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Edmundo Leite

11.maio.2010 12:12:42

Por uma imprensa marrom

Nas vésperas da final da Copa do Mundo de 2002, um enorme grupo de jornalistas ficava reunido no saguão do hotel onde a seleção brasileira se hospedava em Yokohama aguardando a saída do time de Felipão. Como acontece sempre nessas situações, as esperas eram longas e acabavam virando bate-papos sobre os assuntos mais diversos em grupos que se espelhavam pelo amplo salão.

Num desses grupos, um repórter francês da revista France Footbal perguntou aos colegas brasileiros porque não havia nenhum jornalista negro do país entre dezenas de profissionais que cobriam a seleção do Brasil, quando boa parte do time que estava prestes a se tornar pentacampeão era formada por negros.

Após alguns segundos daquele silêncio constrangedor, alguém arriscou a começar uma explicação. Falou da desigualdade social, enquanto outro lembrou do passado escravista, das falhas do sistema educacional, da dificuldade que muitos pobres tem para ingressar na universidade e que por isso nas próprias faculdades não havia muitos alunos negros.

Oito anos depois, a seleção brasileira parte para tentar o hexacampeonato num país que durante anos foi marcado por um dos mais violentos regimes de segregação racial. O apartheid que por quatro décadas  restringiu os direitos da população negra no África do Sul terminou em 1990. Desde então, o país tenta diminuir a desigualdade social provocada pelo regime racista.

O Estadão desta terça-feira de convocação para a Copa da África do Sul traz um texto de Marco Antonio Rezende informando que políticas sociais, entre elas um amplo programa de inclusão racial do governo – Black Economic Empowerment (BEE)  – estão criando uma nova classe média negra no país:

“… O programa de maior impacto é o BEE, destinado a inserir a maioria negra na economia capitalista. Bastante polêmico quando foi criado – seus detratores diziam que espantaria investidores e desestimularia o empreendedorismo – hoje é parte da vida cotidiana do país.

Para vender para o governo ou participar de concorrências publicas, as empresas tem que ter o certificado de adequação ao BEE. Para isso, têm que cumprir sete critérios, entre eles cotas de negros na média e alta gestão, fornecer cursos de formação para gerentes e executivos negros e comprar produtos ou serviços apenas de outras empresas igualmente certificadas com as normas do BEE.

As grandes corporações têm que ceder em média 25% do seu controle a acionistas negros. As empresas 100% subsidiárias de empresas estrangeiras estão isentas da obrigação da cota no controle acionário. …”

Aqui no Brasil, onde desde 2003 existe uma Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, com status de ministério, estudo recente da Fundação Getúlio Vargas indica que 53% dos negros do país estão na classe média.  E no mês passado o Supremo Tribunal Federal promoveu debates antes de começar a julgar duas ações contra a política de cotas raciais em universidades públicas. O Supremo ainda não definiu a data para julgar as duas ações.

Em 2002, no Japão, a pergunta do jornalista francês sobre a diversidade racial entre seus colegas brasileiros ficou sem uma resposta convincente. Nessa copa de 2010 não é difícil que a situação se repita na África do Sul. A imprensa brasileira, apesar de recorrentemente abordar assuntos sobre diversidade e outras questões raciais em suas páginas, ainda está longe de ser um exemplo no assunto.

Para ficar no exemplo da casa que abriga esse blog, nos três veículos que ocupam duas amplas áreas de redação em único andar é possível contar nos dedos – de uma só mão – o número de negros entre quase 500 jornalistas que dão expediente ao longo do dia nas mais diferentes tarefas e funções de escrever, editar, diagramar e fotografar.

Já em outros setores, como na gráfica ou nos setores de serviços terceirizados que cuidam da limpeza e do transporte a situação é inversa. Não tenho dados para afirmar que os negros são a maioria nessas funções. Mas qualquer um que tiver a oportunidade de fazer uma visita aos diversos setores de uma empresa jornalística no Brasil poderá constatar a situação.

