Texto publicado neste sábado no Caderno 2 + Música do Estadão sobre o relançamento dos dois discos de Raul Seixas pela gravadora Copacabana:
O Estado de S.Paulo - 03/9/2011 - Caderno 2 - p.7
# Outros posts sobre Raul Seixas
Todos os times têm derrotas memoráveis em sua história. Algumas amargas. Dentro de campo, é do jogo. Mas quando a derrota é fora dos gramados fica difícil até de avaliar. Há exatos dez anos, o Palmeiras deveria começar a disputa de um sonhado Mundial de Clubes na Espanha. A falência da ISL, agência parceira da Fifa, fez o sonho virar pesadelo.
Depois de, num lance de esperteza e ingenuidade dos dirigentes, ceder a vaga a que tinha direito no primeiro Mundial de Clubes disputado no Brasil para o Vasco, o time do Parque Antártica ficou a ver navios quando foi anunciado o cancelamento do torneio na Espanha.
O material promocional produzido pelo clube em parceria com agências de viagens parceiras dá uma noção de quão grande era a expectativa palmeirense com a competição. O time pretendia, 50 anos depois de conquistar a mítica e polêmica Taça Rio, o primeiro Mundial de Clubes da História, colocar seu nome como uma das grandes forças do futebol mundial.
Para acalmar os dirigentes palmeirenses, a Fifa indenizou o clube em US$ 750 mil. O então técnico Luiz Felipe Scolari resumiu numa frase o sentimento da torcida palmeirense com o drible tomado da Fifa: “Eu me sinto roubado”.











O Estado de S.Paulo – 18/5/2001

O Estado de S. Paulo – 19/5/2001
Relembre nas reportagens de Cosme Rímoli, Luiz Antônio Prósperi e Eduardo Maluf outros lances da história, iniciada em 1999, do Mundial não disputado pelo Palmeiras:
Jornal da Tarde – 15/06/1999
Mundial de Clubes: Vasco é o indicado COSME RÍMOLI, LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI A Confederação Sul-Americana surpreendeu ao anunciar, ontem, que o Vasco representantará o continente no Mundial de Clubes , que será disputado no Brasil de 5 a 15 de janeiro de 2000. Francisco Benitez, secretário-executivo da Conmebol, comunicou à Fifa que o clube carioca foi escolhido por ter sido campeão da Libertadores da América em 1998. A expectativa era pela participação do campeão sul-americano de 99, título que será decidido entre Palmeiras e Deportivo Cali, amanhã, no Parque Antártica. Com a opção pelo Vasco , a Conmebol resolveu um problema da CBF, que havia escolhido São Paulo e Rio como as duas sedes do torneio. “Até eu fiquei surpreso com a indicação do Vasco , não tive participação nenhuma na escolha. A Sul-Americana seguiu critério da Fifa , que havia indicado o Real Madrid como campeão da Copa Toyota de 98”, comentou Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Com um time carioca garantido no Mundial , não será surpresa se Teixeira optar por um clube paulista como representante do Brasil, que tem direito a uma vaga por ser o país-sede do evento. “Tenho até outubro para definir o clube que representará o Brasil. Quero analisar com calma. Não haverá um torneio específico para isso. Antecipo que não será o campeão brasileiro ou o campeão da Copa do Brasil. O critério é da CBF.” Teixeira tem um bom argumento para escolher um time paulista: um jogo extra entre Corinthians, campeão brasileiro de 98, e Palmeiras , campeão da Copa do Brasil de 98. A chance de a vaga ficar com um time paulista é muito grande. Não por acaso, o presidente da CBF conseguiu, ontem, o apoio do governador Mário Covas para a realização do torneio. Teixeira teve uma audiência com Covas, às 10h, quando expôs o projeto da CBF e as exigências da Fifa para o Brasil organizar o torneio. “O governador ficou entusiasmado com o torneio, principalmente quando soube que mais de 2 bilhões de pessoas acompanharão os jogos pela televisão. Será uma propaganda de São Paulo para o mundo. Do governo paulista nós só precisaremos de segurança para as equipes.” Com o respaldo de Covas, Teixeira cumpriu com uma das exigências da Fifa , que só autoriza um país a organizar o Mundial desde que