Morumbi – 03/11/1993
ingresso preço jornais preço atual
Arquibancada Cr$ 2.200 30 R$ 80
Pista Cr$ 3.200 46 R$ 115
Cadeira superior Cr$ 3.500 60 R$ 150Cadeira especial Cr$ 19.000 272 R$ 680Preço jornal época: Cr$ 70,00 | Preço jornal atual: R$ 2,50 .Morumbi – 18 e 20/12/2008
ingresso preço jornais preço atualArquibancada 1 R$ 160 64 R$ 160 Arquibancada 2 R$ 180 90 R$ 180 Pista e cadeira inf. R$ 250 100 R$ 250 Cadeira superior R$ 300 120 R$ 300 Pista Vip R$ 600 240 R$ 600Preço jornal época: R$ 2,50 | Preço jornal atual: R$ 2,50
“Aqui nada se perde, tudo se transforma”. Embora tudo por ali no finalzinho da Rua Galeno de Almeida venha se transformando bastante, o lema impresso no cartão de visitas da Cristais Eduardo não vem podendo ser cumprido nos últimos tempos. Por causa de dois empreendimentos imobiliários que cercaram o estabelecimento comercial que leva seu nome, Eduardo Augusto Teixeira Pimentel está impossibilitado de exercer o ofício ao qual se dedica há 70 de seus 83 anos – 40 deles no endereço pertinho da avenida Doutor Arnaldo.
Eduardo com seus vidros e cristais:
“Se eu parar, São Pedro me engancha”
Localizada entre as ruas Oscar Freire e Arruda Alvim, a antiga casa de telhado estilo borboleta onde fica a Cristais Eduardo é um dos poucos imóveis que resistiu ao assédio dos construtores dos novos prédios residenciais que estão sendo erguidos pela incorporadora Sisan, braço imobiliário do Grupo Silvio Santos, na nova fronteira de um dos endereços mais valorizados da cidade.
Com quase todos os imóveis vizinhos vendidos para a Sisan, a Cristais Eduardo está ilhada pelo cenário de terra arrasada comum do início de obras de grande porte. Seria apenas uma vista ruim, após a demolição das casas vendidas e da terraplanagem, se o amplo canteiro de obras que tomou conta do lugar não estivesse causando estragos no antigo imóvel onde há quatro décadas seu Eduardo executa seus serviços, descritos logo após a frase de efeito no cartão de visita: “Restauramos cristais, louças, prataria, biscui e objetos de arte. Lapidação, Prateação, Metalização, Presentes.”
Com o início das fundações da obra, os bate-estacas chegaram a fazer tremer as prateleiras onde seu Eduardo mantém uma variedade de produtos de vidros e cristal expostos para venda. Mas esse nem foi o maior transtorno. Na fase de escavações do terreno, há cerca de dois meses, uma parede da oficina de seu Eduardo, que fica na parte de trás do antigo imóvel, começou a desabar, colocando em risco a segurança do lugar. As obras foram paralisadas pelos construtores, que chegaram a um acordo com seu Eduardo e dona Lígia, moradora de uma casa nos fundos da Cristais Eduardo: Lígia e sua família foram para uma casa alugada pela construtora no Butantã, onde ficará por um ano. Sua casa, agora utilizada como base de serviços e alojamento pelos construtores do prédio, será reconstruída e entregue de volta à proprietária. Com seu Eduardo, o acordo foi o de reconstrução da parte afetada do imóvel e pagamento mensal de uma indenização por quatro meses, tempo previsto da paralisação de suas atividades.
São Pedro
Apesar do bom humor com que trata o assunto, Eduardo não esconde a angústia com a situação. “Trabalhar vicia. É vício”, diz. “Trabalho há tantos anos, vou parar de que jeito?” pergunta, para em seguida dar a resposta. “Se eu parar, São Pedro me engancha”, brinca. “Eu preferia que isso não acontecesse. É um transtorno, uma confusão. Eu gostaria de estar na rotina”.
