A eliminação do Brasil da Copa América sem acertar uma cobrança na decisão por pênaltis deixou muita gente indignada. “Como pode um jogador profissional errar desse jeito?” é a pergunta mais comum ouvida por aí nessa segunda-feira de ressaca paraguaia. Pelo que li, o feito do time de Mano Menezes é inédito. Pelo menos em jogos. Em treino não é. Na Copa de 2002, na Coréia e no Japão, os craques de Felipão conseguiram perder oito num treino antes do início da competição.
O Estado de S.Paulo – 30/5/2002
Ronaldo começou a brilhar muito no futebol em 1993. Aos longos desses anos pude noticiar vários fatos de sua carreira: o contrato vitalício com a Nike, a atuação inesquecível pelo Barcelona nos gramados espanhóis, a eleição como melhor do mundo, a grande atuação na Copa de 98 ofuscada pelo dramático e polêmico mal-estar na véspera da final perdida, as contusões, as confusões, os títulos ganhos e os perdidos, as transferências, os contratos milionários… Com o fim da carreira nos gramados, as notícias serão outras. Assim como Pelé até hoje é notícia, Ronaldo ainda vai estar por muitos anos presente nos noticiários mesmo sem jogar.
Na Copa de 2002, tive o privilégio de acompanhar de perto a sua magistral atuação ao lado de Rivaldo na conquista da Copa na Coréia e no Japão. Nas entrevistas, ficava nítido que Ronaldo, além de superior aos companheiros em campo, era também fora dele. Craque de primeira grandeza e carisma ofuscante. Vi Beckham ser ignorado por jornalistas ingleses enquanto aguardavam pela presença do brasileiro. Vi jogadores de primeiro escalão da seleção brasileira parecendo meninos deslumbrados ao seu lado.
Mas a imagem que mais me marcou na trajetória de Ronaldo foi a de fãs coreanos o aguardando no aeroporto de Bulsan na chegada da seleção brasileira ao país asiático. Um deles parecia fazer questão de se parecer com o ídolo, apesar das intransponíveis diferenças de traços orientais e ocidentais.
Alguns chatos dirão que os garotos eram apenas manipulados pela maciça propaganda do patrocinador. Besteira. Carisma é algo que nem o mais milionário dos investimentos pode forjar.
11.07.2008
Se alguém ainda acredita naquele papo de Olimpíadas como integração dos povos e culturas através do esporte, a decisão do governo chinês de proibir os restaurantes locais de servir pratos com carne de cachorro deu mais uma demonstração de que os ideais do Barão de Coubertin são coisas de um passado distante. Embora cobrar espírito olímpico de um país onde impera o autoritarismo possa até ser burrice, é difícil entender a decisão, adotada para “evitar conflitos”, nas palavras de uma autoridade chinesa. Leia a íntegra

Menu de restaurante na Coréia do Sul, em 2002, oferece carne de cachorro

A simpática coreana e as entradas: petiscos de carne canina na vasilha retangular
Ronaldo vira seu próprio cabeleireiro
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 25 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Saitama - O atacante Ronaldo já era o centro das atenções no treino desta segunda-feira no estádio de Saitama por causa do problema muscular que colocou em dúvida a sua participação no jogo semifinal contra a Turquia. Havia grande expectativa para saber se o jogador treinaria ou não, o que seria um indicador das chances de ele atuar na partida decisiva de quarta-feira. Mas quando entrou em campo, acabou atraindo a curiosidade de todos por causa de um inusitado corte de cabelo. Um dos precursores da careca entre os jogadores de futebol, o atleta da Inter de Milão desta vez raspou a cabeça, mas deixou um arco na parte de frente.
A novidade, contou o jogador, não foi feita por nenhum cabeleireiro ou colega, como costuma acontecer várias vezes na seleção. Foi obra dele mesmo. “É uma coisa nova, tentei mudar um pouco. Eu mesmo cortei”, disse. Segundo ele, o corte não foi inspirado em ninguém, tampouco foi fruto de alguma aposta ou promessa.
Dois jogadores de outras seleções já haviam feito algo parecido, mas com resultado um ligeiramente melhor: o meia turco Umit Davala e o atacante americano Clint Mathis, ambos com cortes ao estilo moicano, com uma faixa de cabelo no meio da cabeça e as laterais raspadas.
Ronaldo não comentou se pretende continuar com o corte mostrado no treino desta segunda ou se raspará tudo nos próximos dias. Mas na zona mista, local onde os jogadores dão entrevistas no estádio e por onde passou rapidamente, o jogador não quis exibir o corte inovador e preferiu ficar de boné, apesar da insistência dos repórteres para que mostrasse a inovação estética.