Gilberto Gil cantou anos atrás, em “Tradição”, um “tempo que preto não entrava no Bahiano nem pela porta da cozinha”. Felizmente, isso não existe mais. Os próprios clubes sociais quase já não existem mais. Assim como ficou para trás o tempo em que  times de futebol não admitiam negros em seus quadros.

Dia desses esteve por aqui o grupo de samba Revelação. Desconhecido por quase toda a redação, mas sucesso em todo o País, o grupo falou da carreira, do sucesso, do lançamento do CD e do DVD “Ao Vivo no Morro” e também cantou algumas músicas.

Uma rara chance de se ver negros dentro de uma redação no Brasil.

Revelação_1

Revelação_2

Revelação_3

comentários (30) | comente

30 Comentários Comente também
  • 11/05/2010 - 13:06
    Enviado por: Fernando Toledo Barbon

    Simplesmente parabéns!
    Matéria mais que excelente!
    Não que seja necessário, mas, o reporter ganhou o meu respeito.

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  • 11/05/2010 - 13:24
    Enviado por: Bira Mariano

    vc fez mto mais que o ombudismam da Foia de Sampa…alémd e dar um murrão na cara dos seus patrões (potrões)…taí porque a imprensa brasileira é tão classe média, tão sórdida e pervesa, só escreve para um público limitado….sei não, mas vc deve estar com o aviso prévio marcado!!

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  • 11/05/2010 - 13:32
    Enviado por: Edson Magalhaes

    Ótima matéria…estou pensando em virar gari para reparar injustiças……quanta bobagem.!!! Quando voce tiver um filho loirinho e este estiver disputando uma vaga com um negro e perdê-la por existencia de cotas voce vai ver o gostinho desse raciocínio paternalista….igualdade refere-se a oportunidades e o jeito que as aproveitamos,,,,

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    • 11/05/2010 - 17:21
      Enviado por: Rúben Rodríguez

      Como o Brasil não é democrático nem republicano, as oportunidas não são oferecidas a todos. É evidente que cotas não resolvem o problema e, sim políticas públicas de qualidade; Só assim o Brasil passará a ser democrático e republicano.

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  • 11/05/2010 - 13:39
    Enviado por: André Terra

    O problema não é ser Negro , amarelo, pardo ou branco !!!
    O problema é ser POBRE negro, amarelo , pardo ou branco !!
    “Racismo” seria, por exemplo, segregar o PELÉ independente ou apesar de sua projeção. Quem no Brasil questiona o Rei do futebol, ou qualquer outra personalidade de cor preta, parda, mestiço …. partindo de sua cor ???
    Quem deixa de recebe-lô por ser negro ?? O problema no Brasil é social e não racial !!! O que interessa é o Status quo !!! POLÍTICA PÚBLICA COMPENSATÓRIA
    para ser eficiente no Brasil tem que considerar este fato !!

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  • 11/05/2010 - 14:12
    Enviado por: Maíra

    Acho que temos melhorado, mas esses acontecimentos cotidianos mostram que estamos ainda muito aquém do ‘ideal’. E o que explicar, como explicar o inexplicável?

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  • 11/05/2010 - 14:14
    Enviado por: Tweets that mention Por uma imprensa marrom | Edmundo Leite -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Edmundo Leite, Maíra Teixeira Silva, Cinthia Rodrigues, Bia Rodrigues, Carlos T:Lemos and others. Carlos T:Lemos said: E tem gente que reclama do sistema de cotas: http://blogs.estadao.com.br/edmundo-leite/2010/05/11/por-um-jornalismo-marrom/ [...]

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  • 11/05/2010 - 15:58
    Enviado por: Henrique Lima

    Pode parecer preconceito, mas que ache quem quiser…mas a maioria dos negros do Brasil parece-me ter mais um viés genético que os levam para as artes em geral: música, dança, entretenimento, etc…e o esporte também. Isso é ruim?