Rotina que tenta manter, apesar de todos os equipamentos da oficina estarem desmontados. Mesmo impossibilitado de trabalhar, e com uma compensação financeira que permitiria que ficasse de férias prolongadas, seu Eduardo vai diariamente ao local. Pessoalmente ou por telefone explica aos clientes que o procuram que não poderá aceitar encomendas. “Meu maior prazer é ver a satisfação do cliente com o produto restaurado, mas agora estou só com algumas vendas, tendo que recusar serviço.”
Oferta
Eduardo conta que os construtores dos prédios tentaram comprar seu imóvel, mas que não aceitou por considerar a oferta insatisfatória. “Se fosse uma moradia, seria mais fácil. Mas aqui é um ponto comercial. Minha clientela está toda por aqui e sabe onde estou. Não posso ir para longe. Se tivessem feito uma oferta melhor, que pagasse o ponto e permitisse que eu fosse para outro ponto por perto, eu venderia. Mas pelo que ofereceram não pude aceitar”. O artesão não revelou quanto ofereceram pelo seu imóvel, mas segundo ele os valores estão abaixo dos preços praticados pelo mercado imobiliário na região.
Outros vizinhos que não quiseram vender seus imóveis também disseram que não aceitaram por considerarem a oferta irrisória. Os apartamentos dos dois novos condomínios – “localizados numa das regiões mais cobiçadas de São Paulo, pertinho da Oscar Freire”, como diz o material promocional da Sisan – foram vendidos a preços que vão de R$ 360 mil a perto de R$ 1 milhão, no caso das coberturas.
Procurada, a empresa do grupo Silvio Santos não quis comentar o caso. Enquanto as obras continuam, seu Eduardo aguarda com ansiedade a reconstrução da sua oficina, mesmo sabendo que provavelmente a reforma terá a mesma imperfeição dos objetos quebrados que restaura e recupera: “Vidro e cristal é igual a uma mulher. Depois da restauração, fica igual velha quando faz plástica. Fica bom? Fica. Mas nunca mais será como antes.”
Veja também:
# Moradora afetada por obra deixa residência por um ano
# Google Stree View (vista da rua): a loja com os prédios construídos
A técnica em pesquisas Ligia Sumi Vieira assistia televisão em sua sala quando ouviu um forte estrondo e sentiu a casa balançar. Ao sair para fora, a surpresa: um trator que fazia escavações no terreno vizinho estava pronto para avançar sobre a sua residência. Desesperada, gritou para interromperem a obra. Tão surpresos quanto Ligia, os operários paralisaram suas atividades. Máquinas desligadas, outra surpresa. A casa de Ligia estava no mapa de demolição da empresa responsável por limpar o terreno para a construção de dois condomínios pela incorporadora Sisan no quarteirão entre as ruas Oscar Freire, Galeno de Almeida e Arruda Alvim.

A casa de Ligia – na qual mora há mais de 30 anos – estava nos planos dos construtores dos novos prédios residenciais, mas não houve acordo para venda. Após aceitar uma oferta, o negócio não foi para frente por causa da recusa do dono do imóvel em frente – a Cristais Eduardo – em vender a propriedade. Com o impasse, os dois imóveis, que tem uma área comum e são separadas por um pequeno jardim, ficaram ilhados pelas obras dos edifícios. “Um bate estacas quase derrubou a varanda”, conta Ligia, enquanto alerta o repórter para não se apoiar num muro – “olha só a rachadura” – e coloca alguns vasos de plantas no carro.
Cuidem bem do meu jardim
As samambaias e outras plantas foram as últimas coisas retiradas da casa. Com os danos e transtornos cada vez maiores, Ligia entrou em acordo com a Sisan e deixou o local. A empresa alugou uma casa no Butantã para ela e a família viverem por um ano. No período das obras dos edifícios, a construtora usará a casa como alojamento e depósito. Depois disso, reconstruirá toda a residência para que a família volte para lá. Mesmo resignada com a situação, Ligia mantém a cordialidade com os funcionários enviados pela empresa para ajudar na mudança. “Cuidem bem do meu jardim”, pede a um dos operários que ficará trabalhando no imóvel. “Já mudei o endereço das contas e das revistas, mas devem chegar algumas ainda. Guardem para mim que eu passo aqui para pegar.”