Se foi econômico nos comentários sobre o cabelo, Ronaldo também não quis se alongar muito sobre a sua condição física, mesmo dizendo-se otimista com a possibilidade de jogar contra os turcos. “Hoje não foi o dia mais importante. Vamos ver amanhã”. O fato de não ter se movimentado muito no treino e de ter participado apenas de uma parte do coletivo, segundo ele, não é motivo de preocupação. “Não tenho limitação de movimentos. Foi só mesmo para descansar”.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 24 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Saitama, Japão - Ronaldinho Gaúcho está garantido na final da Copa do Mundo, se o Brasil conseguir passar pela Turquia na partida desta quarta-feira pela semifinal da competição. O meia brasileiro foi julgado neste domingo pela Comitê Disciplinar da Fifa e cumprirá apenas um jogo de suspensão pela expulsão na vitória contra a Inglaterra. Ronaldinho poderia pegar mais um jogo como punição, mas foi apenas multado em 3.500 francos suícos, cerca de US$ 2.300.
A punição financeira foi comemorada pelo jogador, um dos destaques do Brasil na vitória sobre os ingleses ao lado de Rivaldo e que havia considerado injusta a sua expulsão, depois de cometer falta no lateral inglês Mills. “A minha expectativa era de que ficasse em um jogo mesmo, pois não tive intenção de machucar o adversário”, disse o atleta do Paris Saint-Germain, que na véspera declarou que a falta era apenas para cartão amarelo. “Mas também esperava que viesse alguma punição financeira, como havia acontecido com o Rivaldo na primeira fase”.
A multa de Gaúcho, no entanto, não chegou nem à metade da imposta a Rivaldo, punido pelo Comitê de Arbitragem por ter simulado que havia tomado uma bola na cara no jogo contra a Turquia, quando tinha sido atingido na perna. Pela encenação, Rivaldo teve de pagar 11.500 francos suíços.
Feliz pela posssibilidade de disputar o jogo decisivo da Copa do Mundo, Ronaldinho lamenta apenas o fato de poder ajudar o time apenas do banco, nessa partida decisiva contra a Turquia. Mas garante que incentivará bastante os companheiros e quem entrar em seu lugar para que o Brasil consiga a classificação.
No jogo contra a Inglaterra, Ronaldinho Gaúcho marcou o gol da virada no início do segundo tempo e ainda havia feito o passe para Rivaldo empatar o jogo nos acréscimos do primeiro. Agora, para tentar repetir o bom desempenho, Gaúcho terá de esperar que os colegas não o decepcionem.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 23 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Saitama, Japão - Os dias seguintes aos jogos da seleção brasileira são de viagem e mudança de casa. Se no último trecho a equipe havia optado pelo trem bala, o deslocamento dessa vez – entre Hamamatsu (Shizuoka) e Saitama – foi de ônibus. E viagem significa acordar cedo. Por volta das nove da manhã deste sábado, a delegação já estava em dois ônibus para enfrentar quatro horas de estrada. Mais demorado, mas compensador pela tranqüilidade de não tumultuar uma estação de trem, um local importante na rotina dos japoneses, que contam com uma vasta rede ferroviária que corta praticamente todo o país.
Essa foi a nona viagem da seleção desde que o time saiu de São Paulo, dia 12 de maio, para Barcelona. Depois do amistoso com a Catalunha, o time de Felipão foi para Malásia, com uma escala de abastecimento em Riad, na Arábia Saudita. De Kuala Lumpur, o time viajou para Ulsan, na Coréia do Sul, onde ficou até o terceiro jogo na Copa. Nesse período, o time ainda fez uma viagem de avião para a Ilha de Jeju, onde enfrentou a China, e depois seguiu para Seul, para a disputa do jogo contra a Costa Rica, na vizinha de cidade de Suwon.
Com a confirmação do primeiro lugar do grupo, o time se despediu da Coréia e embarcou para Kobe, onde enfrentou a Bélgica e de onde partiu de trem para Hamamatsu. Agora, restam apenas duas viagens, apenas uma delas com destino certo: a da volta para o Brasil. A primeira pode ser para Yokohama, local da final do Mundial, ou para Daegu, na Coréia do Sul, destino das seleções que perderem as semefinais e irão disputar o terceiro lugar. A confirmação do bilhete só depende do desempenho do time.
Sem treino – Pela primeira vez desde a chegada na Coréia, a comissão técnica optou por não fazer um treinamento com os reservas no dia seguinte ao jogo. Neste sábado, todos foram para a piscina. Antes de cair na água, os reservas tiveram que fazer uma corrida na pista dentro do hotel.
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