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Edmundo Leite

31.março.2010 08:00:11

Memórias de um debate

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Collor e Lula no Jornal Nacional

A morte de Armando Nogueira trouxe de volta para algumas mesas de botequins, faculdades de jornalismo, redações e outras praças onde assuntos polêmicos são debatidos como questões de vida ou  morte o último debate entre Fernando Collor e Lula nas eleições presidenciais de 1989.

Diretor da Central Globo de Jornalismo na época, Armando Nogueira deixaria o cargo pouco tempo depois para ser substituído por Alberico de Souza Cruz, a quem acusava de ser o responsável pela controversa edição do compacto do debate exibido no Jornal Nacional e de deslealdade funcional no episódio.

O debate entre os dois candidatos durou mais de três horas e foi transmitido ao vivo por um pool que reuniu as principais emissoras do país na época (Globo, Bandeirantes, Manchete e SBT).  No dia seguinte,  todas as emissoras exibiram um compacto em seus telejornais.

O que a Globo exibiu  no Jornal Nacional – diferente do compacto exibido no Jornal  Hoje  – foi acusado de favorecer Collor e prejudicar Lula. O PT chegou a entrar com uma ação no TSE contra o compacto, mas o tribunal não acolheu  e nos dias seguintes o assunto já estava esquecido.  Mas ressuscitou algum tempo  depois e volta e meia reaparece.

Falar mal da Globo é quase um esporte nacional.  No imaginário dos que veem  conspirações e maquinações em tudo o que a  emissora faz,  a exibição do  compacto do debate de 1989 é tido como  o maior exemplo de um nocivo poder de manipulação ao qual milhões de brasileiros estariam cegamente submetidos.

Na visão dos que compartilham dessa tese, o compacto do debate exibido no Jornal Nacional teria sido o responsável direto pela eleição de Collor.

Verdadeira ou não, a história da edição maldosa  do debate acabou pegando e até  hoje – passados 20 anos daquela eleição -  é comum ver gente que nunca  assistiu ao debate e nem ao compacto, ou tem uma vaga lembrança,  afirmar categoricamente  que a edição – palavra que por causa desse episódio  praticamente  virou sinônimo de fraude -  foi manipuladora, criminosa,  leviana, desiquilibrada e outros tantos adjetivos ruins.

Se  durante  muito tempo o tema foi motivo para discussões acaloradas e apaixonadas baseadas apenas em  lembranças contaminadas por névoas ideológicas,  falta de memória e até  mesmo má-fé, atualmente é possível debater com dados mais objetivos.

Numa atitude bastante transparente, a própria emissora colocou – já faz algum tempo – em seu site Memória Globo a íntegra  do debate e dos compactos exibidos nos jornais globais  e outros depoimentos  de envolvidos no caso, como o próprio Armando Nogueira.  É o tipo de coisa que só a internet permite.

Os cinco depoimentos  (além de Nogueira falam Alberico de Souza Cruz, Ronald de Carvalho, Wianey Pinheiro e Octavio Tostes) são todos  conflitantes entre si e valem a pena ser assitidos.

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Armando Nogueira e Alberico de Souza Cruz no Memória Globo

O ponto principal da divergência é sobre a diferença entre a edição exibida no Jornal Hoje, na hora do almoço, e no Jornal Nacional, na hora da janta.  Em meio a nítidas rusgas corporativas, é possível ver o antagonismo dos que  argumentam  que a edição exibida no Jornal Hoje era equilibrada para os dois candidatos e deveria ser repetida no JN  e os  que defendiam que o equilíbio da edição  não mostrava a realidade do debate, pois pesquisas e os editores avaliavam que  Collor havia vencido (veja a reprodução de jornais da época abaixo), e por isso a necessidade de uma nova edição do compacto.

