Ronaldo vira seu próprio cabeleireiro
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 25 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Saitama - O atacante Ronaldo já era o centro das atenções no treino desta segunda-feira no estádio de Saitama por causa do problema muscular que colocou em dúvida a sua participação no jogo semifinal contra a Turquia. Havia grande expectativa para saber se o jogador treinaria ou não, o que seria um indicador das chances de ele atuar na partida decisiva de quarta-feira. Mas quando entrou em campo, acabou atraindo a curiosidade de todos por causa de um inusitado corte de cabelo. Um dos precursores da careca entre os jogadores de futebol, o atleta da Inter de Milão desta vez raspou a cabeça, mas deixou um arco na parte de frente.
A novidade, contou o jogador, não foi feita por nenhum cabeleireiro ou colega, como costuma acontecer várias vezes na seleção. Foi obra dele mesmo. “É uma coisa nova, tentei mudar um pouco. Eu mesmo cortei”, disse. Segundo ele, o corte não foi inspirado em ninguém, tampouco foi fruto de alguma aposta ou promessa.
Dois jogadores de outras seleções já haviam feito algo parecido, mas com resultado um ligeiramente melhor: o meia turco Umit Davala e o atacante americano Clint Mathis, ambos com cortes ao estilo moicano, com uma faixa de cabelo no meio da cabeça e as laterais raspadas.
Ronaldo não comentou se pretende continuar com o corte mostrado no treino desta segunda ou se raspará tudo nos próximos dias. Mas na zona mista, local onde os jogadores dão entrevistas no estádio e por onde passou rapidamente, o jogador não quis exibir o corte inovador e preferiu ficar de boné, apesar da insistência dos repórteres para que mostrasse a inovação estética.
Se foi econômico nos comentários sobre o cabelo, Ronaldo também não quis se alongar muito sobre a sua condição física, mesmo dizendo-se otimista com a possibilidade de jogar contra os turcos. “Hoje não foi o dia mais importante. Vamos ver amanhã”. O fato de não ter se movimentado muito no treino e de ter participado apenas de uma parte do coletivo, segundo ele, não é motivo de preocupação. “Não tenho limitação de movimentos. Foi só mesmo para descansar”.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 24 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Saitama, Japão - Ronaldinho Gaúcho está garantido na final da Copa do Mundo, se o Brasil conseguir passar pela Turquia na partida desta quarta-feira pela semifinal da competição. O meia brasileiro foi julgado neste domingo pela Comitê Disciplinar da Fifa e cumprirá apenas um jogo de suspensão pela expulsão na vitória contra a Inglaterra. Ronaldinho poderia pegar mais um jogo como punição, mas foi apenas multado em 3.500 francos suícos, cerca de US$ 2.300.
A punição financeira foi comemorada pelo jogador, um dos destaques do Brasil na vitória sobre os ingleses ao lado de Rivaldo e que havia considerado injusta a sua expulsão, depois de cometer falta no lateral inglês Mills. “A minha expectativa era de que ficasse em um jogo mesmo, pois não tive intenção de machucar o adversário”, disse o atleta do Paris Saint-Germain, que na véspera declarou que a falta era apenas para cartão amarelo. “Mas também esperava que viesse alguma punição financeira, como havia acontecido com o Rivaldo na primeira fase”.
A multa de Gaúcho, no entanto, não chegou nem à metade da imposta a Rivaldo, punido pelo Comitê de Arbitragem por ter simulado que havia tomado uma bola na cara no jogo contra a Turquia, quando tinha sido atingido na perna. Pela encenação, Rivaldo teve de pagar 11.500 francos suíços.
Feliz pela posssibilidade de disputar o jogo decisivo da Copa do Mundo, Ronaldinho lamenta apenas o fato de poder ajudar o time apenas do banco, nessa partida decisiva contra a Turquia. Mas garante que incentivará bastante os companheiros e quem entrar em seu lugar para que o Brasil consiga a classificação.
