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Edmundo Leite

O gorrinho vermelho deu lugar ao lacinho colorido e iluminado na avenida Paulista. No concorrido passeio para ver as luzes de Natal neste domingo, o adereço brilhava na cabeça de meninas de várias idades ao longo do percurso.

Vendida a oito reais por camelôs espalhados em vários pontos, a tiara com o lacinho luminoso da Minnie deu um ar de alameda da Disneylândia à avenida.

Bastava dar alguns passos para se deparar com garotas orgulhosas do enfeite posando para fotos, no ombro dos pais ou zanzando no meio da multidão.

   

 

Os meninos, marrentinhos cada vez mais cedo, não deram muito bola para a opção com chifrinhos vermelhos também encontrada nos improvisados estandes dos camelôs. Alguns preferiam posar de bad boys, fingindo não estarem maravilhados com a decoração de natal, a iluminação dos prédios, o mar de gente e as estátuas vivas das mais variadas.

É mais ou menos a atitude blasé de muita gente boa que mora em São Paulo, principalmente na região da Paulista, e torce o nariz para a festa. Esse pessoal costuma amaldiçoar o trânsito e a multidão que tomam conta da avenida, mas faz a mesma coisa quando estão na Times Square, em Nova York, em Picaddily Circus, em Londres, ou na Champs Elysees, em Paris. Também tiram foto a dar com pau, mas posam de anti-turistas descolados e desdenham desses dias de diversão natalina na mais tradicional via de São Paulo.

Aliás, já faz um tempo em que a Paulista está fervendo, não só no horário comercial, mas também de noite, com uma agitação digna de qualquer um dos lugares citados acima.

A nova gestão municipal que está para começar bem que podia ficar mais atenta a isso e voltar a liberar o comércio de comida de rua e outras atividades ambulantes que, se devidamente fiscalizadas e controladas, podem contribuir para um astral ainda melhor.

Garoto dança ao som de guitarra perto da esquina com a Augusta

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Com a atual facilidade para viajar ao exterior, muita gente cospe no prato que comeu. Mas durante os anos 70, 80 e 90 – quando isso era coisa para poucos, a grande área na sisuda Marginal do Tietê na capital paulista era muito mais que um parque de diversões. Além dos brinquedos que não existiam em nenhum outro parquinho por aqui, o Playcenter tinha aura de um lugar mágico, que alimentava os sonhos da molecada e meninada de todo o Brasil.

Parentes e amigos do interior invejavam a proximidade que os daqui desfrutavam, mal sabendo que, apesar de localizado numa área quase central da capital, a ida ao Playcenter não era coisa corriqueira. Era um evento especial. Raramente anual. Não se comprava ingresso ou bilhete, mas adquiria-se um Passaporte da Alegria. O nome do documento oficial de quem precisa viajar ao exterior dá a dimensão do que significava um dia no parque.

Era mesmo um mundo à parte. O Hopi Hari, parque concebido pelo próprio Playcenter no interior próximo da capital, tentou repetir esse conceito em sua promoção, criando um país e uma língua própria, mas definitivamente a estratégia publicitária não pegou. As pessoas dizem que compram ingresso para o Hopi Hari e pronto. Vão lá, se divertem em ótimos brinquedos e levam boas lembranças do passeio. O mesmo vale para o Beto Carrero Word em Santa Catarina.

Assim como muito se orgulham de mostrar no passaporte os vistos de entrada e saída dos países visitados, quem ia ao Playcenter fazia questão de deixar marcado no braço, por quantos dias fosse possível prolongar, a marca do carimbo de tinta indelével que liberava a entrada nos brinquedos.

O anúncio pela escola de que haveria uma excursão ao Playcenter causava frisson, excitação e ansiedade. Boatos de que quem não tivesse notas boas seria vetado causavam pavor. Quem já havia ido contava aos novatos lendas e experiências para lá de exageradas de alguns brinquedos temidos.

Confirmada a data e a lista de quem ia, começavam a se formar informalmente os grupos de amigos que se divertiriam juntos, livre dos pais. Esse arranjo, que podia mudar ao longo do dia, era fundamental para outro tipo de diversão mais mundana. Emplacar a companhia certa para entrar no trem fantasma, subir no teleférico ou na Montanha Encantada era a chance de viabilizar aquele contato mais próximo inviável no dia-a-dia da rotina escolar.

Nesse quesito, um item fundamental eram as longas e demoradas filas para entrar nas atrações mais disputadas. Com esperas que podiam ser de horas, era ali que as coisas começavam a acontecer. A estrutura de grades dispostas em serpentes permitia também uma paquera cíclica, que se dava sempre que dois pontos da fila se encontravam de tempos em tempos.

Desde o anúncio do fechamento do Playcenter, há alguns meses, já foram lembradas as histórias do início do parque, dos brinquedos fixos que marcaram época, das atrações temporárias e especiais. E cada um dos milhões que passaram por esse oásis colorido na cinzenta e poluída Marginal Tietê deve ter várias outras para contar.