A memória do caso está na seção “Polêmicas”  do site, que tem tópicos para os vários assuntos pelos quais a emissora de Roberto Marinho foi criticada.   Os vídeos dessa sessão são acompanhados de textos que procuram ser bem objetivos, mas também trazem a posição da emisssora, como esse que finaliza o tópico do debate:

Por isso, hoje, a emissora adota como norma não editar debates políticos; eles devem ser vistos na íntegra e ao vivo. Concluiu-se que um debate não pode ser tratado como uma partida de futebol, pois, no confronto de idéias, não há elementos objetivos comparáveis àqueles que, num jogo, permitem apontar um vencedor. Ao condensá-los, necessariamente bons e maus momentos dos candidatos ficarão de fora, segundo a escolha de um editor ou um grupo de editores, e sempre haverá a possibilidade de um dos candidatos questionar a escolha dos trechos e se sentir prejudicado.

Independente dos assuntos polêmicos como o debate de 1989, o site é um belo exemplo do uso da internet como ferramenta para conservação da memória e traz um rico acervo de textos, fotos e  vídeos sobre as novelas, os musicais,  os shows, telejornais, jogos esportivos e outros programas produzidos pela emissora ao longo dos anos.

Leia também:

# Documentário polêmico sobre a Globo completa dez anos

Páginas da cobertura do debate em O Estado de S. Paulo e no Jornal da Tarde

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Jornal da Tarde

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O Estado de S. Paulo

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Jornal da Tarde

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O Estado de S.Paulo

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O Pablo Pereira entrevistou Carlos Bacellar, coordenador do Arquivo Público do Estado de S. Paulo, sobre a abertura para consulta dos arquivos do DOPS.

Vale a pena assistir.

secreto

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Hoje tem show do Eduardo Araújo no Tom Jazz, aqui em São Paulo. Muitos costumam desprezar artistas associados à Jovem Guarda e esquecem da importância que tiveram e das músicas bacanas que fizeram.

Só por ser autor, junto com Carlos Imperial, de “Vem Quente que Eu Estou Fervendo”, e pela gravação de “O Bom” (Imperial), Eduardo Araújo merece toda reverência.

No show desta noite, fiquei sabendo, ele terá como convidado o guitarrista, multiinstrumentista, Tony Osanah, autor de outros clássicos da música brasileira, apesar de ser argentino. Os dois mereciam mais linhas, mas por hoje vão somente esses dois registros em vídeo:

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dedos

Ao revidar as vaias da torcida corintiana após a derrota para o Paulista de Jundiaí, o atacante Ronaldo se juntou a uma galeria célebre de esportistas que em momentos de pressão recorreram ao gesto universal do dedo médio para desabafar.  O momento foi captado pelo fotógrafo Paulo Pinto, do Estadão.

Reciclo aqui um post de 2007 no blog Bate-Pronto:

Aprenda, Capello Ronaldo

De tempos em tempos ele volta à cena e sempre causa polêmica. Na falta de um nome melhor, acaba sendo chamado genericamente de “gesto obsceno”. Apesar de simples, o ato de levantar o dedo médio com os outros retraídos tem um efeito devastador. No Brasil, já deu até prisão.

Ao fazer o gesto para os torcedores do Real Madrid no último sábado, o técnico italiano Fabio Capello arranjou mais uma dor de cabeça e entrou para uma galeria que inclui as mais variadas personalidades, muitas delas do mundo esportivo, como o atacante Romário, o ex-senador e cartola Luis Estevão, o ex-corintiano Fininho e até a mulher do técnico Vanderley Luxemburgo.

No futebol, as histórias quase sempre são parecidas: o dedo em riste aparece como um válvula de escape para momentos difíceis, geralmente provocados por enorme pressão da torcida. Foi assim com Romário, que em 2001 fez o gesto para os torcedores do Vasco que o hostilizavam num jogo com o Universidad Catolica do Chile pela Copa Sul-Americana no Estádio São Januário. E para não deixar dúvida, após marcar o seu gol o baixinho tascou o gesto em dose dupla, levantando as duas mãos com os dedos enrijecidos.

