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Edmundo Leite

22.julho.2010 17:00:21

Por dentro de Stonehenge

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Objeto de especulações de historiadores, arqueólogos, astrólogos, bichos grilos, crentes em vidas extraterrestres e toda espécie de palpiteiros, o círculo de pedras de Stonehenge voltou aos noticiários com o anúncio da descoberta de um novo círculo enterrado nas proximidades. Em vez de pedras, o novo achado é formado por postes de madeiras, segundo anúncio feito por arqueólogos.

Um dos monumentos mais intrigantes da humanidade, Stonehenge é uma das atrações turísticas de maior sucesso na Inglaterra. Além do fluxo normal de turistas, anualmente milhares de pessoas vão ao local para festejar o solstício de verão no hemisfério norte.   Mesmo quem não veja significado superior algum no lugar reconhece o encanto do agrupamento de pedras num curioso mosaico.

Quem já foi diz que é inesquecível. Quem não tiver oportunidade de ir, ou se quiser relembrar, pode andar pelo coração do círculo de pedras através da ferramenta  Street View (Vista da Rua)  do Google Mapas.

O interior do monumento  foi fotografado pela equipe do site com  um triciclo  equipado com câmeras semelhantes às usadas para fotografar as ruas das cidades com carros.   Basta o mouse ou as setas do teclado para caminhar por dentro do círculo como um visitante que foi ao local. Bom passeio.

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Em azul, as rotas de caminhada em Stonehenge no Street View:

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Veja como foram feitas as imagens:

# Stonehenge (site oficial)

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Andar pelas ruas de Buenos Aires – atividade cada vez mais comum na rotina de brasileiros que aproveitam o câmbio favorável para fazer turismo na capital argentina – pode render várias surpresas.  Uma delas é descobrir que levar a sério aquela rivalidade futebolística cada vez mais incentivada – inclusive por gente que nunca conheceu um argentino pessoalmente – é uma grande bobagem.

Outra poderá acontecer numa banca de jornal e revistas. Como acontece em quase todo o mundo, os títulos nas bancas argentinas são os mais diversos, passando por jornais de várias formatos e tendências, revistas noticiosas semanais, de esportes, celebridades, música, cinema, pornografia e entretenimentos diversos.

Apesar dessa diversidade, não tem como não chamar atenção dos forasteiros um título que está em várias bancas da capital acompanhado de um conhecido símbolo de uma folha com sete pontas: a THC. E para não deixar dúvidas do que trata a publicação, abaixo do título vai a apresentação da linha editorial: “A revista da cultura cannábica”.

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O nome da revista é a sigla do nome científico da substância psicoativa encontrada na maconha, o tetraidrocanabinol. Com um fôlego surpreendente, a revista argentina sobre maconha está em sua 28ª edição. Tem edição e impressão caprichadas e distribuição nacional na Argentina e no Uruguai.

A  última edição aproveitou a Copa do Mundo para abordar o tema do doping no esporte. Faz um histórico do doping de maconha nas competições e traz especialistas  defendendo que o chamado doping com drogas sociais – como a maconha – não deveria ser punido como uso de substâncias para a melhora de rendimento.

Ainda no tema principal da edição,  a THC  fez uma entrevista com o ex-jogador Fernando “el Rifle” Pandolfi, campeão pelo Vélez e Boca Juniors e hoje líder da banda de rock “Mil Hormigas”, que admite que dava uns tapas – com moderação -  quando era atleta: “Nunca fui um fumador compulsivo porque era esportista e levava isso a sério.” Outro personagem do mundo esportivo entrevistado é o ex-goleiro do Boca Sandro Guzmán, que se converteu ao rastafari, o movimento jamaicano que crê em propriedades religiosas da maconha.

O bloco sobre futebol continua com um artigo saudando Maradona por ter convocado para a seleção que disputou a Copa do Mundo o jogador Ariel Garcé, que já cumpriu suspensão por doping de cocaína, e uma reportagem sobre os tipos de maconha cultividados na África do Sul. Na última página, um texto relembra o drama do doping de Maradona na Copa de 1994, nos Estados Unidos.

Mas as 68 páginas da edição de junho não se restringem a futebol. Tem reportagens  sobre técnicas de cultivo, controle  de pragas, estudos científicos, tipos de plantas e até uma página de culinária, com a receita de um fondue preparado com maconha.