tenha apoio oficial das autoridades locais. Anthony Garotinho, governador do Rio, havia garantido que o Estado daria total respaldo à CBF. Garotinho também anunciou um investimento de US$ 60 milhões para reformar o Maracanã. A Fifa prometeu vistoriar o estádio carioca e o Morumbi a partir de quinta-feira. Cosme Rímoli e Luiz Antônio Prósperi A escolha veio da Confederação Sul-Americana, que se decidiu pelo clube carioca por causa do título da Libertadores/98.O outro indicado do Brasil será privilégio da CBF # O Estado de S.Paulo - 26/05/2001 Fifa promete indenizar o clube EDUARDO MALUF A Fifa aunciou ontem que vai indenizar os clubes pelo adiamento do Mundial , que seria realizado em julho e agosto, na Espanha. O Palmeiras vai receber pelo menos US$ 500 mil que a entidade havia dado como adiantamento aos participantes da competição. O Alviverde, no entanto, não tinha recebido nenhuma quantia. “Teremos de fazer o balanço do prejuízo financeiro. Nas próximas semanas, pagaremos os clubes e os organizadores”, garantiu Michel Zen Ruffinen, secretário-geral da Fifa . A diretoria do Palmeiras havia enviado, durante a semana, uma carta para a sede da entidade exigindo explicações e pedindo os US$ 500 mil a que tinha direito. O Departamento Jurídico estava estudando a possibilidade de entrar com uma ação contra a Fifa na Justiça por perdas e danos. Depois da promessa de ressarcir os clubes , porém, o Palmeiras vai desistir da idéia. A quantia que receberá poderá ajudar a diretoria a trazer alguns reforços. O atacante Caio, que deixou o Santos, pode ser o primeiro. No início do ano, o Alviverde tentou contratá-lo. A intenção é “tapar os buracos” que vão aparecer, porque dificilmente Alex e Felipe permanecerão no Palestra Itália. “O preço que estão pedindo pelo passe deles está fora da realidade do futebol brasileiro”, afirmou um dirigente do clube, ligado ao presidente Mustafá Contursi. O zagueiro Argel, que interessa ao Santos, dificilmente permanecerá no segundo semestre. (E.M.) # Jornal da Tarde - 25/05/2001 Revoltado com o acordo COSME RÍMOLI Scolari havia avisado para não aceitarem acordo que dava a vaga para o Mundial de 2000 ao Vasco. ‘Eu me sinto roubado’ “ Não se abre mão de um direito adquirido em nome de nada (desistência do Palmeiras do Mundial em favor do Vasco) ” (Luiz Felipe Scolari) Em Belo Horizonte, Luiz Felipe Scolari soube do cancelamento do Mundial de Clubes da Espanha, do qual o Palmeiras iria participar em julho, e foi dominado pela raiva. O treinador se lembrou das conversas que teve com dirigentes do clube enquanto preparava a equipe para a disputa do Mundial no Japão em 1999. Ele tentou de todas as maneiras evitar que aceitassem adiar a participação do Mundial de 2000 e deixar a vaga para o Vasco. “Era um assunto interno, na época. Eles me disseram que o Palmeiras iria abrir mão porque teria assegurado a participação no Mundial de 2001. O Vasco ficaria com a nossa vaga porque interessava para a realização do campeonato ter um time do Rio de Janeiro. A desculpa que convenceu os dirigentes foi que se ganhássemos o Mundial do Japão em dezembro de 1999 só teríamos um mês para desfrutá-lo, já que o Mundial do Rio seria em janeiro de 2000. E além do mais a Fifa garantia que estaríamos no de 2001 na Europa. Fui contrário desde o início. Não se abre mão de um direito adquirido em nome de nada. Mas fui voto vencido. E sou homem que respeita a hierarquia. Quem manda no clube já havia aceito”, revela, irritado. O tempo haver passado e provado que estava certo não acalma Luiz Felipe. Pelo contrário. “Tenho uma ligação de coração com o Palmeiras . Carrego a carteirinha do clube para onde vou. Fico muito mais do que triste com tudo que deixaram de ganhar no Parque Antártica com o cancelamento do Mundial .” Revolta Quando pensa na luta que foi para vencer a Libertadores da América e que vários jogadores que participaram da campanha como Marcos, Alex e Arce ficaram no Palmeiras esperando pelo Mundial da Espanha, Felipe