Em 2005 foi a vez do novato Fininho, que num jogo do Corinthians contra o Sampaio Correa pela Copa do Brasil foi até os alambrados do Pacaembu revidar os protestos da torcida, que retribuiu com o mesmo gesto.

A recíproca também aconteceu entre o ex-senador Luiz Estevão, cartola do Brasiliense, e torcedores do adversário Gama num clássico do Distrito Federal em 2003. Do alto da tribuna, Estevão mandava um “duplo-médio” a la Romário para os torcedores do Gama que o atormentavam mais embaixo com dedos em riste e aquele sinal com as duas mãos usado para chamar alguém de ladrão.

Outro personagem polêmico que enfrentou a hostilidade da torcida com o gesto inominável foi o técnico Vanderley Luxemburgo, em 2000. O gesto, porém, não foi feito por ele, mas por sua mulher Josefa. Na época, além de desembarcar no Brasil com o peso do fracasso da seleção brasileira na Olímpíada de Sydney, o técnico era alvo de inúmeras denúncias de irregularidades fincanceiras. Para evitar o assédio da imprensa e dos torcedores no tumultuado desembarque, Luxemburgo entrou rapidamente em um carro acompanhado de sua mulher. Pela janela do banco de trás, Josefa foi fiel ao estilo do marido e mandou o dedo ao alto. Na recente eliminação do Brasil na Copa do Mundo, o gesto mudou de lado e acabou virando o símbolo da frustração dos torcedores que estavam na Alemanha.

Crise diplomática

Fora do campo esportivo, o gesto também costuma causar confusão. A maior delas foi a protagonizada pelo piloto americano Dale Robbin Hersh, que em janeiro de 2004 mostrou o dedo médio enquanto tirava foto de identificação na área de desembarque do Aeroporto de Cumbica. Os agentes da Polícia Federal consideram o ato de deboche do piloto um desacato e o caso ganhou status de conflito diplomático. Isso porque o Brasil passara a exigir identificação dos americanos que entravam no País alegando reprocidade, pois esse era o tratamento dispensado aos brasileiros que iam aos Estados Unidos após o endurecimento das medidas antiterror.

O gesto provocou grande indignação no Brasil e o piloto da American Air Lines teve que pagar R$ 36 mil de multa para ser solto. Dia depois, um outro americano repetiu o gesto no aeroporto de Foz do Iguaçu e teve que pagar R$ 50 mil para ser liberado. No ano passado, a American Air Lines foi condenada em primeira instância a pagar R$ 175 mil por danos morais para cada um dos sete agentes federais que trabalhavam no desembarque.

Em abril do ano passado foi a vez do diretor de teatro Gerald Thomas usar o gesto para protestar durente um ato de apoio a Varig: “Lula, aqui para você”, disse o diretor após falar sobre o que considerava descaso do governo com a companhia aérea em crise. Como era de se esperar, deu em nada. Sabiamente, Lula nem ligou.

Os que usam o dedo médio para expressar os seus sentimentos deveriam aprender com o grande mestre Johnny Cash, que ensinou que para fazer isso com dignidade é preciso estar por cima e, mais que isso, ter absoluta certeza disso. Foi o que aconteceu em 1996, quando foi à forra depois de ser premiado como Melhor Álbum Country pelo fabuloso disco Unchained. Do alto de seus então 64 anos de sabedoria, Cash pagou um anúncio de página inteira na BillBoard, a principal revista de música do país, para agradecer o apoio recebido das rádios e do meio musical de Nashville, a meca do Country, que haviam ignorado o disco. Aprenda, Capello Ronaldo.

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# Texto originalmente publicado no blog Bate-Pronto em 17.01.2007

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A cantora Alana Cal enviou esse texto sobre o comentário feito a respeito do artigo dela na revista Billboard. Republico aqui:

Olá Edmundo.

