(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 06 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Ulsan – A loja de souvenirs que fica dentro do hotel onde o time de Luiz Felipe Scolari está concentrado para Copa do Mundo ganhou um item extra nesta quarta-feira: camisas da seleção brasileira. Todas piratas. A atendente da loja se esmerou e colocou o seu novo produto em destaque, à frente do balcão, para tentar chamar a atenção das pessoas que transitam pelo local. Mas acabou despertando mesmo foi os integrantes da Nike, empresa de material esportivo que fornece os uniformes da equipe e tem um contrato milionário de patrocínio com a CBF.
Segundo a responsável pela loja, que também vende uma série de produtos oficiais da Copa do Mundo, foi um brasileiro quem forneceu a ela as camisas, que estão sendo vendidas a 40 mil wons, cerca de 30 dólares. Na lojas de artigos esportivos de Ulsan, uma camisa oficial chega a custar pelo menos o dobro. As camisetas que estavam disponíveis no hotel da seleção eram cópias bem grosseiras, para irritação do pessoal da Nike.
“Não é certo. É camisa falsa da seleção”, dizia o gerente de comunicação da Nike, Ingo Ostrovsky, ainda sem saber que medida tomar contra a pirataria em pleno QG da seleção brasileira na Coréia. “No Brasil, isso é uma questão judicial. Estou me informando para ver como funciona aqui”. Mas a intenção era fazer com que tirassem as camisas dali o mais rápido possível. No fim da noite, o funcionário da Nike disse ter conseguido conversar com a responsável pela loja e que ela se comprometeu a retirar as camisetas do local após o fim do expediente.
Essa não foi a primeira situação constrangedora envolvendo produtos piratas no ambiente da seleção. Na Copa América de 1999, o filho de Onaireves Moura, presidente da Federação Paranaense de Futebol e então chefe de delegação brasileira colocou um ônibus, que funcionava como uma loja móvel que vendia camisas falsas da seleção, dentro do campo de treinamento do Brasil.
futebol brasil – índice de notícias – Agência Estado – 21/jul/99 – 20h58
Nike retira assinatura de site da CBF
São Paulo – O site da Confederação Brasileira de Futebol na internet deixou de ser assinado pela Nike. A multinacional de material esportivo que patrocina a seleção brasileira retirou das páginas hospedadas nos endereços www.cbf.com.br e www.futebolbrasil.com todas as referências de que a empresa era a responsável pelo site, assim como Copyright com o nome da Nike.
Também o texto de rodapé que proibia a utilização de qualquer parte ou conteúdo do site, sem autorização prévia e escrita da Nike, foi trocado por outro, sem menção ao nome da empresa de material esportivo. O link para a seção Termos do Uso, que atribuía à Nike todos os direitos sobre o site, com texto em inglês, deixou de existir. O original, no entanto, ainda pode ser lido no endereço http://www.cbf.com.br/terms.sps?languageid=22.
A Nike, através do diretor de comunicação da empresa no Brasil, Ingo Ostrovsky, negou o controle sobre o site oficial da CBF. Até maio, o endereço www.cbf.com.br ficava hospedado no IPTEC, um provedor de acesso à internet, localizado no Rio. Atualmente, o site está hospedado no PSI, um grande provedor com sede nos Estados Unidos.
O webmaster da CBF, José Medeiros, afirmou que o conteúdo e a atualização do site é de responsabilidade da entidade, sem interferência da Nike, cujo nome até ontem aparecia como detentora de todos os direitos sobre a página. A direção da CBF não foi localizada para comentar porque o nome do patrocinador, e não o da entidade, aparecia como detentor dos direitos sobre o site.
Medeiros também negou que o serviço não traga informação alguma sobre o Campeonato Brasileiro. Para isso, mostrou que é preciso fazer uma busca com as palavras Campeonato Brasileiro ou ir até a seção de notícias.
Edmundo Leite
(texto originalmente publicado no site da Agência Estado em 21 de julho de 1999. A url original www.agestado.com.br/noticias/futebol/brasil/htm/11094.htm não está mais acessível)
futebol brasil – índice de notícias – Agência Estado – 20/jul/99 – 03h16
Nike controla o site da CBF
São Paulo – Além de patrocinar os principais jogadores e determinar o calendário de amistosos da seleção brasileira, a multinacional Nike também substitui a Confederação Brasileira de Futebol em uma tarefa aparentemente mais simples: a edição e responsabilidade pelo site mantido na internet pela principal entidade do futebol brasileiro. É a Nike quem assina a home page oficial da CBF, no endereço www.cbf.com.br.
Ao contrário de outras federações esportivas nacionais, internacionais e até regionais, a entidade que comanda o futebol brasileiro apenas empresta seu nome à página, cujo conteúdo praticamente se restringe à seleção brasileira e é todo de responsabilidade da patrocinadora, através da empresa norte-americana TWIinteractive.
O aviso de copyright (direito de propriedade) não esconde a situação e, apesar da ressalva de que se trata do “site oficialda seleção brasileira”, é explícita a advertência sobre a proibição da reprodução de qualquer informação ou parte do website sem autorização da Nike.
Mesmo estando sob seu controle – o site também pode ser acessado através do endereço www.brasilfutebol.com -, a Nike não usa a página oficial da CBF na internet como forma de propaganda direta. Seu logotipo só aparece na seção de patrocinadores e no documento “termos de uso”, inteiramente em inglês. Nele, as advertências sobre o uso indevido do site estão mais detalhadas, informando inclusive que o servido é gerado pela TWI, da cidade de Herndon, na Virgínia, e que eventuais problemas em relação ao uso do conteúdo serão resolvidos de acordo com a legislação americana.
A parte reservada à CBF, limita-se a uma seção que traz a história da entidade, uma lista de endereços das federações regionais, entre outros dados de menor importância, como informações sobre os programas sociais da entidade. Sobre o campeonato Brasileiro que começa no sábado, por exemplo, não existe uma linha no site oficial da CBF.
Edmundo Leite
(texto originalmente publicado no site da Agência Estado em 20 de julho de 1999. A url original ‘http://www.agestado.com.br/noticias/futebol/brasil/htm/11061.htm’ não está mais acessível)
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