se revolta de vez: “Sei que estão se sentindo como eu. Estou me sentindo roubado. Em futebol não se confia em ninguém. Falaram para deixar o Vasco disputar o Mundial de 2000 que o Palmeiras estaria no de 2001. Eu avisei. E agora? Cadê a competição? Sinto raiva, bronca, vergonha. Por mim, pelos atletas e pelos torcedores. No futebol as oportunidades são únicas.” Embora seu trabalho tenha sido vitorioso no Palmeiras , Luiz Felipe nunca teve sequer metade do respaldo que tinha no Grêmio. Por falar palavrões, o treinador foi proibido de levar a equipe para treinar no Parque Antártica. A diretoria não molhava a grama horas antes da partida começar, como implorava o treinador – ele sempre entendeu que o gramado do estádio palmeirense prendia a bola e atrapalhava seu próprio time. Seu trabalho era limitado também nas categorias de base. Mas mesmo assim grande parte dos conselheiros quer o retorno do treinador. Ligação afetiva “Eu me sinto lisonjeado e feliz demais quando retorno ao Palmeiras . Mesmo o presidente Mustafá, com quem tive algumas opiniões divergentes, sempre me tratou com respeito e foi muito digno quando pedi para sair. Também sei que faz o possível e o impossível pelo Palmeiras . Passei três anos no Parque Antártica. Minha ligação é tão afetiva que ganhei uma carteira de sócio, com validade até novembro de 2003, do diretor financeiro Durval Colossi. Ela está sempre comigo.” O técnico não gosta quando perguntam o que sente ao ser aplaudido pelos palmeirenses que chamam Celso Roth de “burro”. “Agora eu sou treinador do Cruzeiro e vou fazer tudo para eliminar o Palmeiras e para ganhar a Libertadores. Adoro saber que os palmeirenses têm um carinho grande por mim e é recíproco. Só que o homem que merece todo o apoio e incentivo agora é seu treinador, o Celso Roth. Ele está trabalhando pelo clube e merece respeito.” Sobre voltar a trabalhar no Palmeiras , Luiz Felipe não aceita nem falar sobre o assunto. Diz estar com toda a sua energia voltada para o Cruzeiro. Mas não esconde o encantamento com São Paulo. “Sinto um friozinho na barriga quando sei que vou viajar para São Paulo. A cidade enorme, os prédios, a competitividade no trabalho. Tudo isso me impressiona. O técnico não é dono de sua carreira. Nunca sabe onde vai trabalhar no futuro. Mas que no futuro quero voltar a trabalhar em São Paulo..., ah!, isso eu quero.” (C.R. ) # Jornal da Tarde - 05/06/2001 Mustafá mostra sua revolta. E desafia COSME RÍMOLI Mustafá Contursi está revoltado. Motivos não faltam ao presidente do Palmeiras . Mas a vontade de vencer se mistura com a revolta. Motivos não faltam para o dirigente mostrar sua raiva. O cancelamento do Mundial de Clubes ; a acusação de ter feito um acordo e ceder a vaga do Mundial no Rio para o Vasco; a pressão para trocar Celso Roth; as acusações do presidente do Cruzeiro, Zezé Perrela, de que Mustafá impôs, na Confederação Sul-Americana, o árbitro Carlos Eugênio Simon para perturbar Luiz Felipe Scolari no decisivo jogo entre os brasileiros. Enquanto Mustafá prepara o terreno para a chegada do sonhado patrocínio da Pirelli, a ponto de ter praticamente fechada a venda da imagem, marketing e assessoria de imprensa para as agências Fisher & Justus e Low Loduca, ele também pensa como um torcedor. “O Palmeiras não teme a Bambonera e apesar de todos estarem contra, tem tudo para ganhar a Libertadores”, desabafou com exclusividade ao JT. Jornal da Tarde – O senhor está orgulhoso por não haver cedido às pressões para a demissão de Celso Roth? Mustafá-- Eu não sou homem de ceder à pressão de torcedor, imprensa. Eu apostei no trabalho do Celso Roth desde o início. Eu entendo de futebol e vi o trabalho sério que ele estava fazendo com o time. O Palmeiras nunca foi circo para o nosso técnico estar na corda bamba como diziam por aí. Mas no jogo que valeu a classificação, o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrela, declarou que o senhor impôs a escalação do árbitro Carlos Eugênio Simon. O senhor tem essa