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segunda-feira 30/09/13

MTV chegou numa manhã de sábado e mudou nossas vidas

1990.10.21_anuncioMTV

O que você estava fazendo na manhã de sábado de 20 de outubro de 1990? Muita gente talvez não se lembre, mas alguns estavam brigando com alguém da família para tomar posse da televisão - naquela época só havia um aparelho nas casas - e se engalfinhando com antenas de metal e conversores, acoplando plugues e cabos no vídeo-cassete, rodando botõezinhos para encontrar a sintonia correta daquela que seria a maior novidade para uma geração sedenta de música pop. Sintonizar ...

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terça-feira 24/09/13

Bruce Springsteen honrou Raul Seixas como poucos

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Um endiabrado Raul Seixas canta Sociedade Alternativa no Hollywood Rock de 1975, 
a primeira tentativa de um festival de rock de grande porte no Rio de Janeiro
Pintou uma desconfiança quando a notícia de que Bruce Springsteen havia ensaiado Sociedade Alternativa na passagem de som do show em São Paulo começou a circular. Apesar de a escolha mostrar que Bruce estava ao menos bem assessorado, era inevitável pensar que seria mais um daquelas números padrões ...

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sexta-feira 06/09/13

As aposentadorias de Little Richard e José Genoino

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Qual o momento certo de se aposentar? A pergunta com a qual todos se confrontarão um dia, seja no campo profissional ou em outras atividades às quais nos dedicamos durante uma vida, deve ter martelado a cabeça de duas personalidades diferentes recentemente. Um dos deuses do Olimpo do rock, Little Richard declarou à revista Rolling Stone que vai parar por causa de problemas de ...

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quarta-feira 04/09/13

Prêmio Multishow 2013 envergonha a TV brasileira

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Sabe aquela situação em que amigos planejam fazer uma festinha e a coisa começa a crescer? A amiga animada vibra e diz que vai levar o amigo gay desbocado que vocês conheceram na balada para agitar. Uma figura. rs. Outro amigo fala que pode levar um DJ – brother meu – para fazer o som. E ainda tem aquele que lembra da banda de amigos que manda covers de rock super bem. E como o primo – praticamente irmão, crescemos juntos – está num grupo de pagode com a turma da faculdade a gente pode dar umas batucadas. Vai também aquele tio gente boa que detonava quando era mais moço – vamos fazer uma homenagem a ele. A prima também vai levar as amigas dela que fazem stand-up – um sarro – e vai ser a maior zueira. ha ha ha

Imagine essa festa cada vez mais comum na rotina dos brasileiros sendo transmitida pela TV. Ela foi. Ontem à noite, durante o Prêmio Multishow 2013E muitos telespectadores (alguém ainda fala isso?) –  se sentiram como aquele amigo do amigo que vai à festa sem conhecer ninguém e acaba ficando até o fim apesar de estar meio deslocado.  O convescote anual que já há algum tempo pretende se firmar como um indicador relevante para a música brasileira foi um dos piores programas de TV já exibidos na história. Se na imaginária turma de amigos a diversão é garantida pelo laços fraternais e familiares turbinados por doses cavalares de álcool,  numa terça à noite no sofá não teve Naldo e Anitta – as melhores apresentações – que salvasse a noite. 

Desde que a MTV subverteu o protocolo de coisas como o Troféu Imprensa do Silvio Santos e instituiu no Brasil o modelo de cerimônias com apresentadores engraçadinhos muitos tentam copiar o formato. A própria MTV nem sempre conseguiu acertar, mas sempre compensava com uma dinâmica e surpresas que funcionavam. Com o tempo, tomou mão da coisa e ninguém faz festa de premiação como a MTV.  Aqui ou lá fora.  Não tem Grammy, Oscar, Globo de Ouro que seja melhor que os VMA – Vídeo Music Awards. O que vai ser daqui para frente do VMB – a sua versão brasileira, com a emissora  saindo do canal aberto e indo para o cabo em breve ninguém sabe. 