No jogo contra a Inglaterra, Ronaldinho Gaúcho marcou o gol da virada no início do segundo tempo e ainda havia feito o passe para Rivaldo empatar o jogo nos acréscimos do primeiro. Agora, para tentar repetir o bom desempenho, Gaúcho terá de esperar que os colegas não o decepcionem.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 23 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Saitama, Japão - Os dias seguintes aos jogos da seleção brasileira são de viagem e mudança de casa. Se no último trecho a equipe havia optado pelo trem bala, o deslocamento dessa vez – entre Hamamatsu (Shizuoka) e Saitama – foi de ônibus. E viagem significa acordar cedo. Por volta das nove da manhã deste sábado, a delegação já estava em dois ônibus para enfrentar quatro horas de estrada. Mais demorado, mas compensador pela tranqüilidade de não tumultuar uma estação de trem, um local importante na rotina dos japoneses, que contam com uma vasta rede ferroviária que corta praticamente todo o país.
Essa foi a nona viagem da seleção desde que o time saiu de São Paulo, dia 12 de maio, para Barcelona. Depois do amistoso com a Catalunha, o time de Felipão foi para Malásia, com uma escala de abastecimento em Riad, na Arábia Saudita. De Kuala Lumpur, o time viajou para Ulsan, na Coréia do Sul, onde ficou até o terceiro jogo na Copa. Nesse período, o time ainda fez uma viagem de avião para a Ilha de Jeju, onde enfrentou a China, e depois seguiu para Seul, para a disputa do jogo contra a Costa Rica, na vizinha de cidade de Suwon.
Com a confirmação do primeiro lugar do grupo, o time se despediu da Coréia e embarcou para Kobe, onde enfrentou a Bélgica e de onde partiu de trem para Hamamatsu. Agora, restam apenas duas viagens, apenas uma delas com destino certo: a da volta para o Brasil. A primeira pode ser para Yokohama, local da final do Mundial, ou para Daegu, na Coréia do Sul, destino das seleções que perderem as semefinais e irão disputar o terceiro lugar. A confirmação do bilhete só depende do desempenho do time.
Sem treino – Pela primeira vez desde a chegada na Coréia, a comissão técnica optou por não fazer um treinamento com os reservas no dia seguinte ao jogo. Neste sábado, todos foram para a piscina. Antes de cair na água, os reservas tiveram que fazer uma corrida na pista dentro do hotel.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 22 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Saitama, Japão - Ronaldinho Gaúcho está confiante e arrependido. Confiante porque acredita que não receberá uma punição mais severa da Fifa por causa da expulsão no jogo contra a Inglaterra e que, assim, poderá disputar a final da Copa do Mundo, se o Brasil passar pela Turquia. Arrependido por ter ido com tanto ímpeto contra o inglês Mills no lance que resultou no cartão vermelho. “Não passa pela minha cabeça ficar forma da final”, disse o meia do Paris Saint Germain, no hotel onde a seleção brasileira está concentrada em Saitama. “O que passa na minha cabeça é cumprir a suspensão normalmente e nesse jogo que eu vou ficar no banco poder ajudar de alguma forma e poder participar da final”.
O caso de Ronaldinho seria julgado neste domingo pela Comissão de Arbitragem da Fifa, que pode aumentar a suspensão do jogador em mais um partida. Mas Ronaldinho acredita que a análise do vídeo do jogo o favorecerá. Além disso, a CBF também conta com o prestígio do presidente da entidade, Ricardo Teixeira, que é integrante da Comissão de Arbitragem, para preservar o atleta de uma punição rigorosa.
Ronaldinho voltou a afirmar que considera a expulsão injusta e disse que não teve a intenção de atingir o adversário, que pouco antes o havia atingido. “Acabei colocando o pé nele e o árbitro achou que era lance para expulsão. Eu acho que era para cartão amarelo”. Segundo o brasileiro, ele tentava se proteger. “Minha intenção não foi dar o troco, foi de me proteger, pois achei que ele viria mais forte”.
Mesmo considerando injusto o cartão vermelho, Ronaldinho Gaúcho não esconde um pouco de arrependimento por ter ido com tanto ímpeto na jogada. “Se fosse pensar duas vezes é lógico que eu não colocaria o pé daquela forma. Mas aconteceu e agora é esperar”.
