
Pelo segundo ano consecutivo, São Paulo escolheu o seu melhor pastel de feira. A vencedora desse ano foi a barraca da Agena, que desbancou a campeã do ano passado, a Maria, que até abriu uma loja em Pinheiros depois da consagração no primeiro concurso.
Se hoje é impossível imaginar uma feira sem barraca de pastel, a ponto de o quitute ser reconhecido oficialmente como um símbolo da cidade – com a prefeitura organizando o concurso e o próprio prefeito entregando pessoalmente o prêmio – os pasteleiros nem sempre contaram com a simpatia do poder público. Ao longo dos anos tiveram que lutar contra várias administrações desde que os primeiras cuias de óleo quente apareceram nas feiras livres da cidade.
Como a maioria do comércio informal, não se sabe com precisão quando começou o comércio de pastéis nas feiras. Alguns registros dizem que foram imigrantes japoneses da ilha de Okinawa – movidos pelo aperto econômico – que deram início à tradição.
A primeira regulamentação da categoria data de 1966. Mas isso não foi garantia de tranqüilidade para os pasteleiros. Nos anos 70 e 80 foram várias ações oficiais para coibir a venda de pastéis nas feiras. Enquanto algumas apertavam a fiscalização em torno de alvarás e condições sanitárias, outras pretendiam banir completamente os pastéis das feiras.
Era o que pretendia o prefeito Olavo Setubal, que em 1978 baixou um decreto proibindo o comércio de pastéis nas feiras da capital. Os pasteleiros reagiram com pedido de mandado de segurança, protestos e pressão do sindicato junto aos vereadores.
# Jornal da Tarde – 06/4/1978

A realidade dos pasteleiros não era muito diferente de seus colegas feirantes. Estudo recente apresentado num curso de especialização na Escola de Comunicação e Artes da USP mostra que as próprias feiras estiveram no alvo de várias administrações e que seu fim chegou a ser anunciado várias vezes.
Em 1978, a pressão contra o decreto de Setubal deu certo e os pasteleiros continuaram nas feiras. Mas de tempos em tempos tiveram que enfrentar novas investidas de diferentes gestões da prefeitura.

Mais que o apoio de suas associações e de alguns políticos, os pasteleiros contavam com um aliado poderoso que garantiria a sua permanência nas ruas: os consumidores.
Todos os dias, em diferentes pontos da cidade, milhares de pessoas que há muito deixaram de comprar frutas e hortaliças nas barracas de madeira cobertas com lona ou plástico vão às feiras em busca de um pedaço de massa recheado com os mais variados ingredientes. Aos pioneiros carne, queijo e palmito se juntaram uma infinidade de sabores, de preferência devorados acompanhados de um gelado caldo de cana. Uma guerra que valeu a pena.
# Jornal da Tarde – 04/08/1976