Interativa, a THC publica duas páginas com fotos de leitores com suas plantações de maconha para consumo próprio, o que é permitido no país desde 2009.

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Nessa semana que passou, a descriminalização do consumo de maconha voltou a ser discutida aqui no Brasil depois que um grupo de renomados neurocientistas publicou uma carta aberta defendendo o plantio de pequenas quantidades para consumo próprio.

A motivação do manifesto dos cientistas foi a prisão do músico Pedro Caetano, da banda de reggae Ponto de Equilíbrio, que cultivava dez pés da planta em sua casa.  Não consegui levantar informações, mas parece que Pedro Caetano já foi liberado.

A discussão é daquelas boas, que dá para render debates interminávais entre os vários pontos de vista. Se for discutido  com seriedade nos fóruns apropriados (Câmara, Senado e Judiciário) será um avanço, seja qual for o resultado. Com a eleição por perto, o debate já deu sinais que pode esquentar. Se ficar só na guerra eleitoral, será uma oportunidade perdida.

Além de provocar o debate sobre o tema, o caso Pedro Caetano traz à memória dois casos famosos envolvendo artistas e maconha. Em 1976, num período de pouco mais de um mês de diferença,  Gilberto Gil e Rita Lee foram presos por serem flagrados com pequenas quantidades da droga. Os dois acabariam condenados – Gil a tratamento de recuperação e Rita, grávida, a prisão domiciliar após amargar um período num presídio feminino.

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Jornal da Tarde – 25/8/1976

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Jornal da Tarde – 08/7/1976

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Velhos conhecidos desde os tempos da Tropicália, Gil e Rita tinham muito mais em comum que uma prisão por porte de droga. Na turnê dos Doces Barbáros, com  Caetano, Gal e Bethânia, Gil cantava a música “Rita Lee”. Os dois exorcizariam as más lembranças de suas prisões no ano seguinte com o show “Refestança”, que renderia um ótimo disco ao vivo.

No repertório, entre sucessos dos dois artistas, como “Domingo no Parque” e “Ovelha Negra” (clique na capa do disco abaixo para ouvir todas as faixas), os dois cantaram o velho hit de Roberto e Erasmo: “…não adianta o aviso olhar, pois a brasa aqui agora eu vou mandar. Nem bombeiro pode apagar… É proibido fumar…

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# Maconha: do uso medicinal a caso de polícia

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A Copa do Mundo acabou faz três dias.  Após a recepção festiva pelas ruas de Madri, o futebol espanhol dá seus primeiros passos como campeão do mundo. Mesmo que não repita a façanha no Brasil em 2014,  o título na África do Sul coloca os espanhóis  como favoritos ao título pelo menos nos próximos 20 anos.

E os holandeses? Qual será o efeito de perder a terceira final de Copa que disputa? Se nas duas primeiras vezes em que perderam a decisão (1974 4e 1978) eles eram favoritos e caíram elogiados, agora se confrontam com críticas ao estilo de jogo adotado.  O discurso atual era de que  se o futebol bacana de outrora encantou mas não levou, agora era a hora de levar o título mesmo sem  jogar bonito. Se nenhuma das duas opções deu certo, qual o caminho a adotar para entrar no clube dos campeões e acabar com a quimera holandesa?

Estava torcendo para a Holanda (ao contrário do polvo Paul, errei todos os palpites que fiz nessa Copa). Talvez por isso esteja tentando achar alguma  outra coisa além da superioridade espanhola para explicar o fracasso holandês. Para isso, fui fuçar nos arquivos do jornal para saber como foram as outras duas derrotas holandesas. Se não achei algo que sirva como ponto de interseção das três derrotas, pelo menos me deparei com dois textos do Alberto Helena Jr.  sobre as primeiras duas que valem ser revistos. A reprodução não ficou das melhores, mas acho que dá para ler.

A história não costuma ser generosa com finalistas perdedores que não se redimem em outras decisões. Hungria e a extinta Tchecoslováquia também perderam nas duas vezes que chegaram a uma final de Copa  e com o tempo desapareceram do mapa da primeira divisão do futebol mundial. A Suécia, finalista de 1958 contra o Brasil, também.

