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segunda-feira 24/01/05

Cachorro Quente II

Cachorro Quente II (*adendo a Cachorro Quente) Olá Beer, Galfano e Pinéccio, Sei de cachorroquentistas que, por increça que parível, parecem ter esquecido que cachorro quente é para ser comido. Desmontam o bicho inteirinho, separam os ingredientes e começam a analisar. Cortam tudo em pedaços tão pequenos que muitas vezes não dá nem para perceber que aquilo era um cachorro quente. Um dos seus passatempos preferidos é tentar saber como foram feitos o pão e a salsicha. E, ...

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sexta-feira 21/01/05

Sai em DVD show de Ray Charles no Brasil em 1963

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O Brasil ganhou um lugar de destaque na nova onda em torno do cantor e músico Ray Charles, que morreu no ano passado aos 73 anos. Em meio à expectativa das indicações do filme que conta a sua vida ao Oscar e ao sucesso do tributo Genius Loves Company, foi lançado na Europa e Estados Unidos um DVD com um registro raro da primeira turnê de Ray Charles no Brasil, em 1963. Com um erro de acentuação no título, Ô-genio ...

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sábado 08/01/05

Rio usa estudo histórico do Estado para discutir violência

Aspectos Humanos da Favela Carioca

Aspectos Humanos da Favela Carioca

Aspectos Humanos da Favela Carioca

Edmundo Leite São Paulo – Um estudo histórico sobre as favelas cariocas encomendado pelo jornal O Estado de S. Paulo na década de 60 está servindo como base para a prefeitura do Rio de Janeiro discutir o problema da violência nos morros da cidade. Publicado originalmente nas páginas do Estado em 13 e ...

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sábado 01/01/05

Cachorro Quente

Cachorro Quente

Adoro cachorro quente. E não estará errado quem dizer até que amo cachorro quente. Gosto de todos os tipos e variações. Até mesmo daqueles que não são tão bons, daqueles que não estavam em seus melhores dias quando foram feitos. Além de curtir o gosto, me impressiona como esse sanduíche tipicamente americano se integrou à nossa cultura alimentar, incorporando ingredientes genuinamente brasileiros e transformando-se num dos itens mais originais de nossa culinária popular urbana de rua.

Apesar disso, não dá para viver numa dieta só de cachorro quente. Além de não fazer bem, comê-lo a toda hora, nas três refeições e quando mais desse, talvez acabasse tirando um pouco o lado divertido e prazeroso da coisa. Além do mais, também gosto muito de várias outros pratos que nada têm a ver com cachorro quente. E estranho os que dizem que gostar de cachorro quente exclui gostar desses outros pratos.

Agora, estranho mesmo é um pessoal que também gosta de cachorro quente, talvez até mais que eu, e que parece não conseguir viver sem cachorro quente. Podem estar numa pizzaria, churrascaria ou sorveteria, mas pedem cachorro quente, mesmo sabendo que ele não está no cardápio. Entram num restaurante português, japonês ou italiano e gritam bem alto para o garçom ou para cozinheiro: “SERVE CACHORRO QUENTE!!!”, de modo que todos os demais clientes também escutem.

A maioria desses cozinheiros até gostam bastante de cachorro quente, mas acabam se irritando com o pedido fora de lugar e, principalmente, com a maneira que ele é feito. Até os botecos que costumam improvisar para atender os clientes e as lanchontes especializadas em hambúrgures, que sempre têm cachorro quente como opção, estão começando a se queixar do tom dos pedidos, pois em vez de perguntar para o balconista se tem o que querem, gritam para o chapeiro: “SERVE CACHORRO QUENTE!!!”.

Amigos e familiares que também gostam de cachorro quente, mas não tanto assim, já estão evitando chamar esse pessoal para os churrascos, almoços e jantares, cansados de ouvir o pedido quando não fizeram cachorro quente porque não estavam a fim naquele dia.

Os “cachorroquentistas”, como se definem, costumam citar o receituário geral do cachorro quente, escrito há muitos anos, para justificar o direito de pedir cachorro quente quando, como e onde quiserem. O curioso é que, apesar de pedirem cachorro quente a toda hora, costumam reclamar muito quando alguns tentam colocar novos ingredientes no cachorro quente, esquecendo que o próprio cachorro quente brasileiro foi fruto dessas misturas e inovações.

Mesmo que esse cachorro quente não tenham sido feito para eles, querem que os outros comam o cachorro quente do jeito que eles gostam: fiel à receita original, ou com a chancela de um selo de qualidade de pureza cachorroquentista. Também esperneiam quando alguém que não comia cahorro quente começa a fazê-lo. E chegam mesmo a dizer que alguns não tem direito de servir cachorro quente, pois em algum ponto remoto de suas vidas não comiam cachorro quente em público, ou fizeram alguma crítica ao cachorro quente.

Assim, aos poucos, em vez de exaltar os valores do cachorro quente, acabam causando náuses em muitos que até simpatizavam, mas que já não querem nem sentir o cheiro por perto.

Abraços,

Edmundo

(Publicado originalmente em  18/1/2005 02:09 no grupo de discussões Komuna)

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