É até de se estranhar que não apareceu ninguém histérico pleiteando o tombamento do Playcenter, como aconteceu quando do anúncio do fim do Cine Belas Artes. Bom que seja assim. Mostra uma sabedoria coletiva de aceitar que certas coisas das quais gostamos simplesmente acabam.

Filas vazias no último sábado do Playcenter

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Terça-feira, 11 de setembro de 2001 – 10h01

Primeiro relato publicado no portal Estadão sobre os atentados

Os atentados terroristas de 10 anos atrás em Nova York e Washington representam  para a internet o mesmo que a chegada do homem à lua significou para a televisão no fim dos anos 60. Nos dois casos, as tecnologias – de transmissão ao vivo por satélite e de compartilhamento online e digital – já estavam disseminadas há algum tempo. Mas passaram a ser protagonistas  da história ao permitir que uma massa planetária de pessoas,  mais do que ser informada do fato histórico em seu exato momento, experimentasse as possibilidades da comunicação  de uma maneira jamais vista.

Mesmo com a TV ainda mantendo a ponta ao transmitir ao vivo o choque dos aviões, o desabamento das torres  e o sofrimento das vítimas, a internet mostrou a que veio com todas as suas possibilidades a partir daquela manhã de setembro. Pouco depois do atentado, um conteúdo sem igual passou a ser publicado na rede, não só pelos tradicionais responsáveis por informar, mas pelas próprias pessoas em vários lugares do mundo. Com o passar dos dias, esse conteúdo cresceu ainda mais e ia desde fotos e vídeos  exclusivos dos atentados a teorias conspiratórias e brincadeiras. A mais famosa, a do Tourist Guy, um  turista que teria sido fotografado no topo de uma das torres momentos antes do choque do avião.

A maior parte desse conteúdo se perdeu.  Uma ou outra coisa ainda pode ser encontrada como originalmente publicada.  Passados alguns anos, todo aquele gigantesco conteúdo  se dispersou no ar como a poeira que no primeiro momento cobriu Nova York.  A despeito de seu desenvolvimento tecnológico, a internet ainda não resolveu como irá preservar a sua memória.  Paradoxalmente, é mais fácil encontrar uma informação publicada por um jornal em papel há um século do que achar o que foi publicado exclusivamente no formato digital naquele 11 de setembro.

Publicações exclusivamente digitais que deixaram de existir, como o memorável NoMínimo, não contam com bibliotecas ou arquivos digitais para guardar seus conteúdos para a eternidade como acontece até com obscuras edições que circularam precariamente em papel. E mesmo publicações  que  continuam existindo digitalmente ainda não se preocupam em preservar seu conteúdo digital com os mesmos parâmetros adotados para o papel.  Aqui no Estadão, por exemplo, apesar de ser possível encontrar parte dos textos da cobertura digital  de 11 de setembro de 2001, perdeu-se todo o esforço multimídia originalmente  realizado naqueles dias.

Já existem algumas iniciativas no sentido de mudar esse cenário , como o Archive.org, de  onde foram garimpados os arquivos desse post, e instituições pensando no assunto, como a Biblioteca do Congresso Americano, que criou um programa de Preservação Digital. Mas enquanto não surge uma solução, a internet vai se virando como aquele personagem principal do filme Amnésia, que fotograva com Polaroid, escrevia bilhetes e tatuava o próprio corpo para relembrar de fatos recentes do qual se esquecia rapidamente.

Nesse aniversário de 10 anos dos atentados, mais um turbilhão de informações sobre o assunto volta  ser publicado na web, grande parte  relembrando coisas que poderiam estar à mão em um clique.  No mundo digital, não é preciso um ataque de aviões para derrubar edifícios sólidos.

Terça-feira, 11 de setembro de 2001 - 10h25

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Fragmentos da seção especial criada naquele dia e alimentada
por um longo período ainda podem ser vistas no Archive.org

# Veja quais eram as notícias publicadas pelo Estadão pouco antes dos atentados  

# Em memória de um outro crime, de João Moreira Salles (NoMínimo)

# A difícil tarefa de traduzir o horror

# Outros 11 de setembro

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Já faz tempo que a reciclagem de latinhas de alumínios virou uma marca brasileira. No dia a dia das cidades é comum ver gente à procura das embalagens metálicas descartadas para garantir alguma renda extra ou então a única renda possível. Em grandes eventos, quando a venda de bebidas atrai um grande  número de vendedores ambulantes, aumenta também o exército dos que vão atrás das latinhas de cerveja e refrigerantes.  A coisa está tão estruturada que na Virada Cultural, em São Paulo,  recicladores montaram um posto móvel no coração do evento para a compra de latinhas.