força na Confederação Sul-Americana? Tem coisas que me revoltam no futebol. Eu sou um dirigente, um homem comum, que paga pelos meus atos. O presidente do Cruzeiro é um deputado, com imunidade. Pode fazer o que quiser, invadir o campo para pressionar o juiz, inventar um monte de mentiras para justificar a eliminação do seu time e nada acontece com ele. Por pessoas assim que o Clube dos 13 está cada vez mais fraco. O senhor fez acordo com a diretoria do Vasco para participar do Mundial de 2001 e deixou os vascaínos com o de 2000? Isso é uma das maiores injustiças que fazem comigo. Não houve acordo nenhum. A Confederação Sul-America determinou o Vasco e Corinthians como representantes brasileiros antes da Copa Libertadores acabar. Não havia a certeza que seria o Palmeiras . Não fiz acordo e estou irritadíssimo como qualquer torcedor pelo cancelamento do Mundial da Espanha. O Palmeiras não irá recuperar o dinheiro que investiu? Vou revelar agora: a Fifa já colocou à nossa disposição US$ 500 mil. Mas o dinheiro não interessa. Eu queria a chance do Mundial . Eu sinto como se me tivessem convidado para uma festa mas não me deixaram comer o bufê. Estou revoltado. E o Palmeiras não está garantido no Mundial de 2003. Isso eu já sei. Estamos nas mãos dos dirigentes da Fifa , mas vou brigar pelos nossos direitos adquiridos no campo. O senhor mais teme o Boca Juniors ou La Bambonera? O Palmeiras não teme La Bambonera e, apesar de todos estarem contra, tem tudo para ganhar a Libertadores. Conseguimos bons resultados no ano 2000 e o time está pronto para suportar a pressão e decidir a vaga na nossa casa, no Parque Antártica. O time está pronto. Dizem que não acompanho futebol, mas sei muito bem o nosso potencial. Por isso tenho a coragem de falar sobre as nossas reais possibilidades de ganhar o título. Como estão as negociações de patrocínio com a Pirelli? Estão caminhando. Mas não há nada decidido. A nossa proposta eles já tem e estou esperando a resposta definitiva. Não posso afirmar mais nada, só isso. O senhor vai levar seguranças a mais para Buenos Aires para proteger os jogadores do Palmeiras ? Nada disso. Ainda bem que esse tempo já passou. Nossos jogadores não serão perturbados. E os deles não precisam se preocupar na partida de volta. O Palmeiras sempre teve as suas conquistas no campo. No campo. Cosme Rímoli # O Estado de S.Paulo - 18/06/2001 Palmeiras faz as contas e conclui: ‘Que prejuízo!’ EDUARDO MALUF A diretoria do Palmeiras reuniu-se nos últimos dias para analisar as necessidades do elenco e para fazer um balanço das finanças do clube. A conclusão foi de que o primeiro semestre não poderia ser pior financeiramente. Além do prejuízo de no mínimo R$ 10 milhões com o cancelamento do Mundial de Clubes da Fifa , o Alviverde deixou de faturar pelo menos mais R$ 5 milhões com a desclassificação nas semifinais da Taça Libertadores, somando o valor pago pela Conmebol aos finalistas, arrecadação e o prêmio que a Pirelli, nova patrocinadora, pagaria pelo título, conforme prevê o contrato que vai durar dois anos. Otimista, o presidente Mustafá Contursi apostou nesta cláusula do acordo para aumentar a receita do clube. A empresa italiana desembolosará US$ 2 milhões por ano, valor considerado baixo, mas pagará, ainda, por cada conquista. Neste ano, restam o Campeonato Brasileiro e a Copa Mercosul. A derrota para o Boca Juniors afetou também a Pirelli. A multinacional e o clube planejavam anunciar oficialmente o acerto após a partida da última quarta-feira e apresentar a nova camisa com a logomarca do patrocinador. Assim, o Palmeiras estrearia o uniforme já nos jogos decisivos da competição sul-americana. Bons tempos – No fim de 2000, a diretoria palmeirense comemorava o equilíbrio financeiro do clube. Tinha mais de R$ 40 milhões acumulados, enquanto a maioria tentava “driblar” as dívidas. Hoje, porém, esse valor diminuiu em mais de 50%. Assim, Mustafá não promete reforços de peso para o segundo semestre. O jogador que está