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    • 11/05/2010 - 20:55
      Enviado por: Douglas da Costa

      Henrique Lima, acho que deveria rever sua mensagem. Reconheço a ingenuidade no seu comentário, ao colocar “sem preconceito”, mas o problema nela é o reconhecimento da “raça negra” apresentando um “viés genético que os levam para as artes em geral”. A ciência não consegue definir o que é uma raça, um conceito muito fraco, e muito menos diferenças genéticas entre os de pele negra e de pele branca que levem a apresentar rumos diferentes no que diz respeito à vida. O que existem são diferenças sociais de raízes profundas, que vão desde o nascimento e essas sim são capazes de mudar o curso da vida de um cidadão. Mas, me parece que a mensagem apresentada mostra um certo conformismo, como se “os pretos têm mais inclinação pra arte, por isso o menor número ‘deles’ nas faculdades”.

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  • 11/05/2010 - 16:21
    Enviado por: Ed

    Porque o reporter frances nao perguntou por que nao haviam brancos no time de futebol? Cotas ja na selecao pra branquelo ruim de bola!!!!! tenha santa paciencia!!!!

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    • 11/05/2010 - 18:10
      Enviado por: Edmundo Leite

      Não perguntou porque o time tinhas vários jogadores brancos. Perguntou sobre a ausência de jornalistas negros porque não viu entre os profissionais de imprensa que lá estavam a diversidade que costumava ver nas ruas do Brasil e no time de Felipão.
      Abraços

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  • 11/05/2010 - 17:16
    Enviado por: Rúben Rodríguez

    É evidente que nas melhores colocações, o negro não aparece nem na foto:
    Ministros de Estado, Oficiais das Forças Armadas, Médicos, Engenheiros, Deputados, Senadores, Prefeitos, Governadores, Presidende da Repúbica, Professores Universitários, Juízes, Procuradores da República, Jornalistas, etc,etc,etc…. Então há algo de errado na nossa sociedade. As causas já foram detectadas; Agora é solucionar o s problemas.

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  • 11/05/2010 - 18:20
    Enviado por: lucas reinhardt

    Tenho ascendência 1/8 de negro, 1/8 de índio, 1/2 de alemão, 1/4 de italiano, mas SOU BRASILEIRO. A Constituição é CLARA: somos IGUAIS perante a lei. Todas as “regulamentações” que privilegiem, sob qq argumentos, qq “raças” são inconstitucionais ( e imorais..). A cor? da pele? NADA tem a ver com genética…Se existem desigualdades sociais, estas devem ser combatidas na ORIGEM, ou seja, no acesso amplo e irrestrito à Educação de qualidade para TODOS. Educação CIDADÃ que VIVENCIE a “igualdade racial” – na verdade, a igualdade SOCIAL. Tudo que se faça, apressadamente, é cosmético e inútil. NENHUMA regulamentação faz integração – pode é criar outros problemas…Temos é que acabar com os “mais iguais” de qualquer cor, partido, religião, filiação…

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  • 11/05/2010 - 23:54
    Enviado por: Wmartini

    Parabens, uma voz corajosa na imprensa submissa desse pais. O instituto Milleniun deve estar se contorcendo. Cuidado…. aqueles que não querem controle em breve vão te controlar…. materia cuidadosamente ousada… isto é imprensa livre. Mas quanto tempo vai dura… será que vc. consegue outra matéria assim ou a censura editorial vai lhe cortar….????

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  • 12/05/2010 - 01:23
    Enviado por: Almir

    Muito interessante sua reflexão. Desgraçadamente, vivemos num país muito injusto onde as elites têm mentalidade escravagista. Não têm senso de justiça, não têm compaixão com a miséria. Os próprios comentários ao teu texto demonstram o grau de conformismo e aceitação dessa situação de inclemência racial que vivemos. Lembro-me de uma antiga entrevista do Mangabeira Unger, em que ele bem lembrava a constrangedora naturalidade com que as classes mais favorecidas no Brasil “tiranizam negrinhos” nos quartinhos escuros de sua casa. É uma anomalia que os “escravagistas-constitucionalistas” adoram tratar pelo lado da “legalidade”, como fica claro nos comentários postados aqui. Parabéns pelo texto, Edmundo!

