, disse logo após deixar o campo, substituído por Edílson. Com o gol marcado aos nove minutos do segundo tempo após receber cruzamento de Cafu, O jogador da Inter de Milão cumpriu a promessa que fez ao técnico Felipão de fazer um gol a cada jogo. “Estou vibrando muito e me sentindo muito bem. cada gol que vou fazendo aumenta a minha empolgação”.
Bastante marcado pelo zagueiros chineses no primeiro tempo, Ronaldo quase não teve oportunidade de marcar. Somente no segundo tempo as bolas começaram a chegar com mais facilidade para que ele chegasse com mais perigo ao gol adversário.
Apesar de satisfação e da vontade de marcar cada vez mais, ele evita falar em artilharia. “A medida que os jogos vão passando os gols vão saindo naturalmente. Mas não estou preocupado com isso. Só quero ajudar a seleção ser campeã”, disse o jogador, que agora tem seis gols marcados em Copa do Mundo.
Se saiu satisfeito com o seu desempenho, Ronaldo não pareceu muito feliz com a substituição, aos 26 minutos do segundo tempo. Na véspera, ele havia dito que esperava atuar os 90 minutos da partida.
Quando o juiz auxiliar levantou a placa indicando a sua saída para a entrada de Edílson, Ronaldo demorou a perceber. Ele havia acabado de ter uma outra chance de marcar, num lance que Ricardinho o deixou na cara do gol, numa de suas melhores jogadas na partida. A bola foi para escanteio, mas o treinador resolveu fazer a troca antes mesmo da cobrança.
Ronaldo cumprimentou o companheiro que entrava, pegou a sua água, mas evitou sentar no lugar que estava vago no banco de reservas perto da comissão técnica. Preferiu seguir para o lado de Ronaldinho Gaúcho, que havia sido substituído por Denílson, e ficar sentado no chão, na outra ponta. “Não saí cansado de campo. Saí para ser preservado”.
Sempre o mais assediado de todos os jogadores, dessa vez Ronaldo foi o último a entrar na zona mista, local onde os atletas passam para dar entrevista após o jogo. O motivo: junto do goleiro Dida, ele foi um dos sorteados pela Fifa para o exame antidoping.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 08 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Seogwipo, Coréia do Sul – Nada como um susto para deixar as pessoas mais atentas. Com a contusão e o corte do volante Émerson ainda frescos na memória, o técnico Luiz Felipe Scolari adotou a cautela no treino de reconhecimento do gramado do estádio de Seogwipo, onde a seleção brasileira enfrenta a China neste sábado pela segunda rodada da Copa do Mundo.
Depois de comandar um treino tático, quase um mini-coletivo no local da partida, a comissão técnica começou os preparativos para o tradicional recreativo. Quando os auxiliares colocaram os paus que fazem as vezes de trave no meio do campo, começou a expectativa sobre qual seria a reação dos jogadores e do técnico, que haviam dito que nada mudaria depois que Émerson sofreu uma luxação no ombro quando brincava de goleiro no treino recreativo antes da estréia. Não foi bem assim.
Os jogadores de linha nem se preocuparam em trocar de posição, como tradicionalmente fazem. Felipão nem fez suspense e logo chamou os goleiros Marcos e Rogério para assumirem seus postos. Os jogadores mantiveram seus posicionamentos originais em campo: zagueiro na saga, meia no meio e atacante no ataque. Sem invenções.
A presença de Ricardinho ali ao lado era o sinal de que não era bom dar sopa para o azar. Nas entrevistas depois do treinos, todos afirmaram que não houve medo algum e que o que aconteceu com Émerson foi normal e poderia acontecer com qualquer um. “Foi só um treino leve mesmo”, disse Kléberson. “Ninguém tirou o pé por causa do que aconteceu com o Émerson”.
Gilberto Silva negou que houvesse excesso de zelo. “Cuidado tem que ter sempre, não houve nada disso”. O herdeiro da faixa de capitão de Emerson, o lateral Cafu, tentou dar uma outra explicação, mas não convenceu. “Existem várias formas de fazer reconhecimento do gramado. E hoje apenas optamos por fazer uma diferente da que fizemos na vez passada. Mas nosso comportamento não mudou em nada”.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 08 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Seogwipo – Após dias de convivência no clima pesado da industrial Ulsan, a seleção brasileira mudou de ares e isolou-se. O time de Luiz Felipe Scolari chegou nesta sexta-feira de manhã (noite de quinta no Brasil) a Seogwipo, na bela ilha de Jeju, onde enfrenta a China pela segunda rodada da Copa do Mundo. O isolamento começou já na chegada, depois de uma hora de vôo desde Ulsan. A delegação sequer passou pelo saguão do aeroporto, entrando no ônibus ainda na pista e partindo para o Paradise Hotel, que fica na outra extremidade da ilha. Lá, evitaram qualquer contato externo.

O nome do hotel é a melhor definição para a ilha. Com praias e cachoeiras belíssimas e outras paisagens encantadoras, Jeju é um verdadeiro paraíso. Em Ulsan, da janela do hotel onde o time está concentrado e a caminho do campo de treinamento, as paisagens eram indústrias e um estaleiro. No endereço dos próximos dias – a equipe volta a Ulsan na manhã seguinte ao confronto com a China – tudo é diferente. Ao lado do muro, uma trilha leva a uma bonita encosta de pedras no mar. O prédio principal do resort fica no meio de jardins repletos de palmeiras e muito verde.
O técnico Luiz Felipe Scolari quer tranqüilidade total em Seogwipo e, por esta razão, proibiu os jogadores de qualquer contato com jornalistas e torcedores, ao contrário do que acontecia em Ulsan. O Paradise é um resort, cujas acomodações estão reservadas exclusivamente para a delegação brasileira. Até mesmo integrantes do staff oficial de apoio ao time encontrava dificuldades para entrar no local, precisando de muitas conversas ao telefone e idas e vindas dos cadetes da polícia para conseguir a liberação.

Quem não gostou do rigor da segurança foi a torcida. Vários brasileiros passaram pelo local, mas foram embora logo que souberam que não haveria a menor possibilidade de fotos ou autógrafos. Um grupo de paulistas não escondia a decepção. “Não vamos perder tempo aqui”, diziam entre surpresos e decepcionados com o fim da regalia que estavam acostumados a encontrar na concentração de Ulsan. Mas até na cidade que acolheu o Brasil o ambiente já está mudando nos últimos, por causa do descontentamento da Fifa com a situação.
E a tendência é que a situação piore cada vez mais a partir da segunda fase. Depois de jogar com a China, o time volta a UIsan, onde fica mais quatro dias até se ir para Suwon, palco do confronto com a Costa Rica. A partir daí os jogos serão todos no Japão, exceto se o Brasil perder na semifinal. Neste caso, o time teria de voltar a Coréia, mais especificamente a Daegu, para disputar o 3º lugar.
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2004
2003
2002
1999