mais próximo do Palestra Itália é o meia Robert, do Santos, e o negócio pode ser fechado nos próximos dias. Para que ele seja contratado, o Palmeiras deverá ceder o atacante Tuta e mais um volante, possivelmente Claudecir. Robert, atacante do Botafogo de Ribeirão Preto, e Marquinhos, lateral-esquerdo do Goiás, também interessam. Um meia e um lateral são as prioridades, porque Felipe e Alex estão deixando o clube. O diretor de Futebol Sebastião Lapola iniciará nesta semana os trabalhos no Palmeiras ao lado de Américo Faria. Ele estava nos Emirados Árabes e volotou ao Brasil semana passada. R$ 15 milhões no primeiro semestre # O Estado de S.Paulo - 07/07/2001 Palmeiras recebe US$ 750 mil da Fifa e desiste de entrar na Justiça A Fifa anunciou ontem que pagará uma indenização de US$ 750 mil aos clubes que iriam participar do Mundial da Espanha, que começaria no fim do mês. O Departamento Jurídico do Palmeiras havia ameaçado entrar na Justiça contra a entidade, alegando perdas e danos, mas desistiu. O valor ajudará a diretoria na contratação de reforços. Embora não seja uma quantia elevada para os padrões do futebol atual, é considerável. Equivale a quase quatro meses de pagamento da Pirelli, que assinou contrato de patrocínio na segunda-feira. Outra boa notícia para o torcedor é a renovação de contrato do volante Fernando, que ficará pelo menos mais um ano no Palestra Itália. O atleta vinha sendo bastante assediado pelo Internacional-RS, mas preferiu permanecer em São Paulo. “Sempre tive a intenção de ficar”, comentou. “A renovação de meu contrato é uma prova de que idade não faz diferença.” Apesar dos 34 anos, Fernando teve boas atuações no ano passado e no primeiro semestre de 2001 e passou a ser querido pelos torcedores por sua dedicação. Alegria de uns, tristeza de outros. Fábio Júnior está inconformado com sua situação. O atacante foi suspenso por um ano na Itália por uso de passaporte falso e quer mais esclarecimentos, o que não conseguiu até agora. Américo Faria, diretor de Futebol, disse que ainda não recebeu nenhum comunicado oficial. “Minha mãe viu na televisão que eu tinha sido suspenso pela Fifa e não poderia jogar no mundo todo e me ligou desesperada para saber se era verdade”, contou. “Essa falta de informação é ruim e prejudicial.” Mesmo assim, Fábio Júnior segue treinando e, amanhã, viaja com o elenco para Serra Negra. A estréia da camisa com a logomarca da Pirelli será no dia 14, em amistoso com o Etti Jundiaí. O Palmeiras vai entregar as faixas de campeão da Série A2 para o time do interior. A diretoria está atras de pelo menos três reforços. Deivid, do Santos, interessa. Se não acertar com o Corinthians, poderá aparecer no Palestra Itália. #
A essa altura – e olha que só se passaram algumas horas – quase tudo o que tinha que ser dito sobre Amy Wynehouse já foi dito. Não há considerações gerais a fazer. Tá tudo aí. Não foi a primeira. Não será a última.
No primeiro verso da segunda estrofe de ‘Rehab’, Amy canta que prefere ficar em casa escutando Ray Charles a passar uma temporada numa clínica de reabilitação (♪ ♪ “…I’d rather be at home with Ray I ain’t got seventy days…” ♪ ♪ ). Como fã do mestre do soul, não é difícil imaginar que Amy alguma vez tenha escutado o vozerão de Margie Hendrix, uma das ‘Raylletes’, o conjunto vocal que acompanhava o gênio.
Mais que uma mera backing vocal, era com quem Ray dividia as vozes nos duetos. Dividiram também os lençóis. Mas quem achar que era por causa disso que ela tinha o privilégio entre as outras no palco é porque nunca escutou a voz dela. Movendo o queixo horizontalmente quando cantava, Margie parecia mastigar os versos.
A cinebiografia de Ray Charles mostra o caso de Margie com o músico e nos informa que tempos depois ela morreu… de overdose.
Não há muita informação sobre Margie Hendrix por aí. Mas um pouco do talento dela pode ser visto no sensacional DVD “Ô Genio – Ray Charles Live in Brazil – 1963″, de onde foi tirado o vídeo de “You Are My Sunshine” acima.