Ao sair derrotada de todas as decisões que disputou, o desafio da  Holanda  agora é lutar contra a próprio desânimo para mostrar que merece ser recebida no fechado clube dos campeões. Depois de 1962, quando o a Tchecoslováquia foi derrotada pelo Brasil, o futebol passou ter cada vez menos tolerância com bicões na final de sua festa  máxima.

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10.julho.2010 08:00:20

Terceiro

“… Se você não se lembra de nenhuma disputa de 3° lugar de Copa do Mundo, não se culpe. Nem mesmo os seus vencedores fazem muita questão de lembrar.  Mas se você é do tipo que curte relembrar coisas  como a terceira classificada naquele festival da canção, da miss simpatia, dos pilotos de terceiro escalão  que se revezam no lugar mais baixo do pódio da fórmula 1  e do ganhador da medalha de bronze na Olimpíada, aqui vai a relação completa daquilo que o Zanin apropriadamente chama de “o mais triste dos jogos: …”

“… Para saudar esses jogos malditos, uma música – tão memorável quantos os embates acima – do ótimo Ultraje a Rigor, do disco “Sexo”, de 1987. …”

# Publicado originalmente no Blog Bate Pronto. Leia a íntegra.

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08.julho.2010 08:00:53

Zeca Jagger News

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Muita gente que teve o primeiro bê-a-bá de música pop – principalmente estrangeira -  através de Ezequiel Neves  hoje cospe no prato que comeu. Durante muitos anos, Zeca Jagger – um de seus vários codinomes – informou gerações de jovens famintos de música através de seus textos nas mais diversas publicações.

Da pioneira edição nacional da Rolling Stone que circulou por aqui  em 1972 e 1973 aos diversos títulos que pipocaram nos anos seguintes na tentativa de estabelecer uma imprensa musical pop decente  no país, Ezequiel esteve em quase todas. Promíscuo, escrevia ao mesmo tempo na Pop, Hit Pop, Jornal de Música, Rock, Somtrês, Música do Planeta Terra, Jornal da Tarde e onde mais pintasse alguém querendo seus textos debochados, exagerados e divertidos.

O cabeçalho desse post é da coluna “Zeca Jagger News”, no Jornal de Música, onde dava informações, fazia fofocas e declarações de amor em “Lovely Notes” e “Love Letters”, essa última  uma seção de cartas  onde só apareciam as suas respostas ao leitores, como esta: “Concordo com v. mas sem nenhum narcisismo. O lema de Zeca jagger é mesmo love me or leave me. te juro. breve a gente se encontra. Até o fim do ano estarei aí no Ceará curtindo backing vocals com Made in Brazil. Estou louco pra te conhecer. E você vai adorar a banda. Garanto!”

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Jornal de Música – 1976

A seguir um pequeno apanhado da produção de Ezequiel Neves na imprensa musical.

Rolling Stone Brasil 1972

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Hit Pop – 1976 e 1978

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Somtrês  – 1982

Esse é o início do texto em que Ezequiel apresenta o Barão Vermelho ao mundo:

“Com o volume no máximo do escândalo estou ouvindo uma fita transcedental. É coisa doméstica, gravada com um microfone só, mas que arroja uma torrente de adrenalina capaz de pulverizar quarteirões. é rock puro, escrachado e demencial, imperfeito e carnívoro, trombetas selvagens anunciando o começo de um novo mundo. E, podem não acreditar, tudo é cantado em português – idioma totalmente, ou quase, avesso ao rock. Pela promeira vez em muitos meses sinto minha alma lavada, volto à adolescência, caio na pândega, o escambau! …”

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Jornal de Música – 1974

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Essa última página está dividida em duas imagens. Para conseguir ler, serão dois cliques diferentes: um na parte de cima, outro na inferior. Um pequeno trecho:

“…Outra bad. Esse ano já começaram a pintar por aqui LPs do rock alemão, a corrente mais bunda-mole que existe. Tudo computadorizado, a tecnologia a serviço da desumanização do rock. Tenho certeza de que se o Moog não tivesse sido inventado, essa corrente nem existiria. mas é melhor parar por aqui, senão acabo virando … “


Jornal da Tarde - 1970

Um leitor reclama da ausência de Ezequiel nas páginas do JT:

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E a crítica, assinada com as iniciais E.N:

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Veja também:

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