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Edmundo Leite

O emocionante resgate dos 33 homens soterrados numa mina no Chile mostrou que os chilenos são mesmo bons de hino. Assistindo à saída do último mineiro, quando todos começaram a cantar o hino nacional do país após o cara sair da cápsula, veio à memória o sensacional Zamorano na Copa do Mundo de 1998, na França. Deu até medo antes do jogo contra o Brasil. Se dependesse do hino, seríamos trucidados por Zamorano, quase que possuído entoando a canção de seu país.

Para nossa sorte, hino não ganha jogo e o Brasil passou fácil pelos chilenos, ganhando por 4 a 1. Mas no quesito hino Zamorano naquele dia foi imbatível.

Procurei no YouTube, mas não encontrei o vídeo dos chilenos cantando o hino contra o Brasil.   Mas achei esse contra outro adversário – creio que Camarões –  que dá para ter uma idéia.

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Uma fazenda e barracas espalhadas por uma grande área livre. O cenário quase sempre associado a uma invasão ou assentamentos de sem-terra desta vez era apenas um divertido e inofensivo festival de rock com pretensões ecológicas. Mas a apresentação do Rage Against the Machine, sábado à noite no SWU, fez alguns crerem que algo mais importante acontecia por lá e que forças ocultas estariam por trás da interrupção da transmissão do show pelo canal Multishow.

O real motivo da interrupção, acreditam, teria sido o fato de o grupo oferecer uma música ao Movimento do Sem Terra e não os contratempos ocorridos durante o show: a queda de uma barreira de separação do público e o apagão do som. Como o canal é da rede Globo – alvo preferido do pessoal chegado a uma teoria da conspiração – a coisa começou a bombar na internet.

“Galera, com uma buta estrela vermelha no fundo, simbolo da esquerda, boné do MST, e tudo em meio as eleiçoes… vcs acham que os coronéizinhos da direita reacionária da globo iriam deixar rolar para todo país ver!!??” (Miguel – 11/10/2010 às 18:53)

Ahh, o lance de apoio ao MST e o “comando” p/ invadir a VIP ganhou muito destaque. Tá na cara que a Globo não quis parecer solidária dos caras…… Segundo turno por aí….. a globo não dorme no ponto…..” (Yo – 09/10/2010 às 23:49)

“é óbvio que a globo/multishow censuraram lindamente a apresentação do RATM…estrela vermelha, homenagem ao MST e Tom Morello usando boné do MST…e depois virão com esse papo sustentável verde católico pra boi dormir!”  (iraKaplan 10/10/2010 às 2:32)

O que era uma questão de direito de consumidor – um canal pago que anunciou algo que não transmitiu inteiramente – se transformou então, como mostram as mensagens acima, numa questão política.

A se acreditar mesmo que a organização do festival e seus patrocinadores e parceiros não soubessem quem eram o Rage Against the Machine e que foram surpreendidos pelo discurso dos rapazes, é possível imaginar a crise nos bastidores, com o Eduardo Fischer e diretores de programação do canal histéricos gritando “Quem foi que trouxe esses caras aqui!!??”, enquanto o grupo e integrantes do MST, clandestinamente infiltrados nos bastidores, comemoravam a revolução que começam a fazer junto ao público do festival com o ato subversivo.

No dia seguinte, em outro aparente descuido da organização, foi a vez do Teatro Mágico subir ao palco com a camisa vermelha do movimento. Era a revolução em andamento.

Seria até divertido, mas a realidade é outra. O próprio Multishow havia anunciado durante a promoção do festival que o Rage deu ingressos de graça ao MST.  Segundo o guitarrista Tom Morello, que durante o show chegou a vestir o boné do MST, “os ingressos são caros e sei que muita gente não pode comprar, por isso demos nossa cota para o MST”. A entrevista completa, anuncia o canal, vai ao ar no programa Bastidores, nesta sexta-feira (15/10) às 22h30.

Como o Eduardo Fischer já anunciou que pretende realizar novamente o festival no próximo ano, na mesma fazenda em Itu, não custa avisar: te cuida, Maeda.

Fotos Rage Against the Machine: Mauricio Acevedo e Vinicius Mansur/Reprodução site MST;
Foto Teatro Mágico: Nicole Briones/Eldorado

# texto originalmente publicado no blog Estadão no SWU

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21 anos depois de experimentar o gosto de escolher o presidente por voto direto após um  jejum forçado de quase três décadas, o Brasil  parte hoje para sua sexta eleição presidencial contínua. Não é pouca coisa. Mostra que o país atinge a maioridade eleitoral e, consequentemente, democrática. Apesar do clima acirrado que impede que votantes das duas principais forças enxerguem qualquer mérito no lado adversário, a tendência é que a estabilidade democrática perdure, seja qual for o resultado final.

15/11/1989 – Eleição presidencial – 1º turno.
Candidatos: Ulysses Guimarães, Paulo Maluf, Leonel Brizola, Lula, Aureliano Chaves, Ronaldo Caiado, Roberto Freire, Mário Covas, Afif Domingos, Fernando Collor e Silvio Santos.

Em 1989, quando uma geração de jovens ia à urna pela primeira vez, e já estreando numa disputa espetacular, tinha gente mais velha que até brincava: “Não é justo, vão votar pela primeira vez e já vão escolher presidente”. Como nas duas décadas e pouco de didatura militar nem em prefeito muitas vezes foi  possível votar, o sentimento de inveja era até compreensível. Mesmo o gosto amargo de ver o  primeiro escolhido sair defenestrado do Planalto sem completar o mandato não foi capaz de impedir que o ciclo continuasse. Que assim continue. Da maioridade para a maturidade e para a longenvidade.

Nesses 21 anos de eleições, além de presidente, o País foi às urnas para escolher vereadores, prefeitos, deputados, senadores e em dois plebiscitos: um para optar entre os regimes republicano, parlamentarista  ou monarquista (1993) e outro sobre o porte de armas (2005). Como algumas delas foram em dois turnos, são 21 idas às urnas. Tem gente que não gosta e resmunga sobre o voto obrigatório.  Reclamam de barriga cheia.  Pior que ser obrigado a votar é quando o obrigatório é não votar.

Abaixo, uma lembrança pessoal dessa história de 21 anos de  votos.

17/12/1989 – Eleição presidencial – 2º turno.
Collor x Lula

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