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Edmundo Leite

O humorista morre quando começa a se autocensurar. Aqui no Brasil, a maior prova é um gênio que já há alguns anos perdeu a pegada quando começou a ter pudores e a se preocupar com o efeito que suas piadas poderiam ter sobre as crianças. O Brasil ficou mais sem graça desde então.

A transformação do adorável sacana em animador de buffet infantil não é o único caso, mas é o mais emblemático dos danos que a autocensura provoca no humor.

Humorista domesticado é um humorista morto. Vida longa aos humoristas.

Em dias como esses, é inevitával relembrar do “Piada em Debate”, da TV Pirata, protagonizado por Louise Cardoso, Regina Casé, Ney Latorraca, Guilherme Karan, Claudia Raia, Débora Bloch e Cristina Pereira.

Em outro quadro da mesma série, a fala de Luiz Fernando Guimarães misturando dois temas explosivos poderia deixar os novos fiscais do humor furibundos.

Relembrando outros grandes do humor, “não há considerações gerais há fazer. Tá tudo aí. Tá tudo aí. Para quem quiser ver…”

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O Estado de S.Paulo – C2+Música – 01/10/2011

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Grande parte dos fãs de rock adora arrotar princípios tirados de uma tábua de mandamentos imaginária. Saudosistas e sem causa, faz algum tempo começaram a professar contra as cores no rock, esquecendo que seu passado é multicolor.

Evocam uma pureza e integridade inexistentes para menosprezar a diversão transgressora presente desde o primórdio roqueiro, quando não só as roupas, mas também atitudes e espíritos, eram coloridos e irreverentes. Por causa disso, os pioneiros foram chamados de pederastras, efeminados e invertidos. Muitas ondas cromáticas depois (teddy boys, hippies, headbangers, punks, new waves, emos), a nova geração que se dispõe a empunhar guitarras e cantar rock descompromissado tem agora que enfrentar o chicote repressor daqueles que já foram coloridos, desbotaram e agora só vestem a batina preta da intolerância.

Expostos a anos de fanzines mal xerocados, a jornais e revistas sem verba para imprimir fotos coloridas e a programas de TV em preto e branco, os roqueiros brasileiros desenvolveram uma dicromacia crônica irreversível. Apesar da paleta de cores infinita disponível, só conseguem pintar o mundo da cor e tonalidade que enxergam. Paradoxo cromático, alguns de seus maiores ídolos são coloridos até no nome.

A COLORIDA GALERIA  DO ROCK

Donzelas coloridas

United colors of Ramones

Sábado colorido

Coloridos e profundos

Sem cor de chumbo

Muito além do pink

“Vermelho, vermelhaço, vesmelhusco, vermelhante, vermelhão…”

As várias cores das rosas

Pretinho básico? Tô fora!

London colors

“I got stripes, stripes around my shoulders…”

Despedida colorida

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Levantamento do Estadão comprova: roqueiros do Rock in Rio estão mais senis a cada edição

Desde a histórica primeira edição em 1985, os organizadores do Rock in Rio gostam de destacar os números do festival. Principalmente os superlativos: milhões de sanduíches vendidos, 250 mil pessoas num único dia, toneladas de som e luz, centenas de técnicos, dezenas de atrações. Mas na edição que começou ontem é um número pequeno que chama a atenção: o de novidades. Dos 35 artistas escalados para se apresentar no palco principal, apenas três podem ser chamados de tal: Ke$ha, Janelle Monáe e Katy Perry.

As três moças, que têm entre 24 e 26 anos de idade, são as únicas atrações com menos de 5 anos de carreira a encarar um público de gente grande nesta quarta edição em solo brasileiro. Os novatos farão apenas 8,5% dos shows. Nem sempre foi assim. Na primeira edição, as atrações com aquele gosto de coisa fresquíssima eram mais de um quarto da turma (27%). O Kid Abelha havia lançado o primeiro disco apenas no ano anterior. Paula Toller, com 22 aninhos, foi a mais jovem a pisar no palco. Os Paralamas contavam apenas dois anos de carreira. Blitz e Barão Vermelho, três. O Iron Maiden, com 5, chegava cheio de energia e fúria canalizadas nos 26 anos do vocalista Bruce Dickinson. E com um disco novinho em folha, Powerslave, clássico desde que veio à luz. Em 1991, o porcentual de jovens atrações foi mantido com nomes que iam do Deee Lite ao Guns n’ Roses, que vinha com status de atração principal. Ed Motta, então com 19 anos, foi o novato da vez.

Na terceira edição, em 2001, a moçada diminuiu um pouquinho, para 20%, mas nada que comprometesse o equilíbrio na mistura de jovens e velhos talentos.