No link abaixo, é possível ouvir Margie cantando uma regravação de ‘Jim Dandy’: ♪ ♪ …”Go Go Go Jim Dandy…♪ ♪ “
# Margie Hendrix by Tom de Jong
# Margie Hendrix – Ray Charles

Dizer que a absolvição de Cesar Cielo após resultado positivo num exame antidoping é caso clássico de “dois pesos, duas medidas” é pouco. Que o recordista mundial foi protegido, por vários interesses, é claro. Quem cobre esporte já sabe até o enredo: atleta de ponta é pego no antidoping e logo aparecem as justificativas mais inusitadas: foi a pomada para a espinha, o pão com sei lá o que, a substância rara de uma fruta rara que libera o dopante somente em determinadas condições em apenas um dia do ano, um chá inocente oferecido por uma tia velhinha, o toque involuntário em uma maçaneta da porta de um banheiro de vestiário com nanopartículas do xixi de outro atleta.
Algumas das desculpas vem até com atestados para justificar a substância proibida. Se é tão fácil obter um atestado de contaminação desse tipo depois que o caso explode, porque não requisitar uma análise antes de consumir o suplemento alimentar, eufemismo para o doping com bombas toleradas no meio esportivo?
Quando o doping de Cielo foi anunciado teve gente, inclusive na imprensa esportiva, que de cara absolveu o atleta, dizendo que o conhecia e que ele era um “cara gente boa”, que tinha certeza da inocência do “nosso campeão”. É esse tipo de discurso que em boa parte vai determinar o destino do atleta flagrado. Um bad-boy com maus antecedentes de comportamento fora da vida esportiva já sai perdendo alguns pontos num BO desses.
Condenar o atleta de pronto também seria pré-julgamento, argumentam do defensores de atletas flagrados com substâncias proibidas em seus corpos. Não é. Tanto que a suspensão preventiva é imediata. Claro que todos têm direito à defesa. E num mundo tão competitivo e cheio de interesses bilionários, não é difícil supor que existam até casos de sabotagem adversária. Não duvido que possam existir casos de dopings involuntários. Mas fica realmente difícil acreditar quando acontecem casos como esses de atletas de primeiríssima linha. Onde está toda aquela estrutura profissional que os atletas gostam de dizer que tem, mas não passam de puro marketing?
Desde as primeiras aulas de educação física na escola todo mundo já ouviu falar de doping e o que se pode ou não pode tomar. “Atletas federados”, os primeiros ídolos dos pequenos amigos e colegas, contam para todos sobre substâncias mágicas que ajudam a aumentar a performance e rendimento. Gente que entende do assunto já declarou várias vezes que o doping é uma praga que está disseminada em todo o esporte e que, com a sofisticação da tecnologia genética, é cada vez mais difícil detectar algumas práticas ilícitas.
Mas a tecnologia também pode ajudar na prevenção e apuração de doping. Uma medida simples seria criar um sistema em que o todo o atleta – através de sua equipe técnica – declarasse publicamente tudo o que consome em sua preparação. Coisa fácil de fazer, pela internet mesmo. Uma espécie daqueles sites que mostram as contas e gastos públicos do governo. Só que me vez de números, uma ficha técnica, física, química e biológica do atleta.
E, para ser mais transparente, o atleta poderia compartilhar essas informações em suas páginas oficiais. Ganhariam um ponto em sua credibilidade. Mas e a privacidade? A revelação do uso de alguns remédios pode escancarar que o atleta tem um problema de saúde corriqueiro, mas constrangedor. Ninguém quer sair por aí dizendo que está com frieira. Ok, não precisa dizer pra gente que tá usando um ‘frieirex’. Mas se uma substância contida nesse inocente remédio está na lista da agência antidoping esse será o preço a pagar.
A eliminação do Brasil da Copa América sem acertar uma cobrança na decisão por pênaltis deixou muita gente indignada. “Como pode um jogador profissional errar desse jeito?” é a pergunta mais comum ouvida por aí nessa segunda-feira de ressaca paraguaia. Pelo que li, o feito do time de Mano Menezes é inédito. Pelo menos em jogos. Em treino não é. Na Copa de 2002, na Coréia e no Japão, os craques de Felipão conseguiram perder oito num treino antes do início da competição.
O Estado de S.Paulo – 30/5/2002
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Teria conexão wi-fi o quimono de Richard Chamberlain na minissérie Shogun (1980)?
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(# post com inspiração trabalhosujiana)
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