Apesar de todos os transtornos com a mudança inesperada, Ligia diz que não está recebendo nenhuma compensação adicional além do aluguel da nova casa e da ajuda na mudança. “Gastei até com perícia particular e a Defesa Civil queria interditar a minha casa e não a obra”, conta Ligia.
Desamparo
O desamparo do poder público também é a queixa de outros vizinhos da obra que não quiseram vender seus imóveis para os construtores dos novos edifícios residenciais. O comerciante Arnaldo Serafim Saavedra, de 58 anos e que mora numa das casas localizadas sobre pequenos comércios na Oscar Freire, conta que vem sofrendo com os transtornos das obras e não obtém resposta alguma da prefeitura ou da polícia quando os procura. “Já liguei de madrugada por causa de escavações que estavam fazendo nesse horário e não veio ninguém. As máquinas e caminhões trabalham até de sábado e domingo. A gente se sente desrespeitado com a falta de respeito das autoridades.”
Assim como outros vizinhos, o comerciante explica que não aceitou a proposta de compra da Sisan por considerá-la insatisfatória. “Estou do lado do Metrô, na Oscar Freire, e não vou sair daqui sem uma proposta que me permita ir para um lugar equivalente”, diz Arnaldo, que nasceu no local, propriedade de sua família há quase 80 anos.
Razões afetivas também foram o motivo da recusa da venda de outro imóvel, localizado na fronteira de cima do empreendimento. Morador de uma casa na rua Arruda Alvim há 55 anos, Maurício Meirelles – que atende à campanhia sorrindo – não pode nem escutar a possibilidade de sair de lá. “A vida dele está toda aqui”, diz a professora Malena, explicando que o irmão, que tem problemas mentais, vive na casa desde pequeno. “Como poderíamos tirar ele daqui?”, pergunta. “Ele morre de medo quando escuta alguma conversa sobre a casa. Conhece todo mundo da rua, vai ao médico sozinho e perderia toda sua referência se mudasse para outro lugar. A vida dele é aqui.”
Veja também:
# A casa de cristais e o bate-estaca de Silvio Santos
# Galeria de fotos
# Google Stree View (vista da rua): o imóvel com os prédios construídos
17.08.2008
Um discurso há tempos consagrado é que a profissionalização é fundamental para o sucesso no esporte, seja em que modalidade for. Não são poucas as ocasiões em que atletas, treinadores e dirigentes de clubes e federações costumam lustrar suas declarações em entrevistas, artigos e palestras de motivação generosamente remuneradas com exaltação ao profissionalismo. Na maioria das vezes não passa de discurso vazio.
A eliminação de Larissa e Ana Paula do torneio olímpico de vôlei de praia é a mais recente demonstração que a distância entre o discurso e a prática é tão grande quanto os milhares de quilômetros que separam Brasil e China. Leia a íntegra
11.07.2008
Se alguém ainda acredita naquele papo de Olimpíadas como integração dos povos e culturas através do esporte, a decisão do governo chinês de proibir os restaurantes locais de servir pratos com carne de cachorro deu mais uma demonstração de que os ideais do Barão de Coubertin são coisas de um passado distante. Embora cobrar espírito olímpico de um país onde impera o autoritarismo possa até ser burrice, é difícil entender a decisão, adotada para “evitar conflitos”, nas palavras de uma autoridade chinesa. Leia a íntegra

Menu de restaurante na Coréia do Sul, em 2002, oferece carne de cachorro

A simpática coreana e as entradas: petiscos de carne canina na vasilha retangular
29.05.2008
A divulgação de fotos de índios de uma tribo isolada no Acre atirando flechas contra um avião relembra um episódio de grande repercussão no Brasil nos anos 40, quando a revista O Cruzeiro publicou uma reportagem assinada pela polêmica dupla formada pelo repórter David Nasser e o fotógrafo Jean Manzon. Intitulada “Enfrentando os chavantes”, a reportagem publicada na edição de 24 de junho de 1944 tinha como principal ilustração uma foto dos índios atacando o avião que sobrevoava uma aldeia na região de Xingu, no Mato Grosso. Leia a íntegra
Imagem publicada em 1944 atribuída a Jean Manson
Imagem feita por Gleison Miranda, da Funai, em 2008
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