# 1974 / 1977 / 1978
Os tuiteiros Marcia Carvalho e Mauricio Alves não gostaram de ver reproduzidos no texto “Plínio, o perigote do debate”, aqui neste blog, os comentários que eles publicaram no Twitter sobre o desempenho candidato do PSOL no debate de quinta-feira.
Enquanto a Marcia se queixou de o comentário dela ter sido usado para tratar Plínio de Arruda Sampaio como um comediante, o Mauricio reclamou que foi citado sem ter sido consultado.
A Marcia se manifestou pelo Twitter, por comentários no post original e também publicou um texto em seu blog. O Mauricio se manifestou apenas pelo Twitter. As queixas de ambos seguem abaixo.
As da Marcia, em seu blog:
#
As do Mauricio, no Twitter:
#
Algumas respostas às queixas de ambos já foram dadas no twitter ou em comentários no post original. Eventuais novas considerações minhas serão publicadas neste post como comentários.
Plínio de Arruda Sampaio roubou a cena no primeiro debate entre os candidatos à presidência ontem à noite na Band. Com um formato cada vez mais engessado por regras – convenientemente impostas pelos principais candidatos para aceitarem participar – qualquer um que saia um pouco do script acaba conquistando a simpatia do público, espírito de porco por natureza.
Na TV, segundo os primeiros dados divulgados, não teve muita audiência, mas bombou na internet. Após as primeiras gracinhas já no início do debate, o nome do candidato do PSOL começou a galgar posições nos Trend Topics do Twitter, o novo guia de nossas vidas (nas redações de sites jornalísticos, os TTs estão virando uma espécie de biruta de aeroporto).
Seria bom saber com quantos comentários se faz um trend topic e o alcance disso, mais ou menos como o Ibope faz com a TV. Ou mesmo a audiência dos sites que transmitiram o debate ao vivo. Isso sem falar nas outras redes sociais populares, como o Facebook e o Orkut. Talvez desse para responder a boa pergunta que o Mauricio Stycer fez após o debate:
Difícil responder. E essa talvez seja a resposta que todos as equipes de campanhas dos candidatos sonham em ter. Mas o que dá para dizer, pelo menos do ponto de vista de quem assiste, é que uma experiência coletiva bem bacana ver debate pela TV e ao mesmo acompanhar os comentários pelo twitter ou na sua rede social preferida.
Tem muita gente postando comentários legais e é como se a sala de casa virasse um outro imenso debate. Mas também tem mais gente ainda vendo aquilo que quer ver: fazendo loas ao candidato preferido e comentários desdenhosos ao adversário odiado. Mas o que acaba acontecendo mesmo é que fica quase igual a assistir jogo de Copa do Mundo em bar.
Creio que esse é primeiro debate eleitoral no Brasil com um acompanhamento massivo e realmente expressivo pela internet. E aí voltamos ao Plínio. Alguns já o consideram até como o vitorioso do debate, já que a princípio nem iria participar.
Imagino que já deva ter bastante gente no PSOL comemorando a repercussão da performance de Plínio no Twitter e achando que ele será um diferencial na campanha. Com o sucesso da atuação engraçadinha, devem achar que talvez dê até para alçar vôos maiores e, quem sabe, até superar algum dos sisudos adversários. Devem estar apostando que Plínio se torne um novo Cacareco, Macaco Tião ou Enéas, que entraram para o folclore eleitoral brasileiro como misto de gaiatice e voto de protesto.
Nada contra o bom humor. Até mesmo na política. Mas não é por isso que os candidatos tenham que se transformar em animadores de auditório. O Serra até fez alguma menção – citando a filha – à sua falta de riso no final debate de ontem. Ele e Dilma tem feito um esforço para soarem mais festivos e simpáticos em sua busca por votos. Mais uma vez, nada contra. Porém, ficar refém dessa ditadura da alegria não é legal. É como se todos os professores tivessem quer ser iguais aqueles professores de cursinho que dão aulas-shows. Nem todo mundo nasceu para isso e não é assim que se mede a qualidade de um professor e de uma aula. De um candidato a presidente, então, nem de longe pode ser um critério para o voto.
A gaiatice de Plínio, apesar de não ser artificial, soou boba neste debate. Sem ninguém que tivesse coragem para dar um corte nele, foi ficando cada vez mais à vontade. Se acreditar que com isso fará sucesso nos outros debates, corre o risco de virar um daqueles quadros fixos da “A Praça é Nossa” (que teve mais audiência que o debate) em que comediantes repetem seus bordões a cada programa.
Na Praça é divertido. No debate eleitoral, pode ter funcionado no começo. Mas será que uma parte do eleitorado vai querer mesmo dar seu voto a um comediante? Se sim, tem gente com chance no pedaço: Tiririca, Pedro “ô loco meu” Manso e Batoré. Os três gênios do humor popular disputarão vaga no legislativo apostando na máxima “palhaço por palhaço, fique com os originais”.
Mas o humor de Plínio é de outra natureza. Com 80 anos, ele está naquela fase em que uma das coisas legais da idade é não ligar mais para velhas convenções e para a compostura. Sabe aqueles velhos que ficam falando besteiras para as meninas novinhas? Se um cara mais novo fala a mesma coisa tá arriscado a tomar um tapão e ser escorraçado. Já o senhor desbocado de cabelos brancos ganha um tapinha no braço acompanhado de risadinhas e um “seu velho safado”. Um exemplo desse comportamento senil pode ser visto todos os domingos na TV, com o Silvio Santos cada vez mais safado e desbocado.
No twitter, a @tripolaroide e @amardinah captaram bem o estado de espírito do Plínio:
Depois do programa, naquelas entrevistas ainda no estúdio cheio de gente, Plínio estava tão entusiasmado com o seu desempenho que, juro, deu uma leve gingadinha de corpo na hora de responder qual foi a sua avaliação do debate. A lembrança do genial Zé Bonitinho do Jorge Loredo foi imediata. Só faltou puxar o microfone e dizer “Plininho, o perigote do debate. Au, au”.
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2004
2003
2002
1999