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer pelo enfoque dado ao meu texto sobre música sustentável. Senti-me lisonjeada de verdade.
Quando li sua crítica, só senti saudade de um tempo que não vivi. Não fiz parte de uma geração que curtiu o sexo livre, que pôde pegar sol em horário que quisesse, que não se preocupava com o que comia.

Faço parte de uma geração em que roqueiro quebrar quarto de hotel está fora de moda. Em que a maioria dos roqueiros punk são veganos. Mas as músicas de Bob Marley discutindo a política e a sociedade e John Lennon pregando a união dos povos ainda me invadem a mente. Michael Jackson em Earth Song em 96(e em outras) já fazia um apelo gritante em prol da natureza.

Quem um dia poderia imaginar que teríamos um presidente americano negro? Que o casamento homossexual seria aceito judicialmente?

Música sustentável não é um tema surpresa nem novo. Pois ele vem sendo abordado há tempos em revistas de respeito no mundo inteiro. Inclusive em 2008 uma outra revista sobre música no Brasil (Rolling Stone) fez uma matéria seríssima sobre madeira certificada, questionando os fabricantes de instrumentos, principalmente a Gibson e a Fender.

Claro que música é diversão. Se ela fizer bater o pezinho, fizer chorar, dançar, já fez seu papel. Mas o artista hoje é lider em sua palavra pois tem sua cara na TV e sua palavra sendo ouvida por gerações com pensamento em formação num momento do mundo em que isso é de grande importância.

Eu também quero não me preocupar com nada disso. Quero ser desencanada e só me preocupar em fazer música e tocar. Mas hoje é uma questão de NECESSIDADE, não futilidade. Daqui a vinte anos, talvez você mesmo tenha que se preocupar com a energia gasta no seu computador pra escrever o seu texto.

Você tem filhos? Eu não. Se a diferença é tão gritante da geração de meus pais para a minha. Talvez da sua para a minha, (não sei sua idade), tenho medo até de pensar do que vai ser daqui a vinte anos.

Quem diria que do que Julio Werne escreveu em 20 Mil Léguas Submarinas, sairia um submarino? E que muitos dos aparatos de Starwars virariam realidade?

O que muita gente chamou de ingenuidade no passado…eu daria outro nome: eram visionários.

Um grande abraço. E obrigada mais uma vez.

Alana.

# Música sustentável?

Maniqueísmo ecológico

Como escrevi no primeiro texto, é louvável que as empresas busquem formas de causar o menor dano ambiental em seus processos de fabricação.

Mas  quando a  ingenuidade se mistura com a militância, como no caso do artigo da Alana, o resultado quase sempre é esse maniqueísmo que só consegue separar as coisas entre os maus (aqueles que querem destruir a floresta de qualquer modo qual vilões de filmes da Xuxa e do Avatar) e bons (mocinhos e mocinhas abnegados que compram violão de madeira certificada  e acham que estão contribuindo para um mundo melhor, apesar de não ligarem  como são feitas se as tarrachas,  cordas e outros acessórios do instrumento).

Chamar artista e ecologista de ingênuo é elogio, como pode se  ver no educado texto da Alana. Eles adoram porque é a deixa para começarem  o tradicional discurso de sonhos de um mundo melhor e outros chavões que fazem a cabeça de muitos. Ainda mais se leram numa revista gringa descolada – no original, e não numa tradução -  que instrumentos certificados são a nova tendência entre os artistas do primeiro mundo.

A questão ambiental  é complexa e as soluções passam longe de atitudes individuais, como querem fazer crer alguns. Mas não é por isso que as pessoas devem deixar de ter suas preocupações em fazer coisas bacanas, como separar o lixo nas especificações corretas, mesmo que a prefeitura não faça nada e jogue tudo no mesmo lugar.

Esse discurso ecológico rasteiro pegou de tal forma que aí surgem atitudes como essa da Alana, que cobra dos colegas um postura igual a sua.   Lembra aquelas velhas patrulhas ideológicas que já tiveram grande protagonismo no meio artístico brasileiro e que cobravam uma postura daqueles artistas que – por critérios muitas vezes injustos -  consideravam alienados.

