Quando enviei a Carta a um baterista inspirada no Ringo Starr eu imaginava que iria receber ao menos um resposta simpática, além de resolver o incômodo do barulho. Mas não esperava ser surpreendido com um dos mais belos textos sobre a paixão por um instrumento musical, por um ofício… pela arte.
Após ler o emocionante relato sobre a “Janis” confesso que quase joguei a toalha.
Mesmo com a surpreendente revelação escrita à mão no post-scriptum confirmando que o som vinha de cima, de baixo e de tudo quanto é lado.
Neste dia em que o beatle Ringo Starr faz a primeira de duas apresentações com sua All Star Band em São Paulo resgato uma carta enviada a um vizinho em 2003 (A resposta, amanhã).

Grande parte dos fãs de rock adora arrotar princípios tirados de uma tábua de mandamentos imaginária. Saudosistas e sem causa, faz algum tempo começaram a professar contra as cores no rock, esquecendo que seu passado é multicolor.
Evocam uma pureza e integridade inexistentes para menosprezar a diversão transgressora presente desde o primórdio roqueiro, quando não só as roupas, mas também atitudes e espíritos, eram coloridos e irreverentes. Por causa disso, os pioneiros foram chamados de pederastras, efeminados e invertidos. Muitas ondas cromáticas depois (teddy boys, hippies, headbangers, punks, new waves, emos), a nova geração que se dispõe a empunhar guitarras e cantar rock descompromissado tem agora que enfrentar o chicote repressor daqueles que já foram coloridos, desbotaram e agora só vestem a batina preta da intolerância.
Expostos a anos de fanzines mal xerocados, a jornais e revistas sem verba para imprimir fotos coloridas e a programas de TV em preto e branco, os roqueiros brasileiros desenvolveram uma dicromacia crônica irreversível. Apesar da paleta de cores infinita disponível, só conseguem pintar o mundo da cor e tonalidade que enxergam. Paradoxo cromático, alguns de seus maiores ídolos são coloridos até no nome.
A COLORIDA GALERIA DO ROCK
Donzelas coloridas

United colors of Ramones

Sábado colorido

Coloridos e profundos

Sem cor de chumbo

Muito além do pink

“Vermelho, vermelhaço, vesmelhusco, vermelhante, vermelhão…”

As várias cores das rosas

Pretinho básico? Tô fora!

London colors

“I got stripes, stripes around my shoulders…”

Despedida colorida

Por conta da notícia de que o famoso estúdio Abbey Road foi colocado à venda pela gravadora EMI, reciclo uma postagem do ano passado, ainda na versão anterior do blog.
Apenas uma boa desculpa para voltar à mítica faixa de pedestres londrina, ainda que pelo Google Street View (os estúdios ficam pouco adiante da faixa de pedestres, no muro branco de grades baixas à esquerda):
Refaça os passos dos Beatles em Abbey Road no Google
07/08/2009
Li por aí que neste sábado, 08 de agosto, faz quarenta anos que os Beatles fizeram a famosa foto atravessando a faixa de pedestres da Abbey Road, em Londres. A imagem na capa do disco elevou o lugar a ícone planetário. Milhares de turistas que vão a Londres incluem a rua onde ficam os estúdios em que o conjunto gravava como passagem obrigatória, principalmente para tirar fotos refazendo a cena.
Para os fãs dos Beatles quem não podem ir até lá, a ferramenta Street View (Vista da Rua) do Google Maps permite ter um pouquinho da sensação do lugar, inclusive com o mesmo campo de visão que Paul, John, George e Ringo tiveram quando deram aqueles passos – pequenos para o homem, grandes para humanidade, pode se dizer.
clique na imagem para andar pela rua
Em 1998 fiquei 20 dias em Londres e acabei não indo a Abbey Road. Comprei até poster, longe dali, mais no centro, mas não fui. O pior é que descobri depois que estava morando bem pertinho dali. Estive lá de novo no ano passado, e novamente não fui.
Maravilha esse Google Street View. Nos leva a novos caminhos e relembra velhos caminhos percorridos.
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