ir para o conteúdo
 • 

Edmundo Leite

17.fevereiro.2010 14:09:11

Carlos Imperial, o inventor do bordão “Dez! Nota Dez!”

Ontem teve apuração do carnaval de  São Paulo e logo mais  acontecerá a do Rio.  Mesmo   quem não curte  o desfile das escolas de samba costuma parar para ver. Tem gente até  que acha mais emocionante que os próprios desfiles.  Outros, tão chato quanto.

Aquilo que deveria ser apenas um  procedimento burocrático para verificar qual foi a melhor escola  virou um ícone tão marcante da festa quanto o mestre-salas e a porta-bandeira.  A leitura das notas,  sobretudo a da máxima,  está tão incoporporada à coreografia do carnaval que  é  difícil imaginar que alguém tenha inventado algo que hoje  parece tão natural.

Mas nem  sempre foi assim.  O bordão  “Dez! Nota Dez”!  anunciado com entonação grandiloquente  surgiu no carnaval de 1984, junto com a inauguração do sambódromo carioca.

Seu criador foi  o  polêmico e controvertido Carlos Imperial,  na época vereador no Rio e  designado pelo governo de Leonel Brizola para comandar a Comissão de Carnaval dos primeiros desfiles no local idealizado por Oscar Niemeyer.

O biógrafo Denilson Monteiro descreve como foi em seu livro, não por acaso entitulado “Dez! Nota Dez! Eu Sou Carlos Imperial”:

“… Na Quarta-feira de Cinzas, por volta das 17h, Imperial, guiado pelo leal Russão, se dirigiu ao Maracanãzinho, onde seria realizada a apuração do Carnaval de 1984. As notas seriam lidas por ele, que pontualmente às  18 horas deu início ao trabalho. O ginásio Gilberto Cardoso ficava bem próximo do morro da Mangueira. Por isso, os torcedores da Estação Primeira se encontravam em número muito maior que as demais. A escola já iniciou o primeiro quesito com nota máxima, o que fez com que Imperial optasse por improvisar uma mudança na  forma como estava conduzindo a apuração.  Decidido a mexer com a platéia, anunciou com sua garganta privilegiada:

- Estação Primeira de Mangueira: dez! Nota dez!

Os mangueirenses entraram em êxtase. Percebendo que a maneira diferente de anunciar o resultado havia agradado, Imperial repetiu a fórmula com as notas máximas das demais agremiações. Simultaneamente, por toda a cidade o que se ouvia naquele cair de tarde era um novo bordão que se alastrava como um vírus. Em todos os lugares as pessoas procuravam imitar a voz radiofônica de Carlos Imperial:

- Dez! Nota dez!

A apuração terminou com a Portela  de Imperial e seu enredo “Conto de Areia” campeã do desfile de domingo e Mangueira como a campeã de segunda. O Gordo deixou o Maracanâzinho como coadjuvante que por alguns minutos roubou a cena, algo que sempre o agradava bastante. Na rua, as pessoas o reconheciam e gritavam:

- Lá vai o “Dez! Nota Dez”.  …”

O bordão foi um dos últimos legados de Imperial, um cara que tem no currículo várias outras criações marcantes da cultura brasileira ao longo dos anos e que morreria no fim de 1992.

Amado e odiado com a mesma intensidade, Imperial foi  – além de autoentitulado “Rei da Pilantragem”  – pioneiro na propagação do rock no Brasil, descobridor e mentor de Roberto Carlos e outros artistas como Erasmo e Wilson Simonal, compositor  de vários sucessos (“Vem Quente que eu estou fervendo” e A Praça”) e um grande fanfarrão daqueles que rareiam nos dias de hoje.  No carnaval, por vários anos participava  do tradicional desfiles de   fantasias luxuosas cujo símbolo era Clovis Bornay só para debochar dos concorrentes.

Imperial também tem outras obras – e atitudes -  menos nobres no currículo.  Mas aí só lendo a  biografia escrita por  Denilson Monteiro (agora debruçado sobre Ronaldo Bôscoli) para saber.

Blog de “Dez! Nota Dez”

O livro nas livrarias virtuais

O livro na Estante Virtual

capa dez_imperial_72dpi

Também é possível achar em sebos o livro “Memórias de um Cafajeste”, do próprio Imperial:

memoriascafajeste

Memórias de um Cafajeste” na  Estante Virtual

Memórias de um Cafajeste” no Mercado Livre

comentários (7) | comente

7 Comentários Comente também
  • 17/02/2010 - 16:18
    Enviado por: Paulo

    Que bosta esse carnaval do Rio, é carnaval pra Inglês ver. sou mais o de São Paulo..

    obs Ah Roubaram a Gaviões

    responder este comentário denunciar abuso

  • 17/02/2010 - 18:46
    Enviado por: Lupinho

    O Rio de Janeiro inventou as escolas de sambas.
    E já etm desfile desde 1932 rsrsrsrs…

    Quem não tem cultura própria só resta imitar que é o caso de São Paulo.

    E a maior prova que o carnaval do Rio é melhor.

    É que o Rio de Janeiro inventou as escolas de sambas.
    Pernambuco o frevo
    Bahia os trios elétricos.

    E quem São Paulo imita,logo o Rio de Janeiro rsrsrsrs…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 17/02/2010 - 18:50
    Enviado por: GUILHERME CIMINO

    Paulo,
    crie um pouco de vergonha na cara, meu!
    Aposto que você é um daqueles corinthianos que fica de braços cruzados enquanto as outras escolas estão passando, e só se agita na Gaviões.

    Ps. Só por ter lançado o Simonal, o maior cantor brasileiro de todos os tempos, o Carlos Imperial merece aplausos!

    responder este comentário denunciar abuso

  • 17/02/2010 - 18:54
    Enviado por: joaquim

    QUANTOS “IMPERIAL”
    TEM NO CONGRESSO NACIONAL ?

    ISSO É O BRASIL – O PAÍS DO CARNAVAL.

    E O POVO TEM O QUE MERECE : PAU !

    responder este comentário denunciar abuso

  • 19/02/2010 - 12:37
    Enviado por: Renato

    Boa lembrança, Edmundo!

    Aqui no Rio as pessoas ainda se lembram muito do bordão criado pelo Imperial.

    O livro do Denilson é excelente! Imperial era uma figura controversa, com um deboche impagável. Politicamente incorreto, daquele tipo que infelizmente não existe mais.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 18/07/2010 - 17:53
    Enviado por: ronaldo

    Saudoso Carlos Imperial Deis Era Criança Ele Era Jurado do Programa Silvio Santos No SBT .

    Carlos Imperial Ele Era Bom Compositor

    responder este comentário denunciar abuso

  • 22/02/2012 - 15:33
    Enviado por: Violência na apuração: uma triste tradição do carnaval - Arquivo Estado - Estadao.com.br

    [...] Leia também: # Carlos Imperial, o inventor do bordão “Dez! Nota Dez!” [...]

    responder este comentário denunciar abuso

Deixe um comentário:

Arquivo

Seções

Blogs do Estadão