Na opção pelo humor como base para segurar aquilo que nunca deixará de ser um cerimonial de premiação, o Multishow escalou para a pré-festa as comediantes Samantha Schmutz (Zorra Total), Mia Melo (Ex-Casseta e Legendários) e Marcus Majella (Porta dos Fundos) para se juntar a Dani “hoje é dia de rock, bebê” Monteiro. Samantha foi a mais desenvolta ao fazer graça, mas ao vivo, de improviso, é difícil. Mia Melo abriu o bocão com Zezé Di Camargo para ver quem tinha mais alcance vocal entoando É o Amor, mas ainda está longe de arrancar risos como fazia antes com sua personagem Teena. Majella, um dos gordinhos do Porta dos Fundos, era praticamente uma celebridade. Marcelo D2 chegou a elogiá-lo por causa do sucesso do grupo humorístico na internet. 

Se nem comediantes mais tarimbados conseguiam garantir o humor nos bastidores, não seria Paulo Gustavo que ia dar conta do recado fazendo par com Ivete Sangalo pelas duas horas seguintes. O início não poderia ser mais batido. “Onde está o meu parceiro?” pergunta Ivete, com entonação de mistério, sozinha no palco escuro. Um movimento no alto e, surpresa! Paulo desce pendurado por uma corda, tagarelando, como que maldizendo quem teve a ideia de fazer aquilo enquanto tentava se desvencilhar para se juntar à amiga. Acostumada a levar uma multidão por horas atrás do trio elétrico, Ivete talvez tirasse de letra e desse conta do recado sozinha. Mas Para piorar, além de Paulo Gustavo, volta e meia entrava no palco a dupla de comediantes  Samantha Schmutz e Cacau Protásio (Zezé, de Avenida Brasil) para ajudá-los a apresentar algum número. Samantha é talentosa. Cacau, apenas espalhafatosa. Não deu certo. 

O roteiro do show também não ajudava. Por ser véspera de Copa do Mundo e Olimpíada, a cenografia era relacionada a futebol e esporte. O número musical de abertura: Skank cantando Uma Partida de Futebol.  Quantas vezes você já viu isso desde a Copa de 1998? Guilherme Arantes recebeu o prêmio de melhor disco do ano e falou que quer cantar Planeta Água na abertura da Copa. Os prêmios não eram troféus, mas medalhas, como as entregues aos esportistas. A cenografia, horrível, baseada em telões às vezes mostravam pessoas fazendo ola ou comemorando, como numa torcida.  E os figurinos? Tem gente reclamando que a moda brasileira não precisa de incentivo fiscal do Ministério da Cultura. Mas pelo que se viu no prêmio Multishow de ontem, além de médicos cubanos, o país precisa urgentemente importar um batalhão de figurinistas.

As várias duplas de artistas formadas para as apresentações eram burocráticas e saudosistas, essa última uma praga que está causando danos que demorarão anos para ter seus efeitos dissipados da música brasileira.  Emicida cantou seus raps com Caetano Veloso. D2 e os mulekes do Cone Crew tentaram pegar carona na onda de protestos, mas soou mais artificial que algumas das manifestações que de vez em quando voltam a pipocar por aí.  O rap nacional ainda acha que apenas engajamento basta. 

Quem assistiu ao prêmio da MTV no domingo retrasado e viu esse Multishow ontem pode constatar como estamos atrasados em produção de shows e programas de TV ao vivo. Questões musicais à parte, é de ocupação de palco, de postura cênica, de atitude de artista que estamos falando. No Multishow teve premiado indo receber o prêmio de camisa polo e calça jeans.  

E, musicalmente, dois minutos de Miley Cyrus valem mais que as duas  horas do que se viu ontem no Multishow. E não é pela polêmica do twerking, a ousada dança que a ex-garotinha Hannah Montana  fez com Robin Thicke. Se quiser tirar a prova, ouça a apresentação abaixo sem ver o vídeo.

P.S.: A apresentadora Ivete Sangalo ganhou como melhor cantora e disse não se sentir constrangida por isso, pois ali estava entre amigos.

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