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  • 12/05/2010 - 05:57
    Enviado por: Aureo

    A quem interessa inventar uma coisa que não existe, o racismo? Pertenço a uma família de classe média, mas que já foi pobre.São nove pessoas, seis mulheres e tres homens. Não há nenhum “branco do olho azul”.Todos, no mínimo, pardos ou morenos. Das seis mulheres, cinco casaram, uma é solteira;duas são casadas com “negros” e duas com morenos. Dos tres irmãos homens, dois são casados com “negras”. Nunca vi, e nunca foi estimulado, esse debate racial, simplesmente porque não existe essa distinção de cor. Nos reunimos, conversamos, brincamos, tudo em harmonia, mesmo que assuntos diversos possam ter.Se existe esse tal racismo, ele nunca foi consentido pela imensa maioria das pessoas. Quanto as diferenças humanas sociais, elas irão sempre existir,independente de cor.Cada pessoa deve buscar seu espaço , sem privilégios.Há outros assuntos mais importantes que o ilustrearticulista poderia buscar.À pergunta do jornalista francês sem resposta inteligente, demosntra que o ensino acadêmico é uma necessidade.E aí mora o X do problema: qualidade.

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  • 12/05/2010 - 08:33
    Enviado por: Roniel Felipe

    Muito bom o texto. Sou jornalista e negro. Entendo muito bem quando fala dos poucos negros que vê circulando pelas redações pois convivo com essa realidade já faz um bom tempo. Seria um prazer falar com esse jornalista francês. Abraço e parabéns por tocar em um assunto tão pertinente.

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    • 12/05/2010 - 14:23
      Enviado por: Edmundo Leite

      Infelizmente não será possível. Comentando esse texto com outro repórter que participou da conversa em Yokohama, fui informado que o nosso colega francês não está mais entre nós.
      Abraços

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  • 25/05/2010 - 09:49
    Enviado por: Marcelo Tomaz

    Caro Edmundo
    Muito bom o seu texto! Aproveito para acrescentar que até mesmo quando o negro tem formação superior e é um bom profissional, ele sofre para conseguir um emprego. Motivo? Fica claro o preconceito. Tenho amigos negros (jornalista, publicitário e administrador) que, com suas histórias, demonstram esta triste realidade em nosso País.

    Grande abraço, amigo!

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  • 10/06/2010 - 18:04
    Enviado por: Airreve Adrim

    Pelo mesmo motivo que não tem nenhum branco na comissão de frente da maioría das escolas de samba. Por motivos semelhantes, a grande maioría dos craques do futebol, do basquete Norte Americano, dos fortissimos pesos-pesados amaricanos e brasileiros. Seria segregação contra os brancos e amarelos o fato dos maiores atletas olimpicos de velocidade serem negros? Muitos atores bilionários são negros e investiram muitissimo bem, com grande inteligência os seus altos salários. Todos os árabes e indianos Bilionários tem o pé na cozinha. A segregação racial está na cabeça de uma meia duzia revoltada e outra meia duzia que ao ver seu “palanque de manobras” ameaçado ficam fazendo proselitismo vago e sem fundamento. Ha menos de 100 anos nem a mesma calçada os Americanos permitiam aos seus pares negros. Ativistas, PERGUNTEM AO BARAK OBAMA.

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  • 01/07/2010 - 14:22
    Enviado por: eder portões

    Bacana o material apresentado no blog. materia é dificil de encontrar na rede
    redes de proteção sp

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  • 01/07/2010 - 14:35
    Enviado por: Portal Dedetização

    Valeu Edmundo

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  • 16/07/2010 - 12:53
    Enviado por: helio elimina cupins

    Nossa da hora esse

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  • 28/07/2010 - 20:59
    Enviado por: Erik

    Tudo nosso Edmundo

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  • 28/07/2010 - 21:00
    Enviado por: Desentupidora

    Legal concordo com o Airreve Adrim

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  • 25/08/2010 - 09:37
    Enviado por: Descupinização

    Eu acho que o Areo está correto.

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  • 02/05/2012 - 23:05
    Enviado por: Advogados Zona Leste

    Boa Edmundo!

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  • 14/06/2012 - 23:36
    Enviado por: Seguro

    Parabens, por esse excelente artigo muito bom mesmo!

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