Já a turma de veteranos (artistas com mais de 15 anos de carreira), vem ocupando cada vez mais espaço. Nos 26 anos que separam esses Rock in Rio, aqueles com direito a atendimento preferencial passaram de 37,9% para 45,7%, quase metade das atrações deste encontro de 2011. Em 1991, o pessoal do baile da saudade era apenas 22,5%. Das quatro edições, foi a mais antenada com a produção musical da época. Além de um bom número de novidades, metade das atrações era composta por nomes reconhecidos (com 6 a 10 anos de carreira) e consagrados (11 a 15 anos).

Os organizadores certamente dirão que vários novatos estão espalhados pelos três palcos periféricos e que são até maioria dessa vez, com seus shows em horário de matinês. Mas ao não permitir que passem pelo teste de público de verdade, trata os jovens artistas como aqueles estudantes que não concluíram o ensino médio, mas prestam vestibular como treineiros. Ou, como se dizia, “café com leite”.
Arte do infográfico Linha do Tempo: Glauco Lara

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Terça-feira, 11 de setembro de 2001 – 10h01

Primeiro relato publicado no portal Estadão sobre os atentados

Os atentados terroristas de 10 anos atrás em Nova York e Washington representam  para a internet o mesmo que a chegada do homem à lua significou para a televisão no fim dos anos 60. Nos dois casos, as tecnologias – de transmissão ao vivo por satélite e de compartilhamento online e digital – já estavam disseminadas há algum tempo. Mas passaram a ser protagonistas  da história ao permitir que uma massa planetária de pessoas,  mais do que ser informada do fato histórico em seu exato momento, experimentasse as possibilidades da comunicação  de uma maneira jamais vista.

Mesmo com a TV ainda mantendo a ponta ao transmitir ao vivo o choque dos aviões, o desabamento das torres  e o sofrimento das vítimas, a internet mostrou a que veio com todas as suas possibilidades a partir daquela manhã de setembro. Pouco depois do atentado, um conteúdo sem igual passou a ser publicado na rede, não só pelos tradicionais responsáveis por informar, mas pelas próprias pessoas em vários lugares do mundo. Com o passar dos dias, esse conteúdo cresceu ainda mais e ia desde fotos e vídeos  exclusivos dos atentados a teorias conspiratórias e brincadeiras. A mais famosa, a do Tourist Guy, um  turista que teria sido fotografado no topo de uma das torres momentos antes do choque do avião.

A maior parte desse conteúdo se perdeu.  Uma ou outra coisa ainda pode ser encontrada como originalmente publicada.  Passados alguns anos, todo aquele gigantesco conteúdo  se dispersou no ar como a poeira que no primeiro momento cobriu Nova York.  A despeito de seu desenvolvimento tecnológico, a internet ainda não resolveu como irá preservar a sua memória.  Paradoxalmente, é mais fácil encontrar uma informação publicada por um jornal em papel há um século do que achar o que foi publicado exclusivamente no formato digital naquele 11 de setembro.

Publicações exclusivamente digitais que deixaram de existir, como o memorável NoMínimo, não contam com bibliotecas ou arquivos digitais para guardar seus conteúdos para a eternidade como acontece até com obscuras edições que circularam precariamente em papel. E mesmo publicações  que  continuam existindo digitalmente ainda não se preocupam em preservar seu conteúdo digital com os mesmos parâmetros adotados para o papel.  Aqui no Estadão, por exemplo, apesar de ser possível encontrar parte dos textos da cobertura digital  de 11 de setembro de 2001, perdeu-se todo o esforço multimídia originalmente  realizado naqueles dias.

Já existem algumas iniciativas no sentido de mudar esse cenário , como o Archive.org, de  onde foram garimpados os arquivos desse post, e instituições pensando no assunto, como a Biblioteca do Congresso Americano, que criou um programa de Preservação Digital. Mas enquanto não surge uma solução, a internet vai se virando como aquele personagem principal do filme Amnésia, que fotograva com Polaroid, escrevia bilhetes e tatuava o próprio corpo para relembrar de fatos recentes do qual se esquecia rapidamente.

Nesse aniversário de 10 anos dos atentados, mais um turbilhão de informações sobre o assunto volta  ser publicado na web, grande parte  relembrando coisas que poderiam estar à mão em um clique.  No mundo digital, não é preciso um ataque de aviões para derrubar edifícios sólidos.

Terça-feira, 11 de setembro de 2001 - 10h25

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12h00

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12h18

12h24

12h27

12h29

Fragmentos da seção especial criada naquele dia e alimentada
por um longo período ainda podem ser vistas no Archive.org

# Veja quais eram as notícias publicadas pelo Estadão pouco antes dos atentados  

# Em memória de um outro crime, de João Moreira Salles (NoMínimo)

# A difícil tarefa de traduzir o horror

# Outros 11 de setembro

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Texto publicado no Caderno 2 + Música do Estadão sobre o relançamento de “Quadrafônico, disco de  estréia de Alceu Valença e Geraldo Azevedo.

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