Foto: Juliana Tourrucôo

A Juliana, que fez a foto, foi quem chamou a atenção para a caminhonete com três sacos gigantes cheios de latinhas amassadas ali na Conselheiro Nébias, pertinho da famosa esquina da Ipiranga com a São João.  Numa caminhonete menor ao lado,  dois rapazes tinham  uma pequena estrutura com balança eletrônica montada para pesar o material e calcular quanto pagar para o catador. Um outro saco gigante já estava quase cheio. E só tinha passado pouco mais de seis das 24 horas de Virada. Belo exemplo de empreendedorismo.

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24.agosto.2010 06:40:06

A guerra dos pastéis

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Pelo segundo ano consecutivo, São Paulo escolheu o seu melhor pastel de feira. A vencedora desse ano foi a barraca da Agena, que desbancou a campeã do ano passado, a Maria, que até abriu uma loja em Pinheiros depois da consagração no primeiro concurso.

Se hoje é impossível imaginar uma feira sem barraca de pastel, a ponto de o quitute ser  reconhecido oficialmente como um símbolo da cidade –  com a prefeitura organizando o concurso e o próprio prefeito entregando pessoalmente o prêmio – os pasteleiros nem sempre contaram com a simpatia do poder público. Ao longo dos anos tiveram que lutar contra várias administrações desde que os primeiras cuias de óleo quente apareceram nas feiras livres da cidade.

Como a maioria do comércio informal, não se sabe com precisão quando começou o comércio de pastéis nas feiras. Alguns registros dizem que  foram imigrantes japoneses da ilha de Okinawa – movidos pelo aperto econômico – que deram início à tradição.

A primeira regulamentação da categoria data de 1966. Mas isso não foi garantia de tranqüilidade para os pasteleiros. Nos anos 70 e 80 foram várias ações oficiais para coibir a venda de pastéis nas feiras. Enquanto algumas apertavam a fiscalização em torno de alvarás e condições sanitárias, outras pretendiam banir completamente os pastéis das feiras.

Era o que pretendia o prefeito Olavo Setubal, que em 1978 baixou um decreto proibindo o comércio de pastéis nas feiras da capital. Os pasteleiros reagiram com pedido de mandado de segurança, protestos e pressão do sindicato junto aos vereadores.

# Jornal da Tarde – 06/4/1978

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A realidade dos pasteleiros não era muito diferente de seus colegas feirantes. Estudo recente apresentado num curso de especialização na Escola de Comunicação e Artes da  USP  mostra que as próprias feiras estiveram no alvo de várias administrações e que seu fim chegou a ser anunciado várias vezes.

Em 1978, a pressão contra o decreto de Setubal deu certo e os pasteleiros continuaram nas feiras. Mas de tempos em tempos tiveram que enfrentar novas investidas de diferentes gestões da prefeitura.

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Mais que o apoio de  suas associações e de alguns políticos, os pasteleiros contavam com um aliado poderoso que garantiria a sua permanência nas ruas: os consumidores.

Todos os dias, em diferentes pontos da cidade, milhares de pessoas que há muito deixaram de comprar frutas e hortaliças nas barracas de madeira cobertas com lona ou plástico vão às feiras em busca de um pedaço de massa recheado com os mais variados ingredientes.  Aos pioneiros carne, queijo e palmito se juntaram uma infinidade de sabores, de preferência devorados acompanhados de um gelado caldo de cana. Uma guerra que valeu a pena.

# Jornal da Tarde – 04/08/1976

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#  1974 / 1977 / 1978

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22.julho.2010 17:00:21

Por dentro de Stonehenge

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Objeto de especulações de historiadores, arqueólogos, astrólogos, bichos grilos, crentes em vidas extraterrestres e toda espécie de palpiteiros, o círculo de pedras de Stonehenge voltou aos noticiários com o anúncio da descoberta de um novo círculo enterrado nas proximidades. Em vez de pedras, o novo achado é formado por postes de madeiras, segundo anúncio feito por arqueólogos.

Um dos monumentos mais intrigantes da humanidade, Stonehenge é uma das atrações turísticas de maior sucesso na Inglaterra. Além do fluxo normal de turistas, anualmente milhares de pessoas vão ao local para festejar o solstício de verão no hemisfério norte.   Mesmo quem não veja significado superior algum no lugar reconhece o encanto do agrupamento de pedras num curioso mosaico.

Quem já foi diz que é inesquecível. Quem não tiver oportunidade de ir, ou se quiser relembrar, pode andar pelo coração do círculo de pedras através da ferramenta  Street View (Vista da Rua)  do Google Mapas.

O interior do monumento  foi fotografado pela equipe do site com  um triciclo  equipado com câmeras semelhantes às usadas para fotografar as ruas das cidades com carros.   Basta o mouse ou as setas do teclado para caminhar por dentro do círculo como um visitante que foi ao local. Bom passeio.

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Em azul, as rotas de caminhada em Stonehenge no Street View:

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Veja como foram feitas as imagens:

# Stonehenge (site oficial)

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