Gol - A única coisa que ameniza a tristeza com a expulsão é ter marcado o gol que garantiu a vitória e a vaga do Brasil nas semifinais da Copa do Mundo. Como aconteceu depois da partida, Ronaldinho Gaúcho voltou a afirmar que tinha a mesmo a intenção de chutar a bola a gol, e não fazer um cruzamento, como até alguns companheiros de time chegaram a dizer. “É lógico que eu não queria botar a bola daquela forma, colocar exatamente naquele lugar, mas minha intenção foi de chutar no gol”.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 22 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Shizuoka, Japão – O zagueiro Lúcio poderia ter saído do jogo contra a Inglaterra marcado pela eliminação brasileira na Copa do Mundo. O jogador do Bayer Leverkusen falhou deixou Michael Owen na cara gol para fazer o gol inglês aos 22 minutos, complicando a situação do time brasileiro, que só conseguiu se recuperar com um gol de Rivaldo nos acrécimos. Foram momentos de angústia, que o jogador superou com a ajuda dos colegas.
Lúcio admite que falhou no lance, mas procurou minimizar o erro, deatacando a superacão do placar aadverso pela equibe brasileira. Sobre o lance em si, o zagueiro conta que nem viu a bola. “Foi uma bola difícil onde eu fiz o máximo para tirar, mas não consegui ver a bola porque foi um lance muito rápido”, disse o jogador.
O erro, segundo ele, não o abalou, nem mesmo os outros jogadores. O incentivo dos companheiros acontreceu de forma natural. “A princípio ninguém falou nada. Só pegaram a bola e falamos vamos lá que ainda tinha muito jogo pela frente”. A sua postura dentro de campo continuou a mesma, segundo onta, mas com mai atenção. “Continuei jogando da mesma forma. O único lance onde a nossa defesa sofreu foi na hora do gol mas dentro da partida não houve outros lances perigosos”, disse, evidenciando que não pretende ser julgado apenas pelo lance com Owen.
Pare ele, qualquer um que estivesse jogando corria o risco de passar por uma situaçào difíl com a que enfrentou. “A gente que está lá dentro sabe que isso pode acontecer. Infelizmente, aconteceu comigo. Mas o negócio é manter a calma e jogar como a nossoa equipe jogou para conseguir o resultado positivo”.
(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 21 de junho de 2002)
Edmundo Leite
Shizuoka, Japão - Mais uma vez, Rivaldo marcou um gol fundamental para a seleção brasileira. Com o Brasil perdendo por 1 a 0 e a partida já nos descontos, o atacante aproveitou com perfeição o passe de Ronaldinho Gaúcho para igualar o placar e dar mais tranquilidade para o time no segundo tempo. “É bom ser o destaque do jogo, e tem um sabor especial por ser de virada”.
Mesmo sabendo da importância de seu gol, Rivaldo procurou não exaltar a própria atuação, mas sim o comportamento do grupo. “Foi um gol importante, mas o principal é que ajudou pois deu tranquilidade para chegar ao segundo tempo com empate”.
O jogador do Barcelona diz que o Brasil poderia ter feito até mais, não fosse o cartão vermelho tomado por Ronaldinho Gaúcho logo aos 12 minutos do segundo tempo – pouco depois de ter marcado o segundo gol brasileiro. “Ficou um pouco difícil, mas o Felipão conseguiu que a gente colocasse a cabeça no lugar. O banco também ajudou, dando incentivo, todo mundo ajudou e aí conseguimos nos recuperar”.
Rivaldo negou que o time tenha se acomodado no segundo tempo e não tenha buscado ampliar, por estar satisfeito com o 2 a 1. “É Impossível fazer outro gol com um a menos. É claro que se tivesse uma oportunidade faria mai um gol, mas não teve porque a gente, com um a menos, estava preocupado em se proteger e no atacar”.
O duelo com David Beckham foi minimizado por Rivaldo. “Eu ganhei, o Brasil ganhou da Inglaterra e não só de um jogador”.
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