Como hojé é o Dia Mundial da Água, aqui vai um exemplo do como esse engajamento artificial pode produzir coisas artisticamente inferiores a outras não engajadas.  Usar critérios ecológicos para avaliar um artista e uma obra é um desserviço aos artistas, ao público e até ao meio ambiente e à causa ambiental.

Todos artistas que aparecem no vídeo abaixo, produzido em 1985 na cola do megasucesso “We Are The Word”, fizeram coisas bem melhor quando não estavam preocupados com causa alguma, ou quando estavam – até mesmo com causas ambientais – e fizeram uma criação sincera em cima desse sentimento.

Outro exemplo de engajamento ecológico em que predomina essa visão simplista e maniqueísta da questão:

Apesar dos dois exemplos acima, isso não significa que a militância ecológica não tenha produzido boas obras artísticas. Há vários trabalhos de qualidade sobre o tema, que vão de Midnight Oil a Tom Jobim, passando por vários estilos e épocas. Quando der tempo incluo alguns por aqui. Sugestões são bem-vindas.

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bbking

Hoje tem BB King a R$ 950 no Bourbon Street. Ainda há ingressos disponíveis. Para os shows do  fim de semana  na (ou no?) Via Funchal, a R$ 200 a R$ 600, li que os bilhetes estão esgotados. Nas apresentações no Rio, BB King esbanjou bom humor.

Para quem tiver tempo e dinheiro, há um opção que pode sair mais vantajosa: assistir ao mestre do blues e ainda passear por Buenos Aires. Por causa da desvalorização da moeda argentina em relação ao real, o ingresso mais caro lá sairá por  um pouco mais que o ticket mais barato daqui. De acordo com a cotação levantada em uma casa de câmbio aleatória ($ 0,54 + 0,38% de IOF), os 495 pesos de um ingresso na platéia VIP  de lá equivalem a cerca de R$ 270.

bbking_buenoaires

Lá, o show será no Luna Park, um ginásio que fica bem no centro da capital, pertinho da Praça de Maio e da Casa Rosada, sede do governo, e outros pontos turísticos. Os shows acontecerão  na quarta e quinta-feira da semana que vem  (24 e 25/3).  Pesquisando, ainda dá tempo de achar algum pacote promocional que faça a viagem valer a pena.

Deixando a questão do preço dos ingressos, assunto  já discutido na estreia  do blog, os shows de BB King trouxeram à lembrança a extinta banda Brylho.

Formada por Claudio Zoli (guitarra e voz), Arnaldo Brandão (contrabaixo e voz), Paulo Zadanowski (guitarra) e Robério Rafael (bateria), a banda é responsável por um clássico dos anos 80, o hit “Noite do Prazer”.  Aquela que começa com “A noite vai ser boa, de tudo vai rolar…” e tem o ápice com a citação ao guitarrista americano “…na madrugada a vitrola rolando um blues, tocando BB King sem parar…”

Brylho

Clique na imagem para escutar "Noite do Prazer"

Num dos mais famosos casos de “virumdum”, o nome do mestre do blues sumiu quando a música caiu na boca do povo, que cantava  “trocando de biquini sem parar…” Mesmo quem sabia cantar certo, costumava cantar a versão nonsense para fazer graça. Mas tinha gente que, até mesmo repetindo a canção várias vezes no gravador,  não conseguia de maneira alguma ouvir o nome do blueseiro.

Independente do gracejo, a música é sensacional. Dançante, sacana, insinuante e  hedonista.  Foi o único sucesso do grupo que ficou, mas o  disco de 1983, relançado em CD remasterizado na série Arquivos Warner e ainda encontrável por aí, tem outras músicas ótimas, como “Pé de Guerra”,   “171″, além das divertidas “Cheque sem fundos” e “Jane e Julia”.

Postado ouvindo Brylho sem parar.

# Discos do Brylho no Mercado Livre

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